O mercado brasileiro de tecnologia segue em expansão e deve continuar sendo impulsionado pela inteligência artificial, computação em nuvem e transformação digital. Segundo levantamento mais recente da Brasscom, divulgado em maio de 2026, o macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) movimentou R$919,7 bilhões em 2025, equivalente a 7,2% do PIB brasileiro. Para o período de 2026 a 2029, a entidade projeta até R$2 trilhões em investimentos em tecnologias, com destaque para nuvem e inteligência artificial.
Em 13 de setembro, quando é celebrado o Dia do Programador, o debate sobre as transformações da carreira ganha destaque. Para André Guedes, coordenador de Pesquisa, Extensão e Internacionalização da Estácio, a tendência é de crescimento da demanda em áreas como inteligência artificial generativa, ciência de dados, cibersegurança, computação em nuvem, Internet das Coisas, automação e desenvolvimento de software. Nesse cenário, porém, o perfil do programador está mudando.
Com ferramentas de inteligência artificial capazes de gerar códigos, atividades repetitivas tendem a ser automatizadas. Isso aumenta a importância de conhecimentos relacionados à arquitetura de sistemas, segurança, integração de soluções e validação dos resultados produzidos pela tecnologia. “A inteligência artificial não elimina o programador, mas transforma profundamente sua atuação”, afirma Guedes. O profissional passa a ter um papel mais estratégico, projetando, supervisionando e tomando decisões tecnológicas.
A transformação também exige uma formação mais ampla. Além dos fundamentos de programação, algoritmos, estruturas de dados e desenvolvimento de software, conhecimentos em IA, bancos de dados, APIs, cloud, segurança e automação ganham espaço. Pensamento lógico, resolução de problemas e capacidade de aprendizagem contínua também são apontados como diferenciais.
As chamadas soft skills igualmente se tornam importantes. Comunicação, criatividade, pensamento crítico, liderança e colaboração são necessárias em um setor cada vez mais integrado a áreas como negócios, gestão, sustentabilidade e comportamento do consumidor. A capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares tende a ganhar ainda mais relevância.
Para quem está ingressando na carreira, a inteligência artificial pode ser encarada como uma aliada. Guedes recomenda começar pelos fundamentos e, posteriormente, buscar uma especialização de acordo com os interesses pessoais, como IA, dados, cibersegurança, cloud ou desenvolvimento de aplicações. A construção de projetos práticos e de um portfólio também é importante para demonstrar capacidade de transformar conhecimento em soluções.
“Hoje, mais do que saber programar, é necessário saber aprender e se adaptar”, resume o coordenador. A formação de profissionais capazes de unir domínio técnico, pensamento crítico e compreensão dos problemas reais aparece, assim, como um dos principais desafios, e oportunidades, para o futuro da tecnologia.








