{"id":536535,"date":"2026-06-24T13:50:41","date_gmt":"2026-06-24T13:50:41","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=536535"},"modified":"2026-07-01T19:45:56","modified_gmt":"2026-07-01T19:45:56","slug":"as-pessoas-acreditam-na-cultura-da-sua-empresa-ou-aprenderam-a-nao-leva-la-a-serio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/06\/as-pessoas-acreditam-na-cultura-da-sua-empresa-ou-aprenderam-a-nao-leva-la-a-serio\/","title":{"rendered":"As pessoas acreditam na cultura da sua empresa \u2014 ou aprenderam a n\u00e3o lev\u00e1-la a s\u00e9rio?*"},"content":{"rendered":"<p>As pessoas na sua empresa realmente acreditam na cultura organizacional que voc&ecirc; prega &mdash; ou elas apenas aprenderam a fingir que a levam a s&eacute;rio?<\/p>\n<p>Essa &eacute; uma pergunta inc&ocirc;moda, mas vital para qualquer lideran&ccedil;a.&nbsp;A verdade &eacute; que a cultura de uma empresa n&atilde;o colapsa de forma repentina, em um estalo de dedos.&nbsp;Ela se deteriora gradualmente, de forma silenciosa, e o primeiro sinal de alerta n&atilde;o se manifesta na queda imediata da performance, mas sim na&nbsp;perda invis&iacute;vel de credibilidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O erro de diagn&oacute;stico da maioria das organiza&ccedil;&otilde;es come&ccedil;a na raiz: tratar a cultura como um subproduto do departamento de comunica&ccedil;&atilde;o, sustentada apenas por treinamentos.&nbsp;Parte-se da premissa equivocada de que identidades corporativas s&atilde;o moldadas por meio de campanhas internas, cartazes na parede ou revis&otilde;es sazonais dos valores institucionais. Essa abordagem ing&ecirc;nua ignora o &oacute;bvio: cultura n&atilde;o &eacute; o que a empresa diz;&nbsp;&eacute; o que ela pratica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Quando h&aacute; um abismo entre o discurso oficial e o dia a dia real, o diagn&oacute;stico n&atilde;o &eacute; de uma &ldquo;cultura fraca&rdquo;, mas sim de uma&nbsp;cultura inconsistente.&nbsp;E o pre&ccedil;o dessa inconsist&ecirc;ncia &eacute; cobrado diretamente na confian&ccedil;a, no engajamento e, inevitavelmente, no resultado financeiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>O Peso da Coer&ecirc;ncia no Cen&aacute;rio Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, esse desalinhamento ganha contornos ainda mais delicados.&nbsp;Operamos em um ambiente corporativo historicamente marcado por estruturas mais hier&aacute;rquicas, onde a dist&acirc;ncia entre o topo e a base torna as incoer&ecirc;ncias da lideran&ccedil;a muito mais evidentes.Os dados n&atilde;o deixam margem para romantismo:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>A Fragilidade da Confian&ccedil;a:<\/strong>&nbsp;Segundo dados da FIA Employee Experience (FEEx), a confian&ccedil;a na lideran&ccedil;a &eacute; o principal motor de engajamento nas empresas brasileiras &mdash; e, paradoxalmente, o ponto que primeiro se rompe quando o discurso n&atilde;o se sustenta na pr&aacute;tica.<\/li>\n<li><strong>O Impacto no Bolso:<\/strong>&nbsp;Em contrapartida, levantamentos do Great Place to Work (GPTW) revelam que empresas que cultivam altos n&iacute;veis de confian&ccedil;a interna apresentam desempenho financeiro superior e menor rotatividade de talentos.&nbsp;Cultura, portanto, passa longe de ser um conceito &ldquo;intang&iacute;vel&rdquo;; ela &eacute; uma m&eacute;trica concreta de resultado.<\/li>\n<li><strong>A Crise Global de Engajamento:<\/strong>&nbsp;O cen&aacute;rio &eacute; validado globalmente pela Gallup, cujo relat&oacute;rio aponta que m&iacute;seros 23% dos profissionais est&atilde;o engajados no trabalho, sendo a percep&ccedil;&atilde;o de integridade da lideran&ccedil;a a principal vari&aacute;vel desse indicador.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>O Filtro da Opera&ccedil;&atilde;o: Onde a Cultura se Materializa<\/strong><\/p>\n<p>Superficialmente, quase toda empresa parece ter uma cultura estruturada: os valores est&atilde;o definidos no site, o posicionamento de marca &eacute; claro e o discurso de Atra&ccedil;&atilde;o de Talentos &eacute; impec&aacute;vel.&nbsp;O problema, contudo, sempre emerge na opera&ccedil;&atilde;o.&nbsp;&Eacute; ali, no ch&atilde;o de f&aacute;brica ou nas salas de reuni&atilde;o, que a cultura se materializa ou se desmancha.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Se a sua empresa afirma categoricamente valorizar a autonomia, mas centraliza cada pequena decis&atilde;o na diretoria, o que voc&ecirc; estabeleceu n&atilde;o foi uma cultura de autonomia, mas de depend&ecirc;ncia.&nbsp;Se o discurso prega o &ldquo;foco em pessoas&rdquo;, mas o sistema de b&ocirc;nus recompensa exclusivamente metas agressivas de curto prazo, o que se consolidou foi uma cultura orientada a resultados a qualquer custo.Os colaboradores percebem essa dubiedade imediatamente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A&nbsp;Amazon, por exemplo, construiu uma m&aacute;quina de efici&ecirc;ncia invej&aacute;vel fortemente orientada a m&eacute;tricas de resultados; no entanto, lida constantemente com tens&otilde;es internas severas causadas pelo ritmo e pela press&atilde;o extrema.&nbsp;O&nbsp;Goldman Sachs enfrentou desgaste p&uacute;blico semelhante quando seus pr&oacute;prios analistas expuseram jornadas de trabalho extenuantes, evidenciando o choque entre o bem-estar corporativo discursado e a realidade pr&aacute;tica das metas. Contextos assim s&atilde;o sustent&aacute;veis no longo prazo? Receio que n&atilde;o: aniquilam a confian&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Cultura &eacute; sobre o que voc&ecirc; recompensa e tolera<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo contundente da&nbsp;<em>MIT Sloan Management Review<\/em>&nbsp;joga luz sobre o verdadeiro culpado: o principal fator de desalinhamento cultural nas empresas n&atilde;o &eacute; a falta de clareza sobre os valores, mas a&nbsp;inconsist&ecirc;ncia cr&ocirc;nica entre incentivos, pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a e decis&otilde;es organizacionais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em bom portugu&ecirc;s:&nbsp;a cultura da sua empresa &eacute; definida por aquilo que voc&ecirc; recompensa e por aquilo que voc&ecirc; tolera.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para um CEO ou diretor de RH, compreender isso muda completamente o tabuleiro do jogo. O rem&eacute;dio para uma cultura em deteriora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um novo&nbsp;<em>slogan<\/em>&nbsp;ou um&nbsp;<em>workshop<\/em>&nbsp;motivacional;&nbsp;&eacute; uma revis&atilde;o processual e de rituais profunda.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Como gestor, voc&ecirc; precisa responder a tr&ecirc;s perguntas fundamentais:<\/p>\n<ol>\n<li>Quais comportamentos s&atilde;o verdadeiramente promovidos e premiados aqui dentro?<\/li>\n<li>Que tipo de conduta t&oacute;xica ou desalinhada &eacute; tolerada em nome do atingimento de metas?<\/li>\n<li>O que, afinal de contas, define o sucesso na sua organiza&ccedil;&atilde;o?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Se as respostas pr&aacute;ticas a essas perguntas n&atilde;o forem rigorosamente coerentes com a cultura desejada, qualquer esfor&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o ser&aacute; decodificado pelo time como pura hipocrisia.&nbsp;E a credibilidade da lideran&ccedil;a, uma vez arranhada pelo cinismo corporativo, &eacute; um ativo quase imposs&iacute;vel de reconstruir.&nbsp;N&atilde;o porque as pessoas resistam &agrave; mudan&ccedil;a, mas porque a confian&ccedil;a exige o teste do tempo e da consist&ecirc;ncia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Cultura organizacional n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de alinhamento conceitual.&nbsp;&Eacute; uma quest&atilde;o de&nbsp;coer&ecirc;ncia operacional. E coer&ecirc;ncia, caro gestor, n&atilde;o se comunica em um e-mail geral.&nbsp;Pratica-se.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><em><strong>*por Jo&atilde;o Roncati, CEO da People+Strategy<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas na sua empresa realmente acreditam na cultura organizacional que voc&ecirc; prega &mdash; ou elas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,17,39491],"tags":[4870,36374,34930,39724,38036,22372,39631,20275,40407,312,1129,1175,10094,6471,15424,33252,5105,665,37915,36178,469,7578,39534,36170,34553,34616,34077,4361,111,11205,318,34395,37195,3326,15385,5402,36778,36779,1955,35294,34550,13794,433,39765,16678,40212,39537,18286,9461,29745,40356,684,33473,48,33558,35734,33967,281,17878,649,15897,37409,36090,171,35736,37875,36687,20696,40669,36006,11614,36741,37012,908,1480,3928,3525,4430,35935,11647,35328],"class_list":["post-536535","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-geral","category-people-strategy","tag-alerta","tag-amazon","tag-ambiente","tag-ambiente-corporativo","tag-analistas","tag-atracao","tag-atracao-de-talentos","tag-bem-estar","tag-bem-estar-corporativo","tag-brasil","tag-brasileiro","tag-campanhas","tag-ceo","tag-colaboradores","tag-contextos","tag-corporativo","tag-crise","tag-cultura","tag-cultura-organizacional","tag-custo","tag-dados","tag-desempenho","tag-diagnostico","tag-diretoria","tag-e","tag-e-mail","tag-eficiencia","tag-empresa","tag-empresas","tag-engajamento","tag-estudo","tag-fabrica","tag-filtro","tag-financeiro","tag-foco","tag-geral","tag-gptw","tag-great-place-to-work","tag-impacto","tag-integridade","tag-jogo","tag-lideranca","tag-marca","tag-metas","tag-mudanca","tag-nome","tag-novo","tag-organizacao","tag-os","tag-pelo","tag-people-strategy","tag-performance","tag-peso","tag-pessoas","tag-ponto","tag-posicionamento","tag-praticas","tag-prazo","tag-preco","tag-profissionais","tag-real","tag-remedio","tag-resultado","tag-resultados","tag-reuniao","tag-review","tag-revisao","tag-rh","tag-sem-categoria","tag-sistema","tag-site","tag-slogan","tag-sua-empresa","tag-sucesso","tag-tempo","tag-teste","tag-trabalho","tag-treinamentos","tag-valores","tag-verdade","tag-workshop","wpcat-21201-id","wpcat-17-id","wpcat-39491-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/536535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=536535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/536535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=536535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=536535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=536535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}