{"id":543883,"date":"2026-07-13T13:24:45","date_gmt":"2026-07-13T13:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=543883"},"modified":"2026-07-14T01:00:37","modified_gmt":"2026-07-14T01:00:37","slug":"mulheres-demonstram-maior-resistencia-ao-muro-da-maratona-aponta-estudo-com-mais-de-873-mil-corredores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/07\/mulheres-demonstram-maior-resistencia-ao-muro-da-maratona-aponta-estudo-com-mais-de-873-mil-corredores\/","title":{"rendered":"Mulheres demonstram maior resist\u00eancia ao &#8220;muro&#8221; da maratona, aponta estudo com mais de 873 mil corredores"},"content":{"rendered":"<p>Com participa&ccedil;&atilde;o de pesquisadora da Unifesp, estudo mostra que homens s&atilde;o duas vezes mais propensos a sofrer queda brusca de desempenho na segunda metade da prova<\/p>\n<p>Todo maratonista conhece, ou teme conhecer, o momento em que o corpo parece n&atilde;o responder mais. As pernas pesam, o ritmo cai e cada quil&ocirc;metro at&eacute; a linha de chegada passa a exigir muito mais do que preparo f&iacute;sico. No universo da corrida, esse fen&ocirc;meno &eacute; conhecido como &ldquo;quebrar&rdquo; ou &ldquo;bater no muro&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Um estudo publicado na revista cient&iacute;fica Scientific Reports, do grupo Nature, analisou 873.334 participa&ccedil;&otilde;es na Maratona de Berlim entre 1999 e 2025 e mostrou que esse &ldquo;muro&rdquo; atinge homens e mulheres de formas diferentes. Embora os homens tenham registrado tempos m&eacute;dios mais r&aacute;pidos, as mulheres apresentaram maior regularidade no ritmo e menor risco de queda brusca de desempenho na segunda metade da prova. A pesquisa tem participa&ccedil;&atilde;o de Mar&iacute;lia Santos Andrade, pesquisadora do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (Unifesp). <\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores consideraram como &ldquo;quebra&rdquo; uma desacelera&ccedil;&atilde;o de 20% ou mais na segunda metade da maratona em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; primeira. Entre os homens, 17,63% atingiram esse n&iacute;vel de perda de ritmo. Entre as mulheres, o &iacute;ndice foi de 9,66%. Na compara&ccedil;&atilde;o geral, isso significa que os homens foram duas vezes mais propensos a sofrer uma queda acentuada de desempenho durante a prova. <\/p>\n<p>Para Mar&iacute;lia Santos Andrade, os dados refor&ccedil;am que completar bem uma maratona n&atilde;o depende apenas da capacidade de correr r&aacute;pido, mas tamb&eacute;m da forma como o atleta administra energia, ritmo e esfor&ccedil;o ao longo dos 42,195 km.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;A maratona &eacute; uma prova de resist&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m de gest&atilde;o. O corredor precisa tomar decis&otilde;es o tempo todo: como largar, quando acelerar, quando poupar energia. O que observamos &eacute; que, em m&eacute;dia, as mulheres tendem a sustentar uma estrat&eacute;gia mais est&aacute;vel, o que pode ajudar a explicar a menor queda de desempenho na segunda metade da prova&rdquo;, afirma a pesquisadora.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A diferen&ccedil;a apareceu em todos os n&iacute;veis de desempenho, inclusive entre os corredores mais r&aacute;pidos. No grupo que completou a maratona em menos de tr&ecirc;s horas, os homens foram cerca de seis vezes mais propensos a &ldquo;bater no muro&rdquo; do que as mulheres da mesma faixa de performance. Para os autores, esse resultado chama a aten&ccedil;&atilde;o porque mostra que a quebra n&atilde;o est&aacute; ligada apenas &agrave; falta de experi&ecirc;ncia ou condicionamento. Mesmo entre atletas bem preparados, a estrat&eacute;gia de prova continua sendo decisiva. <\/p>\n<p>A maior resist&ecirc;ncia feminina observada na pesquisa pode estar relacionada a uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores fisiol&oacute;gicos e comportamentais. Do ponto de vista metab&oacute;lico, os autores apontam que mulheres tendem a utilizar proporcionalmente mais gordura como fonte de energia em exerc&iacute;cios prolongados, preservando por mais tempo as reservas de glicog&ecirc;nio, que s&atilde;o fundamentais para sustentar o esfor&ccedil;o em provas longas. Esse perfil pode contribuir para retardar a fadiga intensa associada ao &ldquo;muro&rdquo; da maratona. <\/p>\n<p>&ldquo;Isso n&atilde;o significa que as mulheres n&atilde;o sintam fadiga ou que a prova seja menos exigente para elas. O ponto central &eacute; que h&aacute; sinais de uma maior efici&ecirc;ncia na regula&ccedil;&atilde;o do esfor&ccedil;o. Em uma maratona, pequenas escolhas de ritmo no in&iacute;cio podem ter grande impacto nos quil&ocirc;metros finais&rdquo;, explica a pesquisadora.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m das poss&iacute;veis diferen&ccedil;as fisiol&oacute;gicas, o estudo tamb&eacute;m levanta uma hip&oacute;tese comportamental: homens podem ser mais propensos a iniciar a prova em ritmo agressivo, mais pr&oacute;ximo do limite, aumentando o risco de desacelera&ccedil;&atilde;o nos quil&ocirc;metros finais. J&aacute; as mulheres, em m&eacute;dia, apresentaram uma distribui&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;o mais constante, com menor oscila&ccedil;&atilde;o de ritmo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Essa diferen&ccedil;a ficou evidente tamb&eacute;m na an&aacute;lise dos trechos finais da prova. Nos &uacute;ltimos quil&ocirc;metros, os homens apresentaram uma desacelera&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia maior. Entre o trecho de 35 km a 40 km, eles ficaram 17,8% mais lentos em compara&ccedil;&atilde;o ao segmento entre 5 km e 10 km. Entre as mulheres, essa queda foi de 12,6%. A an&aacute;lise dos parciais de 5 km tamb&eacute;m mostrou que os homens tiveram maior irregularidade no ritmo ao longo da maratona. <\/p>\n<p>&ldquo;Os dados trazem uma mensagem pr&aacute;tica para corredores e treinadores: controlar o in&iacute;cio da prova pode ser t&atilde;o importante quanto treinar velocidade. Muitas vezes, a melhor estrat&eacute;gia n&atilde;o &eacute; correr mais forte no come&ccedil;o, mas chegar aos quil&ocirc;metros finais ainda com capacidade de sustentar o ritmo&rdquo;, destaca Mar&iacute;lia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Apesar dos resultados expressivos, os autores ressaltam que a pesquisa n&atilde;o mediu diretamente vari&aacute;veis como frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca, lactato, n&iacute;veis de glicog&ecirc;nio ou aspectos psicol&oacute;gicos individuais. Por isso, as explica&ccedil;&otilde;es sobre metabolismo, tomada de decis&atilde;o e comportamento de prova devem ser entendidas como hip&oacute;teses consistentes com os dados, e n&atilde;o como causas comprovadas de forma isolada. Ainda assim, a dimens&atilde;o da amostra e o per&iacute;odo analisado fazem do trabalho uma das maiores evid&ecirc;ncias j&aacute; reunidas sobre diferen&ccedil;as entre homens e mulheres na administra&ccedil;&atilde;o de ritmo em maratonas. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com participa&ccedil;&atilde;o de pesquisadora da Unifesp, estudo mostra que homens s&atilde;o duas vezes mais propensos a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":543882,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,28361],"tags":[40213,5057,36356],"class_list":["post-543883","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-esporte","tag-maratona","tag-mulheres","tag-resistencia","wpcat-21201-id","wpcat-28361-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/543883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=543883"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/543883\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/543882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=543883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=543883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=543883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}