{"id":616355,"date":"2026-09-10T18:27:40","date_gmt":"2026-09-10T18:27:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=616355"},"modified":"2026-09-10T21:56:01","modified_gmt":"2026-09-10T21:56:01","slug":"pedra-nos-rins-pode-atingir-ate-15-da-populacao-e-dor-e-frequentemente-confundida-com-problema-de-coluna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/09\/pedra-nos-rins-pode-atingir-ate-15-da-populacao-e-dor-e-frequentemente-confundida-com-problema-de-coluna\/","title":{"rendered":"Pedra nos rins pode atingir at\u00e9 15% da popula\u00e7\u00e3o e dor \u00e9 frequentemente confundida com problema de coluna"},"content":{"rendered":"<p>Uma dor intensa na regi&atilde;o lombar nem sempre significa problema na coluna. Embora a maior parte das dores nessa regi&atilde;o tenha origem muscular ou musculoesquel&eacute;tica, os rins est&atilde;o entre as causas que precisam ser consideradas, especialmente quando o desconforto come&ccedil;a de maneira s&uacute;bita, n&atilde;o melhora com repouso e aparece em ondas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os c&aacute;lculos renais atingem uma parcela expressiva da popula&ccedil;&atilde;o. Estimativas apontam que entre 5% e 15% das pessoas ter&atilde;o pelo menos um epis&oacute;dio ao longo da vida. A ocorr&ecirc;ncia &eacute; maior entre os homens, com risco estimado de 12% a 13%, contra 6% a 7% entre as mulheres, e concentra-se principalmente entre os 30 e 60 anos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outro desafio &eacute; a recorr&ecirc;ncia: entre pessoas que j&aacute; tiveram uma pedra nos rins, a possibilidade de um novo epis&oacute;dio pode chegar a 50% em cinco anos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para o urologista, uro-oncologista e cirurgi&atilde;o rob&oacute;tico Lu&iacute;s C&eacute;sar Zaccaro, reconhecer as caracter&iacute;sticas da dor pode ajudar a evitar que uma crise renal seja inicialmente confundida com um problema de coluna.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;A dor provocada pelo c&aacute;lculo costuma ter um padr&atilde;o bastante caracter&iacute;stico. Geralmente come&ccedil;a de forma s&uacute;bita e intensa, n&atilde;o encontra uma posi&ccedil;&atilde;o de al&iacute;vio e pode vir em ondas, irradiando para o abd&ocirc;men ou para a virilha. N&aacute;useas e altera&ccedil;&otilde;es na urina tamb&eacute;m podem acompanhar o quadro. &Eacute; diferente da dor muscular, que normalmente limita determinados movimentos e tende a melhorar com repouso&rdquo;, explica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Segundo o m&eacute;dico, interpretar toda dor lombar como problema musculoesquel&eacute;tico pode atrasar a investiga&ccedil;&atilde;o da verdadeira causa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Quando existe uma obstru&ccedil;&atilde;o provocada por um c&aacute;lculo, simplesmente esperar a dor passar pode n&atilde;o resolver o problema. Uma dor intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas precisa ser avaliada para que se identifique sua origem e seja definida a conduta adequada&rdquo;, alerta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Calor aumenta o risco<\/strong><\/p>\n<p>As altas temperaturas tamb&eacute;m t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o direta com a forma&ccedil;&atilde;o de c&aacute;lculos. No ver&atilde;o, a incid&ecirc;ncia de crises e de novas pedras pode aumentar cerca de 30%. O motivo est&aacute; principalmente na maior perda de l&iacute;quidos pela transpira&ccedil;&atilde;o sem reposi&ccedil;&atilde;o adequada.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Estudos tamb&eacute;m relacionam o aumento da temperatura ambiente ao crescimento da incid&ecirc;ncia da doen&ccedil;a. Em alguns cen&aacute;rios avaliados, cada eleva&ccedil;&atilde;o de 1&deg;C foi associada a um aumento de at&eacute; 4% no risco de forma&ccedil;&atilde;o de c&aacute;lculos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Quando perdemos mais &aacute;gua e n&atilde;o fazemos uma reposi&ccedil;&atilde;o adequada, a urina fica mais concentrada. Isso facilita a cristaliza&ccedil;&atilde;o das subst&acirc;ncias que podem formar as pedras. Por isso, em regi&otilde;es quentes e nos per&iacute;odos de temperaturas mais elevadas, a hidrata&ccedil;&atilde;o merece aten&ccedil;&atilde;o ainda maior&rdquo;, afirma Zaccaro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A alimenta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m influencia o problema. Dietas com excesso de s&oacute;dio aumentam a elimina&ccedil;&atilde;o de c&aacute;lcio pela urina, favorecendo a forma&ccedil;&atilde;o de c&aacute;lculos. O consumo frequente e excessivo de prote&iacute;nas tamb&eacute;m merece aten&ccedil;&atilde;o, especialmente entre pessoas que j&aacute; apresentam predisposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;A crise que leva uma pessoa ao pronto atendimento pode ser resultado de h&aacute;bitos mantidos durante meses ou anos. A preven&ccedil;&atilde;o passa por medidas relativamente simples: beber &aacute;gua regularmente, reduzir de verdade o sal e os alimentos ultraprocessados e evitar excessos alimentares&rdquo;, orienta o urologista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nem todo cuidado popular est&aacute; correto<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ser uma doen&ccedil;a conhecida h&aacute; s&eacute;culos, os c&aacute;lculos renais ainda s&atilde;o cercados por mitos. Um dos mais comuns &eacute; a recomenda&ccedil;&atilde;o de eliminar leite e derivados da alimenta&ccedil;&atilde;o porque a maioria das pedras cont&eacute;m c&aacute;lcio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a restri&ccedil;&atilde;o indiscriminada n&atilde;o &eacute; indicada. Em determinados pacientes, retirar o c&aacute;lcio da dieta pode inclusive favorecer a forma&ccedil;&atilde;o de c&aacute;lculos de oxalato. A orienta&ccedil;&atilde;o deve ser individualizada e baseada no tipo de c&aacute;lculo e nas condi&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas de cada pessoa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outro mito &eacute; que beber grandes quantidades de &aacute;gua durante uma crise necessariamente ajuda a expulsar a pedra. Embora a hidrata&ccedil;&atilde;o seja fundamental para a preven&ccedil;&atilde;o, a hiper-hidrata&ccedil;&atilde;o durante uma obstru&ccedil;&atilde;o aguda &eacute; controversa e pode aumentar a press&atilde;o no rim e intensificar a dor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;A &aacute;gua &eacute; uma das nossas principais aliadas na preven&ccedil;&atilde;o, mas isso n&atilde;o significa que, diante de uma c&oacute;lica intensa, a solu&ccedil;&atilde;o seja simplesmente beber litros de &aacute;gua. Na crise, &eacute; necess&aacute;rio avaliar o tamanho e a localiza&ccedil;&atilde;o do c&aacute;lculo, a exist&ecirc;ncia de obstru&ccedil;&atilde;o e as condi&ccedil;&otilde;es do paciente&rdquo;, esclarece Zaccaro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A recomenda&ccedil;&atilde;o preventiva geral &eacute; manter uma ingest&atilde;o de pelo menos dois litros de &aacute;gua por dia, ajustada &agrave;s necessidades individuais e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. Para quem j&aacute; teve c&aacute;lculos, o acompanhamento ganha import&acirc;ncia devido &agrave; elevada possibilidade de recorr&ecirc;ncia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Quem teve uma pedra n&atilde;o deve pensar apenas em tratar aquela crise. Precisamos entender por que o c&aacute;lculo se formou e trabalhar para diminuir a chance de que isso aconte&ccedil;a novamente. Preven&ccedil;&atilde;o e acompanhamento s&atilde;o partes fundamentais do tratamento&rdquo;, conclui o m&eacute;dico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sobre o especialista<\/strong><\/p>\n<p>Dr. Lu&iacute;s C&eacute;sar Zaccaro &eacute; urologista, uro-oncologista e cirurgi&atilde;o rob&oacute;tico. Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, &eacute; chefe do Ambulat&oacute;rio de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeir&atilde;o Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia &ndash; Seccional <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, diretor do GEURP &ndash; Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeir&atilde;o Preto e refer&ecirc;ncia nacional em cirurgia rob&oacute;tica, atuando tamb&eacute;m como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma dor intensa na regi&atilde;o lombar nem sempre significa problema na coluna. 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