Agosto Dourado: amamentação também exige atenção à saúde pélvica da mulher

Agosto Dourado: amamentação também exige atenção à saúde pélvica da mulher

Símbolo do incentivo ao aleitamento materno, o Agosto Dourado destaca a importância da amamentação para a saúde e o desenvolvimento do bebê. Mas, enquanto o peito nutre a criança, outra parte do corpo da mulher também merece atenção: a pelve, que continua passando por um processo de recuperação e adaptação após o período de gestação e o parto.

  

Durante a amamentação, o organismo materno mantém níveis elevados de prolactina e baixos de estrogênio, combinação hormonal que influencia a lubrificação vaginal, a cicatrização dos tecidos e o tônus do assoalho pélvico. Ao mesmo tempo, o puerpério impõe novas exigências físicas, como longos períodos sentada ou em posições inadequadas para amamentar, privação de sono, sobrecarga abdominal e alterações na respiração e no centro de gravidade.

  

Segundo a fisioterapeuta Daniella Leiros, PhD e referência em Fisioterapia em Obstetrícia, é importante compreender que as transformações do corpo não terminam com o nascimento do bebê.

  

“A amamentação não encerra o puerpério, ela o prolonga. O corpo que amamenta continua em reorganização. A pelve ainda está se adaptando após a gestação e o parto e precisa de cuidado, não de silêncio. Quando esses sinais são ignorados, o corpo encontra formas de avisar, geralmente por meio da dor ou da perda de função”, explica a profissional da Clínica Videlis, em Ribeirão Preto (SP).

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Sinais não devem ser naturalizados

Dor lombar persistente, sensação de peso pélvico, dificuldade para retomar atividades físicas, escapes urinários durante esforços e desconforto íntimo estão entre as manifestações que podem aparecer nesse período. O problema é que muitas mulheres acabam considerando esses sintomas consequências inevitáveis da maternidade e demoram a procurar orientação especializada.

  

“Quando a mulher recebe orientação adequada sobre postura, respiração, organização do abdômen e do assoalho pélvico, a recuperação funcional acontece de forma mais segura. Isso reduz dor, previne disfunções e melhora a relação da mulher com o próprio corpo nesse momento tão exigente”, afirma Daniella.

  

 

Saúde emocional também faz parte do cuidado

As transformações do período não são apenas físicas. A amamentação pode ser acompanhada por ambivalência emocional, cobrança interna e pela sensação de que a identidade da mulher fica em segundo plano diante das necessidades do bebê.

  

A psicóloga Juliana Gontijo chama a atenção para a necessidade de reconhecer também esse aspecto do puerpério. “A mulher é vista como corpo que nutre, mas raramente como corpo que sente. Quando o desconforto físico se soma à exaustão emocional, surge um risco real de sofrimento psíquico, que pode se manifestar em ansiedade, culpa e distanciamento do próprio corpo”, observa.

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A integração entre a Fisioterapia em Obstetrícia e o acompanhamento psicológico permite ampliar o olhar sobre a mulher durante a amamentação, considerando tanto sua recuperação funcional quanto seu bem-estar emocional.

  

Para Daniella Leiros, o Agosto Dourado também pode ser uma oportunidade para colocar esse cuidado em evidência. “Enquanto o peito nutre o bebê, a pelve sustenta a mulher. E uma mulher sustentada cuida melhor de si e do outro”, conclui.