Gestão de eficiência energética: uma tendência para as empresas em 2024

Por Marcelo Almeida

Atualmente, a energia é responsável por impulsionar todas as atividades da economia brasileira. Nesse sentido, a gestão de eficiência energética tornou-se um grande desafio em diferentes setores, como é o caso do mercado industrial. Para se ter uma ideia, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), as indústrias podem destinar mais de 40% de seus custos operacionais à energia elétrica.

  

Já os dados do SEBRAE apontam que as pequenas empresas podem gastar até 20% de seus custos totais com este tipo de despesa, tornando evidente que este elevado consumo também afeta outros segmentos, como o varejo, educação e saúde, bem como call centers e data centers, que geralmente contam com consumo de energia expressivo, uma vez que a eletricidade representa uma parcela significativa dos seus gastos operacionais.

  

A importância da gestão de eficiência energética

 Com custos significativos, sujeitos a possíveis variações regulatórias e abertura de mercado para novas formas de contratação, a gestão de energia emergiu nos últimos anos como uma tendência crucial para os setores financeiros das empresas, tendo em vista a essencialidade de reduzir as despesas sem comprometer a produtividade.

  

Desta forma, a gestão energética depende de uma gestão orçamentária detalhada devido a abrangência de componentes no custo, como demanda, consumo, subvenção tarifária, iluminação pública, impostos e encargos, possibilitando estabelecer uma base detalhada para cada um desses elementos e obtendo um controle efetivo.

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Além disso, se uma empresa não realiza este gerenciamento de forma assertiva, fica impossibilitada de determinar se está pagando pela energia mais econômica disponível. Outro ponto importante é que quando a gestão de energia é realizada de forma adequada, é possível analisar todos os detalhes que impactam na fatura, proporcionando insights para o planejamento financeiro e para previsões mais precisas.

  

O impacto do Mercado Livre de Energia para as empresas

 Com papel relevante para a redução de gastos com eletricidade, o Mercado Livre de Energia (ACL – Ambiente de Contratação Livre) é uma realidade já consolidada para as grandes indústrias, que consomem, muitas vezes, a energia equivalente ao abastecimento de uma cidade.

  

No mercado regulado (ACR) tradicional, a aquisição de energia se dá, em sua essência, através das distribuidoras, enquanto no ACL, a compra é realizada diretamente com as comercializadoras. Neste sentido, a complexidade e a constante adaptação das regulamentações de reajuste anual, específicas para cada concessionária no ACR, dificultam a visibilidade e clareza para as empresas quanto a esses encargos.

  

Por outro lado, ao optar pelo Mercado Livre de Energia, há uma transparência maior, uma vez que se conhece o índice de reajuste (Ex. IPCA) e, consequentemente, o custo associado. No entanto, a sua ampliação do ACL para outros segmentos além da indústria e os grandes consumidores era limitada, devido à alta demanda necessária para ingressar nesse modelo.

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Para se ter uma ideia, atualmente, existem aproximadamente 33 mil unidades consumidoras (UC) no ACL, de acordo com dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), mas a regulamentação em vigor permitirá a partir de janeiro/2024 a adesão de quase 170 mil novas unidades consumidoras.

  

Como a tecnologia pode apoiar na gestão energética das empresas?

A tecnologia se apresenta como um recurso fundamental para que as empresas se adaptem às principais tendências e variações do mercado energético, possuindo o potencial de automatizar a coleta de faturas e a captura de dados, formando, assim, um banco poderoso de informações.

  

Isso permite a aplicação de inúmeras técnicas de inteligência de custos, apoiadas por uma variedade de algoritmos, a fim de auditar faturas, identificar possíveis erros de cobrança e oferecer insights sobre oportunidades de otimização de custos e de consumo.

  

Além disso, essas ferramentas tecnológicas podem ser úteis no estudo sobre a migração para o Mercado Livre de Energia, pois nem sempre esta transferência pode ser a opção mais viável para as empresas. Desta forma, a tecnologia permite ter um balanço energético sobre a migração, controle de pagamentos, consumo, garantias e até organizar a compra e venda de excedente de energia.

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Além de todos esses pontos, a tecnologia desempenha papel crucial na otimização do trabalho das equipes envolvidas no controle de gastos. Isto porque, a gestão de energia demanda uma visão ampla relacionada às tendências e aos fatores externos que afetam o desempenho das companhias. A partir disto, realizar uma gestão energética de maneira adequada requer uma compreensão profunda do segmento e das previsões climáticas, algo desafiador dentro de uma empresa e possível com o apoio da tecnologia.

  

Portanto, é inegável que a gestão energética tem o potencial de apoiar o desenvolvimento, ou mesmo de prejudicar o desempenho das empresas caso não seja realizada de forma assertiva. Desta maneira, investir em soluções que agreguem valor e possibilitem uma gestão eficiente, são tendências cruciais a serem investidas pelas empresas no próximo ano, a fim de assegurar sua saúde financeira, fortalecer sua eficiência operacional e permitir uma gestão de energia estratégica e orientada para o futuro.

  

Marcelo Almeida é Diretor da Área Finance Transformation da CXP Brasil, consultoria em tecnologia da informação.