{"id":537670,"date":"2026-07-03T12:58:21","date_gmt":"2026-07-03T12:58:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=537670"},"modified":"2026-07-04T00:58:04","modified_gmt":"2026-07-04T00:58:04","slug":"o-fim-do-6x1-nao-e-o-apocalipse-e-o-fim-da-tolerancia-com-a-ineficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/07\/o-fim-do-6x1-nao-e-o-apocalipse-e-o-fim-da-tolerancia-com-a-ineficiencia\/","title":{"rendered":"O fim do 6&#215;1 n\u00e3o \u00e9 o apocalipse. \u00c9 o fim da toler\u00e2ncia com a inefici\u00eancia."},"content":{"rendered":"<p>Bruno Rosa*<\/p>\n<p>O empresariado brasileiro est&aacute; assustado com o rel&oacute;gio, e o motivo &eacute; &oacute;bvio. A aprova&ccedil;&atilde;o da PEC que extingue a jornada 6&times;1 na C&acirc;mara fez todo mundo correr para a ponta do l&aacute;pis. Varejo, ind&uacute;stria, servi&ccedil;os e agro olham para o mesmo cen&aacute;rio: o medo do aumento do custo trabalhista e o risco de ver a margem minguar. O diagn&oacute;stico que se ouve nos bastidores das associa&ccedil;&otilde;es de classe &eacute; quase um lamento generalizado. Mas a verdade nua e crua &eacute; que o papel de quem lidera uma empresa n&atilde;o &eacute; chorar pelo rastro da canetada do Congresso, e sim entender como vencer o jogo com as novas regras. Se o tempo de trabalho diminuiu por lei, a matem&aacute;tica &eacute; implac&aacute;vel: ou voc&ecirc; faz cada hora restante render mais, ou o seu neg&oacute;cio quebra. A solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; em inflacionar o pre&ccedil;o para o cliente ou sair contratando desesperadamente para tapar buraco de escala. A resposta est&aacute; em arrancar a gordura invis&iacute;vel da sua opera&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&oacute;s fomos criados na cultura ultrapassada do &ldquo;comprar a hora&rdquo; do funcion&aacute;rio, em vez de focar na entrega. O modelo 6&times;1 funcionava, na maioria das vezes, como uma anestesia para processos ruins. Como havia tempo de sobra na semana, as empresas toleravam aquela reuni&atilde;o de duas horas que n&atilde;o decidia nada, o layout de f&aacute;brica que faz o operador andar o triplo do necess&aacute;rio e o retrabalho cr&ocirc;nico por pura falha de comunica&ccedil;&atilde;o interna. Havia margem para o desperd&iacute;cio porque o calend&aacute;rio aceitava tudo. Agora que o tempo virou o recurso mais caro do pa&iacute;s, essa conta chegou. Acabar com a jornada de seis dias vai obrigar o mercado a uma transi&ccedil;&atilde;o cultural for&ccedil;ada. O chefe precisa parar de vigiar o ponto eletr&ocirc;nico e come&ccedil;ar a treinar a execu&ccedil;&atilde;o da equipe. Um trabalhador menos exausto produz mais, desde que a empresa saiba o que fazer com essa energia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Compensar esse preju&iacute;zo n&atilde;o &eacute; m&aacute;gica, &eacute; m&eacute;todo. Quando falamos em alta performance e cultura Lean, o objetivo n&atilde;o &eacute; fazer o colaborador trabalhar sob press&atilde;o psicol&oacute;gica ou correr contra o cron&ocirc;metro. &Eacute; limpar os obst&aacute;culos do caminho dele. Um time treinado para ter foco absoluto, que domina o processo e sabe exatamente qual &eacute; a prioridade do dia,<\/p>\n<p>entrega em quarenta horas o que antes arrastava por quarenta e quatro. Eliminar o retrabalho e automatizar a burocracia devolve para o caixa da empresa a margem que a nova lei amea&ccedil;a tirar. O gerente deixa de ser um fiscal de comportamento para virar um estrategista de metas e indicadores. &Eacute; a intelig&ecirc;ncia do processo que absorve o impacto da mudan&ccedil;a, n&atilde;o o bolso do empres&aacute;rio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O maior erro estrat&eacute;gico que veremos nos pr&oacute;ximos meses ser&aacute; o recuo defensivo de muito l&iacute;der que, por medo dos custos, vai congelar as verbas de treinamento e desenvolvimento. &Eacute; um tiro no p&eacute;. Cortar a capacita&ccedil;&atilde;o do time justamente quando o tempo encurta &eacute; o equivalente a querer que o carro ande mais r&aacute;pido tirando o combust&iacute;vel do tanque. Casos no mundo inteiro mostram que a redu&ccedil;&atilde;o de jornada n&atilde;o quebra empresas que t&ecirc;m processos inteligentes. O fim da jornada 6&times;1 n&atilde;o &eacute; o fim do mundo; &eacute; o divisor de &aacute;guas entre as companhias que sobreviviam por in&eacute;rcia e aquelas que v&atilde;o engolir a concorr&ecirc;ncia por excel&ecirc;ncia. N&oacute;s vemos a performance como um m&uacute;sculo que se treina. Produtividade &eacute; compet&ecirc;ncia, n&atilde;o milagre. A lei mudou o calend&aacute;rio, agora cabe a voc&ecirc; decidir se vai sentar e lamentar ou se vai elevar o n&iacute;vel do seu jogo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Bruno Rosa &eacute; Bruno Rosa &eacute; engenheiro eletricista e managing director da Domperf High Performance, empresa de treinamento de alto desempenho profissional e consultoria empresarial. H&aacute; mais de uma d&eacute;cada tem se dedicado ao estudo da neuroci&ecirc;ncia e comportamento, estabelecendo padr&otilde;es pr&aacute;ticos baseados em conceitos dos maiores especialistas do mercado. A partir dessa experi&ecirc;ncia e viv&ecirc;ncias internacionais criou e aperfei&ccedil;oou uma metodologia inovadora baseada em situa&ccedil;&otilde;es de dentro e fora de empresas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>( https:\/\/domperf.com.br\/&nbsp;)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Rosa* O empresariado brasileiro est&aacute; assustado com o rel&oacute;gio, e o motivo &eacute; &oacute;bvio. 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