Com sete apresentações destinadas a estudantes de escolas públicas e uma aberta à população, iniciativa reúne música, teatro e dança para abordar a diversidade cultural e a formação da identidade brasileira
Brasília (DF), 18 de setembro de 2026 – A obra de Darcy Ribeiro chega a instituições de ensino do Distrito Federal por meio da música, do teatro e da dança. O projeto “O Povo Brasileiro e suas Canções: cantando os brasis de Darcy Ribeiro” começou nesta sexta-feira (18) e reúne uma programação de sete apresentações destinadas a estudantes de escolas públicas. Uma oitava sessão, aberta à população, também integra a iniciativa e terá data e local divulgados posteriormente.
Idealizada pelo músico Carlinhos Veiga (Carlos da Veiga Feitoza), a iniciativa parte do livro O Povo Brasileiro – A formação e o sentido do Brasil. No espetáculo, os cinco “Brasis” identificados pelo antropólogo – crioulo, caboclo, sertanejo, caipira e sulino – são apresentados por meio de canções, textos e movimentos cênicos que ajudam a compreender as diferentes matrizes da identidade nacional.
As primeiras atividades aconteceram nesta sexta-feira (18), nos períodos matutino e vespertino, respectivamente no CEIC Águas Claras e no CEF 10 de Taguatinga Sul. Na próxima segunda-feira, dia 21 de setembro, o projeto passa pelo Centro Social Formar, pela manhã, e retorna ao CEIC Águas Claras, à tarde. A programação continua em 23 de outubro, no CEF 10 de Taguatinga Sul, no período matutino, e no CEI 09 de Arniqueiras/Águas Claras, no vespertino. A última apresentação destinada aos estudantes será realizada em 26 de outubro, pela manhã, novamente no CEI 09. A sessão aberta à população será anunciada após a definição da data e do local.
A ideia nasceu de uma experiência realizada pela Biblioteca Demonstrativa de Brasília em um projeto educativo com músicos brasilienses. O interesse pela trajetória e pela obra de Darcy Ribeiro, especialmente por sua relação com a capital federal, levou Carlinhos e sua equipe a desenvolver a proposta, posteriormente apresentada em escolas públicas do Distrito Federal.
A repercussão das apresentações motivou esta nova etapa, aprovada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal. “Falar sobre a obra de Darcy Ribeiro é muito interessante por tudo o que ele representa para Brasília. Ele foi um dos aguerridos fundadores da Universidade de Brasília (UnB) e o seu primeiro reitor. Sua carreira política, mas, especialmente sua obra como antropólogo, historiador e sociólogo trouxeram grandes contribuições para o país”, explica Carlinhos Veiga.
Os “Brasis” transformados em cena
A apresentação combina textos inspirados na obra de Darcy Ribeiro, interpretados pelo ator Matheus Loures, com a música de Carlinhos e sua banda e a coreografia da dançarina Michelle Pereira. O repertório estabelece relações com as paisagens culturais abordadas no livro. “Buscamos um repertório que traduzisse as regiões descritas por Darcy Ribeiro, dialogasse com o conjunto do projeto e se adequasse à sonoridade e à linguagem do nosso trabalho musical. No repertório mesclamos músicas conhecidas, folclóricas e algumas autorais”, afirma Carlinhos.
A integração das linguagens artísticas aproxima do público temas como inclusão, miscigenação e conflitos históricos. Em vez de apresentar esses conteúdos apenas de maneira expositiva, o espetáculo os transforma em uma experiência compartilhada com a plateia. “O texto é muito interessante. A maneira como ele constrói essa narrativa dá ao leitor um sentido de fazer parte incrível. Buscamos manter essa ideia bem evidente: somos parte de um país ambíguo, mas incrível, chamado Brasil. Como foi formado, teria tudo para dar errado, mas é um país diverso, plural e em construção. Único”, destaca o músico.
Arte como caminho para o conhecimento
Ao transportar para o palco a interpretação de Darcy Ribeiro sobre a formação do povo brasileiro, o espetáculo aproxima esse conteúdo especialmente do público jovem.
Integrante do espetáculo, a flautista Cláudia Barbosa observa que a música pode despertar o interesse por manifestações presentes no cotidiano, embora suas origens nem sempre sejam conhecidas. “A música, assim como toda expressão artística, cria um ambiente muito favorável de interação. Muitas vezes, as pessoas cantam ou conhecem determinada música ou ritmo, mas não sabem da sua origem. As músicas do projeto, junto com o texto e a dança, criam uma ponte entre o público e as diferentes culturas brasileiras”, explica.
Cláudia também relata a reação dos estudantes nas apresentações já realizadas. “Os estudantes ficam surpresos com a diversidade da cultura brasileira e como ela se destaca de outras culturas. Eles participam cantando junto, até mesmo músicas antigas do cancioneiro brasileiro”, conta.
O violeiro e professor Victor Batista amplia esse olhar a partir da cultura popular. “O Brasil, pela vasta extensão territorial, também é extenso na sua diversidade cultural e na sua cultura popular. A reflexão que faço através da música é justamente sobre essa diversidade que temos no Brasil e que nenhum outro país tem”, afirma.
Para Victor, o contato com o repertório abre espaço para discutir a função social da produção artística. “A cultura precisa ser transformadora. Ela não pode ser simplesmente entretenimento. A música e a arte precisam levar as pessoas à reflexão e provocar mudanças na maneira como enxergam o mundo”, destaca.
Um país em permanente construção
Ao percorrer os diferentes “Brasis”, o espetáculo também aborda conflitos e desigualdades presentes na história nacional. A intenção é oferecer elementos para que o público reconheça tanto o patrimônio constituído ao longo desse processo quanto as contradições que o atravessam. “Queremos que o público tenha uma visão real e crítica do nosso país. Não queremos vender a ideia romântica de um país perfeito e que tem uma linda história. Não. O Brasil foi formado a partir de encontros e desencontros”, observa Carlinhos.
O músico amplia a análise ao abordar as marcas deixadas por esse processo. “Essa diversidade única do Brasil, essa pluralidade que nos faz tão ricos culturalmente, teve e ainda tem um custo altíssimo para a nação brasileira. Mas estamos em construção. Não dá para romantizar. Esse projeto pretende trazer reflexão a quem o assistir”, completa.
SERVIÇO
Programação nas instituições
18 de setembro – sexta-feira
Período matutino | CEIC Águas Claras
Endereço: Conjunto R, Área Especial 01, Areal (Águas Claras/Arniqueira), Brasília – DF
Período vespertino | CEF 10 de Taguatinga Sul
Endereço: QSE 05/07, Área Especial 01, Taguatinga Sul, Brasília – DF
21 de setembro – segunda-feira
Período matutino | Centro Social Formar
Endereço: Setor Habitacional Arniqueira, SHA, Conjunto 5, Chácara 103, Lote 01, Arniqueira, Brasília – DF
Período vespertino | CEIC Águas Claras – QS 11
Endereço: Conjunto R, Área Especial 01, Areal (Águas Claras/Arniqueira), Brasília – DF
23 de outubro | sexta-feira
Período matutino — CEF 10 de Taguatinga Sul
Endereço: QSE 05/07, Área Especial 01, Taguatinga Sul, Brasília – DF
Período vespertino | CEI 09 de Arniqueiras/Águas Claras
Endereço: QS 07, Área Especial 02, Lotes 04/10, Avenida Águas Claras (Areal), Brasília – DF
26 de outubro | segunda-feira
Período matutino — CEI 09 de Arniqueiras/Águas Claras
Endereço: QS 07, Área Especial 02, Lotes 04/10, Avenida Águas Claras (Areal), Brasília – DF
Obs. A apresentação aberta à população terá data e local divulgados posteriormente.
Carlinhos Veiga & Banda
Ficha Técnica
Carlinhos Veiga – voz, violão e viola caipira
Cantor, compositor e multi-instrumentista goiano radicado em Brasília, desenvolve uma trajetória ligada à música popular brasileira e às sonoridades regionais. Com quatro décadas de carreira, reúne em seu trabalho referências da moda de viola, da cultura do Cerrado e de diferentes manifestações musicais brasileiras.
Cláudia Barbosa – flauta
Cantora e flautista, integra há vários anos a banda de Carlinhos Veiga. Sua trajetória inclui apresentações e gravações dedicadas à música brasileira, com participação em diferentes trabalhos da discografia do artista.
Enos Marcelino – acordeon e voz
Acordeonista e cantor atuante na cena musical de Brasília, participa de espetáculos e projetos ligados à música popular e aos ritmos regionais brasileiros. Ao longo da carreira, tem acompanhado Carlinhos Veiga e outros artistas em shows e gravações.
Ismael Rattis – percussão
Percussionista com atuação em projetos musicais e de arte-educação no Distrito Federal. Integra trabalhos voltados à valorização dos ritmos brasileiros e já participou de gravações e apresentações da banda de Carlinhos Veiga.
Nelson Latif – baixo, cavaquinho e voz
Músico, instrumentista e sociólogo atuante na cena cultural de Brasília, desenvolve trabalhos ligados à música popular, ao choro e à cultura brasileira. Também participa de iniciativas de arte-educação realizadas em escolas públicas e instituições do Distrito Federal.
Matheus Loures – ator
Ator responsável pela interpretação dos textos inspirados na obra de Darcy Ribeiro, conduzindo o público pelos cinco “Brasis” apresentados no espetáculo.
Michelle Pereira – dançarina
Dançarina responsável pela expressão corporal e pelas coreografias que dialogam com a música e os textos cênicos, representando movimentos e referências das diferentes matrizes culturais brasileiras.






