Músico Bruno De Vitto estreia na literatura com crônicas sobre os desafios de entrar na vida adulta

Músico Bruno De Vitto estreia na literatura com crônicas sobre os desafios de entrar na vida adulta

A transição entre a adolescência e a vida adulta, com todas as suas dúvidas, inseguranças e descobertas, é o tema central de Tudo o que você não quer saber, novo lançamento da Degustadora Editora. Escrito pelo músico Bruno De Vitto, o livro reúne crônicas que misturam humor, memórias afetivas, referências à cultura pop e reflexões sobre temas como ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), relações familiares e a busca por fazer parte.
Conhecido por sua atuação na cena independente de Indie Pop, com músicas autorais disponíveis em plataformas como Spotify e Apple Music, Bruno faz sua estreia literária levando para a escrita a mesma sensibilidade presente em suas composições. Para ele, música e literatura compartilham a capacidade de transformar emoções em experiências capazes de gerar identificação e acolhimento.
“Eu queria escrever um livro que não fingisse que a vida adulta é uma coisa organizada. Sempre pensei que aos 22 anos estaria tudo resolvido, mas fui percebendo que ninguém acorda parecendo protagonista de comercial de margarina e que todo mundo está tentando entender a própria vida”, afirma o autor.
Em seus textos, o leitor encontra histórias que transitam entre lembranças da infância, episódios cotidianos e pensamentos aparentemente aleatórios que, aos poucos, revelam questões mais profundas. Há espaço para dinossauros de plástico, labirintos traumatizantes, zebras imaginárias e também para crises existenciais às quatro da manhã. O resultado é uma narrativa que combina leveza e vulnerabilidade, sem abrir mão da ironia.
“O livro parece uma conversa longa dentro de um carro de madrugada. Daquelas que começam falando sobre um refrigerante favorito e terminam discutindo uma crise existencial. Tem muito humor, mas é aquele humor meio defensivo: você ri antes que a vida ria de você”, diz Bruno.

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Das anotações para o livro
A inspiração para a obra surgiu de forma espontânea, durante noites em que o autor registrava pensamentos e memórias em blocos de notas após voltar da faculdade. Entre uma refeição improvisada e outra, as anotações cresceram e acabaram se transformando em um livro.
“Ele começou literalmente de madrugada, comigo escrevendo enquanto comia Cup Noodles. Não nasceu com a intenção de ser publicado. Era uma tentativa de entender o que estava acontecendo comigo naquele momento da vida. Quando percebi, aquilo tinha virado um diário emocional cheio de piadas”, conta.
Além da música, outra influência importante para a construção do universo do livro foi a série norte-americana Gilmore Girls. Bruno buscou reproduzir na escrita a mesma sensação de conforto, nostalgia e identificação que encontra na produção da TV.
“Transformei a minha história com a família e os amigos em uma espécie de série vintage dos anos 2000. Queria que o leitor encontrasse um lugar confortável para revisitar suas próprias memórias, inclusive aquelas partes mais bagunçadas da vida”, explica.
A relação com a música também aparece diretamente na estrutura da obra. Segundo o autor, muitas crônicas foram construídas como se fossem faixas de um álbum, cada uma com atmosfera, ritmo e emoção próprios.
“Eu escrevo como alguém que vive ouvindo uma trilha sonora mental o tempo inteiro. Queria que cada texto tivesse sua própria vibe, quase como músicas dentro de um disco. A música sempre foi meu jeito de sobreviver emocionalmente às coisas, e a escrita acabou se tornando a mesma coisa”, explica.
Mais do que oferecer respostas, Tudo o que você não quer saber propõe companhia para quem também sente que está improvisando na vida adulta. Com humor, sinceridade e uma boa dose de nostalgia, Bruno De Vitto convida o leitor a perceber que crescer talvez não signifique ter tudo sob controle: “Eu não queria ensinar ninguém a viver. O livro simplesmente senta ao seu lado e diz: está tudo bem, estamos todos meio perdidos. Se ele conseguir fazer alguém se sentir um pouco menos sozinho dentro da própria cabeça, então já cumpriu o seu papel”.

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