{"id":549225,"date":"2026-07-21T18:12:17","date_gmt":"2026-07-21T18:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=549225"},"modified":"2026-07-21T21:08:32","modified_gmt":"2026-07-21T21:08:32","slug":"estamos-acumulando-cursos-ou-realmente-nos-desenvolvendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/07\/estamos-acumulando-cursos-ou-realmente-nos-desenvolvendo\/","title":{"rendered":"Estamos acumulando cursos ou realmente nos desenvolvendo?"},"content":{"rendered":"<p>Quantos cursos voc&ecirc; concluiu no &uacute;ltimo ano? Agora pense em uma segunda pergunta, talvez bem mais dif&iacute;cil de responder. Quantos deles mudaram, de fato, a forma como voc&ecirc; trabalha?<\/p>\n<p>Nunca foi t&atilde;o f&aacute;cil aprender. Cursos de lideran&ccedil;a, trilhas de intelig&ecirc;ncia emocional, imers&otilde;es em produtividade e MBAs em m&oacute;dulos curtos se tornaram parte da rotina de profissionais em praticamente todas as &aacute;reas. O acesso ao conhecimento se democratizou, e isso &eacute; uma not&iacute;cia boa. O problema &eacute; que consumir conte&uacute;do sobre desenvolvimento e se desenvolver de verdade viraram coisas cada vez mais distantes uma da outra.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Costumo chamar esse fen&ocirc;meno de &ldquo;entretenimento produtivo&rdquo;. &Eacute; a sensa&ccedil;&atilde;o de progresso que aparece assim que terminamos uma aula, fechamos um m&oacute;dulo ou adicionamos mais um certificado ao perfil do LinkedIn. Essa sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; real, s&oacute; que raramente resiste ao teste do tempo. Existe uma dist&acirc;ncia enorme entre compreender um conceito e incorpor&aacute;-lo &agrave; rotina, saber na teoria como conduzir uma negocia&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil n&atilde;o &eacute;, de fato, conseguir conduzir uma. Um desses caminhos promove transforma&ccedil;&atilde;o, o outro entrega apenas a impress&atilde;o de que ela aconteceu.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>E isso n&atilde;o &eacute; um convite para estudar menos, muito pelo contr&aacute;rio. O conhecimento segue sendo um dos maiores motores de crescimento profissional que existem. A quest&atilde;o est&aacute; na forma como consumimos esse conte&uacute;do, quase sempre em excesso, sem um objetivo definido e, o mais grave, sem nenhum plano para aplic&aacute;-lo. Colecionar certificados virou, para boa parte dos profissionais, um substituto confort&aacute;vel para a mudan&ccedil;a de comportamento, que exige disciplina, repeti&ccedil;&atilde;o e a disposi&ccedil;&atilde;o de errar em p&uacute;blico antes de acertar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ao longo de mais de uma d&eacute;cada desenvolvendo profissionais e equipes, cheguei a uma conclus&atilde;o que se repete com uma regularidade inc&ocirc;moda. O avan&ccedil;o quase nunca acontece durante o treinamento. Ele aparece nas semanas seguintes, quando algu&eacute;m decide testar uma abordagem nova, recebe um retorno honesto sobre o resultado, ajusta a rota e insiste at&eacute; o comportamento virar h&aacute;bito. Conhecimento sem esse ciclo de aplica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o gera desenvolvimento, apenas ac&uacute;mulo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O psic&oacute;logo Anders Ericsson, refer&ecirc;ncia mundial em performance de especialistas, chegou &agrave; mesma conclus&atilde;o em suas pesquisas. Novas habilidades n&atilde;o se consolidam pela simples exposi&ccedil;&atilde;o a um conte&uacute;do, elas dependem de pr&aacute;tica deliberada, repeti&ccedil;&atilde;o e feedback em situa&ccedil;&otilde;es reais. Sem esse processo, boa parte do que aprendemos permanece na mem&oacute;ria de curto prazo e nunca chega a influenciar como decidimos, lideramos ou negociamos no dia a dia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Empresas cometem a mesma falha em escala maior. Investem em programas de capacita&ccedil;&atilde;o, comemoram o n&uacute;mero de colaboradores certificados e consideram o trabalho conclu&iacute;do quando os diplomas s&atilde;o entregues. Semanas depois, as reuni&otilde;es seguem iguais, as decis&otilde;es repetem os mesmos padr&otilde;es e os problemas continuam os mesmos de sempre. O treinamento aconteceu. A aprendizagem, nem sempre.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Vale um exerc&iacute;cio simples, tanto para profissionais quanto para as empresas que investem neles. Pense no &uacute;ltimo curso que voc&ecirc; concluiu e pergunte o que mudou na sua rotina desde ent&atilde;o. Que decis&atilde;o passou a tomar de um jeito diferente? Que conversa dif&iacute;cil voc&ecirc; conduziu melhor? Se as respostas n&atilde;o vierem com facilidade, &eacute; prov&aacute;vel que o aprendizado tenha parado no certificado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o para isso n&atilde;o &eacute; aprender menos, &eacute; aprender com mais inten&ccedil;&atilde;o. Antes de come&ccedil;ar um novo curso, vale perguntar se aquele conte&uacute;do resolve um desafio real que voc&ecirc; enfrenta agora. Depois de conclu&iacute;-lo, a pergunta muda de figura. Como voc&ecirc; vai colocar isso em pr&aacute;tica ainda essa semana?<\/p>\n<p>O mercado continuar&aacute; valorizando quem aprende de forma cont&iacute;nua. Mas reconhecer&aacute;, cada vez mais, quem consegue converter conhecimento em comportamento, comportamento em compet&ecirc;ncia e a compet&ecirc;ncia em resultado. Certificados registram o que foi estudado, mas o desenvolvimento de verdade aparece no que passamos a fazer diferente depois de aprender.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Bruno Rosa &eacute; engenheiro eletricista e Managing Director da Domperf High Performance, empresa de treinamento de alto desempenho profissional e consultoria empresarial. H&aacute; mais de uma d&eacute;cada dedica-se ao estudo da neuroci&ecirc;ncia e comportamento, desenvolvendo metodologias pr&aacute;ticas aplicadas ao ambiente corporativo. domperf.com.br<\/p>\n<p>Fonte: Anders Ericsson, K. (2008), Deliberate Practice and Acquisition of Expert Performance: A General Overview. Academic Emergency Medicine, 15: 988-994. https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1553-2712.2008.00227.x&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantos cursos voc&ecirc; concluiu no &uacute;ltimo ano? 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