No Dia Nacional do Voluntariado (28/8), 5 dicas para desenvolver a carreira por meio do trabalho voluntário
Pesquisa da Fundação Iochpe aponta desenvolvimento de competências, fortalecimento da cultura e senso de propósito; histórias de educadores voluntários mostram ganhos em comunicação, liderança e confiança profissional
Dar uma aula, orientar um jovem ou compartilhar uma experiência profissional pode ter efeitos que vão além do impacto social. O voluntariado corporativo vem ganhando espaço também como ferramenta de desenvolvimento de pessoas e de competências valorizadas no mercado de trabalho. No Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, especialistas e profissionais que vivem essa experiência mostram como atividades voluntárias podem contribuir para a carreira.
“O voluntariado cria situações que dificilmente são reproduzidas apenas em treinamentos. Quando um profissional precisa compartilhar seu conhecimento, ouvir o outro, adaptar sua linguagem, engajar um grupo e lidar com diferentes perfis, ele também está desenvolvendo competências importantes para sua própria trajetória. Existe uma transformação de quem aprende, mas também de quem se dispõe a ensinar”, afirma Claudio Anjos, presidente da Fundação Iochpe.
5 caminhos para transformar a experiência voluntária em desenvolvimento profissional
- 1. Use a experiência para desenvolver comunicação e segurança
Dominar um assunto não significa necessariamente saber transmiti-lo. Ao assumir uma atividade voluntária que envolve ensinar ou orientar outras pessoas, o profissional precisa organizar ideias, encontrar formas mais simples de explicar temas complexos, responder perguntas e falar para diferentes públicos. O exercício pode ajudar a desenvolver comunicação, oratória e confiança — competências aplicáveis em reuniões, apresentações, gestão de equipes e relacionamento com clientes.
Foi o que aconteceu com Beatriz Dias, da Voith. Funcionária da empresa desde 2010, ela admirava os educadores voluntários do Formare, mas acreditava não ter algo relevante para ensinar. Em 2021, decidiu entrar em sala de aula. Anos depois, durante uma aula de Apoio Contábil sobre Balanço Patrimonial, a reação dos estudantes mudou sua percepção sobre a própria capacidade profissional.
“Quando vi os alunos interagindo e respondendo corretamente às perguntas, percebi que eu tinha, sim, algo a oferecer. Foi como se minha versão do passado me dissesse: ‘Que bom que você aceitou. Você é capaz. E eles precisam de você’. Essa experiência me tornou uma pessoa e uma profissional mais segura, mostrando que sou capaz de ir além do que imagino”, conta Beatriz.
- Transforme conhecimento técnico em capacidade de liderar
Ensinar aquilo que se tornou rotina depois de anos de experiência obriga o profissional a olhar novamente para o próprio conhecimento. É preciso estruturar raciocínios, acompanhar a evolução de quem está aprendendo, identificar dificuldades e adaptar estratégias — habilidades que também fazem parte do desenvolvimento de lideranças.
Fernando Cardoso Bernardes, da área de Engenharia de Manufatura da Cummins de Osasco e educador voluntário de Desenho Técnico Mecânico, começou no Formare em 2023. Reservado e sem experiência em sala de aula, ele conta que precisou reformular materiais e, junto com outro educador, reorganizar o conteúdo para atender às necessidades da turma.
O momento que confirmou o impacto dessa experiência veio depois. Uma ex-aluna, Bruna, procurou Fernando para contar que havia usado a mesma forma de ensino aprendida com ele para ajudar um colega em uma atividade no Senai. Para o engenheiro, perceber que um conhecimento acumulado ao longo de cerca de 16 anos de profissão havia se multiplicado foi decisivo para continuar como voluntário. Hoje, está em sua quarta turma e diz se sentir mais experiente, dinâmico e à vontade em sala de aula.
- Exercite escuta, empatia e capacidade de adaptação
O voluntariado também coloca profissionais em contato com pessoas de idades, histórias e realidades diferentes. Para quem atua como educador ou mentor, isso significa aprender a ouvir, perceber como o outro recebe determinada informação e adaptar a abordagem quando necessário.
Essa troca é particularmente evidente na trajetória de Maiara Mendes, que conhece os dois lados do Formare. Ela participou do programa como aluna em 2017 e, há cinco anos, voltou à sala de aula como educadora voluntária na Cummins de Osasco.
“Toda vez que entro em sala para dar aula me vejo novamente ali, sentada do outro lado aprendendo. Costumo dizer aos alunos que essa experiência também é um aprendizado para mim, porque existe uma troca muito grande entre nós”, afirma.
Ao ministrar conteúdos relacionados à saúde, Maiara conta que passou a perceber o impacto da comunicação quando antigos estudantes relatam mudanças concretas de comportamento a partir das aulas. Para ela, a experiência reforçou tanto sua trajetória profissional quanto a capacidade de compreender diferentes perspectivas.
- Saia da sua área e amplie repertório e conexões
Uma das vantagens do voluntariado corporativo é colocar pessoas que normalmente estão concentradas em suas funções em contato com outros profissionais, áreas e experiências. Um engenheiro pode dividir uma sala de aula com profissionais de Recursos Humanos, Finanças, Produção ou Saúde; gestores podem conviver com pessoas de diferentes níveis hierárquicos e todos passam a trabalhar em torno de um objetivo comum.
Essa circulação ajuda a ampliar repertório, conhecer outras formas de resolver problemas e construir relações além da estrutura formal da empresa. O efeito já aparecia em levantamento anterior da Fundação Iochpe com educadores do Formare, citado pela EXAME, no qual os participantes relacionavam o voluntariado a maior colaboração, valorização da diversidade e integração dentro das organizações.
- Desenvolva propósito sem perder de vista a carreira
Propósito e desenvolvimento profissional não são agendas excludentes. Os dados do Formare mostram que 93% dos voluntários se sentem agentes de mudança e 88% relatam mais orgulho da empresa onde trabalham. Para as organizações, a pesquisa qualitativa conduzida em 2025 pela H2B também mostra que, quando estruturado e conectado às estratégias de pessoas e sustentabilidade, o voluntariado pode fortalecer cultura e competências internas.
A trajetória de Geovane Machado Pereira mostra como esse efeito pode atravessar diferentes etapas da carreira. Ele entrou no Formare como aluno, em 2009, quando ainda conhecia pouco sobre o ambiente corporativo e industrial. A experiência, segundo ele, ajudou a direcionar sua vida profissional e abriu possibilidades que pareciam distantes da realidade da comunidade onde vivia. Inspirado pelos educadores que teve, decidiu voltar ao programa como educador voluntário em 2011 e permanece em sala de aula até hoje.
“O que mais me motiva é compartilhar conhecimento e experiências com jovens que buscam uma oportunidade de transformar suas vidas, assim como aconteceu comigo. Ao contar minha história, mostro que dedicação e estudo podem abrir caminhos. E, como educador voluntário, aprendo tanto quanto ensino”, afirma Geovane.
“O voluntariado não precisa ser pensado como algo separado da trajetória profissional. Quando existe método, continuidade e uma oportunidade real de colocar competências em prática, ele pode ser um ambiente de aprendizagem para todas as partes envolvidas. O profissional compartilha aquilo que sabe, mas volta para sua rotina levando novas habilidades, relações e perspectivas”, acrescenta Claudio Anjos.
O movimento vem ganhando escala dentro das empresas. O Censo Brasileiro de Voluntariado Empresarial 2025, realizado pelo Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE) em parceria com o CIEDS, identificou 131 mil participações voluntárias e cerca de 34 mil ações realizadas em 2024, que alcançaram 7,3 milhões de pessoas. No Formare, programa de qualificação profissional de jovens em situação de vulnerabilidade, da Fundação Iochpe, mais de 4 mil colaboradores de empresas parceiras atuaram como educadores voluntários em 2025, compartilhando conhecimentos técnicos e experiências profissionais com jovens.
A relação entre voluntariado e desenvolvimento profissional também aparece nas pesquisas. Em 2025, a Fundação Iochpe encomendou à consultoria H2B estudos qualitativos sobre o tema. O levantamento “Voluntariado Corporativo – Resultados Qualitativos”, identificou entre os benefícios percebidos pelas empresas o desenvolvimento de competências, fortalecimento da cultura interna, melhoria da relação com as comunidades e ganhos reputacionais.
Em outro levantamento, dados do Plano CDE consolidados pela Fundação Iochpe mostram que 90% dos educadores voluntários aprimoraram competências técnicas e organizacionais, 88% passaram a sentir mais orgulho da empresa onde trabalham e 93% se percebem como agentes de mudança por uma sociedade mais justa e com mais oportunidades.
Voluntariado como parte da formação
No Formare, os cursos de qualificação acontecem dentro das empresas parceiras e os próprios colaboradores atuam como educadores voluntários, aproximando a formação dos jovens da realidade do mundo do trabalho. O programa já formou mais de 28 mil jovens e mantém parcerias com empresas de médio e grande portes.
Em 2025, a Fundação reuniu mais de 4 mil educadores voluntários em suas unidades, reforçando um modelo no qual o impacto acontece em duas direções: jovens recebem formação e contato com profissionais experientes, enquanto os colaboradores encontram um espaço concreto para desenvolver competências e exercer o voluntariado dentro do ambiente empresarial.
Sobre a Fundação Iochpe: organização sem fins lucrativos, mantém há 36 anos o Programa Formare, referência no Brasil em qualificação profissional de jovens em situação de desvantagem socioeconômica. Mantido em parceria com empresas de médio e grande portes, oferece cursos de formação profissional inicial para o mercado de trabalho a jovens de famílias de baixa renda do ensino médio matriculados em escolas públicas. Por meio do trabalho de educadores voluntários, o programa já formou mais de 28 mil jovens, e o índice de formalização no mercado de trabalho chega a 89% dos egressos nos últimos dez anos, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Plano CDE em 2023. Os cursos são certificados pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) aqui no Brasil, pela UTSLP (Universidade Tecnológica de San Luis Potosí) e UTCH (Universidade Tecnológica de Chihuahua), ambas no México, UTN (Universidad Tecnológica Nacional – Facultad Regional Córdoba), na Argentina, e pela SPPU (Savitribai Phule Pune University), na Índia.
Números Formare:
Empresas parceiras: 54 | Jovens impactados em 2025: +1.000 | Educadores voluntários atuantes em 2025: + 4.000 | 54 unidades no Brasil | 6 unidades no México | 1 unidade na Argentina | 1 unidade na Índia.
Mais informações: www.fiochpe.org.br
Assessoria de imprensa Formare
CNR Comunicação
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