{"id":531626,"date":"2026-06-25T15:50:15","date_gmt":"2026-06-25T15:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=531626"},"modified":"2026-06-26T00:54:56","modified_gmt":"2026-06-26T00:54:56","slug":"pais-rico-povo-pobre-triste-realidade-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/06\/pais-rico-povo-pobre-triste-realidade-do-brasil\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds rico, povo pobre; triste realidade do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Samuel Hanan*<\/p>\n<p>O Brasil &eacute; um pa&iacute;s com muitos problemas. Entretanto, ao contr&aacute;rio do que apregoam alguns governantes, dentre as maiores dificuldades da na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; a falta de falta de recursos financeiros, nem de recursos humanos e talentos. Pelo contr&aacute;rio. H&aacute;, ainda, abund&acirc;ncia de recursos naturais. Ent&atilde;o por que um pa&iacute;s t&atilde;o rico tem um governo igualmente rico e um povo pobre?<\/p>\n<p>Essa contradi&ccedil;&atilde;o merece profunda reflex&atilde;o. Os governos t&ecirc;m sido eleitos com os votos dos pobres, que s&atilde;o parte expressiva dos eleitores. Ent&atilde;o, quem acredita que os governos dos &uacute;ltimos 25 anos tinham ou tem interesse verdadeiro em reduzir a pobreza? Quem trabalharia para reduzir a f&aacute;brica de votos necess&aacute;rios para garantir sua pr&oacute;pria elei&ccedil;&atilde;o e reelei&ccedil;&atilde;o? A conclus&atilde;o &eacute; de que o governo central gosta da pobreza e n&atilde;o dos pobres.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A maior prova disso &eacute; que o governo, ao contr&aacute;rio do discurso oficial, tira renda l&iacute;quida dos pobres e n&atilde;o d&aacute; a eles educa&ccedil;&atilde;o de qualidade. O que &eacute; f&aacute;cil de entender, uma vez que a pessoa instru&iacute;da n&atilde;o serve para a escravid&atilde;o, qualquer que seja ela.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Isso vem sendo feito de maneira sub-rept&iacute;cia, come&ccedil;ando pela altera&ccedil;&atilde;o da f&oacute;rmula de c&aacute;lculo do reajuste da parcela do aumento real do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo (Lei 15.077 de 28\/12\/2024) retirando R$249,00 s&oacute; em 2026 do bolso de mais de 60 milh&otilde;es de brasileiros que mais precisam (aposentados, pensionistas, benefici&aacute;rios do BPC e cerca 34% dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada). Al&eacute;m disso, o governo n&atilde;o reajusta o valor do bolsa fam&iacute;lia desde mar&ccedil;o de 2023. Com isso, a infla&ccedil;&atilde;o desses tr&ecirc;s anos j&aacute; corroeu cerca de 16% do benef&iacute;cio (perda de R$1.536,00\/ano), atingindo de uma s&oacute; vez 28% das fam&iacute;lias atendidas pelo programa, e a popula&ccedil;&atilde;o que vive com sal&aacute;rio m&iacute;nimo (40% do eleitorado).&nbsp;<\/p>\n<p>Para piorar, ap&oacute;s a reforma tribut&aacute;ria o governo dever&aacute; fixar em&nbsp; 28% ou 29% a al&iacute;quota do IVA. Teremos a primeira ou a segunda maior al&iacute;quota sobre consumo do mundo e, com isso, fica imposs&iacute;vel o pa&iacute;s fazer distribui&ccedil;&atilde;o de renda. Os pobres pagar&atilde;o tributos elevados e ter&atilde;o menos dinheiro nos bolsos e as fam&iacute;lias, menos alimentos nas mesas. &ldquo;Nada mais eficaz para limitar a liberdade, incluindo a liberdade de express&atilde;o como a total falta de dinheiro&rdquo; j&aacute; alertava John Galbraith.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na Educa&ccedil;&atilde;o, o Brasil tamb&eacute;m n&atilde;o passa na prova. O pa&iacute;s ocupa a 63&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em Matem&aacute;tica e a 56&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em Leitura e Ci&ecirc;ncias no ranking da ONU e da OCDE entre as na&ccedil;&otilde;es de maior express&atilde;o no mundo. E mais: o analfabetismo funcional atinge 29% da popula&ccedil;&atilde;o adulta. O cidad&atilde;o est&aacute; perdendo suas liberdades, inclusive de escolha e nem percebe, repito aqui Frederick Douglass &ldquo;o conhecimento torna o homem inadequado para a escravid&atilde;o&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel mudar essa situa&ccedil;&atilde;o? Sem d&uacute;vida. Para isso basta restringir os privil&eacute;gios e penduricalhos, reduzir o gigantismo do Estado que nada devolve &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, e eliminar ou pelo menos reduzir significativamente a corrup&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;ando por n&atilde;o tolerar a impunidade. Vale lembrar o que dizia o ex-deputado federal e ex-Presidente da Assembleia Nacional Constituinte Dr. Ulysses Guimar&atilde;es (1916-1992): &ldquo;a pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; profiss&atilde;o para enriquecer&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil de hoje &eacute; caracterizado por uma trag&eacute;dia em 3 atos que custa por ano mais de 12% do PIB nacional, ou seja, cerca de R$ 1,5 trilh&atilde;o jogados anualmente na lata do lixo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;O primeiro ato da trag&eacute;dia brasileira &eacute; o gigantismo do setor p&uacute;blico, uma m&aacute;quina ineficiente e cara, que beneficia somente os donat&aacute;rios das capitanias heredit&aacute;rias do S&eacute;culo XXI, os donos do poder. Basta lembrar que a m&aacute;quina estatal custa, para o Brasil, 13,5% do PIB, muito mais que a m&eacute;dia (9,3%) do PIB dos 38 pa&iacute;ses membros da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE). Essa diferen&ccedil;a de 4,2% do PIB representa nada menos do que R$ 567 bilh&otilde;es por ano, dos quais boa parte &eacute; gasta com a coopta&ccedil;&atilde;o de aliados e benef&iacute;cios para os donos do poder e seus protegidos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O segundo ato diz respeito &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, mal antigo do Brasil, que consome anualmente 4% do PIB, o correspondente a R$ 540 bilh&otilde;es\/ano, segundo estudos da FGV\/IBRE. (&ldquo;A corrup&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o brasileira, mas a impunidade &eacute; uma coisa muito nossa&rdquo; &ndash; J&ocirc; Soares).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que, em 2002, o Brasil ocupava a 45&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no ranking da Transpar&ecirc;ncia Internacional (&iacute;ndice IPC) e, agora em 2026, amarga a 108&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o, implicando dizer que existem 107 pa&iacute;ses com setor p&uacute;blico mais honesto do que o do Brasil.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Finalmente, o 3&ordm; ato da trag&eacute;dia nacional, refere-se aos gastos tribut&aacute;rios da Uni&atilde;o, as ren&uacute;ncias fiscais, que hoje atingem 5,7% PIB. Um absurdo, porque a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, especialmente a Emenda Constitucional n&ordm; 109\/2021, disp&otilde;e que o m&aacute;ximo permitido &eacute; 2% do PIB para esse tipo de despesa. Logo, a generosidade governamental &eacute; ileg&iacute;tima e extrapola o limite legal em 3,7% PIB, ou seja, em R$ 500 bilh&otilde;es\/ano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os 3 atos somados montam a R$1,60 trilh&atilde;o por ano. Para se ter uma dimens&atilde;o desse valor, com menos da metade disso o pa&iacute;s poderia dobrar o investimento anual no SUS (R$220 bilh&atilde;o\/ano); oferecer ensino em tempo integral para 100% dos alunos da rede p&uacute;blica; capacitar e garantir remunera&ccedil;&atilde;o mais digna aos professores (ao custo de R$150 bilh&otilde;es\/ano); e ainda ampliar a seguran&ccedil;a P&uacute;blica, combater efetivamente e ampliar muito o policiamento das fronteiras, dos portos e aeroportos, ao custo anual de R$ 100 bilh&otilde;es, construir e doar 250 mil unidades habitacionais por ano pelos mesmo 100 bilh&atilde;o\/ano&nbsp; e ainda investir esse mesmo montante em infraestrutura (R$100 bilh&atilde;o\/ano).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Como se v&ecirc;, o Brasil disp&otilde;e de recursos financeiros. Entretanto, n&atilde;o existe um plano de metas nem gest&atilde;o competente. Tamb&eacute;m falta honestidade com a coisa p&uacute;blica, o que infelizmente se alastra devido &agrave; leni&ecirc;ncia com a qual o pa&iacute;s encara a corrup&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; preciso lembrar que a na&ccedil;&atilde;o brasileira tem mais de 100 milh&otilde;es de pessoas vivendo com apenas um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo mensal, situa&ccedil;&atilde;o alimentada por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas dolosas. O instituto da reelei&ccedil;&atilde;o para cargos do Poder Executivo contribui para perpetuar esse quadro e, por isso, deveria ser abolido.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;H&aacute; sa&iacute;das para um Brasil melhor, bem diferente do que &eacute; hoje: um pa&iacute;s socialmente mais justo, com melhor distribui&ccedil;&atilde;o de renda e servi&ccedil;os p&uacute;blicos universalizados e de qualidade. N&atilde;o &eacute; utopia; &eacute; poss&iacute;vel. O primeiro passo para a transforma&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria &eacute; reconhecer os erros e se conscientizar de que na&ccedil;&atilde;o rica &eacute; aquela na qual sua popula&ccedil;&atilde;o vive dignamente. Bem diferente do Brasil atual. Se permanecer com os olhos fechados para essa realidade, o pa&iacute;s nunca corrigir&aacute; o rumo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;, &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo; e &ldquo;Amaz&ocirc;nia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel Hanan* O Brasil &eacute; um pa&iacute;s com muitos problemas. 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