{"id":577438,"date":"2026-08-18T17:21:51","date_gmt":"2026-08-18T17:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=577438"},"modified":"2026-08-18T21:16:15","modified_gmt":"2026-08-18T21:16:15","slug":"desmistificando-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/08\/desmistificando-o-brasil\/","title":{"rendered":"Desmistificando o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Faltam menos de tr&ecirc;s meses para as elei&ccedil;&otilde;es para presidente da Rep&uacute;blica, governadores, senadores, e deputados federais e estaduais. A corrida eleitoral se intensifica um m&ecirc;s ap&oacute;s a elimina&ccedil;&atilde;o do Brasil na Copa do Mundo 2026, a maior da hist&oacute;ria. Mas o que existe de comum entre duas coisas t&atilde;o diferentes quanto elei&ccedil;&otilde;es e futebol?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Para responder a essa pergunta, primeiro &eacute; preciso analisar o comportamento do povo brasileiro em rela&ccedil;&atilde;o a esses dois eventos. A cada elei&ccedil;&atilde;o, os partid&aacute;rios dos candidatos derrotados nas urnas (reprovados pela maioria da popula&ccedil;&atilde;o) costumam justificar o resultado dizendo que o povo brasileiro n&atilde;o sabe votar e que sempre escolhe os piores e os mais bem embalados nas fant&aacute;sticas pl&aacute;sticas das propagandas eleitorais concebidas pelos marqueteiros.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">J&aacute; no tocante ao futebol, os brasileiros &ndash; sempre apaixonados por esse esporte &ndash; se consideram verdadeiros t&eacute;cnicos e, ap&oacute;s a elimina&ccedil;&atilde;o na Copa do Mundo, se manifestam pedindo a demiss&atilde;o do treinador, sempre com os mesmos argumentos de que o t&eacute;cnico recebe sal&aacute;rios milion&aacute;rios, n&atilde;o entende de futebol e nem conhece nossos jogadores, errou desde a convoca&ccedil;&atilde;o, falhou na escala&ccedil;&atilde;o e substitui&ccedil;&otilde;es, e ainda pedem a destitui&ccedil;&atilde;o de toda a c&uacute;pula da CBF. Complementam denunciando a roubalheira e os interesses pessoais e da empresa fornecedora do material esportivo, todos juntos respons&aacute;veis pela destrui&ccedil;&atilde;o do futebol brasileiro, j&aacute; n&atilde;o mais temido.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Elei&ccedil;&otilde;es e futebol s&atilde;o exemplos t&iacute;picos da polariza&ccedil;&atilde;o presente no dia a dia do brasileiro. E uma an&aacute;lise um pouco mais profunda sobre o comportamento do povo em duas quest&otilde;es t&atilde;o distintas &eacute; capaz de comprovar a exist&ecirc;ncia de sabedoria nos dois casos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">N&atilde;o se pode aceitar sem questionamento a afirmativa de que o povo n&atilde;o sabe votar. Sabe, sim. Os erros est&atilde;o nas leituras equivocadas e convenientes da classe pol&iacute;tica, nos interesses de parte da grande m&iacute;dia e de alguns grupos de intelectuais e artistas. Enfim, o sistema e o <em>establishment<\/em> precisam ser analisados, pois &eacute; a&iacute; que est&atilde;o nossos problemas, come&ccedil;ando por ignorar o grito do povo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A popula&ccedil;&atilde;o brasileira, de forma clara e comprovada j&aacute; h&aacute; algum tempo pelas pesquisas que antecederam as elei&ccedil;&otilde;es de 2022, disse &ldquo;n&atilde;o&rdquo; aos dois candidatos que foram ao segundo turno (o vencedor atual presidente e o perdedor, ent&atilde;o presidente candidato &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, hoje condenado, preso e cumprindo pena). Como? &nbsp;&Agrave;s v&eacute;speras da elei&ccedil;&atilde;o a rejei&ccedil;&atilde;o a ambos era crescente, culminando com 49% e 50%, respectivamente, segundo as pesquisas divulgadas no &uacute;ltimo dia do prazo legal para a publica&ccedil;&atilde;o dos levantamentos junto aos eleitores. Era um sinal claro e inequ&iacute;voco de que os brasileiros clamavam por outra op&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O resultado da elei&ccedil;&atilde;o que elegeu o atual presidente em outubro de 2022 refletiu essa rejei&ccedil;&atilde;o, expressada pelo alto &iacute;ndice de votos nulos e brancos e de absten&ccedil;&atilde;o (nada menos que 24% dos eleitores aptos a votar n&atilde;o compareceram). Outro demonstrativo: o vencedor obteve apenas 38,5% dos votos dos cidad&atilde;os aptos a votar. Foi, portanto, eleito pela minoria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Agora, passados quatro anos, os mesmos nomes ou sobrenomes com alt&iacute;ssima rejei&ccedil;&atilde;o naquela &eacute;poca reaparecem e se apresentam novamente como candidatos. E o que dizem as pesquisas realizadas de 10 a 14 de julho de 2026? Que de 47% a 50% dos entrevistados rejeitam ambos (Lula e Bolsonaro &mdash; agora o filho, devido &agrave; pris&atilde;o do pai). &Eacute; mais uma mostra que o povo sabe o que quer e o que n&atilde;o quer. Mant&eacute;m-se coerente. A classe pol&iacute;tica e a sociedade civil precisam analisar e respeitar a vontade do povo brasileiro. &Eacute; assim que se procede em um regime democr&aacute;tico, com respeito &agrave; decis&atilde;o popular, a voz das ruas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">E quanto ao futebol, outra paix&atilde;o do povo brasileiro &eacute; &uacute;nico pentacampe&atilde;o do mundo? N&atilde;o somos mais o pa&iacute;s do futebol. Deixamos de s&ecirc;-lo h&aacute; 24 anos, quando fomos pela &uacute;ltima vez campe&otilde;es; e se voltarmos ao primeiro lugar do p&oacute;dio, ser&aacute; apenas em 2030. Um hiato de 28 anos, o maior de nossa hist&oacute;ria. Uma das raz&otilde;es apontadas pelos especialistas est&aacute; na crise &eacute;tica e de honestidade da CBF.&nbsp; Nos &uacute;ltimos 7 mandatos na entidade m&aacute;xima do futebol brasileiro, 5 presidentes ca&iacute;ram por corrup&ccedil;&atilde;o, m&aacute; gest&atilde;o e at&eacute; den&uacute;ncias de ass&eacute;dio sexual.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">No futebol, como nos tr&ecirc;s poderes da Rep&uacute;blica, a degrada&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, moral e de honestidade vem fazendo o Brasil e seus cidad&atilde;os empobrecerem. Fica mais uma vez demonstrado que o povo n&atilde;o &eacute; ignorante, pois vem aumentando o n&iacute;vel de percep&ccedil;&atilde;o das coisas erradas e da corros&atilde;o do tecido &eacute;tico e de honestidade das institui&ccedil;&otilde;es. Mazelas que, al&eacute;m dos nefastos efeitos internos, est&atilde;o destruindo a imagem do pa&iacute;s no exterior.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O povo clama por mudan&ccedil;as, verdades e honestidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A grande maioria dos mais necessitados j&aacute; sabe que os governos n&atilde;o gostam dos pobres, mas sim da pobreza &mdash; a mais importante f&aacute;brica de votos, dada a necessidade das muletas concedidas pelos governos para garantir a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">&Eacute; hora, portanto, de desmitificar e desmistificar as narrativas dos governantes eleitos ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, embalados por triunfalismos e ufanismos. Para isso, &eacute; preciso lembrar a sutileza na diferencia&ccedil;&atilde;o dessas duas a&ccedil;&otilde;es: desmitificar refere-se ao ato de retirar o status ou a aura do mito que foi atribu&iacute;da a algo ou a algu&eacute;m, trazendo o fato ou a pessoa &agrave; realidade, enquanto desmistificar deriva da palavra &ldquo;mistifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (o ato de enganar ou iludir), significando, portanto, desmascarar uma mentira ou uma farsa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, os governantes e a maioria da classe pol&iacute;tica e seus l&iacute;deres &mdash; sempre bem assessorados e instrumentalizados por profissionais competentes e especializados na arte de criar mitos e apologia &agrave;s personalidades (seus contratantes), muitas vezes &eacute; bem-sucedida em atuar penetrando no inconsciente das pessoas, que, como definiu Freud, responde por 90% da mente e manda em quase tudo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O brasileiro nem percebe, por&eacute;m isso &eacute; muito perigoso porque a invas&atilde;o do inconsciente das massas, na grande maioria dos casos, gera culto a determinadas pessoas, servindo de ber&ccedil;o para a cria&ccedil;&atilde;o de ditadores, como mostra a hist&oacute;ria. O Brasil est&aacute; se tornando o celeiro dos mitos e das personalidades &ldquo;insubstitu&iacute;veis&rdquo;, fatos n&atilde;o alicer&ccedil;ados nas verdades, mas no desejo de realiza&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico sonho: perpetuar pessoas no poder, iludindo as massas e aumentando sua depend&ecirc;ncia mental a essas pessoas ungidas pelos marqueteiros e quase &ldquo;santificados&rdquo; nas propagandas e publicidades oficiais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Cabe, por exemplo, contestar a m&iacute;stica do Brasil como o pa&iacute;s do futuro.&nbsp; Hoje somos a 10&ordf; maior economia do mundo e se vende a imagem de que, muito em breve, seremos a quinta ou sexta maior. Nada mais enganoso e distante dos fatos. O Brasil j&aacute; flutuou entre a sexta e a s&eacute;tima maior economia do mundo no per&iacute;odo n&atilde;o muito distante de 2010 a 2014 e, depois, foi ultrapassado por &Iacute;ndia, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia e R&uacute;ssia. Sem d&uacute;vida, hoje somos mais conhecidos como o pa&iacute;s das oportunidades perdidas, tudo causado pelos maus governos que, esqueceram o povo e para se manter no poder priorizaram os privil&eacute;gios, penduricalhos e o gigantismo da m&aacute;quina p&uacute;blica, ignorando o controle dos gastos e da corrup&ccedil;&atilde;o. O povo brasileiro tem consci&ecirc;ncia da m&aacute; gest&atilde;o e corrup&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica e generalizada, corroendo o pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Tamb&eacute;m &eacute; preciso desmistificar que somos um pa&iacute;s com povo pac&iacute;fico, alegre, acolhedor e sem preconceitos e sem racismo. Fomos, por&eacute;m n&atilde;o somos mais exatamente assim. A percep&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia j&aacute; &eacute; n&iacute;tida e altamente sens&iacute;vel. Mais de 70% dos brasileiros temem viol&ecirc;ncia ao viajar pelo pa&iacute;s: 4 em cada 10 brasileiros evitam passeios com medo da viol&ecirc;ncia. Mais de 29% dos cidad&atilde;os j&aacute; foram v&iacute;timas de roubo ou furto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Crime e viol&ecirc;ncia lideram o ranking das preocupa&ccedil;&otilde;es nacionais, e n&atilde;o poderia ser de outra forma, pois todos os anos sofremos a perda de 34.000 pessoas por homic&iacute;dios intencionais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Da mesma forma, n&atilde;o cabe mais o ufanismo de que somos o pa&iacute;s do futebol, orgulho nacional alimentado pelo fato se sermos os &uacute;nicos pentacampe&otilde;es mundiais. N&atilde;o &eacute; mais assim. O &uacute;ltimo t&iacute;tulo mundial foi conquistado em 2002, ou seja, h&aacute; 24 anos. E no ranking da Fifa seguimos perdendo posi&ccedil;&otilde;es para sele&ccedil;&otilde;es muito menos tradicionais, ficando longe da lideran&ccedil;a, outrora constante.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Como j&aacute; foi dito, uma das raz&otilde;es dessa situa&ccedil;&atilde;o foi a degrada&ccedil;&atilde;o da CBF. A entidade vive degrada&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, moral e de honestidade semelhante &agrave; dos presidentes da Rep&uacute;blica e presidentes da C&acirc;mara dos Deputados. O desgaste dos tecidos das institui&ccedil;&otilde;es j&aacute; &eacute; vis&iacute;vel nas &uacute;ltimas pesquisas de opini&atilde;o, realizadas entre 07 e 11\/07 (Futura\/Apex), explicitadas atrav&eacute;s da rejei&ccedil;&atilde;o ao chefe do Poder Executivo em 49,7%, ao desempenho do Poder Legislativo em 67%, e da c&uacute;pula do Poder Judici&aacute;rio em 52,3%. A crise &eacute;tica, moral e de honestidade se alastrou, infectando institui&ccedil;&otilde;es at&eacute; poucos anos n&atilde;o rejeitadas e bem aceitas pela sociedade civil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A desmistifica&ccedil;&atilde;o precisa alcan&ccedil;ar os exemplos mais frequentes do comportamento indevido dos governos do Brasil. &Eacute; comum ouvir a m&aacute;xima de que &ldquo;n&atilde;o existe governo nem presidente mais honesto do que eu.&rdquo; &nbsp;Nesse caso, o sacrif&iacute;cio da verdade &eacute; gritante e chega muito perto do deboche, pois os esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o n&atilde;o param de ocorrer, quantificados e amplamente noticiados nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. A na&ccedil;&atilde;o j&aacute; assistiu esc&acirc;ndalos como Mensal&atilde;o, dos Correios, Eletrol&atilde;o, Petrol&atilde;o, Lava Jato e Banco Master, e nem os idosos, aposentados, pensionistas e deficientes f&iacute;sicos do INSS escaparam da a&ccedil;&atilde;o dos corruptos e corruptores. Absurdo dos absurdos, hoje j&aacute; temos at&eacute; corruptos com crach&aacute; de autoridade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O n&iacute;vel de corrup&ccedil;&atilde;o institucional &eacute; t&atilde;o grande que a FGV-Ibre estima que esse mal consume anualmente de 2,4% a 4% do PIB, o que equivale a R$ 346 bilh&otilde;es a R$ 540 bilh&otilde;es por ano. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa&ccedil;&atilde;o (IBPT)&nbsp; estima valor ainda maior, de 5% a 7% do PIB, entre R$ 675 bilh&otilde;es a R$ 945 bilh&otilde;es\/ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Outra comprova&ccedil;&atilde;o do avan&ccedil;o da corrup&ccedil;&atilde;o vem do exterior. A Transpar&ecirc;ncia Internacional mostra que, de 2002 a 2026, o Brasil desabou da 45&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em 2002 para a 108&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em 2026 no &iacute;ndice de percep&ccedil;&atilde;o da corrup&ccedil;&atilde;o. Significa dizer que existem 107 pa&iacute;ses com o setor p&uacute;blico mais honesto do que o brasileiro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">V&aacute;rios ministros, parlamentares e membros das c&uacute;pulas de todos os poderes da Rep&uacute;blica s&atilde;o apontados como suspeitos de corrup&ccedil;&atilde;o com crescimento patrimonial incompat&iacute;vel com suas remunera&ccedil;&otilde;es, entretanto n&atilde;o perderam seus cargos e sequer foram afastados. Ningu&eacute;m cobra puni&ccedil;&atilde;o e tamanha &eacute; a toler&acirc;ncia que a impunidade tende a se perpetuar em raz&atilde;o do enfraquecimento da indigna&ccedil;&atilde;o da sociedade civil e pela atua&ccedil;&atilde;o d&eacute;bil dos &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">H&aacute; ainda outro discurso a ser desmistificado: o de que estamos muito perto de acabar com a pobreza no Brasil. N&atilde;o &eacute; o que demonstram os n&uacute;meros. Somos um pa&iacute;s com a quinta maior &aacute;rea territorial, a s&eacute;tima maior popula&ccedil;&atilde;o, a 10&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no ranking das maiores economias do mundo e com um dos subsolos mais ricos do planeta. &Eacute; inaceit&aacute;vel que, diante de tudo isso, ap&oacute;s 526 anos de sua descoberta, o Brasil registre renda per capita m&eacute;dia de apenas US$ 6,85 por dia (o correspondente a US$ 205,50\/m&ecirc;s, ou R$ 1.065\/m&ecirc;s), segundo a classifica&ccedil;&atilde;o da ONU e do Banco Mundial.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Muito dif&iacute;cil falar em erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza a curto prazo quando ainda existem 20 milh&otilde;es de fam&iacute;lias (cerca de 60 milh&otilde;es de pessoas, ou 28% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira) cuja sobreviv&ecirc;ncia depende do recebimento do benef&iacute;cio governamental do bolsa fam&iacute;lia, que hoje paga em m&eacute;dia R$ 770,00 por m&ecirc;s. S&atilde;o pobres e vivem em lares igualmente pobres.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O pa&iacute;s possui tamb&eacute;m 27 milh&otilde;es de aposentados e pensionistas do INSS (12,6% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira) que recebem proventos de at&eacute; um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo mensal (R$ 1.621,00). &Eacute; o mesmo teto de rendimento bruto de 35% dos trabalhadores do setor privado (em regime de CLT), ou seja, cerca de 16,4 a 18,9 milh&otilde;es de pessoas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A realidade &eacute; dura: de 6% a 7% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira continua morando em &aacute;reas de favela, sem as m&iacute;nimas condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a, saneamento e esgotamento sanit&aacute;rio. &Eacute; um contingente expressivo, de 6,5 milh&otilde;es de domic&iacute;lios, onde vivem de 13 a 15 milh&otilde;es de pessoas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O discurso &eacute; dissociado da pr&aacute;tica porque desde mar&ccedil;o de 2023 o governo n&atilde;o reajusta o valor do benef&iacute;cio mensal do bolsa fam&iacute;lia, o maior e mais importante programa social do pa&iacute;s, mesmo sabendo que a infla&ccedil;&atilde;o corr&oacute;i o valor do benef&iacute;cio. Em vez dos atuais R$ 770,00 por m&ecirc;s, as fam&iacute;lias beneficiadas deveriam receber R$ 886,00 mensais. Hoje as perdas das pessoas mais necessitadas chegam a R$ 1.392,00 por ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O governo se vangloria de ter aumentado a faixa de isen&ccedil;&atilde;o do Imposto de Renda, mas antes disso alterou a f&oacute;rmula do c&aacute;lculo da parcela do reajuste real e anual do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo. Fez isso reduzindo e impondo limites por meio da lei n&ordm; 15.077 de 28\/12\/2024 (&eacute;poca das festas de fim de ano, pr&oacute;prias para passar despercebida), medida que j&aacute; retirou do bolso dos que nada t&ecirc;m em 2025 R$ 76,44 durante o ano de 2025, e agora, em 2026, tirar&aacute; R$ 209,82, no total. Em 2027, tamb&eacute;m reduzir&aacute; a renda de 60 a 65 milh&otilde;es de brasileiros carentes em mais de R$ 210,00 por ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Al&eacute;m disso, vemos um governo que se nega efetivamente a priorizar a educa&ccedil;&atilde;o, profissionalizando os gestores e afastando os aliados pol&iacute;ticos, contribuindo para a manuten&ccedil;&atilde;o da p&eacute;ssima qualidade de ensino hoje existente no pa&iacute;s, no qual 29% da popula&ccedil;&atilde;o adulta s&atilde;o analfabetos funcionais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">&Eacute; o mesmo governo que, por m&aacute; gest&atilde;o e por n&atilde;o combater fortemente a corrup&ccedil;&atilde;o, provoca o empobrecimento do povo e agrava sua realidade e qualidade de vida. Basta ver que, em 2002, o Brasil ocupava a 72&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e hoje amarga a 85&ordf; classifica&ccedil;&atilde;o no ranking mundial.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Os governos que criam desigualdades severas n&atilde;o gostam dos pobres, mas sim da pobreza porque dessa forma mant&ecirc;m abertas as f&aacute;bricas de votos. &nbsp;S&atilde;o os respons&aacute;veis por uma popula&ccedil;&atilde;o sem renda digna e sem educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, e pelo aumento dos privil&eacute;gios que s&oacute; aprofundam o abismo social.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Essa situa&ccedil;&atilde;o leva &agrave; perda da capacidade de escolha e compromete a liberdade econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica e de express&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, favorecendo a implanta&ccedil;&atilde;o de novas formas de escraviza&ccedil;&atilde;o de um povo em pleno s&eacute;culo XXI. &Eacute; o retrato do Brasil das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Por tudo isso, a desmistifica&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para mudar essa triste realidade. Vale lembrar a li&ccedil;&atilde;o do ex-primeiro-ministro brit&acirc;nico, que teve papel hist&oacute;rico no desfecho da Segunda Guerra Mundial: &ldquo;Uma na&ccedil;&atilde;o sem consci&ecirc;ncia &eacute; uma na&ccedil;&atilde;o sem alma. Uma na&ccedil;&atilde;o sem alma &eacute; uma na&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode viver&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\"><em>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;, &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo; e &ldquo;Amaz&ocirc;nia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial&rdquo;. Site: <\/em><a href=\"https:\/\/samuelhanan.com.br\"><em>https:\/\/samuelhanan.com.br<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Faltam menos de tr&ecirc;s meses para as elei&ccedil;&otilde;es para presidente da Rep&uacute;blica, governadores, senadores, e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":577437,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[3937],"class_list":["post-577438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-economia","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=577438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/577437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=577438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=577438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=577438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}