{"id":592950,"date":"2026-08-28T17:29:35","date_gmt":"2026-08-28T17:29:35","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=592950"},"modified":"2026-08-28T19:18:32","modified_gmt":"2026-08-28T19:18:32","slug":"como-identificar-e-agir-diante-das-dificuldades-de-alfabetizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/08\/como-identificar-e-agir-diante-das-dificuldades-de-alfabetizacao\/","title":{"rendered":"Como identificar e agir diante das dificuldades de alfabetiza\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Isabella Oliveira<\/em><\/p>\n<p>A alfabetiza&ccedil;&atilde;o constitui uma das etapas mais importantes da trajet&oacute;ria escolar da crian&ccedil;a. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o trabalho pedag&oacute;gico com foco na alfabetiza&ccedil;&atilde;o concentra-se nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, per&iacute;odo em que se espera que os estudantes desenvolvam as habilidades essenciais de leitura e escrita, processo que continua a ser consolidado ao longo da escolariza&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Embora o Brasil tenha registrado avan&ccedil;os importantes nessa &aacute;rea nos &uacute;ltimos anos, os desafios ainda s&atilde;o significativos. Em 2025, o pa&iacute;s chegou a 66% das crian&ccedil;as da rede p&uacute;blica alfabetizadas ao fim do 2&ordm; ano, segundo o Indicador Crian&ccedil;a Alfabetizada divulgado pelo MEC e pelo Inep, resultado que superou a meta de 64% prevista para o per&iacute;odo e ficou 10 pontos acima do registrado em 2023.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ainda assim, muitos estudantes enfrentam desafios ao longo desse processo. Um estudo realizado pelo Ita&uacute; Social, Funda&ccedil;&atilde;o Lemann e BID, revelou que 40% estudantes enfrentaram desafios na aprendizagem e 11% possuem n&iacute;veis de leitura e escrita abaixo do esperado para a fase de alfabetiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Quando as fragilidades de alfabetiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o identificadas e acompanhadas adequadamente, al&eacute;m de comprometer a aprendizagem, elas podem afetar a autoestima da crian&ccedil;a, gerar inseguran&ccedil;a diante dos desafios e reduzir sua motiva&ccedil;&atilde;o na participa&ccedil;&atilde;o das atividades. Com o tempo, as barreiras encontradas durante a alfabetiza&ccedil;&atilde;o podem limitar, tamb&eacute;m, sua capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o do mundo ao seu redor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Sinais de dificuldades de alfabetiza&ccedil;&atilde;o que merecem aten&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Embora cada crian&ccedil;a tenha seu pr&oacute;prio ritmo de aprendizagem, alguns sinais podem indicar a necessidade de um acompanhamento mais pr&oacute;ximo, como a dificuldade persistente em associar letras e sons, compreender o funcionamento da escrita, avan&ccedil;ar na produ&ccedil;&atilde;o de textos, ler palavras e interpretar pequenos textos adequados &agrave; faixa et&aacute;ria ou registar ideias com autonomia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m dos aspectos relacionados &agrave; aprendizagem, tamb&eacute;m vale observar aspectos comportamentais, como inseguran&ccedil;a diante das atividades, desmotiva&ccedil;&atilde;o, resist&ecirc;ncia &agrave;s propostas de leitura e escrita ou pouca participa&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es que envolvam linguagem. Esses sinais n&atilde;o devem ser encarados como diagn&oacute;sticos, mas como alertas de que a crian&ccedil;a pode precisar de interven&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas mais direcionadas. Quanto mais cedo essas necessidades s&atilde;o identificadas, maiores s&atilde;o as chances de promover avan&ccedil;os consistentes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No geral, as dificuldades de alfabetiza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m origem multifatorial e podem estar associadas a fatores pedag&oacute;gicos, emocionais, sociais, familiares ou neurobiol&oacute;gicos. Pouco contato com livros e pr&aacute;ticas de leituras, faltas frequentes &agrave;s aulas, desafios para manter a aten&ccedil;&atilde;o, transtornos de aprendizagem, quest&otilde;es emocionais, mudan&ccedil;as importantes na rotina familiar ou situa&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade s&atilde;o alguns exemplos de elementos que podem interferir nesse processo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Neste sentido, compreender o estudante de forma integral tem se tornado cada vez mais fundamental, considerando contexto de desenvolvimento, experi&ecirc;ncias e necessidades espec&iacute;ficas. Somente a partir desse olhar ampliado &eacute; poss&iacute;vel construir interven&ccedil;&otilde;es realmente eficazes.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Isto porque, o estado <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4c8kilQ\">emocional<\/a> da crian&ccedil;a exerce influ&ecirc;ncia direta sobre o seu desenvolvimento e sua disposi&ccedil;&atilde;o em aprender. Situa&ccedil;&otilde;es de ansiedade, inseguran&ccedil;a, baixa autoestima, conflitos familiares ou dificuldades de socializa&ccedil;&atilde;o podem dificultar a concentra&ccedil;&atilde;o, a persist&ecirc;ncia diante dos desafios e a confian&ccedil;a em suas capacidades.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nesse contexto, ao oferecer um ambiente acolhedor, seguro e afetivo, que valorize os avan&ccedil;os individuais e fortale&ccedil;a o v&iacute;nculo da crian&ccedil;a com o processo de aprendizagem, a escola desempenha um papel essencial para seu desenvolvimento, uma vez que, quando se sente respeitada e incentivada, a crian&ccedil;a torna-se mais aberta a experimentar, errar, aprender e evoluir.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>O papel da escola e da fam&iacute;lia para as estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o existe metodologia &uacute;nica capaz de atender &agrave;s necessidades de todos os estudantes de uma turma, e por isso o trabalho pedag&oacute;gico exige observa&ccedil;&atilde;o constante, avalia&ccedil;&atilde;o e registro sistem&aacute;tico do que cada crian&ccedil;a j&aacute; l&ecirc; e escreve.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Com base nesse processo, os professores podem planejar interven&ccedil;&otilde;es intencionais, diversificar estrat&eacute;gias de ensino, utilizar recursos l&uacute;dicos e multissensoriais, promover agrupamentos produtivos e desenvolver a&ccedil;&otilde;es de recomposi&ccedil;&atilde;o das aprendizagens, com o objetivo de garantir que cada estudante avance a partir de seu ponto de partida, respeitando seu ritmo sem perder de vista as habilidades essenciais para a alfabetiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Isto &eacute; importante, pois reconhecer que as crian&ccedil;as aprendam de maneiras diferentes &eacute; um passo fundamental para construir experi&ecirc;ncias de aprendizagem mais significativas, capazes de ampliar o engajamento e favorecer o desenvolvimento de todos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A fam&iacute;lia acompanha esse processo por outro lado, e quando compreendem a relev&acirc;ncia dessa etapa e participam ativa e positivamente, a crian&ccedil;a tende a sentir mais segura, valorizada e disposta a tentar. Atitudes simples do cotidiano, como incentivar a leitura, conversar sobre hist&oacute;rias, ampliar o repert&oacute;rio cultural e acompanhar a rotina escolar, contribuem significativamente para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m disso, o di&aacute;logo constante entre escola e familiares permite alinhar expectativas, compartilhar estrat&eacute;gias e fortalecer a rede de apoio necess&aacute;ria para o desenvolvimento do estudante.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>A leitura como porta de entrada para a linguagem escrita<\/strong><\/p>\n<p>Entre as estrat&eacute;gias que favorecem a alfabetiza&ccedil;&atilde;o, a leitura aparece desde a primeira inf&acirc;ncia, antes mesmo de a crian&ccedil;a escrever a primeira palavra. O contato frequente com livros e com diferentes g&ecirc;neros textuais amplia o vocabul&aacute;rio e a familiariza com a estrutura da l&iacute;ngua escrita. Com isso, cultivar esse h&aacute;bito, tanto na escola quanto em casa, &eacute; uma forma de fortalecer as bases da alfabetiza&ccedil;&atilde;o e formar leitores aut&ocirc;nomos, cr&iacute;ticos e participativos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Diante desse contexto, falar sobre alfabetiza&ccedil;&atilde;o &eacute; falar sobre <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4wPsgrx\">autonomia<\/a>, participa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento humano. Esse processo n&atilde;o s&oacute; ensina a ler e escrever, mas permite que a crian&ccedil;a compreenda o mundo, expresse pensamentos, sentimentos e ideias, al&eacute;m de construir sua pr&oacute;pria trajet&oacute;ria de aprendizagem.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Desta forma, superar os desafios de alfabetiza&ccedil;&atilde;o exige sensibilidade, intencionalidade pedag&oacute;gica e a convic&ccedil;&atilde;o de que toda crian&ccedil;a &eacute; capaz de aprender quando encontra oportunidades adequadas, acolhimento e media&ccedil;&otilde;es compat&iacute;veis com as suas necessidades. Ao olhar para cada estudante individualmente, respeitando seu tempo, a escola contribui para a forma&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os mais cr&iacute;ticos, confiantes e preparados para atuar de maneira significativa na sociedade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong><em>Isabella Oliveira &eacute; coordenadora pedag&oacute;gica da <\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4xjt9cO\"><strong><em>unidade de Muria&eacute;<\/em><\/strong><\/a><strong><em> da Rede de Col&eacute;gios Santa Marcelina, Institui&ccedil;&atilde;o que alia tradi&ccedil;&atilde;o &agrave; uma proposta educacional sociointeracionista e alinhada &agrave;s principais tend&ecirc;ncias do mercado de educa&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Isabella Oliveira A alfabetiza&ccedil;&atilde;o constitui uma das etapas mais importantes da trajet&oacute;ria escolar da crian&ccedil;a&hellip;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[41312],"class_list":["post-592950","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-santa-marcelina-alfabetizacao-leitura","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/592950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=592950"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/592950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":593100,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/592950\/revisions\/593100"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=592950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=592950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=592950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}