Por que jogadores podem perder a bola de vista mesmo em um campo bem iluminado?

Por que jogadores podem perder a bola de vista mesmo em um campo bem iluminado?

Um campo pode parecer bem iluminado para quem observa da arquibancada e, ainda assim, criar dificuldades para quem está em movimento dentro dele. O problema está na diferença entre quantidade de luz e qualidade visual. Em esportes como futebol, tênis, vôlei e padel, atletas precisam localizar bolas que mudam de velocidade, altura e direção em frações de segundo, muitas vezes enquanto movimentam a cabeça e o corpo.

Em maio de 2025, uma análise publicada pela Illuminating Engineering Society, entidade técnica internacional especializada em iluminação, destacou que projetos esportivos precisam controlar o ofuscamento e uniformidade, especialmente em modalidades nas quais o atleta acompanha trajetórias aéreas. 

O artigo ressalta que luminárias diretas mal posicionadas podem levar brilho intenso ao campo de visão do jogador. Por outro lado, uma iluminação excessivamente indireta pode reduzir referências de sombra importantes para perceber o giro e a direção da bola.

Mais luz não significa melhor visibilidade

A quantidade de lux, portanto, não explica sozinha a qualidade da experiência visual. Em 2025, a própria IES publicou a norma ANSI/IES LS-8-25, dedicada à relação entre iluminação, percepção e desempenho visual, contemplando aspectos como brilho, ofuscamento, flicker, visibilidade e iluminância.

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Outro documento publicado pela entidade no mesmo ano diferencia o ofuscamento que provoca desconforto daquele capaz de prejudicar efetivamente a visibilidade. Segundo a IES, o chamado “disability glare” pode comprometer o desempenho visual mesmo sem provocar uma sensação evidente de incômodo.

Na prática, dois campos com iluminação média semelhante podem produzir condições visuais diferentes. Áreas muito claras ao lado de regiões mais escuras criam transições de luminância, enquanto projetores direcionados de forma inadequada podem colocar fontes intensas de luz no mesmo campo visual em que o atleta procura a bola.

Em iluminação para clubes, o ponto de partida não deve ser apenas quanto de luz chega ao campo, mas como ela chega. Distribuição, posicionamento, uniformidade e controle de ofuscamento precisam ser avaliados em conjunto, porque o jogador acompanha uma bola em movimento e muda a direção do olhar constantemente”, afirma Charles Costa, Projetista Sênior da Novvalight.

Visão esportiva depende de respostas rápidas

A importância da visão dinâmica também aparece em pesquisas recentes. Um estudo publicado em 2025 na revista Ophthalmic and Physiological Optics acompanhou 24 jogadores profissionais de futebol em uma intervenção de seis semanas. O grupo submetido a treinamentos com condições específicas de iluminação apresentou melhora significativa em acuidade visual dinâmica, tempo de reconhecimento, reação sensorial e motora e precisão de identificação periférica.

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O trabalho analisou treinamento visual, e não a iluminação permanente de campos ou estádios. Portanto, não permite concluir que um sistema luminotécnico inadequado, isoladamente, provoque queda no desempenho esportivo. O resultado, porém, reforça a importância do processamento visual em situações nas quais atletas precisam identificar estímulos rapidamente.

Distribuição da luz precisa entrar no projeto

Em conteúdo técnico publicado em 2026, a Novvalight também aponta que o posicionamento das luminárias em áreas esportivas deve buscar uniformidade e evitar sombras, pontos escuros e ofuscamento. A empresa recomenda ainda a análise de curvas fotométricas e o uso de softwares de simulação para prever a distribuição da luz antes da execução do projeto.

Um projeto pode atingir a iluminância média prevista e ainda deixar zonas visualmente desequilibradas. Por isso, a avaliação precisa considerar os pontos mínimos, a distribuição da luz, os ângulos de incidência e o contraste criado no ambiente de jogo”, acrescenta Charles Costa.

Para clubes e gestores esportivos, a consequência é direta: a potência instalada não deve ser tratada como sinônimo de boa iluminação. O desempenho do sistema depende de como a luz se distribui pelo espaço e de como ela é percebida por quem precisa localizar e reagir rapidamente a uma bola em movimento.

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