{"id":578624,"date":"2026-08-19T12:58:30","date_gmt":"2026-08-19T12:58:30","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=578624"},"modified":"2026-08-19T23:45:47","modified_gmt":"2026-08-19T23:45:47","slug":"casos-casas-bahia-e-marabraz-expoem-limite-do-credito-sem-garantia-em-grandes-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/08\/casos-casas-bahia-e-marabraz-expoem-limite-do-credito-sem-garantia-em-grandes-empresas\/","title":{"rendered":"Casos Casas Bahia e Marabraz exp\u00f5em limite do cr\u00e9dito sem garantia em grandes empresas"},"content":{"rendered":"<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>Com quase 95% da d&iacute;vida da Casas Bahia concentrada em cr&eacute;ditos sem garantia, recupera&ccedil;&otilde;es colocam em xeque crit&eacute;rios de risco, estrutura de garantias e capacidade de recupera&ccedil;&atilde;o de capital por bancos e fundos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As recupera&ccedil;&otilde;es judiciais de Casas Bahia e Marabraz colocam um alerta relevante para bancos, fundos de cr&eacute;dito e investidores institucionais: tamanho, marca e hist&oacute;rico de faturamento n&atilde;o s&atilde;o substitutos para gera&ccedil;&atilde;o de caixa, garantias robustas e governan&ccedil;a. No caso da Casas Bahia, quase 95% dos R$ 17,3 bilh&otilde;es informados no processo est&atilde;o concentrados em cr&eacute;ditos sem garantia. Para o mercado financeiro, a quest&atilde;o central deixa de ser apenas a capacidade de sobreviv&ecirc;ncia da varejista e passa a ser quanto do capital emprestado poder&aacute; efetivamente ser recuperado, em que prazo e com qual valor econ&ocirc;mico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Uma companhia pode ter marca nacional, bilh&otilde;es em receita e acesso recorrente ao mercado de capitais e, ainda assim, representar um cr&eacute;dito fr&aacute;gil. Quando a crise chega, o credor descobre rapidamente a diferen&ccedil;a entre ter exposi&ccedil;&atilde;o a uma grande empresa e ter uma exposi&ccedil;&atilde;o verdadeiramente protegida. Para bancos e fundos, esses casos recolocam garantias, gera&ccedil;&atilde;o de caixa e governan&ccedil;a no centro da decis&atilde;o de cr&eacute;dito&rdquo;, afirma Marco T&uacute;lio Dias, s&oacute;cio do Abi-Ackel Advogados e especialista da &aacute;rea de Recupera&ccedil;&atilde;o de Ativos e Insolv&ecirc;ncia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O volume de cr&eacute;ditos sem garantia ganha relev&acirc;ncia porque, em uma recupera&ccedil;&atilde;o judicial, esses credores podem ficar sujeitos a des&aacute;gios expressivos, prazos prolongados e condi&ccedil;&otilde;es capazes de reduzir significativamente o valor presente da d&iacute;vida. A legisla&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o estabelece um teto geral para des&aacute;gio ou prazo aplic&aacute;vel aos credores quirograf&aacute;rios. Na pr&aacute;tica, portanto, a recupera&ccedil;&atilde;o de capital depender&aacute; n&atilde;o apenas do valor nominal reconhecido, mas da estrutura econ&ocirc;mica do plano, do poder de negocia&ccedil;&atilde;o de cada classe e da capacidade futura de gera&ccedil;&atilde;o de caixa da empresa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para institui&ccedil;&otilde;es financeiras e fundos, a consequ&ecirc;ncia &eacute; uma revis&atilde;o mais rigorosa da forma como o risco &eacute; precificado antes da crise. Endividamento l&iacute;quido, fluxo de caixa, cobertura de juros e alavancagem permanecem fundamentais, mas deixam de ser suficientes quando analisados isoladamente. Estrutura societ&aacute;ria, qualidade das garantias, posi&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito dentro do grupo econ&ocirc;mico, exposi&ccedil;&atilde;o a empresas relacionadas e possibilidade real de execu&ccedil;&atilde;o dos ativos passam a ter peso crescente na avalia&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;A recupera&ccedil;&atilde;o judicial &eacute; o momento em que a qualidade do underwriting &eacute; colocada &agrave; prova. N&atilde;o basta perguntar qual &eacute; a taxa da opera&ccedil;&atilde;o; &eacute; preciso saber qual ativo efetivamente protege o cr&eacute;dito, quem controla esse ativo, qual a posi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do credor e quanto essa garantia valer&aacute; em um cen&aacute;rio de estresse. Rentabilidade sem capacidade de recupera&ccedil;&atilde;o de capital pode ser apenas risco mal precificado&rdquo;, diz Dias.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O atual pedido da Casas Bahia ganha uma camada adicional por ocorrer depois de uma recupera&ccedil;&atilde;o extrajudicial anterior. Para credores institucionais, uma nova reestrutura&ccedil;&atilde;o aumenta a necessidade de avaliar n&atilde;o apenas o plano atual, mas o hist&oacute;rico da companhia desde a primeira renegocia&ccedil;&atilde;o. O ponto central &eacute; identificar se houve redu&ccedil;&atilde;o estrutural da d&iacute;vida, melhora de gera&ccedil;&atilde;o de caixa, refor&ccedil;o patrimonial e corre&ccedil;&atilde;o das causas que levaram &agrave; primeira crise, ou se houve apenas posterga&ccedil;&atilde;o do problema financeiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse tipo de an&aacute;lise tamb&eacute;m tende a influenciar futuras concess&otilde;es de cr&eacute;dito. Empresas que passam por reestrutura&ccedil;&otilde;es sucessivas podem enfrentar spreads mais elevados, exig&ecirc;ncia de garantias adicionais, covenants mais restritivos e maior press&atilde;o por mecanismos de monitoramento financeiro. Para Dias, uma segunda reestrutura&ccedil;&atilde;o pode ser economicamente justific&aacute;vel, mas exige do credor um n&iacute;vel de dilig&ecirc;ncia superior ao da primeira.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na Marabraz, a disputa familiar relatada no processo acrescenta outro fator relevante para bancos e fundos: o risco de governan&ccedil;a. Segundo as informa&ccedil;&otilde;es apresentadas pela empresa, o conflito teria comprometido o acesso a im&oacute;veis anteriormente usados para obten&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;dito. Casos assim mostram que uma garantia que parece s&oacute;lida no momento da concess&atilde;o pode perder efetividade quando existem conflitos societ&aacute;rios, estruturas patrimoniais complexas ou d&uacute;vidas sobre controle de ativos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para credores institucionais, governan&ccedil;a deixa ent&atilde;o de ser um crit&eacute;rio meramente reputacional e passa a integrar a pr&oacute;pria an&aacute;lise de recupera&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito. Mudan&ccedil;as de administra&ccedil;&atilde;o, auditorias independentes, direitos de veto, acompanhamento de indicadores financeiros e mecanismos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o podem se tornar elementos centrais da negocia&ccedil;&atilde;o com companhias em dificuldade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os dois casos tamb&eacute;m refor&ccedil;am uma mudan&ccedil;a na postura esperada de grandes credores em processos de insolv&ecirc;ncia. Bancos e fundos organizados podem influenciar significativamente um plano, negociar condi&ccedil;&otilde;es, formar blocos dentro das classes e, em determinadas situa&ccedil;&otilde;es, apoiar ou estruturar alternativas &agrave; proposta apresentada pela devedora. Em grandes recupera&ccedil;&otilde;es, parte importante dessa negocia&ccedil;&atilde;o ocorre antes mesmo da assembleia de credores.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para Dias, o aprendizado &eacute; especialmente relevante em um ambiente em que o custo do capital permanece elevado e empresas altamente alavancadas enfrentam maior press&atilde;o sobre o caixa. A pergunta para bancos e fundos deixa de ser apenas quanto uma companhia est&aacute; disposta a pagar pelo cr&eacute;dito e passa a ser quanto desse capital poder&aacute; ser recuperado se o cen&aacute;rio-base deixar de funcionar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ricardo Morato<\/p>\n<p>CNR Comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>11 98799-5868<\/p>\n<p>ricardo.morato@cnrcomunicacao.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Com quase 95% da d&iacute;vida da Casas Bahia concentrada em cr&eacute;ditos sem garantia,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-578624","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/578624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=578624"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/578624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":579388,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/578624\/revisions\/579388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=578624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=578624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=578624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}