{"id":601035,"date":"2026-09-02T12:58:04","date_gmt":"2026-09-02T12:58:04","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=601035"},"modified":"2026-09-02T21:17:18","modified_gmt":"2026-09-02T21:17:18","slug":"rita-von-hunty-debate-desejo-poder-e-resistencia-na-fil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/09\/rita-von-hunty-debate-desejo-poder-e-resistencia-na-fil\/","title":{"rendered":"Rita von Hunty debate desejo, poder e resist\u00eancia na FIL"},"content":{"rendered":"<p>Com media&ccedil;&atilde;o de Renan Quinalha, confer&ecirc;ncia analisou a constru&ccedil;&atilde;o das homossexualidades, o uso pol&iacute;tico da homofobia e as mobiliza&ccedil;&otilde;es por direitos<\/p>\n<p>Ribeir&atilde;o Preto (SP), 1&ordm; de setembro de 2026 &ndash; As rela&ccedil;&otilde;es entre desejo, sexualidade e poder estiveram no centro da confer&ecirc;ncia &ldquo;Desejos em revolu&ccedil;&atilde;o: homossexualidades e mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas&rdquo;, realizada &agrave;s 20h30, na Sala Principal do Theatro Pedro II, durante a 25&ordf; Feira Internacional do Livro de Ribeir&atilde;o Preto. Com participa&ccedil;&atilde;o de Rita von Hunty e media&ccedil;&atilde;o de Renan Quinalha, o encontro analisou a constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica das identidades, as formas de controle sobre os corpos e o uso pol&iacute;tico da homofobia em diferentes contextos. A conversa tamb&eacute;m relacionou essas quest&otilde;es &agrave;s desigualdades de g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e classe e aos processos de mobiliza&ccedil;&atilde;o por direitos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o que d&aacute; nome &agrave; confer&ecirc;ncia serviu como ponto de partida para o debate. Organizada em quatro eixos, a obra re&uacute;ne textos sobre marxismo e sexualidade, experi&ecirc;ncias revolucion&aacute;rias, contrarrevolu&ccedil;&otilde;es e a reorganiza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais a partir da efervesc&ecirc;ncia pol&iacute;tica e cultural dos anos 1960. Segundo Renan, o livro recupera diferentes formas de aproxima&ccedil;&atilde;o e conflito entre movimentos de esquerda e dissid&ecirc;ncias sexuais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O mediador observou que grupos progressistas empenhados em reorganizar o Estado, a economia e a sociedade nem sempre conseguiram transformar os v&iacute;nculos afetivos, familiares e &iacute;ntimos. Regimes fascistas, por sua vez, incorporaram a persegui&ccedil;&atilde;o &agrave;s homossexualidades aos seus projetos de controle e elimina&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Uma coisa &eacute; a desconfian&ccedil;a desses desejos, outra coisa &eacute; efetivamente querer eliminar esse desejo e essas pessoas porque elas s&atilde;o consideradas disfuncionais ou fruto de uma decad&ecirc;ncia moral&rdquo;, afirmou Renan. A an&aacute;lise situou a homofobia n&atilde;o como um fen&ocirc;meno uniforme, mas como instrumento acionado de maneiras espec&iacute;ficas conforme os interesses pol&iacute;ticos de cada per&iacute;odo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Rita von Hunty ampliou a reflex&atilde;o ao explicar que as identidades s&atilde;o produzidas por discursos m&eacute;dicos e jur&iacute;dicos, valores religiosos, normas culturais e rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o. Um corpo, ressaltou, n&atilde;o &eacute; apenas descrito: ele &eacute; narrado e recebe significados que mudam ao longo do tempo. &ldquo;Narrar &eacute; movimento e, para que exista gay como identidade, voc&ecirc; precisa de um longo processo hist&oacute;rico produzindo gay como identidade&rdquo;, disse.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ao recorrer ao pensamento de Michel Foucault, Rita mostrou que pr&aacute;ticas afetivas e sexuais podem assumir sentidos distintos em cada sociedade. &ldquo;Quando Foucault fala em hist&oacute;ria da sexualidade, &eacute; porque o jeito que transamos &eacute; hist&oacute;rico. O que &eacute; prazer, o que &eacute; ofensa, o que &eacute; sagrado e profano, o que &eacute; higi&ecirc;nico e perverso, o que &eacute; direito est&aacute; determinado pela hist&oacute;ria&rdquo;, afirmou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Renan lembrou que a categoria &ldquo;homossexual&rdquo; surgiu no s&eacute;culo XIX, inicialmente vinculada a um tratado de psicopatologia sexual. Por essa raz&atilde;o, comportamentos observados em sociedades antigas n&atilde;o podem ser interpretados automaticamente com os conceitos empregados no presente. Embora existissem rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas do mesmo sexo, elas eram compreendidas a partir de outros c&oacute;digos, hierarquias e posi&ccedil;&otilde;es sociais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A linguagem tamb&eacute;m apareceu como espa&ccedil;o de reprodu&ccedil;&atilde;o das desigualdades. Ao citar express&otilde;es populares e diferen&ccedil;as de sentido entre termos associados ao masculino e ao feminino, Rita demonstrou como o idioma carrega marcas dos processos que o produziram. &ldquo;N&atilde;o existe &lsquo;&agrave; toa&rsquo;. Existe processo hist&oacute;rico, material, grupo dominante, grupo dominado&rdquo;, sintetizou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A conferencista abordou ainda a sobreposi&ccedil;&atilde;o de diferentes formas de exclus&atilde;o. &ldquo;Quando elas v&atilde;o se interseccionando, quando voc&ecirc; tem uma mulher trans, negra, PCD, a capacidade de reconhecer aquele corpo como humano vai desaparecendo do debate&rdquo;, afirmou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ao tratar do racismo estrutural, Rita analisou como determinados grupos foram historicamente reduzidos a categorias utilizadas para justificar inferioriza&ccedil;&atilde;o e afastamento social. &ldquo;A hist&oacute;ria brasileira &eacute; t&atilde;o racista que a gente produziu uma ra&ccedil;a chamada nordestino, sertanejo&rdquo;, declarou, ao comentar como proced&ecirc;ncia, condi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e tra&ccedil;os culturais podem ser mobilizados em processos de desumaniza&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o do movimento LGBTI+ no Brasil ganhou espa&ccedil;o quando Renan recuperou as articula&ccedil;&otilde;es realizadas durante a ditadura. Naquele per&iacute;odo, diferentes grupos debatiam se deveriam concentrar a atua&ccedil;&atilde;o em pautas espec&iacute;ficas ou estabelecer alian&ccedil;as com o movimento sindical, o feminismo e o Movimento Negro Unificado. &ldquo;Nossas pautas n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; um mundo de LGBT felizes. A gente quer efetivamente uma liberta&ccedil;&atilde;o para todo mundo&rdquo;, disse, ao reconstituir o posicionamento dos setores que associavam o enfrentamento &agrave; homofobia a um projeto mais amplo de transforma&ccedil;&atilde;o social.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As conquistas obtidas desde ent&atilde;o, observou o mediador, n&atilde;o seguem um percurso linear nem permanecem asseguradas sem participa&ccedil;&atilde;o coletiva. &ldquo;Nada est&aacute; garantido na hist&oacute;ria. Est&aacute; tudo por fazer sempre. Cada gera&ccedil;&atilde;o tem que fazer a sua parte, fazer de novo, fazer melhor&rdquo;, afirmou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Rita relacionou as rea&ccedil;&otilde;es conservadoras contempor&acirc;neas &agrave; presen&ccedil;a crescente de mulheres, pessoas negras e ind&iacute;genas, integrantes da popula&ccedil;&atilde;o LGBTI+ e outros grupos historicamente afastados dos espa&ccedil;os de decis&atilde;o. Para ela, as tentativas de restringir direitos tamb&eacute;m evidenciam o impacto das mudan&ccedil;as alcan&ccedil;adas. &ldquo;Onde existe poder &eacute; porque existe resist&ecirc;ncia. N&atilde;o precisa existir poder onde n&atilde;o tem ningu&eacute;m resistindo&rdquo;, declarou.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o e a circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento foram apresentadas como recursos para contestar valores tratados como naturais, universais ou permanentes. &ldquo;O trabalho contra-hegem&ocirc;nico reside na capacidade de mostrar que o sempre nunca existiu&rdquo;, afirmou Rita. Ao recuperar pesquisas, livros e documentos produzidos por diferentes gera&ccedil;&otilde;es, ela destacou a import&acirc;ncia de preservar a mem&oacute;ria das experi&ecirc;ncias que confrontaram os discursos dominantes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para dimensionar a proximidade de algumas conquistas sociais, Rita reuniu acontecimentos pol&iacute;ticos e refer&ecirc;ncias da cultura popular. Lembrou que, quando Walt Disney lan&ccedil;ava seu primeiro desenho animado colorido, em 1932, as brasileiras come&ccedil;avam a conquistar o direito de votar e serem votadas. Em 1977, ano da estreia de Star Wars nos cinemas, o div&oacute;rcio passava a ser permitido no Brasil. J&aacute; em 1988, quando Ayrton Senna conquistava seu primeiro t&iacute;tulo mundial de F&oacute;rmula 1, mulheres e homens foram reconhecidos como iguais perante a Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Rita recordou ainda que, em 2002, a virgindade feminina permanecia na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira como motivo para a anula&ccedil;&atilde;o do casamento. Somente em 2023 uma mulher casada deixou de precisar da autoriza&ccedil;&atilde;o por escrito do marido para realizar uma laqueadura. Os exemplos mostraram como direitos atualmente compreendidos como fundamentais resultam de processos recentes e permanecem sujeitos a retrocessos. &ldquo;N&atilde;o foi h&aacute; tanto tempo. A democracia &eacute; uma luta constante&rdquo;, concluiu.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sobre a FIL<br>\nA FIL &ndash; Feira Internacional do Livro de Ribeir&atilde;o Preto chega &agrave; 25&ordf; edi&ccedil;&atilde;o em 2026. Realizada pela Funda&ccedil;&atilde;o do Livro e Leitura de Ribeir&atilde;o Preto, a programa&ccedil;&atilde;o re&uacute;ne debates, encontros com autores nacionais e internacionais, atividades educativas, a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de leitores e iniciativas culturais em diferentes espa&ccedil;os da cidade, com uma programa&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave;s diferentes formas de produzir, transmitir e renovar a literatura ao longo do tempo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Sobre a Funda&ccedil;&atilde;o<br>\nA Funda&ccedil;&atilde;o do Livro e Leitura de Ribeir&atilde;o Preto &eacute; uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, respons&aacute;vel pela realiza&ccedil;&atilde;o da Feira Internacional do Livro da cidade e por feiras promovidas em munic&iacute;pios do interior paulista.<br>\nAl&eacute;m dos eventos liter&aacute;rios, desenvolve projetos relacionados ao livro, &agrave; leitura, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura durante todo o ano. Suas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o realizadas com o apoio de mantenedores, patrocinadores e recursos provenientes de leis e programas de incentivo, entre eles a Pol&iacute;tica Nacional Aldir Blanc, o ProAC Editais, a CULTSP, a Secretaria da Cultura, Economia e Ind&uacute;stria Criativas do Estado de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> e o Minist&eacute;rio da Cultura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com media&ccedil;&atilde;o de Renan Quinalha, confer&ecirc;ncia analisou a constru&ccedil;&atilde;o das homossexualidades, o uso pol&iacute;tico da homofobia&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":601034,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-601035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=601035"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601035\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/601034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=601035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=601035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=601035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}