Com aumento de casos e baixa cobertura vacinal, cânceres relacionados ao HPV, seguem avançando no país, apesar de serem amplamente evitáveis com vacinação e rastreamento
O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) avalia como um avanço relevante a sanção da nova lei federal que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e passa a obrigar empresas a informarem seus funcionários sobre campanhas oficiais de vacinação, incluindo a do HPV (Papilomavírus Humano), além de garantir o direito à realização de exames preventivos sem prejuízo salarial.
A legislação, sancionada na segunda-feira (6), determina que empregadores promovam ações de conscientização sobre doenças como o HPV e cânceres de mama, colo do útero e próstata, além de orientar trabalhadores sobre o acesso a serviços de diagnóstico. A norma também assegura a possibilidade de afastamento do trabalho por até três dias ao ano para a realização de exames preventivos.
Para a presidente do EVA, Dra. Andrea Paiva Gadêlha Guimarães, a medida representa um passo importante ao ampliar o alcance da informação e da prevenção para dentro do ambiente de trabalho, onde está grande parte da população adulta. “Essa lei é um avanço porque reconhece que a prevenção precisa estar onde as pessoas estão. Levar informação qualificada para dentro das empresas é estratégico e pode ajudar a romper o silêncio que ainda existe em torno do HPV e dos cânceres associados”, afirma.
A presidente do EVA, no entanto, faz um alerta: a medida, por si só, não será suficiente para reverter o cenário preocupante de baixa adesão à vacinação e aos exames de rastreamento no país. “Estamos falando de um vírus responsável por milhares de casos de câncer todos os anos e por cerca de 7 mil mortes anuais no Brasil, muitas delas evitáveis. A nova lei é bem-vinda, mas precisa ser acompanhada de uma mobilização contínua, com campanhas permanentes, vacinação nas escolas e enfrentamento direto da desinformação”, destaca a Dra. Andrea Gadelha.
Segundo a oncologista clínica, o ambiente corporativo pode se tornar um aliado importante, mas não substitui a necessidade de uma estratégia nacional mais ampla. “A informação é o primeiro passo, mas ela precisa virar ação. Precisamos garantir que essas pessoas não apenas saibam, mas consigam se vacinar e realizar seus exames. Caso contrário, continuaremos repetindo um ciclo de prevenção insuficiente”, afirma.
O EVA reforça que o HPV está associado a diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero, e que a vacinação, aliada ao rastreamento, é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência e a mortalidade da doença no país. “Temos uma oportunidade concreta de mudar essa história no Brasil. Mas isso exige prioridade, continuidade e coragem para tratar o tema de frente”, conclui a presidente do EVA.
Sobre o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA)
O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA)é uma associação sem fins lucrativos, atualmente presidida pela oncologista clínica Andréa Paiva Gadelha Guimarães (gestão 2025-2026), composta em sua maioria por médicos, com missão de combate ao câncer ginecológico, com foco na educação, pesquisa e prevenção, promovendo apoio e acolhimento às pacientes e aos familiares. A entidade reúne especialistas de diferentes regiões do país e atua de forma multidisciplinar para qualificar a assistência nos tumores de colo do útero, ovário, endométrio, vulva e vagina, desenvolvendo programas de educação médica continuada, produção de diretrizes baseadas em evidências e estímulo à pesquisa clínica colaborativa. O EVA também exerce papel ativo de advocacy, dialogando com gestores públicos, sociedades médicas e órgãos regulatórios para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, às terapias inovadoras e a políticas públicas que reduzam desigualdades regionais no cuidado oncológico feminino no Brasil.
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