{"id":578706,"date":"2026-08-19T13:50:04","date_gmt":"2026-08-19T13:50:04","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=578706"},"modified":"2026-08-19T23:45:46","modified_gmt":"2026-08-19T23:45:46","slug":"voce-fotografa-para-lembrar-ou-por-medo-de-esquecer-o-que-o-celular-revela-sobre-nossa-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/08\/voce-fotografa-para-lembrar-ou-por-medo-de-esquecer-o-que-o-celular-revela-sobre-nossa-ansiedade\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea fotografa para lembrar ou por medo de esquecer? O que o celular revela sobre nossa ansiedade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;line-height: 150%\" align=\"center\"><i><span style=\"color: black\">Psiquiatra da Hapvida, que tamb&eacute;m &eacute; psicoterapeuta e fot&oacute;grafa, explica quando registrar momentos deixa de ser uma escolha e pode se transformar em uma tentativa de controlar a incerteza&nbsp;<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Se voc&ecirc; abrisse agora a galeria do seu celular, provavelmente encontraria muito mais do que fotos de viagens, anivers&aacute;rios e pessoas queridas. H&aacute; registros de documentos, telas, produtos que pretende comprar, informa&ccedil;&otilde;es do que n&atilde;o quer esquecer e, claro, centenas de momentos que talvez nunca mais sejam revisitados. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Fotografar tudo se tornou t&atilde;o natural que raramente paramos para pensar por que fazemos isso. Ser&aacute; que &eacute; apenas para lembrar ou para aliviar o medo de esquecer?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">O Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto, alerta que essa rela&ccedil;&atilde;o cotidiana com as imagens &eacute; observada pela perspectiva da sa&uacute;de mental. Segundo a psiquiatra e psicoterapeuta Renata Covre, da Hapvida, que tamb&eacute;m atua como fot&oacute;grafa, mais importante do que contar quantas fotografias uma pessoa realiza &eacute; entender qual fun&ccedil;&atilde;o o registro desempenha em sua vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">&ldquo;Fotografar, por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; um problema. Hoje, a c&acirc;mera do celular tamb&eacute;m funciona como uma esp&eacute;cie de mem&oacute;ria auxiliar. O que come&ccedil;a a chamar aten&ccedil;&atilde;o &eacute; quando deixa de ser uma escolha e vira quase uma necessidade&rdquo;, explica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><strong><span style=\"color: black\">A foto vira al&iacute;vio?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Uma pessoa pode fazer dezenas ou at&eacute; centenas de fotografias sem que isso represente qualquer problema, especialmente quando a fotografia faz parte de seu trabalho ou de um hobby. O sinal de aten&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, aparece quando deixar de registrar provoca desconforto, inseguran&ccedil;a ou a sensa&ccedil;&atilde;o de que algo ruim pode acontecer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">&ldquo;Se eu fotografo porque quero guardar uma lembran&ccedil;a, &eacute; algo. Se eu fotografo para aliviar uma ansiedade, pensando &lsquo;se eu n&atilde;o registrar, algo de ruim pode acontecer&rsquo;, j&aacute; existe uma fun&ccedil;&atilde;o diferente&rdquo;, afirma Renata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Segundo a especialista, o celular pode facilitar esse ciclo porque oferece uma resposta imediata &agrave; necessidade de certeza e controle. Registrar algo traz al&iacute;vio naquele momento, mas pode fazer com que a pessoa sinta necessidade de repetir o comportamento sempre que uma nova d&uacute;vida aparecer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><strong><span style=\"color: black\">Fotografar para lembrar&nbsp;<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Existe ainda uma contradi&ccedil;&atilde;o curiosa: na tentativa de garantir que uma experi&ecirc;ncia seja lembrada no futuro, podemos prestar menos aten&ccedil;&atilde;o ao que est&aacute; acontecendo no presente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Imagine algu&eacute;m em um show que passa boa parte da apresenta&ccedil;&atilde;o escolhendo enquadramentos, gravando v&iacute;deos, conferindo se as imagens ficaram boas e pensando no que ainda precisa registrar. Parte da aten&ccedil;&atilde;o est&aacute; concentrada na produ&ccedil;&atilde;o do registro, e n&atilde;o na experi&ecirc;ncia em si. E &eacute; a&iacute; que, segundo a m&eacute;dica, pode estar outro problema.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">&ldquo;Para formar uma mem&oacute;ria, primeiro a gente precisa estar minimamente presente e prestar aten&ccedil;&atilde;o naquela experi&ecirc;ncia. Mas, &agrave;s vezes, a pessoa est&aacute; t&atilde;o preocupada em garantir uma boa lembran&ccedil;a para o futuro que diminui drasticamente a aten&ccedil;&atilde;o ao que est&aacute; acontecendo no presente&rdquo;, explica a psiquiatra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Por outro lado, a fotografia pode funcionar como uma pista muito potente para recuperar uma lembran&ccedil;a. &ldquo;A diferen&ccedil;a est&aacute; justamente em como usamos a c&acirc;mera. Uma fotografia pode ajudar a guardar uma experi&ecirc;ncia. O problema &eacute; quando a preocupa&ccedil;&atilde;o em guardar se torna t&atilde;o grande que quase n&atilde;o sobra espa&ccedil;o para viver aquilo que queremos guardar&rdquo;, refor&ccedil;a a profissional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><strong><span style=\"color: black\">Fotografar para focar<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Para Renata, que al&eacute;m de m&eacute;dica &eacute; fot&oacute;grafa, existe outro aspecto que precisa ser considerado: fotografar pode tamb&eacute;m ampliar a capacidade de observa&ccedil;&atilde;o do mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">&ldquo;Fotografar pode ser uma maneira muito bonita de prestar aten&ccedil;&atilde;o e ver detalhes. Quando voc&ecirc; gosta de fotografia, &agrave;s vezes come&ccedil;a a observar uma luz, uma express&atilde;o, uma cena que talvez passasse despercebida&rdquo;, conta.&nbsp;<\/span><span><br>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">A diferen&ccedil;a, portanto, est&aacute; na liberdade de escolha pessoal. &ldquo;Eu posso olhar uma cena e pensar: &lsquo;isso eu quero fotografar&rsquo;. Mas tamb&eacute;m consigo pensar: &lsquo;essa eu quero s&oacute; viver&rsquo;. Quando a pessoa sente que n&atilde;o consegue fazer essa segunda escolha, a&iacute; vale observar melhor&rdquo;, orienta a m&eacute;dica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><strong><span style=\"color: black\">Milhares de fotos, poucas lembran&ccedil;as<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Outro paradoxo da era digital &eacute; que nunca foi t&atilde;o f&aacute;cil fotografar, mas muitas imagens acumuladas nunca sequer ser&atilde;o revistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">&ldquo;Hoje temos milhares de fotografias, mas, muitas vezes, quase n&atilde;o voltamos a elas. Podemos acabar acumulando registros sem necessariamente transform&aacute;-los em lembran&ccedil;as significativas&rdquo;, observa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">Uma alternativa, segundo a especialista, &eacute; tornar a rela&ccedil;&atilde;o com as fotografias mais intencional: selecionar algumas imagens, organizar &aacute;lbuns, imprimir fotografias ou simplesmente rev&ecirc;-las com outras pessoas. &ldquo;A fotografia deixa de ser apenas um arquivo acumulado no celular e passa a funcionar como uma pista para reconstruir aquela hist&oacute;ria&rdquo;, ensina Renata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">E h&aacute; ainda aquilo que nenhuma c&acirc;mera consegue registrar completamente. &ldquo;Existem mem&oacute;rias que n&atilde;o s&atilde;o essencialmente visuais: lembrar de uma conversa, de um cheiro, de uma m&uacute;sica, da sensa&ccedil;&atilde;o que tivemos naquele lugar. Estar presente ajuda a registrar tamb&eacute;m essas outras dimens&otilde;es da experi&ecirc;ncia.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">A m&eacute;dica explica que n&atilde;o existe uma quantidade ideal de fotos que determine um comportamento saud&aacute;vel. A proposta &eacute; encontrar equil&iacute;brio e, principalmente, perceber se existe liberdade para escolher entre registrar e simplesmente viver.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><strong><span style=\"color: black\">Quando &eacute; hora de pedir ajuda?<\/span><\/strong><span><br>\n<span style=\"color: black\">Fotografar muito n&atilde;o significa ansiedade ou transtorno psicol&oacute;gico. O alerta est&aacute; na combina&ccedil;&atilde;o entre sofrimento, preju&iacute;zo na rotina e perda de liberdade para escolher. &ldquo;Se a pessoa percebe que fica muito angustiada quando n&atilde;o consegue registrar ou conferir alguma coisa; se perde muito tempo fotografando, organizando, arquivando ou checando; se isso come&ccedil;a a gerar conflitos, atrasos ou preju&iacute;zo nas rela&ccedil;&otilde;es; ou se percebe que precisa fazer esses comportamentos repetidamente para aliviar uma ansiedade, pode ser interessante procurar ajuda&rdquo;, orienta.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">A especialista tamb&eacute;m chama aten&ccedil;&atilde;o para um ciclo que pode passar despercebido, no qual a fotografia passa a funcionar menos como lembran&ccedil;a e mais como estrat&eacute;gia para eliminar incertezas. Por exemplo: surge uma d&uacute;vida ou desconforto, a pessoa registra ou confere algo para se sentir segura, experimenta al&iacute;vio e, pouco depois, sente novamente a necessidade de repetir o comportamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;line-height: 150%\"><span style=\"color: black\">&ldquo;A fotografia nos oferece in&uacute;meras ferramentas para diminuir pequenas incertezas do cotidiano. S&oacute; que nem sempre precisar ter certeza de tudo nos deixa menos ansiosos. &Agrave;s vezes, pode justamente nos treinar a tolerar cada vez menos a possibilidade de esquecer, perder ou simplesmente n&atilde;o ter tudo registrado&rdquo;, pontua a m&eacute;dica.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psiquiatra da Hapvida, que tamb&eacute;m &eacute; psicoterapeuta e fot&oacute;grafa, explica quando registrar momentos deixa de ser&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":578705,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,7],"tags":[41242],"class_list":["post-578706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-sde","tag-hapvida-saude-mental-dia-mundial-da-fotografia","wpcat-21201-id","wpcat-7-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/578706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=578706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/578706\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/578705"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=578706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=578706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=578706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}