{"id":534943,"date":"2026-06-29T14:31:04","date_gmt":"2026-06-29T14:31:04","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=534943"},"modified":"2026-06-29T19:43:22","modified_gmt":"2026-06-29T19:43:22","slug":"a-copa-do-mundo-expoe-o-que-as-empresas-nao-conseguem-esconder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/06\/a-copa-do-mundo-expoe-o-que-as-empresas-nao-conseguem-esconder\/","title":{"rendered":"A Copa do Mundo exp\u00f5e o que as empresas n\u00e3o conseguem esconder*"},"content":{"rendered":"<p>A Copa do Mundo exp&otilde;e, em poucas semanas, uma fragilidade recorrente das empresas brasileiras: a dificuldade de integrar cultura e produtividade dentro de um mesmo modelo de gest&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&atilde;o se trata de futebol. Trata-se de lideran&ccedil;a. A cada quatro anos, o pa&iacute;s entra em um estado de mobiliza&ccedil;&atilde;o coletiva previs&iacute;vel, mensur&aacute;vel e, sobretudo, inevit&aacute;vel. Ainda assim, grande parte das organiza&ccedil;&otilde;es reage como se estivesse diante de um evento inesperado, improvisando decis&otilde;es, pressionando equipes e, muitas vezes, comprometendo tanto o desempenho quanto o clima interno.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse padr&atilde;o revela mais sobre a gest&atilde;o do que sobre o evento. Do ponto de vista econ&ocirc;mico, o impacto &eacute; concreto. A Copa do Mundo de 2022 alcan&ccedil;ou cerca de 5 bilh&otilde;es de pessoas globalmente, com a final concentrando uma audi&ecirc;ncia pr&oacute;xima de 1,5 bilh&atilde;o. No Brasil, jogos da sele&ccedil;&atilde;o produzem um efeito imediato: concentra&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o em escala nacional, reconfigura&ccedil;&atilde;o de rotinas e impactos diretos no consumo e na atividade econ&ocirc;mica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Eventos dessa magnitude costumam impulsionar setores como alimenta&ccedil;&atilde;o fora do lar, varejo e <a href=\"https:\/\/www.magazinevoce.com.br\/magazineezu\/tv-e-video\/l\/et\/\" target=\"_blank\">entretenimento,<\/a> ao mesmo tempo em que provocam desacelera&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria em atividades administrativas e servi&ccedil;os corporativos durante os hor&aacute;rios dos jogos. Em uma economia fortemente baseada em servi&ccedil;os, como a brasileira, respons&aacute;vel por mais de 70% do PIB, esse tipo de oscila&ccedil;&atilde;o comportamental tem efeito direto no ritmo produtivo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ou seja: a queda moment&acirc;nea de produtividade n&atilde;o &eacute; um desvio. &Eacute; um efeito estrutural.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O erro das empresas est&aacute; em como respondem a isso. De um lado, organiza&ccedil;&otilde;es que mant&ecirc;m rigidez absoluta, ignorando o contexto e tentando preservar uma produtividade artificial. O resultado costuma ser previs&iacute;vel: aumento de distra&ccedil;&atilde;o, queda de engajamento e deteriora&ccedil;&atilde;o do ambiente interno.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Do outro, empresas que flexibilizam sem crit&eacute;rio, comprometendo entregas e gerando sensa&ccedil;&atilde;o de descontrole operacional. Nenhum dos dois modelos &eacute; sustent&aacute;vel. A diferen&ccedil;a entre empresas que perdem performance e aquelas que atravessam a Copa de forma eficiente est&aacute; na capacidade de planejamento. Organiza&ccedil;&otilde;es mais maduras tratam o evento como parte do calend&aacute;rio estrat&eacute;gico, antecipando entregas cr&iacute;ticas, reorganizando fluxos de trabalho e estabelecendo diretrizes claras para per&iacute;odos de maior dispers&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mais do que mitigar perdas, essas empresas capturam um ativo frequentemente negligenciado: o engajamento coletivo. Esse ponto n&atilde;o &eacute; subjetivo. Estudos mostram que equipes altamente engajadas podem apresentar ganhos relevantes de produtividade e redu&ccedil;&atilde;o consistente de rotatividade. A Copa, nesse contexto, funciona como um gatilho espont&acirc;neo de conex&atilde;o, algo que, fora desse ambiente, exigiria investimento estruturado e cont&iacute;nuo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Mas h&aacute; um ponto menos vis&iacute;vel e mais cr&iacute;tico que precisa entrar na agenda executiva. A experi&ecirc;ncia da Copa dentro das empresas n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Enquanto &aacute;reas corporativas conseguem adaptar rotinas com relativa facilidade, profissionais em opera&ccedil;&otilde;es, atendimento, log&iacute;stica e servi&ccedil;os essenciais permanecem sujeitos a estruturas r&iacute;gidas. Essa diferen&ccedil;a, quando ignorada, amplia a percep&ccedil;&atilde;o de desigualdade interna e compromete a consist&ecirc;ncia cultural da organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em um pa&iacute;s marcado por desigualdades estruturais no mercado de trabalho, esse tipo de assimetria tende a se aprofundar. Decis&otilde;es aparentemente simples, como flexibilizar hor&aacute;rios, t&ecirc;m impactos distintos dentro da mesma empresa e, quando mal conduzidas, refor&ccedil;am divis&otilde;es que j&aacute; existem.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Gest&atilde;o contempor&acirc;nea exige consci&ecirc;ncia desse tipo de efeito colateral. H&aacute; ainda uma dimens&atilde;o reputacional que n&atilde;o pode ser ignorada. Em um ambiente onde atra&ccedil;&atilde;o e reten&ccedil;&atilde;o de talentos se tornaram vari&aacute;veis estrat&eacute;gicas, a forma como a empresa se posiciona em momentos de mobiliza&ccedil;&atilde;o coletiva influencia diretamente sua percep&ccedil;&atilde;o como empregadora. Sensibilidade ao contexto deixou de ser diferencial e tornou-se crit&eacute;rio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No fim, a Copa do Mundo funciona como um teste de maturidade organizacional. Ela n&atilde;o cria problemas novos. Apenas torna vis&iacute;veis aqueles que j&aacute; existiam: falta de planejamento, baixa integra&ccedil;&atilde;o entre cultura e opera&ccedil;&atilde;o e uma vis&atilde;o ainda fragmentada da experi&ecirc;ncia do colaborador.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Empresas que precisam interromper suas atividades para assistir a um jogo n&atilde;o enfrentam um problema de agenda. Enfrentam um problema de gest&atilde;o. E, em um cen&aacute;rio onde efici&ecirc;ncia e adapta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o determinantes de sobreviv&ecirc;ncia, empresas que ainda se desorganizam diante de um evento previs&iacute;vel n&atilde;o enfrentam um problema operacional,&nbsp; enfrentam um problema de lideran&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p class=\"normal1\" style=\"line-height: normal; margin: 12.0pt 0cm 12.0pt 0cm;\"><b><i><span lang=\"EN-US\">*Por Jo&atilde;o Roncati, CEO da People+Strategy <\/span><\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Copa do Mundo exp&otilde;e, em poucas semanas, uma fragilidade recorrente das empresas brasileiras: a dificuldade&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"jetpack_seo_schema_type":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[21201,17,39491],"tags":[38614,15371,34930,40796,29487,3165,3647,22372,3303,312,52,10094,2281,15384,3960,40831,40682,665,7578,37371,34553,3937,34077,597,4361,111,11205,36589,5999,613,2200,259,223,33323,73,15165,1955,17953,2577,34550,4125,36511,13794,248,11916,202,4035,18286,9461,40356,40874,684,48,34562,8541,33558,29748,457,649,17587,36090,39722,37702,15262,1480,3928,3525,34500,20299],"class_list":["post-534943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-geral","category-people-strategy","tag-adaptacao","tag-alimentacao","tag-ambiente","tag-artificial","tag-atencao","tag-atendimento","tag-atividades","tag-atracao","tag-aumento","tag-brasil","tag-brasileira","tag-ceo","tag-clima","tag-concentracao","tag-consumo","tag-copa","tag-copa-do-mundo","tag-cultura","tag-desempenho","tag-desigualdade","tag-e","tag-economia","tag-eficiencia","tag-eficiente","tag-empresa","tag-empresas","tag-engajamento","tag-entregas","tag-entretenimento","tag-estado","tag-estudos","tag-evento","tag-eventos","tag-final","tag-futebol","tag-gestao","tag-impacto","tag-integracao","tag-investimento","tag-jogo","tag-jogos","tag-lar","tag-lideranca","tag-mercado","tag-mercado-de-trabalho","tag-mundo","tag-nacional","tag-organizacao","tag-os","tag-people-strategy","tag-perdas","tag-performance","tag-pessoas","tag-pib","tag-planejamento","tag-ponto","tag-preservar","tag-produtividade","tag-profissionais","tag-reducao","tag-resultado","tag-retencao","tag-retencao-de-talentos","tag-servicos","tag-tempo","tag-teste","tag-trabalho","tag-varejo","tag-visao","wpcat-21201-id","wpcat-17-id","wpcat-39491-id"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/534943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=534943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/534943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=534943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=534943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=534943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}