Alta em casos de assédio expõe importância do compliance para empresas

Alta em casos de assédio expõe importância do compliance para empresas

Realidade reforça a necessidade de prevenção, canais seguros de denúncia e ações permanentes de compliance

Os casos de assédio no ambiente de trabalho ainda são realidade no Brasil. Em 2025, a Justiça do Trabalho registrou 142.828 novos processos relacionados a assédio moral, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Os dados reforçam a necessidade de medidas para a prevenção e a apuração do problema nas organizações.

A situação se torna ainda mais preocupante quando considerado que o número pode ser ainda maior, já que nem todos os trabalhadores acionam a Justiça. De acordo com o estudo Mapa do Assédio no Brasil, realizado pela KPMG, quase metade dos profissionais brasileiros afirma já ter vivenciado situações de assédio moral no ambiente de trabalho. Neste grupo, 48,5% não realizaram denúncia. Entre os motivos citados estão o medo de retaliação ou demissão, a falta de confiança na investigação do caso e o receio de exposição.

Nesse contexto, os programas de compliance têm ganhado espaço nas estratégias adotadas pelas organizações para fortalecer mecanismos de prevenção, identificar condutas inadequadas e oferecer respostas estruturadas diante de possíveis violações.

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Proteção ao denunciante ajuda a combater o assédio

Entre as ferramentas utilizadas pelas empresas está o canal de denúncias para empresas, que permite o relato de irregularidades e comportamentos inadequados de forma segura e, em muitos casos, anônima. “Sem proteção, não há denúncia. E sem denúncia, o assédio continua acontecendo como se fosse invisível”, informa a empresa clickCompliance.

Além dos canais de denúncia, os processos de compliance envolvem ações voltadas à conscientização dos colaboradores sobre comportamentos inadequados e os impactos no ambiente de trabalho.

Entre essas iniciativas estão treinamentos periódicos sobre ética corporativa, assédio moral, assédio sexual e conduta profissional. “Os treinamentos não apenas informam, mas transformam o comportamento dos colaboradores porque deixam explícito o que a empresa considera inaceitável e quais são as consequências”, destaca.

Compliance e cultura organizacional 

Além de regras e procedimentos, os programas de compliance fazem parte de um conjunto mais amplo de governança, risco e conformidade dentro das empresas. Em análise sobre o tema, a Deloitte destaca que essas estruturas estão relacionadas à forma como as organizações gerenciam riscos, atendem exigências regulatórias e organizam seus processos internos. 

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Em análise sobre governança, risco e conformidade (GRC), a consultoria reforça que o compliance integra um conjunto de práticas voltadas à gestão de riscos e ao atendimento de exigências regulatórias, com impacto direto na estruturação dos processos internos.

Segundo a Deloitte, a efetividade desses programas depende da combinação entre políticas, controles e práticas operacionais, de modo que a conformidade não fique restrita a documentos formais, mas esteja incorporada à rotina das empresas. 

A consultoria também aponta que estruturas de compliance mais maduras atuam de forma preventiva, na identificação e mitigação de riscos, além de apoiar a tomada de decisão e a integridade dos processos organizacionais.