{"id":605014,"date":"2026-09-04T16:46:32","date_gmt":"2026-09-04T16:46:32","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=605014"},"modified":"2026-09-04T23:55:03","modified_gmt":"2026-09-04T23:55:03","slug":"mia-couto-defende-a-escuta-e-a-oralidade-como-fontes-da-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/09\/mia-couto-defende-a-escuta-e-a-oralidade-como-fontes-da-literatura\/","title":{"rendered":"Mia Couto defende a escuta e a oralidade como fontes da literatura"},"content":{"rendered":"<p>O autor mo&ccedil;ambicano esteve com o p&uacute;blico da feira, em confer&ecirc;ncia que lotou o Theatro Pedro II. A conversa, com recortes pessoais, cient&iacute;ficos, hist&oacute;ricos e tecnol&oacute;gicos, construiu um painel sobre a rela&ccedil;&atilde;o de Couto com a literatura, abordando de refer&ecirc;ncias familiares &agrave; invas&atilde;o da IA na escrita de livros<\/p>\n<p>Ribeir&atilde;o Preto (SP), 4 de setembro de 2026 &ndash; A confer&ecirc;ncia com o escritor Mia Couto encerrou a programa&ccedil;&atilde;o de quarta-feira (2) da 25&ordf; FIL &ndash; Feira Internacional do Livro de Ribeir&atilde;o Preto. Com a Sala Principal do Theatro Pedro II lotada, o autor mo&ccedil;ambicano reencontrou o p&uacute;blico da feira para uma conversa sobre sua trajet&oacute;ria e os caminhos da cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria. Oralidade, mem&oacute;ria, identidade, ci&ecirc;ncia, natureza, vida, morte e intelig&ecirc;ncia artificial estiveram entre os temas abordados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Com media&ccedil;&atilde;o de Dulce Neves, jornalista e secret&aacute;ria municipal da Cidadania e Pessoa com Defici&ecirc;ncia de Ribeir&atilde;o Preto, Mia Couto abriu sua fala ressaltando a import&acirc;ncia da escuta para o processo da escrita e relembrou mem&oacute;rias das hist&oacute;rias que ouvia de sua m&atilde;e na inf&acirc;ncia. &ldquo;Meus pais eram imigrantes portugueses em Mo&ccedil;ambique e sabiam que nunca mais veriam os meus av&oacute;s. Mas minha m&atilde;e fazia com que eles fossem presen&ccedil;a viva em nossa casa por meio das hist&oacute;rias que contava. Escutar aquelas narrativas era a possibilidade de fazer existir quem n&atilde;o estava presente&rdquo;, revelou Couto.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O manejo da l&iacute;ngua portuguesa em di&aacute;logo com as varia&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas de Mo&ccedil;ambique, um dos tra&ccedil;os de sua obra, tamb&eacute;m esteve presente na confer&ecirc;ncia. &ldquo;Em Mo&ccedil;ambique, h&aacute; 28 l&iacute;nguas ind&iacute;genas que seguem vivas e s&atilde;o faladas diariamente. E eu queria, por meio da literatura, contar a hist&oacute;ria do meu pa&iacute;s, eu queria traduzir essa outra realidade, como no Brasil, onde ainda &eacute; uma l&iacute;ngua portuguesa, mas que traduz uma outra cultura. Isso &eacute; um fant&aacute;stico exerc&iacute;cio de contemporaneidade&rdquo;, contou o escritor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Formado em Biologia e atuante na &aacute;rea, Mia Couto consentiu que faz associa&ccedil;&otilde;es entre o campo da ci&ecirc;ncia e da literatura. &ldquo;Em meu trabalho de campo como bi&oacute;logo, sempre pergunto &agrave;s pessoas como se diz na l&iacute;ngua delas alguma coisa que, para mim, seria universal. N&atilde;o havendo palavra correspondente, fica claro que aquela pessoa pensa o mundo de uma outra maneira e para traduzir isso em portugu&ecirc;s, s&oacute; por meio da poesia&rdquo;, refletiu..<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O escritor tamb&eacute;m destacou sua participa&ccedil;&atilde;o no projeto Combinando Palavras, uma das a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de leitores desenvolvidas pela FIL. Antes da confer&ecirc;ncia, Mia Couto encontrou-se com alunos do Ensino M&eacute;dio que, desde o in&iacute;cio do ano letivo, leram e estudaram sua obra. A partir desse contato, os estudantes produziram releituras em diferentes linguagens art&iacute;sticas. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; nada que se compare a essa iniciativa, que movimenta escolas e estudantes. Fiquei muito tocado com a produ&ccedil;&atilde;o de artes apresentada pelos alunos&rdquo;, entregou Mia Couto.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Durante a conversa, Dulce Neves observou que o livro Terra Son&acirc;mbula (primeiro romance e principal t&iacute;tulo de Couto), que trata de guerra, devasta&ccedil;&atilde;o e dor, produziu nos adolescentes do Combinando Palavras uma acentuada percep&ccedil;&atilde;o de esperan&ccedil;a e provocou o escritor sobre como isso &eacute; poss&iacute;vel. &ldquo;A aus&ecirc;ncia de esperan&ccedil;a &eacute; um luxo que nossos povos n&atilde;o podem ter. Ent&atilde;o, temos que ter esperan&ccedil;a porque &eacute; ela que amarra as pessoas &agrave; sobreviv&ecirc;ncia&rdquo;, respondeu Mia Couto, admitindo que a escrita da obra foi um ato de resist&ecirc;ncia. &ldquo;Tive muitos amigos mortos pela guerra e senti que, assim como minha m&atilde;e fazia com meus av&oacute;s, eu precisava manter essas pessoas vivas. Um dever de amizade e humanidade com aquelas pessoas. E esse livro partiu disso&rdquo;, completou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O encontro ainda rendeu espa&ccedil;o para abordagem de outro vi&eacute;s presente nos livros do autor: a rela&ccedil;&atilde;o humana com a natureza. &ldquo;As &aacute;rvores vieram antes de n&oacute;s e precisamos ter respeito com a natureza. A cidade precisa ter uma certa respira&ccedil;&atilde;o, um pulm&atilde;o. Por isso, n&atilde;o gosto de olhar uma &aacute;rvores como algo paisag&iacute;stico. Perder a rela&ccedil;&atilde;o entre n&oacute;s e esse outro mundo, da natureza, nos faz ser pequenos. Para sermos felizes, temos que entender que n&atilde;o somos o centro de tudo&rdquo;, advertiu o conferencista. Ele tamb&eacute;m agradeceu a influ&ecirc;ncia da literatura brasileira em sua trajet&oacute;ria. &ldquo;Os grandes autores que me autorizaram a escrever como eu escrevo s&atilde;o brasileiros. Muito antes de eu sonhar que eu poderia atravessar o Atl&acirc;ntico e vir aqui, o Brasil existia em minha casa pela voz dos poetas, dos cantores, dos escritores&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Por fim, Mia Couto comentou sobre sua inquieta&ccedil;&atilde;o com a intelig&ecirc;ncia artificial substituindo a escrita livre. &ldquo;Penso que tenho que aceitar a IA como uma ferramenta, por&eacute;m, n&atilde;o quero ser ferramenta da IA. A primeira pergunta a se fazer &eacute; quem &eacute; o dono da IA. E a segunda &eacute; quem vai regulamentar isso no mundo. Acredito que estamos sendo v&iacute;timas do n&atilde;o saber distinguir um pensamento mecanicista daquele que &eacute; gerado pelo c&eacute;rebro. Comparar c&eacute;rebro com computador &eacute; um erro b&aacute;sico porque nosso c&eacute;rebro n&atilde;o cria pe&ccedil;as, mas &eacute; uma entidade viva e m&aacute;quina alguma pode realizar o que ele realiza. Idolatramos tanto a m&aacute;quina que perdemos a paix&atilde;o pelo que tem vida. Perdemos o encantamento&rdquo;, finalizou Mia Couto. Com obra liter&aacute;ria extensa, que inclui poesia, contos, romance e cr&ocirc;nicas, o escritor tem livros publicados em mais de 22 pa&iacute;ses.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sobre a FIL<br>\nA FIL &ndash; Feira Internacional do Livro de Ribeir&atilde;o Preto chega &agrave; 25&ordf; edi&ccedil;&atilde;o em 2026. Realizada pela Funda&ccedil;&atilde;o do Livro e Leitura de Ribeir&atilde;o Preto, a programa&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne debates, encontros com autores nacionais e internacionais, atividades educativas, a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de leitores e iniciativas culturais em diferentes espa&ccedil;os da cidade, com uma programa&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave;s diferentes formas de produzir, transmitir e renovar a literatura ao longo do tempo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sobre a Funda&ccedil;&atilde;o<br>\nA Funda&ccedil;&atilde;o do Livro e Leitura de Ribeir&atilde;o Preto &eacute; uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, respons&aacute;vel pela realiza&ccedil;&atilde;o da Feira Internacional do Livro da cidade e por feiras promovidas em munic&iacute;pios do interior paulista.<br>\nAl&eacute;m dos eventos liter&aacute;rios, desenvolve projetos relacionados ao livro, &agrave; leitura, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura durante todo o ano. Suas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o realizadas com o apoio de mantenedores, patrocinadores e recursos provenientes de leis e programas de incentivo, entre eles a Pol&iacute;tica Nacional Aldir Blanc, o ProAC Editais, a CULTSP, a Secretaria da Cultura, Economia e Ind&uacute;stria Criativas do Estado de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> e o Minist&eacute;rio da Cultura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O autor mo&ccedil;ambicano esteve com o p&uacute;blico da feira, em confer&ecirc;ncia que lotou o Theatro Pedro&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":605013,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-605014","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=605014"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605014\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":605738,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605014\/revisions\/605738"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/605013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=605014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=605014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=605014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}