{"id":643250,"date":"2026-09-29T16:34:08","date_gmt":"2026-09-29T16:34:08","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=643250"},"modified":"2026-09-30T00:04:40","modified_gmt":"2026-09-30T00:04:40","slug":"o-som-de-casa-a-importancia-dos-sons-das-cidades-e-a-preservacao-do-patrimonio-imaterial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/09\/o-som-de-casa-a-importancia-dos-sons-das-cidades-e-a-preservacao-do-patrimonio-imaterial\/","title":{"rendered":"O som de casa: a import\u00e2ncia dos sons das cidades e a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio imaterial"},"content":{"rendered":"<p>Por Camila Vianna Brambila Kaiser<\/p>\n<p>A mem&oacute;ria &eacute; curiosa. Basta ouvir um som por alguns segundos para sermos transportados para outro lugar, outra &eacute;poca, ou at&eacute; para uma lembran&ccedil;a que acredit&aacute;vamos ter esquecido.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Pode ser o sino de uma igreja, o apito de um trem, o sinal que anuncia o in&iacute;cio das aulas ou uma sirene que fazia parte da rotina de uma cidade. Com o tempo, esses sons deixam de ser apenas sons. Eles passam a fazer parte da nossa rela&ccedil;&atilde;o com o lugar onde vivemos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Quando pensamos em patrim&ocirc;nio, &eacute; natural imaginar pr&eacute;dios, monumentos e pra&ccedil;as que atravessaram gera&ccedil;&otilde;es. Mas uma cidade tamb&eacute;m &eacute; formada por aquilo que n&atilde;o podemos tocar. Seus costumes, suas celebra&ccedil;&otilde;es, os sons que acompanham a vida cotidiana. O Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional, o Iphan, reconhece essa dimens&atilde;o. Para o &oacute;rg&atilde;o, o patrim&ocirc;nio imaterial re&uacute;ne pr&aacute;ticas, saberes e formas de express&atilde;o transmitidas entre gera&ccedil;&otilde;es, que sustentam o sentimento de identidade de uma comunidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Minas Gerais tem um dos exemplos mais claros disso. Em 2009, o Iphan registrou o Toque dos Sinos e o Of&iacute;cio de Sineiro como patrim&ocirc;nio cultural do Brasil, a partir de um levantamento feito em nove cidades mineiras, entre elas S&atilde;o Jo&atilde;o del-Rei, Ouro Preto, Mariana, Diamantina, Sabar&aacute; e Tiradentes. Os diferentes toques usados pelos sineiros carregam significados pr&oacute;prios e sempre serviram para comunicar celebra&ccedil;&otilde;es religiosas, casamentos, funerais e a marca&ccedil;&atilde;o das horas, muito antes de existir qualquer sistema digital de aviso.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A urbaniza&ccedil;&atilde;o modifica ruas, edif&iacute;cios e formas de circula&ccedil;&atilde;o. A tecnologia transforma h&aacute;bitos e maneiras de comunica&ccedil;&atilde;o. Alguns sons desaparecem porque deixam de cumprir uma fun&ccedil;&atilde;o, outros s&atilde;o substitu&iacute;dos por sistemas mais modernos, e em boa parte dos casos essa mudan&ccedil;a &eacute; necess&aacute;ria. O desafio est&aacute; em separar o que ficou realmente ultrapassado daquilo que carrega uma parte da mem&oacute;ria coletiva.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Isso importa ainda mais numa sociedade mediada por telas, onde recebemos boa parte das notifica&ccedil;&otilde;es e alertas pelo celular. Mas h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es que continuam sendo percebidas pelo ouvido, e n&atilde;o pela tela: um alerta de emerg&ecirc;ncia, um aviso em uma escola, o toque de um sino. Elas comunicam porque fazem parte do espa&ccedil;o, independentemente de algu&eacute;m estar olhando para um aparelho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; a&iacute; que a automa&ccedil;&atilde;o entra. Sistemas automatizados de sinaliza&ccedil;&atilde;o sonora n&atilde;o precisam significar o fim de uma refer&ecirc;ncia sonora, eles podem ser a forma de mant&ecirc;-la funcionando com a precis&atilde;o e a confiabilidade que uma cidade hoje exige, sem abrir m&atilde;o do som que uma comunidade reconhece como seu. O pr&oacute;prio Iphan, ao tratar do Toque dos Sinos em Minas Gerais, destaca que a manifesta&ccedil;&atilde;o segue presente na paisagem sonora e na mem&oacute;ria social das cidades onde &eacute; praticada, mesmo com todas as mudan&ccedil;as que essas cidades atravessaram.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os sons de uma cidade podem desaparecer silenciosamente, e novas gera&ccedil;&otilde;es talvez cres&ccedil;am sem conhecer alguns deles. Um sino que deixa de tocar, uma tradi&ccedil;&atilde;o que deixa de ser transmitida, um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o substitu&iacute;do sem que sua hist&oacute;ria seja registrada. Isolados, parecem detalhes pequenos, mas com o tempo mudam a forma como reconhecemos e lembramos de um lugar. Por isso vale pensar, desde j&aacute;, em quais dessas refer&ecirc;ncias sonoras merecem continuar fazendo parte das cidades onde vivemos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Camila Vianna Brambila Kaiser &eacute; s&oacute;cia da Beatek Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio de Eletroeletr&ocirc;nicos Ltda., formada em administra&ccedil;&atilde;o de empresas pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atua nas &aacute;reas de gest&atilde;o empresarial, estrat&eacute;gia, desenvolvimento de neg&oacute;cios, licita&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, relacionamento institucional e expans&atilde;o comercial, contribuindo para a consolida&ccedil;&atilde;o da Beatek como refer&ecirc;ncia nacional em tecnologia para sistemas de sinaliza&ccedil;&atilde;o sonora e sinos e rel&oacute;gios.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Camila Vianna Brambila Kaiser A mem&oacute;ria &eacute; curiosa. 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