{"id":666509,"date":"2026-10-14T17:13:25","date_gmt":"2026-10-14T17:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=666509"},"modified":"2026-10-14T22:09:03","modified_gmt":"2026-10-14T22:09:03","slug":"future-grid-debate-desafios-e-solucoes-para-o-setor-eletrico-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/10\/future-grid-debate-desafios-e-solucoes-para-o-setor-eletrico-brasileiro\/","title":{"rendered":"Future Grid debate desafios e solu\u00e7\u00f5es para o setor el\u00e9trico brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Acelerada pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a rede el&eacute;trica do futuro requer intelig&ecirc;ncia, capacidade de lidar com as adversidades e regulamenta&ccedil;&atilde;o<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em mesa-redonda no evento Roadshow Future Grid, realizado no Lactec em Curitiba (PR), em 1&ordm; de outubro, lideran&ccedil;as da ind&uacute;stria, concession&aacute;rias e representantes de Centros de Compet&ecirc;ncia Embrapii mapearam desafios, avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos e rumos regulat&oacute;rios da nova era da energia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na vis&atilde;o do presidente do Lactec, Maximiliano Andres Orfali, o setor el&eacute;trico brasileiro atravessa a transforma&ccedil;&atilde;o mais radical e r&aacute;pida de sua hist&oacute;ria recente. Segundo ele, se, durante d&eacute;cadas, o modelo de distribui&ccedil;&atilde;o operou sob uma l&oacute;gica previs&iacute;vel e unidirecional, em que a energia apenas flu&iacute;a da geradora at&eacute; o consumidor final, os &uacute;ltimos anos aceleraram mudan&ccedil;as profundas na malha energ&eacute;tica. &ldquo;A infraestrutura nacional enfrenta o desafio de se tornar resiliente e inteligente. Isso &eacute; impulsionado pela ascens&atilde;o massiva da Gera&ccedil;&atilde;o Distribu&iacute;da (GD) solar, pelo avan&ccedil;o da eletromobilidade, pela exig&ecirc;ncia dos consumidores e pelo aumento expressivo de eventos clim&aacute;ticos extremos&rdquo;, assinala.<\/span><\/p>\n<p><b>A invers&atilde;o do pico e a quest&atilde;o da Gera&ccedil;&atilde;o Distribu&iacute;da<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A mudan&ccedil;a no perfil do consumo e da produ&ccedil;&atilde;o transformou a rotina das distribuidoras. H&aacute; 30 anos, o grande desafio operacional do sistema acontecia no &ldquo;pico das 18h&rdquo;, quando o uso massivo do chuveiro el&eacute;trico demandava a capacidade m&aacute;xima da rede. Hoje, a din&acirc;mica mudou radicalmente: o pico da tarde passou a ser dominado pelo uso intensivo de ar-condicionado, enquanto a prolifera&ccedil;&atilde;o dos pain&eacute;is solares fez surgir o fen&ocirc;meno da &ldquo;curva do pato&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante o dia, com a abund&acirc;ncia de energia solar injetada pelos consumidores na rede (a chamada GD), o sistema pode registrar excedentes de gera&ccedil;&atilde;o e fluxos de pot&ecirc;ncia distintos daqueles para os quais a rede foi originalmente planejada, contribuindo, em determinados per&iacute;odos, para situa&ccedil;&otilde;es em que s&atilde;o necess&aacute;rios cortes de gera&ccedil;&atilde;o para preservar o equil&iacute;brio e a seguran&ccedil;a do Sistema Interligado Nacional (SIN). No entanto, &agrave; noite, quando os pain&eacute;is solares deixam de produzir e os consumidores retornam para casa para ligar seus eletrodom&eacute;sticos e carregar ve&iacute;culos el&eacute;tricos, a demanda volta a aumentar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa oscila&ccedil;&atilde;o exp&otilde;e a urg&ecirc;ncia de a rede el&eacute;trica se tornar muito mais inteligente e flex&iacute;vel. Para as concession&aacute;rias, a grande preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; evitar a degrada&ccedil;&atilde;o da qualidade da energia e impedir que o consumidor seja penalizado por oscila&ccedil;&otilde;es nos n&iacute;veis de tens&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O crescimento expressivo das compensa&ccedil;&otilde;es financeiras pagas pelas distribuidoras devido a problemas na qualidade do fornecimento nos &uacute;ltimos anos refor&ccedil;a a necessidade de um r&aacute;pido aperfei&ccedil;oamento regulat&oacute;rio, como as consultas p&uacute;blicas em andamento na Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica (ANEEL).<\/span><\/p>\n<p><b>Medi&ccedil;&atilde;o inteligente e combate &agrave;s perdas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para responder em tempo real a essa nova din&acirc;mica, a digitaliza&ccedil;&atilde;o da rede &eacute; o primeiro passo. No entanto, a implementa&ccedil;&atilde;o dos smart meters (medidores inteligentes) no Brasil enfrenta barreiras operacionais e continentais muito distintas da realidade europeia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Exemplos como o projeto piloto de Bras&iacute;lia, com 5 mil medidores implantados, exp&otilde;em as dificuldades frequentes de manter a conectividade cont&iacute;nua dos pontos de medi&ccedil;&atilde;o em malhas extensas. Como alternativa mais racional e escal&aacute;vel, a ind&uacute;stria tem adotado sensores avan&ccedil;ados capazes de agrupar e monitorar blocos de consumidores em m&eacute;dia e baixa tens&atilde;o. Esses dispositivos n&atilde;o apenas identificam interrup&ccedil;&otilde;es de energia no ato, mas tamb&eacute;m monitoram perdas e combatem novas modalidades de irregularidades, como a &ldquo;fraude solar&rdquo; (altera&ccedil;&otilde;es clandestinas na medi&ccedil;&atilde;o de sistemas fotovoltaicos).<\/span><\/p>\n<p><b>capacidade de lidar com as adversidades sob tempestades<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se a transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica imp&otilde;e novos desafios operacionais, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas imp&otilde;em desafios de sobreviv&ecirc;ncia &agrave; infraestrutura. Grande parte das interrup&ccedil;&otilde;es e faltas na rede el&eacute;trica est&aacute; associada a temporais, ventanias e eventos extremos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A rea&ccedil;&atilde;o imediata da opini&atilde;o p&uacute;blica costuma ser a cobran&ccedil;a pelo aterramento das fia&ccedil;&otilde;es. Contudo, especialistas e representantes da ind&uacute;stria, como Alexandre Ohara, da S&amp;C Electric Company, alertam para a inviabilidade financeira e log&iacute;stica dessa solu&ccedil;&atilde;o em larga escala. Atualmente, menos de 4% da malha el&eacute;trica brasileira &eacute; subterr&acirc;nea. &ldquo;Enterrar 100% dos cabos exigiria investimentos bilion&aacute;rios impag&aacute;veis pela tarifa&rdquo;, destaca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A palavra de ordem do setor passou a ser capacidade de lidar com as adversidades: explorar ao m&aacute;ximo os ativos existentes e proteger a rede a&eacute;rea. Equipamentos inteligentes aut&ocirc;nomos, como religadores e chaves automatizadas de m&eacute;dia tens&atilde;o, permitem isolar defeitos de forma autom&aacute;tica at&eacute; a &ldquo;&uacute;ltima milha&rdquo; e restaurar o fornecimento em fra&ccedil;&otilde;es de segundo para a maioria dos clientes afetados. O modelo espelha estrat&eacute;gias bem-sucedidas em locais de clima severo, como a Fl&oacute;rida (EUA), comprovando que &eacute; poss&iacute;vel aumentar a capacidade de lidar com as adversidades do fornecimento mesmo diante de tempestades de grande porte por meio da automa&ccedil;&atilde;o da rede a&eacute;rea.<\/span><\/p>\n<p><b>Intelig&ecirc;ncia Artificial e armazenamento<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O futuro do setor el&eacute;trico, defendido por pesquisadores como Rodrigo Riella, coordenador do Centro de Compet&ecirc;ncia Embrapii Lactec para Smart Grids e Eletromobilidade, reside na converg&ecirc;ncia entre a ind&uacute;stria, a academia e a infraestrutura de dados. &ldquo;Apenas capturar dados da rede n&atilde;o basta; &eacute; preciso process&aacute;-los com agilidade para obter respostas imediatas&rdquo;, destaca Riella.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para evitar o colapso por tr&aacute;fego massivo de informa&ccedil;&otilde;es nos centros de controle, a grande tend&ecirc;ncia &eacute; o uso de IA Distribu&iacute;da (edge AI), instalando capacidade de processamento diretamente nos equipamentos de ponta da rede. Isso permite a detec&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de anomalias, a gest&atilde;o eficiente da GD, o monitoramento preventivo de grandes consumidores e o gerenciamento de eventos catastr&oacute;ficos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Paralelamente, solu&ccedil;&otilde;es como tarifas din&acirc;micas (estimulando o consumo em hor&aacute;rios de menor carga) e sistemas de armazenamento de energia (baterias em grande escala) despontam como recursos importantes para aumentar a flexibilidade, a estabilidade e a capacidade de lidar com as adversidades do sistema el&eacute;trico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Luciano Carstens, gerente do Centro de Compet&ecirc;ncia Future Grid, um dos principais desafios est&aacute; em transformar as demandas do setor el&eacute;trico em solu&ccedil;&otilde;es que possam efetivamente chegar ao mercado. &ldquo;A transforma&ccedil;&atilde;o da rede el&eacute;trica n&atilde;o depende de uma &uacute;nica tecnologia. Precisamos integrar medi&ccedil;&atilde;o inteligente, automa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o, intelig&ecirc;ncia artificial, armazenamento e eletromobilidade, aproximando ind&uacute;stria, concession&aacute;rias e ICTs. O papel do Future Grid &eacute; justamente criar esse ambiente de coopera&ccedil;&atilde;o, onde desafios reais do setor possam ser transformados em pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnol&oacute;gico e solu&ccedil;&otilde;es que avancem em maturidade at&eacute; sua aplica&ccedil;&atilde;o no mercado&rdquo;, destaca Carstens.<\/span><\/p>\n<p><b>Centro de Compet&ecirc;ncia Future Grid<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Future Grid &eacute; um dos doze Centros de Compet&ecirc;ncia credenciados pela Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova&ccedil;&atilde;o Industrial), cuja miss&atilde;o &eacute; transformar conhecimento cient&iacute;fico e infraestrutura tecnol&oacute;gica avan&ccedil;ada em solu&ccedil;&otilde;es de alto impacto para o mercado. Liderado pelo Lactec, atua como catalisador de solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e de pesquisa e desenvolvimento em hardware para Smart Grids e Eletromobilidade. J&aacute; a Embrapii atua como elo estrat&eacute;gico entre o setor industrial e o conhecimento cient&iacute;fico, aportando recursos e compartilhando risco tecnol&oacute;gico para acelerar a inova&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sobre o Lactec<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> &ndash; O Lactec &eacute; um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o do Brasil. Atua fortemente nos mercados de Energia, Saneamento, Meio Ambiente, Ind&uacute;stria e Infraestrutura em todo o ciclo de inova&ccedil;&atilde;o, desde P&amp;D, ensaios e an&aacute;lises at&eacute; a execu&ccedil;&atilde;o de processos complexos para o setor de infraestrutura. H&aacute; mais de 66 anos, suas solu&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os atendem &agrave;s demandas atuais dos diversos setores produtivos da economia brasileira, como empresas, ind&uacute;strias e concession&aacute;rias de energia. Ao longo da sua hist&oacute;ria, consolidou-se com a conclus&atilde;o de mais de 500 projetos. Possui mais de 300 profissionais, entre mestres e doutores, com s&oacute;lida experi&ecirc;ncia de mercado. Sua sede administrativa fica em Curitiba, onde est&atilde;o instaladas outras quatro unidades tecnol&oacute;gicas com ampla infraestrutura de laborat&oacute;rios para atendimento a diversos segmentos industriais, al&eacute;m da unidade localizada em Salvador-BA. O Lactec &eacute; Unidade Embrapii em Intelig&ecirc;ncia Embarcada e em 2023 tamb&eacute;m tornou-se Future Grid, o Centro de Compet&ecirc;ncia Embrapii em Smart Grid e Eletromobilidade. Saiba mais em: lactec.com.br<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acelerada pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a rede el&eacute;trica do futuro requer intelig&ecirc;ncia, capacidade de lidar com as&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,14418],"tags":[41548],"class_list":["post-666509","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-noticias","tag-future-grid-embrapii-lactec","wpcat-21201-id","wpcat-14418-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=666509"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666509\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":666799,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666509\/revisions\/666799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=666509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=666509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=666509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}