{"id":556290,"date":"2026-08-04T14:05:40","date_gmt":"2026-08-04T14:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=556290"},"modified":"2026-08-04T23:14:46","modified_gmt":"2026-08-04T23:14:46","slug":"pesquisa-coordenada-pela-unifesp-identifica-vestigios-compativeis-com-sangue-no-antigo-doi-codi-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/08\/pesquisa-coordenada-pela-unifesp-identifica-vestigios-compativeis-com-sangue-no-antigo-doi-codi-sp\/","title":{"rendered":"Pesquisa coordenada pela Unifesp identifica vest\u00edgios compat\u00edveis com sangue no antigo DOI-Codi\/SP"},"content":{"rendered":"<p>Estudo combina arqueologia, f&iacute;sica e gen&eacute;tica forense para analisar ambientes associados a interrogat&oacute;rios e tortura<\/p>\n<p>A pesquisa de arqueologia forense coordenada pela Universidade Federal de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (Unifesp) identificou res&iacute;duos compat&iacute;veis com sangue preservados em &aacute;reas do antigo DOI-Codi de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, um dos principais centros de repress&atilde;o da ditadura militar brasileira. O estudo combinou investiga&ccedil;&atilde;o arqueol&oacute;gica, an&aacute;lise das transforma&ccedil;&otilde;es do edif&iacute;cio e diferentes t&eacute;cnicas das ci&ecirc;ncias forenses para examinar vest&iacute;gios encontrados em espa&ccedil;os historicamente associados &agrave; deten&ccedil;&atilde;o, ao interrogat&oacute;rio e &agrave; tortura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A converg&ecirc;ncia entre os resultados obtidos com luminol e diferentes testes laboratoriais indicou a presen&ccedil;a de res&iacute;duos compat&iacute;veis com material hem&aacute;tico em pontos espec&iacute;ficos do edif&iacute;cio. Em uma das amostras, coletada em uma antiga sala de interrogat&oacute;rio, um teste confirmat&oacute;rio apresentou resultado positivo para sangue humano. As an&aacute;lises, entretanto, n&atilde;o permitem determinar quando esse material foi depositado nem associ&aacute;-lo a pessoas ou acontecimentos espec&iacute;ficos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O trabalho tamb&eacute;m revelou, sob sucessivas camadas de tinta e reparos, um calend&aacute;rio gravado na parede de um banheiro por uma pessoa que esteve encarcerada no local.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Localizado na Rua Tut&oacute;ia, no bairro da Vila Mariana, o complexo do DOI-Codi\/SP recebeu mais de 7 mil pessoas durante seu per&iacute;odo de funcionamento. Pelo menos 52 mortes ocorridas no local s&atilde;o oficialmente reconhecidas. O conjunto reunia celas, salas de interrogat&oacute;rio, espa&ccedil;os administrativos, estruturas de vigil&acirc;ncia e ambientes utilizados para tortura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O edif&iacute;cio estudado, denominado pelos Condephaat como pr&eacute;dio 2-a, abrigava o setor de intelig&ecirc;ncia do &oacute;rg&atilde;o e foi identificado por sobreviventes como um dos principais espa&ccedil;os de interrogat&oacute;rio e tortura do complexo. A aus&ecirc;ncia de plantas e de registros detalhados das reformas realizadas ao longo das d&eacute;cadas tornou necess&aacute;ria a combina&ccedil;&atilde;o entre testemunhos, fontes documentais e an&aacute;lise arqueol&oacute;gica da pr&oacute;pria arquitetura.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O estudo integra um projeto interinstitucional coordenado por pesquisadores(as) da Unifesp, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com participa&ccedil;&atilde;o da UFSC e da USP. Cada institui&ccedil;&atilde;o assumiu diferentes frentes, entre elas, pesquisa documental, coleta de testemunhos, arqueologia da arquitetura, arqueologia forense e a&ccedil;&otilde;es de arqueologia p&uacute;blica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A primeira etapa do projeto, realizada em 2022, utilizou radar de penetra&ccedil;&atilde;o no solo e escaneamento tridimensional do complexo. Em agosto de 2023, foram conduzidas escava&ccedil;&otilde;es, prospec&ccedil;&otilde;es nas paredes e nos pisos, an&aacute;lises forenses e atividades abertas ao p&uacute;blico. A frente de arqueologia forense foi coordenada por Cl&aacute;udia Plens, docente da Unifesp, com participa&ccedil;&atilde;o de estudantes, arque&oacute;logos e profissionais de outras &aacute;reas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Os edif&iacute;cios n&atilde;o s&atilde;o apenas cen&aacute;rios passivos dos acontecimentos. Paredes, pisos, reformas, inscri&ccedil;&otilde;es e res&iacute;duos tamb&eacute;m podem constituir evid&ecirc;ncias. Quando investigamos esses lugares arqueologicamente, o pr&oacute;prio edif&iacute;cio passa a ser tratado como documento&rdquo;, afirma Plens.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Vest&iacute;gios preservados sob pisos e paredes<br>\nPara definir os pontos de investiga&ccedil;&atilde;o, a equipe combinou documentos hist&oacute;ricos, testemunhos e a an&aacute;lise das transforma&ccedil;&otilde;es sofridas pelo edif&iacute;cio. Foram selecionadas antigas salas de interrogat&oacute;rio, uma poss&iacute;vel enfermaria, uma sala associada &agrave; pr&aacute;tica de tortura e um banheiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A retirada de revestimentos mais recentes revelou, em alguns ambientes, o contrapiso de madeira utilizado durante o funcionamento do DOI-Codi\/SP. Nas paredes, a abertura de pequenas &aacute;reas de prospec&ccedil;&atilde;o permitiu identificar camadas de tinta, reboco e reparos acumulados ao longo das d&eacute;cadas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A busca por poss&iacute;veis res&iacute;duos biol&oacute;gicos reuniu fontes alternativas de luz, luminol e diferentes testes laboratoriais. Os resultados obtidos em uma antiga enfermaria e em salas de interrogat&oacute;rio convergiram para a identifica&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos hem&aacute;ticos. Na sala 7, um teste confirmat&oacute;rio apresentou resultado positivo para sangue humano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As an&aacute;lises laboratoriais, entretanto, n&atilde;o permitem determinar quando o material foi depositado nem associ&aacute;-lo diretamente a pessoas ou acontecimentos espec&iacute;ficos. O contexto arqueol&oacute;gico, por&eacute;m, fornece elementos que permitem interpretar sua deposi&ccedil;&atilde;o como contempor&acirc;nea ao per&iacute;odo de funcionamento do DOI-Codi\/SP. Tamb&eacute;m n&atilde;o foi poss&iacute;vel recuperar perfis de DNA, provavelmente em raz&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o das amostras, das condi&ccedil;&otilde;es ambientais e das sucessivas reformas realizadas no edif&iacute;cio. Os vest&iacute;gios s&atilde;o, portanto, compat&iacute;veis com os usos historicamente documentados desses espa&ccedil;os, mas n&atilde;o constituem prova direta de atos determinados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;Identificar vest&iacute;gios compat&iacute;veis com sangue depois de tantas d&eacute;cadas &eacute; um resultado importante, mas &eacute; igualmente importante distinguir aquilo que cada linha de evid&ecirc;ncia permite afirmar. Os m&eacute;todos forenses n&atilde;o permitem determinar a data exata da deposi&ccedil;&atilde;o, enquanto o contexto arqueol&oacute;gico permite situar os vest&iacute;gios no per&iacute;odo de funcionamento do DOI-Codi. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, contudo, associ&aacute;-los a uma pessoa ou epis&oacute;dio espec&iacute;fico&rdquo;, explica a pesquisadora.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um calend&aacute;rio como registro do encarceramento<br>\nOutro resultado da investiga&ccedil;&atilde;o surgiu em um banheiro do terceiro andar. Sob diferentes camadas de tinta e reparos, a equipe encontrou n&uacute;meros e inscri&ccedil;&otilde;es gravados diretamente na parede.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O conjunto foi interpretado como um calend&aacute;rio, com marca&ccedil;&otilde;es correspondentes aos dias 23 a 31 de outubro e 1&ordm; a 4 de novembro. A rela&ccedil;&atilde;o entre as datas registradas e os dias da semana indicou inicialmente duas possibilidades para a produ&ccedil;&atilde;o do calend&aacute;rio: 1970 ou 1981. Essa ambiguidade p&ocirc;de ser resolvida pelo cruzamento com o testemunho de uma ex-presa pol&iacute;tica, que declarou ter visto a inscri&ccedil;&atilde;o quando esteve detida no local, em 1971, permitindo atribuir o calend&aacute;rio a 1970.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para os(as) pesquisadores(as), a inscri&ccedil;&atilde;o registra o esfor&ccedil;o de uma pessoa encarcerada para preservar a percep&ccedil;&atilde;o do tempo em condi&ccedil;&otilde;es de isolamento e viol&ecirc;ncia. Parcialmente apagado pelas interven&ccedil;&otilde;es posteriores, o calend&aacute;rio constitui uma marca material da experi&ecirc;ncia do encarceramento e da tentativa de manter a percep&ccedil;&atilde;o do tempo no interior do espa&ccedil;o repressivo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No antigo DOI-Codi\/SP, res&iacute;duos biol&oacute;gicos, sucessivas camadas de paredes e pisos, transforma&ccedil;&otilde;es arquitet&ocirc;nicas e inscri&ccedil;&otilde;es preservadas constituem diferentes formas de registro material da hist&oacute;ria do edif&iacute;cio. Investigados em di&aacute;logo com documentos e testemunhos, esses vest&iacute;gios acrescentam uma dimens&atilde;o material ao conhecimento sobre a repress&atilde;o pol&iacute;tica. Tamb&eacute;m podem contribuir para a investiga&ccedil;&atilde;o de outros locais associados &agrave; viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica e &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, al&eacute;m de apoiar pol&iacute;ticas de mem&oacute;ria, verdade e justi&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo combina arqueologia, f&iacute;sica e gen&eacute;tica forense para analisar ambientes associados a interrogat&oacute;rios e tortura A&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":556289,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,1],"tags":[],"class_list":["post-556290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-eventos","wpcat-21201-id","wpcat-1-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/556290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=556290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/556290\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/556289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=556290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=556290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=556290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}