Empresas apostam em eficiência energética para conter custos e aumentar competitividade

Empresas apostam em eficiência energética para conter custos e aumentar competitividade

As contas de energia elétrica chegam a representar 10% do faturamento de micro e pequenas empresas no Brasil, segundo mapeamentos do Sebrae, e esse custo vem crescendo com o aumento do consumo nacional de eletricidade. 

Com a alta nos preços e o uso mais intenso de ventiladores e ar condicionado, residências e pequenos negócios tiveram um aumento de 2,5% no consumo em 2023. Em março de 2025, o país registrou 49.190 GWh consumidos, o maior volume da série histórica, 2,6% acima do mesmo mês do ano anterior. 

Para as finanças dos pequenos negócios, a conta de luz é uma despesa fixa que impacta diretamente a competitividade. A mesma pesquisa do Sebrae mostrou que 55% dos participantes gastam até R$ 500 por mês com eletricidade. 

Entre as principais barreiras para investir em eficiência estão o desconhecimento sobre tecnologias (31%) e a percepção de alto investimento (28%). 

Os números mostram que a eficiência energética é uma pauta de gestão, sobretudo quando se considera que o consumo nacional cresce num ritmo mais rápido que o PIB e que os picos de demanda pressionam as tarifas. Uma abordagem estruturada pode reduzir custos e valorizar o negócio.

Faça um diagnóstico e descubra de onde vem o desperdício

Entender como a energia é utilizada dentro da empresa é o primeiro passo para reduzir gastos. Um diagnóstico básico, que pode ser feito com medidores portáteis ou analisando a conta de luz, identifica quais equipamentos consomem mais e em quais horários a demanda é maior. 

Relatórios internacionais apontam que uma auditoria energética simples pode apontar economias de 5% a 10% sem prejuízo da produção. Nos negócios de varejo, refrigeradores e fornos são frequentemente os vilões; em escritórios, computadores, equipamentos de telecomunicação e sistemas de ar condicionado ligados em horário integral elevam a fatura.

O diagnóstico ajuda a estabelecer prioridades. Uma análise do perfil energético de mais de 1.200 empreendedores mostrou que 35,8% já adotam alguma forma de gestão e 9,5% instalaram sistemas de geração própria, como painéis solares. 

Invista em equipamentos eficientes e modernize a iluminação

Substituir lâmpadas incandescentes e fluorescentes por LEDs e escolher equipamentos com selo de eficiência faz grande diferença no médio prazo. A iluminação representa uma fatia relevante do consumo em padarias, restaurantes e lojas. 

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Lâmpadas LED consomem até 80% menos eletricidade e duram até 25 vezes mais que modelos incandescentes. De acordo com o relatório Energy Efficiency for Businesses, empresas que adotam aparelhos de alta eficiência e atualizam sistemas de climatização podem reduzir o consumo de motores em 20% a 30%, gerando economia de bilhões em custos de eletricidade.

Muitas lojas e escritórios ainda operam com equipamentos obsoletos. A troca de um ar condicionado antigo por um modelo com classificação A do Inmetro pode reduzir o gasto com refrigeração em um quarto, além de proporcionar conforto térmico. 

O investimento inicial é compensado pela economia na conta de luz em poucos meses. Segundo o Sebrae, a adesão a boas práticas, como optar por máquinas e lâmpadas eficientes, faz parte das cinco medidas básicas para diminuir despesas.

Mude hábitos e automatize para gastar menos

Mais da metade das micro e pequenas empresas gasta até R$ 500 mensais com energia. Pequenos gestos, como desligar luzes e equipamentos fora do expediente, reduzem significativamente esse valor. 

No relatório da SEforALL, uma fábrica conseguiu economizar 30% apenas desligando máquinas quando não há produção. Em lojas de roupas e espaços comerciais, por exemplo, ar condicionado e refrigeradores continuam funcionando durante a noite, o que pesa no orçamento. 

A automação também contribui. Sensores de presença nos banheiros e corredores garantem que as luzes acendam apenas quando necessário, e temporizadores podem programar horários para desligar aparelhos. 

Essas soluções são baratas e reduzem o desperdício. Pesquisas do Sebrae indicam que 60,4% dos empreendedores não têm uma pessoa responsável pelo plano de redução de consumo e que 52,8% das empresas contam apenas com ações pontuais de conscientização. 

Tenha um plano de gestão energética e use a informação a seu favor

Apesar de reconhecerem a importância da gestão de energia, 79% dos entrevistados afirmam que ela é relevante, mas a maioria das empresas ainda não formalizou um plano. Sem metas e indicadores, é difícil acompanhar o impacto das medidas de eficiência. 

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Outro aspecto é o monitoramento constante. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) registrou que, em 2023, o mercado livre de energia cresceu 5,9%, puxado pelos setores de metalurgia, comércio e serviços. 

Pequenos negócios podem avaliar se vale a pena migrar para esse ambiente, no qual é possível negociar preços e contratar volumes sob medida, especialmente se o consumo mensal for elevado e houver previsão de expansão. 

Para empresas com faturas superiores a R$ 10 mil, o mercado livre já é uma alternativa em 2025. Para os demais, há iniciativas de cooperativas e consórcios que proporcionam descontos sem grandes investimentos.

Avalie a geração própria e fontes renováveis

Outra forma de diminuir o peso da conta de luz é investir em geração própria. Entre os participantes do mapeamento do Sebrae, 9,5% já têm sistemas de geração, principalmente solares.

O preço dos painéis fotovoltaicos caiu nos últimos anos e linhas de crédito específicas facilitam a aquisição. É importante fazer um estudo de viabilidade que considere o custo da instalação, o valor da energia gerada e o tempo de retorno. Empresas com telhado disponível e consumo diurno elevado tendem a se beneficiar mais.

A CCEE informou que as ondas de calor fizeram o consumo residencial e de pequenas empresas crescer 2,5% em 2023, o que reforça a necessidade de soluções adaptadas às mudanças climáticas. 

Sistemas de geração distribuída reduzem a dependência da rede e protegem contra oscilações tarifárias. Iniciativas de compartilhamento, como condomínios solares ou usinas remotas por assinatura, possibilitam reduzir a fatura sem instalar painéis no próprio estabelecimento. 

Treine a equipe e incorpore a cultura de eficiência

Para que as medidas de economia tenham efeito duradouro, é preciso engajar colaboradores e parceiros. Campanhas internas, cartazes lembrando de desligar luzes e realizar manutenção preventiva criam uma cultura de responsabilidade. 

O Sebrae recomenda capacitar a equipe sobre boas práticas e revisar periodicamente se as orientações estão sendo seguidas. A atitude da liderança conta: quando proprietários e gerentes se preocupam em economizar, os funcionários tendem a seguir o exemplo.

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Treinamentos curtos podem abordar temas como ajustes de temperatura no ar condicionado, uso racional da geladeira e importância de desconectar carregadores da tomada. 

Experiências bem-sucedidas mostram que reduzir o tempo de operação do ar condicionado, ajustar termostatos para 23°C a 25°C e limpar filtros regularmente diminui a fatura e aumenta a vida útil dos aparelhos. 

Uma empresária goiana citada pelo Sebrae conseguiu reduzir entre 20% e 25% dos gastos ao substituir equipamentos danificados e orientar as vendedoras a usar ventiladores somente quando necessário. 

Estratégia, informação e tecnologia caminham juntas

Com o crescimento contínuo do consumo, o total acumulado em 12 meses atingiu 564.490 GWh em março de 2025. Pequenas empresas precisam se preparar para um cenário de tarifas mais altas e volatilidade nos próximos anos. 

Relatórios internacionais estimam que, aplicando tecnologias existentes, as empresas podem reduzir o consumo de energia em 31% sem reduzir a produção, economizando US$ 2 trilhões por ano. 

Essa estimativa envolve desde mudanças comportamentais, como ajustar temperaturas e desligar equipamentos, até substituição de motores e instalação de sistemas inteligentes de gestão.

Para os pequenos negócios brasileiros, o desafio é adaptar essas soluções à realidade local. Muitos proprietários acreditam que eficiência exige grande investimento, quando há ações de baixo custo com impacto imediato. 

Reduza custos em energia incorporando práticas simples: monitore o consumo, troque equipamentos ineficientes, busque orientação sobre tarifas diferenciadas e considere a geração solar quando fizer sentido. O retorno se traduz em menores despesas, aumento da margem de lucro e uma imagem mais sustentável perante clientes e investidores.

Em um mercado competitivo, a gestão energética deixou de ser um tema técnico isolado e passou a fazer parte da estratégia de negócios. Pequenas empresas que adotam medidas de eficiência conseguem segurar os gastos, oferecem preços mais atrativos e contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa.