{"id":542270,"date":"2026-07-10T15:35:07","date_gmt":"2026-07-10T15:35:07","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=542270"},"modified":"2026-07-11T00:30:57","modified_gmt":"2026-07-11T00:30:57","slug":"industria-migra-cada-vez-mais-para-o-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/07\/industria-migra-cada-vez-mais-para-o-interior\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastria migra cada vez mais para o interior"},"content":{"rendered":"<p>F&aacute;bricas migram do Sudoeste para cidades m&eacute;dias e regi&otilde;es Centro-Oeste e Sul. Para Jos&eacute; Roberto Colnaghi, da Colpar Brasil, for&ccedil;a do agroneg&oacute;cio e custo alto dos grandes centros contribuem para o movimento <\/p>\n<p>Nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas, o&nbsp;mapa&nbsp;da atividade industrial&nbsp;do pa&iacute;s&nbsp;foi redesenhado. O&nbsp;peso hist&oacute;rico de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> e Rio de Janeiro&nbsp;vem sendo&nbsp;reduzido&nbsp;e a relev&acirc;ncia de estados do Sul e do Centro-Oeste, bem como de Minas Gerais, se ampliou. O setor tem deixado os grandes centros e tomado o rumo do interior.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; o que mostra&nbsp;a pesquisa&nbsp;&ldquo;A Ind&uacute;stria no Territ&oacute;rio: 40 anos de redistribui&ccedil;&atilde;o regional da ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o brasileira&rdquo;,&nbsp;do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), lan&ccedil;ada em maio.&nbsp;O levantamento analisa o per&iacute;odo entre 1985 e 2024 e conclui que&nbsp;a&nbsp;ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o&nbsp;passou por um processo de redistribui&ccedil;&atilde;o espacial e interioriza&ccedil;&atilde;o &ndash; al&eacute;m de ter perdido&nbsp;participa&ccedil;&atilde;o relativa na economia brasileira devido a longos per&iacute;odos de&nbsp;juros elevados, c&acirc;mbio&nbsp;valorizado e&nbsp;carga tribut&aacute;ria alta,&nbsp;entre outros motivos.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;O crescimento expressivo do agroneg&oacute;cio nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,&nbsp;aliado &agrave;s dificuldades log&iacute;sticas e ao custo elevado nos grandes centros,&nbsp;abriu naturalmente&nbsp;novas&nbsp;fronteiras&rdquo;, avalia&nbsp;Jos&eacute; Roberto Colnaghi,&nbsp;Presidente&nbsp;do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da&nbsp;Colpar&nbsp;Brasil, holding que atua em v&aacute;rios segmentos, como agroneg&oacute;cio, ind&uacute;stria e urbanismo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Longe das metr&oacute;poles&nbsp;<\/p>\n<p>Em vez de permanecer concentrada nas grandes metr&oacute;poles do Sudeste, a atividade industrial avan&ccedil;ou em dire&ccedil;&atilde;o ao interior do pa&iacute;s, especialmente para cidades m&eacute;dias e regi&otilde;es ligadas ao agroneg&oacute;cio e &agrave; expans&atilde;o log&iacute;stica.&nbsp;&ldquo;A&nbsp;Greenplac,&nbsp;f&aacute;brica de MDF da&nbsp;Colpar&nbsp;Brasil,&nbsp;&eacute; um exemplo deste movimento: foi inaugurada em 2018 em &Aacute;gua Clara, no Mato Grosso do Sul, e hoje se destaca no segmento&rdquo;, diz&nbsp;Jos&eacute; Roberto Colnaghi.&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com&nbsp;o estudo, Goi&aacute;s, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram os &uacute;nicos estados brasileiros em que a ind&uacute;stria aumentou sua participa&ccedil;&atilde;o no Produto&nbsp;Interno&nbsp;Bruto (PIB)&nbsp;e no emprego estadual ao longo das &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas. Goi&aacute;s se destacou ao ampliar seu &ldquo;market&nbsp;share&rdquo; industrial em 2,53 pontos percentuais no emprego e 2,23 pontos no Valor Adicionado Bruto (VAB). Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tamb&eacute;m registraram ganhos expressivos, consolidando o Centro-Oeste como nova fronteira industrial do pa&iacute;s.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Isso &eacute; resultado direto da pujan&ccedil;a do agro, uma vez que o Brasil &eacute; um dos principais players globais&rdquo;, constata Jos&eacute; Roberto Colnaghi. No ano passado,&nbsp;segundo o&nbsp;Minist&eacute;rio da Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento (Mapa),&nbsp;as exporta&ccedil;&otilde;es do setor&nbsp;somaram US$ 169,2 bilh&otilde;es,&nbsp;um&nbsp;patamar in&eacute;dito. Este montante representa quase metade (48,5%) do valor&nbsp;total&nbsp;exportado pelo pa&iacute;s&nbsp;em 2025.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Levantamento da&nbsp;Harven&nbsp;Business&nbsp;School&nbsp;indica que&nbsp;o Brasil lidera as exporta&ccedil;&otilde;es mundiais em pelo menos nove cadeias produtivas do agroneg&oacute;cio:&nbsp; caf&eacute;, suco de laranja, a&ccedil;&uacute;car, soja, algod&atilde;o, celulose, fumo, carne bovina e de frango. Para a&nbsp;Harven, at&eacute; o final da d&eacute;cada, o pa&iacute;s poder&aacute; deter 40% do mercado mundial de carde de frango, 30% do de carne bovina e 20% do de carne su&iacute;na.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Exporta&ccedil;&atilde;o relevante&nbsp;<\/p>\n<p>A regi&atilde;o Sul, ali&aacute;s, &eacute; o principal polo&nbsp;nacional&nbsp;de produ&ccedil;&atilde;o de carne de frango,&nbsp;concentrando 77,3% do volume enviado para o exterior, gra&ccedil;as a uma cadeia bastante estruturada, industrializada e integrada com pequenos produtores. O Brasil &eacute;&nbsp;hoje o maior exportador global desta prote&iacute;na e&nbsp;abastece&nbsp;153 pa&iacute;ses, conforme a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Prote&iacute;na Animal (ABPA).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m da carne de frango, Paran&aacute; e Santa Catarina tamb&eacute;m t&ecirc;m destacada participa&ccedil;&atilde;o&nbsp;em setores de m&eacute;dia-alta e alta tecnologia, ligados a m&aacute;quinas, equipamentos, ind&uacute;stria automotiva, eletr&ocirc;nicos e bens de capital, assim como Minas Gerais.&nbsp;O&nbsp;estudo do&nbsp;IEDI&nbsp;aponta que Santa Catarina ganhou relev&acirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas e equipamentos el&eacute;tricos, enquanto Minas Gerais avan&ccedil;ou em inform&aacute;tica e eletr&ocirc;nicos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da redistribui&ccedil;&atilde;o&nbsp;regional das &uacute;ltimas d&eacute;cadas,&nbsp;<a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> segue sendo o principal&nbsp;polo industrial brasileiro,&nbsp;liderando&nbsp;em praticamente todos os setores manufatureiros.&nbsp;&ldquo;O estado tem uma posi&ccedil;&atilde;o consolidada com ativos importantes, como infraestrutura de qualidade e universidades de ponta, al&eacute;m do Porto de Santos, que &eacute; o maior e mais importante complexo portu&aacute;rio da Am&eacute;rica Latina&rdquo;, pontua Jos&eacute;&nbsp;Roberto Colnaghi.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Mas de fato perdeu espa&ccedil;o.&nbsp;De 1985 a 2023,&nbsp;o percentual da ind&uacute;stria paulista no total do PIB estadual caiu de 38,3% para 18,3%.&nbsp;O mesmo fen&ocirc;meno, com&nbsp;ainda mais intensidade, ocorreu no emprego industrial&nbsp;no estado, que caiu de&nbsp;37,2%&nbsp;dos postos de trabalho formais&nbsp;em 1985 para 17,1% em 2024.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Novos polos de desenvolvimento&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos movimentos mais marcantes observados pela pesquisa &eacute; a interioriza&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria. Em 1985, cerca de um ter&ccedil;o dos empregos industriais estava localizado no interior do pa&iacute;s. Em 2024, essa parcela chegou a 54,4%. No estado de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, a mudan&ccedil;a foi ainda mais intensa: a participa&ccedil;&atilde;o do interior paulista nos empregos industriais subiu de 29,2% para 52,9%. O avan&ccedil;o ocorreu tanto em setores tradicionais quanto nos de maior intensidade tecnol&oacute;gica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo atribui essa migra&ccedil;&atilde;o produtiva &agrave; satura&ccedil;&atilde;o das grandes metr&oacute;poles, marcada por congestionamentos, custos elevados de transporte, im&oacute;veis caros e sal&aacute;rios mais altos.&nbsp;&ldquo;Ao mesmo tempo, cidades do interior passaram a oferecer melhor infraestrutura log&iacute;stica, universidades, centros de pesquisa, incentivos fiscais e custos operacionais menores&rdquo;, observa Jos&eacute; Roberto Colnaghi.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Para o IEDI, a interioriza&ccedil;&atilde;o industrial ajudou a reduzir desigualdades regionais e&nbsp;criou novos&nbsp;polos de desenvolvimento econ&ocirc;mico fora das capitais. O processo tamb&eacute;m contribuiu para frear a desindustrializa&ccedil;&atilde;o em partes do Sul e do interior paulista, onde a manufatura ainda mant&eacute;m participa&ccedil;&atilde;o relevante na economia local.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F&aacute;bricas migram do Sudoeste para cidades m&eacute;dias e regi&otilde;es Centro-Oeste e Sul. 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