Desenvolvida pelo advogado Ângelo Biaso, a plataforma ChatGPI reúne mais de 5 milhões de documentos jurídicos e utiliza inteligência artificial para estruturar respostas técnicas voltadas à gestão pública municipal
Uma tecnologia criada no interior de São Paulo começa a ganhar espaço em um debate cada vez mais estratégico para o setor público brasileiro: o uso de inteligência artificial para ampliar segurança jurídica, reduzir falhas administrativas e acelerar a tomada de decisão em prefeituras e câmaras municipais.
Desenvolvida pelo advogado Ângelo Biaso, a plataforma ChatGPI utiliza inteligência artificial para estruturar pareceres técnicos a partir de uma base própria com mais de 5 milhões de documentos jurídicos, entre legislações, jurisprudências, súmulas, acórdãos e orientações de órgãos de controle.
Criada no Vale do Paraíba, a tecnologia foi desenvolvida com foco exclusivo na administração pública municipal e já reúne legislações indexadas de cidades do Vale do Paraíba, Litoral Norte, Serra da Mantiqueira e Vale Histórico.
A proposta surge em meio ao avanço da digitalização no setor público e ao aumento da pressão jurídica sobre gestores municipais. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que o Brasil encerrou 2024 com mais de 80 milhões de processos pendentes de julgamento, cenário que amplia a complexidade regulatória e eleva a necessidade de decisões tecnicamente fundamentadas.
“O problema da gestão pública hoje não é a falta de informação. É a dificuldade de acessar, cruzar e validar essas informações com segurança e velocidade dentro de um ambiente normativo extremamente complexo”, afirma Biaso.
A plataforma opera em ambiente fechado e utiliza exclusivamente uma base jurídica estruturada e rastreável. A partir de perguntas feitas em linguagem natural, o sistema cruza automaticamente diferentes níveis da hierarquia normativa brasileira e entrega respostas fundamentadas, com indicação das fontes utilizadas — incluindo leis, decisões judiciais, jurisprudências e entendimentos de tribunais de contas.
Segundo o criador, o objetivo é oferecer suporte técnico para áreas consideradas críticas dentro da administração pública, como licitações, contratos, urbanismo, controle interno e atos administrativos. “Diferentemente de modelos abertos de inteligência artificial, o ChatGPI não realiza buscas na internet em tempo real. Todo o funcionamento acontece sobre um banco jurídico próprio e curado, desenvolvido especificamente para reduzir riscos de respostas imprecisas ou sem respaldo técnico”, explica Ângelo.
Entre os diferenciais da ferramenta está o chamado “isolamento municipal”, mecanismo que impede o cruzamento de legislações entre diferentes cidades. Na prática, o sistema considera prioritariamente as normas do município selecionado, reduzindo distorções interpretativas e ampliando a aderência jurídica ao contexto local.
A automatização da pesquisa jurídica altera diretamente a dinâmica operacional das administrações municipais. Processos que tradicionalmente exigiam horas ou até dias de análise manual passam a ser estruturados em segundos, com potencial de impacto sobre produtividade, eficiência administrativa e redução de riscos técnicos.
Para Biaso, a inteligência artificial tende a ocupar um papel cada vez mais estratégico na gestão pública brasileira, mas sem substituir a tomada de decisão humana. “A inteligência artificial não substitui o gestor público. O que ela faz é estruturar informação técnica de maneira organizada, verificável e rastreável, permitindo decisões mais seguras dentro da administração pública”, afirma.
Cidades atendidas
O ChatGPI já possui um arcabouço jurídico estruturado que abrange 46 municípios das regiões do Vale do Paraíba, Litoral Norte, Vale Histórico e Serra da Mantiqueira. “A ideia é expandir essa estrutura futuramente para municípios de todo o país, ampliando o acesso a decisões públicas tecnicamente mais seguras e juridicamente fundamentadas”, conclui Biaso.
SERVIÇO
Plataforma: ChatGPI – Gestão Pública Inteligente
Acesso: ChatGPI.com.br







