Dia Mundial do Meio Ambiente destaca soluções sustentáveis na Engenharia Civil

Dia Mundial do Meio Ambiente destaca soluções sustentáveis na Engenharia Civil

Com os efeitos das mudanças climáticas cada vez mais visíveis, o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, reforça a urgência de repensar a forma como construímos. A Engenharia Civil, historicamente associada ao alto consumo de recursos e à geração de resíduos, começa a se transformar. Iniciativas que priorizam eficiência energética, economia circular e o uso de tecnologias inteligentes ganham espaço, especialmente em obras urbanas. 

“Os principais desafios ambientais que a Engenharia Civil enfrenta hoje estão relacionados ao aumento do consumo de recursos naturais, como água e energia, emissões de gases de efeito estufa, perda de biodiversidade e desmatamento, além da necessidade de desenvolvermos projetos de construção de infraestruturas mais resilientes a eventos climáticos extremos e que gerenciem corretamente os resíduos da construção civil”, afirma o professor André Felipe da Silva Guedes, coordenador de Pesquisa, Extensão e Internacionalização da Estácio Porto Alegre. 

Em centros urbanos, práticas sustentáveis estão cada vez mais presentes nos projetos. Guedes aponta que a inclusão de sistemas de geração de energia solar, o uso de materiais reciclados, a adoção de soluções para gestão da água e a construção modular estão ganhando espaço. “Também se tornou mais comum a busca por eficiência energética e redução de impacto ambiental por meio de materiais verdes e iluminação natural”, diz o docente. 

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A tecnologia é uma aliada importante nesse processo, já que tem desempenhado um papel crucial em tornar as construções mais sustentáveis, desde o planejamento até a manutenção. O engenheiro explica que a digitalização, a automação e os softwares especializados melhoram a eficiência, reduzem desperdícios e permitem um controle mais preciso. Além disso, facilitam o uso de materiais sustentáveis, sistemas de energia renovável e soluções inteligentes de gestão de água e energia. 

Entre os projetos que apontam caminhos para o futuro, um destaque é a pesquisa de iniciação científica do aluno da Estácio Porto Alegre, Rafael Lima, sobre janelas eletrocrômicas — vidros que mudam de cor ou transparência com baixa corrente elétrica, regulando a entrada de luz e calor. “Essa tecnologia reduz o uso de ar-condicionado e iluminação artificial, contribuindo para a economia de energia e a redução das emissões de carbono”, afirma Guedes. 

Segundo ele, projeto também incorpora princípios de circularidade: “As janelas eletrocrômicas são feitas com materiais reciclados e podem substituir paredes convencionais, oferecendo privacidade e flexibilidade ao ambiente.” 

Para o professor, apesar de ainda serem mais caras que soluções tradicionais, essas tecnologias têm potencial para se tornarem economicamente viáveis. Por isto que, a longo prazo, a economia com iluminação e climatização compensa o investimento inicial. 

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Na avaliação dele, o Brasil tem avançado: “Há um aumento na adoção de práticas ESG pelas empresas e um reconhecimento do potencial do país como referência em sustentabilidade. Cerca de 71% das companhias brasileiras já implementaram ou planejam implementar ações nessa área.” 

O país também é o quinto do mundo em número de construções sustentáveis certificadas. Para que esses avanços ganhem escala, Guedes defende a ampliação de políticas públicas. “Incentivos fiscais, subsídios, regulamentações ambientais, investimentos em energias renováveis e educação são fundamentais para acelerar essa transição”, conclui.