{"id":669570,"date":"2026-10-16T18:12:44","date_gmt":"2026-10-16T18:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=669570"},"modified":"2026-10-17T00:03:09","modified_gmt":"2026-10-17T00:03:09","slug":"a-invasao-silenciosa-que-ameaca-o-futuro-da-industria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/10\/a-invasao-silenciosa-que-ameaca-o-futuro-da-industria-brasileira\/","title":{"rendered":"A invas\u00e3o silenciosa que amea\u00e7a o futuro da ind\u00fastria brasileira"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"elementor-drop-cap\"><span class=\"elementor-drop-cap-letter\">E<\/span><\/span>nquanto o debate p&uacute;blico e a imprensa, corretamente, concentraram aten&ccedil;&otilde;es no erro que foi cometido com o fim da taxa&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio eletr&ocirc;nico de pequeno valor &mdash; o epis&oacute;dio das &ldquo;blusinhas&rdquo; &mdash;, uma transforma&ccedil;&atilde;o de propor&ccedil;&otilde;es maiores ocorre nos bastidores da economia real sem encontrar o devido eco na opini&atilde;o p&uacute;blica. Trata-se da massiva press&atilde;o exercida pela supercapacidade produtiva chinesa sobre a ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o brasileira. Tratar a rela&ccedil;&atilde;o comercial entre Brasil e China sob a r&eacute;gua estreita do consumo individual n&atilde;o &eacute; apenas uma simplifica&ccedil;&atilde;o grosseira, mas um desvio de foco que oculta o maior dilema estrutural do desenvolvimento econ&ocirc;mico nacional na atualidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pa&iacute;s vive uma aut&ecirc;ntica contradi&ccedil;&atilde;o existencial em sua pol&iacute;tica externa e econ&ocirc;mica. De um lado, setores vitais como o agroneg&oacute;cio, a minera&ccedil;&atilde;o e o petr&oacute;leo enxergam em Pequim o principal motor de suas exporta&ccedil;&otilde;es e a garantia de seus sucessivos super&aacute;vits comerciais. Para a pauta de bens prim&aacute;rios e de semimanufaturados, a China representa o parceiro comercial dos sonhos, com uma boa e cont&iacute;nua demanda por commodities agr&iacute;colas e minerais. Por outro lado, para o nosso parque fabril, a mesma China &eacute; vista como o maior desafio estrutural da atualidade: uma for&ccedil;a cuja presen&ccedil;a crescente nos mercados internos assume contornos de uma corros&atilde;o progressiva dos elos produtivos locais, incapacitados de concorrer com subs&iacute;dios estatais massivos, c&acirc;mbio controlado e custos de produ&ccedil;&atilde;o incompar&aacute;veis.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6367fa4d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6367fa4d\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-no\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-33 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7c888c2\" data-id=\"7c888c2\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6957aa62 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6957aa62\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>Essa dicotomia coloca o Brasil em uma posi&ccedil;&atilde;o singular e desconfort&aacute;vel quando observado o cen&aacute;rio global. V&aacute;rios pa&iacute;ses, com destaque para os Estados Unidos e para os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia, entre muitos outros, independentemente dos matizes ideol&oacute;gicos de seus governos, v&ecirc;m implementando barreiras defensivas, pol&iacute;ticas de salvaguarda e estrat&eacute;gias de reindustrializa&ccedil;&atilde;o para conter o transbordamento da produ&ccedil;&atilde;o chinesa. No Brasil, contudo, impera uma inc&ocirc;moda paralisia. O pa&iacute;s parece hesitante em arbitrar a colis&atilde;o de interesses leg&iacute;timos, por&eacute;m antag&ocirc;nicos, do campo e da f&aacute;brica, mantendo-se em uma postura passiva enquanto os mercados globais se reorganizam em blocos de prote&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica comercial e industrial.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seja sob a perspectiva do desenvolvimentismo ou sob a &oacute;tica da abertura comercial e da liberdade de mercado, permanece a aus&ecirc;ncia de uma sinaliza&ccedil;&atilde;o clara sobre como proteger setores produtivos do com&eacute;rcio injusto e, at&eacute; ilegal, dos chineses.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A falta de competitividade sist&ecirc;mica custa caro ao pa&iacute;s. Ignorar a urg&ecirc;ncia desse debate sob o receio de criar melindres diplom&aacute;ticos ou comerciais significa aceitar tacitamente a reprimariza&ccedil;&atilde;o da nossa economia. O setor manufatureiro nacional n&atilde;o busca privil&eacute;gios descabidos ou protecionismo anacr&ocirc;nico, mas sim um ambiente de concorr&ecirc;ncia ison&ocirc;mica que preserve os empregos de alta qualifica&ccedil;&atilde;o, a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e a capacidade de agregar valor &agrave;s nossas pr&oacute;prias riquezas naturais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Arbitrar essa disputa n&atilde;o &eacute; tarefa trivial, mas &eacute; o dever do Estado brasileiro. &Eacute; necess&aacute;rio deslocar o eixo da discuss&atilde;o da microeconomia do varejo para a macroestrat&eacute;gia de desenvolvimento nacional. O Brasil precisa decidir se continuar&aacute; assistindo ao enfraquecimento cont&iacute;nuo de sua base industrial em nome da conveni&ecirc;ncia de curto prazo ou se assumir&aacute; uma postura firme, capaz de harmonizar a pujan&ccedil;a de suas exporta&ccedil;&otilde;es prim&aacute;rias com a defesa intransigente de sua intelig&ecirc;ncia produtiva e tecnol&oacute;gica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-38da7826 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"38da7826\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-no\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-33 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4c99c168\" data-id=\"4c99c168\" data-element_type=\"column\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-2018cd47 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2018cd47\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><strong>* Jos&eacute; Velloso<\/strong> &ndash; Engenheiro mec&acirc;nico, administrador de empresas e presidente executivo da ABIMAQ &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira da Ind&uacute;stria de M&aacute;quinas e Equipamentos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Enquanto o debate p&uacute;blico e a imprensa, corretamente, concentraram aten&ccedil;&otilde;es no erro que foi cometido&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":669569,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,20],"tags":[4699,8549,3663],"class_list":["post-669570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-politica","tag-governo","tag-politica","tag-sociedade","wpcat-21201-id","wpcat-20-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/669570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=669570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/669570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":669886,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/669570\/revisions\/669886"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/669569"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=669570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=669570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=669570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}