{"id":527970,"date":"2026-06-19T17:16:13","date_gmt":"2026-06-19T17:16:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=527970"},"modified":"2026-06-19T19:15:29","modified_gmt":"2026-06-19T19:15:29","slug":"algumas-verdades-que-o-brasileiro-precisa-conhecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/06\/algumas-verdades-que-o-brasileiro-precisa-conhecer\/","title":{"rendered":"Algumas verdades que o brasileiro precisa conhecer"},"content":{"rendered":"<p>Samuel Hanan*<\/p>\n<p>No dia a dia da luta pela sobreviv&ecirc;ncia, o cidad&atilde;o brasileiro mal tem tempo &ndash; e, muitas vezes, nem curiosidade &ndash; de saber a quantas anda o nosso pa&iacute;s. Informa-se mal, na enxurrada das redes sociais ou pela propaganda oficial de r&aacute;dio e televis&atilde;o, e n&atilde;o se d&aacute; conta de como o buraco &eacute; mais embaixo. A dureza da vida n&atilde;o lhe permite abrir os olhos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O brasileiro m&eacute;dio sente na pele (e no bolso) como &eacute; dura a realidade. Mas precisa saber que a culpa n&atilde;o &eacute; sua. O Brasil ocupa hoje a quarta posi&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul no ranking de IDH da ONU. O &iacute;ndice de desenvolvimento humano &eacute; a m&eacute;trica mundialmente mais usada para medir a qualidade de vida e o desenvolvimento de uma na&ccedil;&atilde;o avaliando sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e renda per capita. E nessa mensura&ccedil;&atilde;o, na Am&eacute;rica do Sul estamos atr&aacute;s do Chile, da Argentina e do Uruguai. Em termos mundiais, o Brasil est&aacute; na vergonhosa 84&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o, e rolando escada abaixo &ndash; em 2002, ocupava a 73&ordf; posi&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em pouco mais de 20 anos, a situa&ccedil;&atilde;o do brasileiro piorou muito. O Brasil hoje &eacute; a 10&ordf; economia mundial. A t&atilde;o badalada pujan&ccedil;a econ&ocirc;mica, entretanto, n&atilde;o se reflete na qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o. O pa&iacute;s &eacute; o 5&ordm; pa&iacute;s mais desigual do mundo, conforme aferido pela ONU por meio do coeficiente de Gini, &iacute;ndice que mede a concentra&ccedil;&atilde;o de renda. O cidad&atilde;o n&atilde;o sabe, mas estamos &agrave; frente apenas de &Aacute;frica do Sul, Nam&iacute;bia, Botsuana e Col&ocirc;mbia. E somos o &uacute;nico pa&iacute;s sul-americano inclu&iacute;do entre as 10 na&ccedil;&otilde;es com maior desigualdade social.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O cidad&atilde;o comum tem consci&ecirc;ncia da raz&atilde;o disso? Seguramente, n&atilde;o. O IBGE sabe bem. No per&iacute;odo 2025\/2026, a fatia 1% mais rica da popula&ccedil;&atilde;o det&eacute;m nada menos que 37,3% da riqueza nacional. Os 50% dos brasileiros mais pobres ficam com apenas 9,3% da riqueza do pa&iacute;s. Traduzindo: 2,1 milh&otilde;es de pessoas mais, ricas t&ecirc;m quatro vezes mais riqueza dos que os 107 milh&otilde;es de brasileiros mais pobres e ignorados pelos governos. Eles tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m conhecimento de que a m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o de renda cresce mesmo ap&oacute;s o governo ter feito a reforma tribut&aacute;ria ampliando o escopo e aumentando al&iacute;quota dos atuais impostos, bem assim criando novos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; preciso tamb&eacute;m que todos saibam: 10 milh&otilde;es de brasileiros &ndash; ou seja, 4,5% da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; continuavam vivendo na extrema pobreza em 2025, com renda de apenas R$ 218,00\/m&ecirc;s, segundo dados do Cadastro &Uacute;nico (Cad&Uacute;nico).&nbsp; Outros 45 milh&otilde;es &ndash; ou 21% da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; continuam vivendo na pobreza, auferindo renda mensal de apenas R$ 497,00, o que corresponde a um ter&ccedil;o do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Pouca gente fala, mas 70% dos aposentados e pensionistas do INSS recebem apenas um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo (R$ 1.621,00). Eles somam 28 milh&otilde;es de brasileiros, ou 13% da popula&ccedil;&atilde;o. Essa tamb&eacute;m &eacute; a remunera&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de 35 milh&otilde;es de trabalhadores do setor privado &nbsp;com carteira assinada (16% da popula&ccedil;&atilde;o).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outra verdade inconveniente: 16,3 milh&otilde;es de brasileiros viviam, em 2025, em favelas e comunidades, enfrentando condi&ccedil;&otilde;es precar&iacute;ssimas, tanto em termos de saneamento b&aacute;sico como de seguran&ccedil;a enfrentado riscos de vida diariamente. S&atilde;o 7,3% da popula&ccedil;&atilde;o nessa situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O governo se orgulha em dizer que o Bolsa Fam&iacute;lia &eacute; o maior programa social do Brasil, contemplando 21 milh&otilde;es de fam&iacute;lias que recebem benef&iacute;cio m&eacute;dio de R$ 800,00\/m&ecirc;s, sem direito a 13&ordm;. No entanto, &eacute; preciso revelar que esse enorme contingente, assistido por n&atilde;o possuir nenhuma renda ou trabalho, soma 28% da popula&ccedil;&atilde;o e representa 60 milh&otilde;es de pessoas. E que em 13 das 27 unidades da Federa&ccedil;&atilde;o h&aacute; mais benefici&aacute;rios do programa do que trabalhadores com carteira assinada. Trata-se de um programa necess&aacute;rio, indispens&aacute;vel, mas que poderia alcan&ccedil;ar mais pessoas com valores melhores, e com direito a corre&ccedil;&atilde;o plena e obrigat&oacute;ria.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>S&oacute; quem recebe o Bolsa Fam&iacute;lia sabe que o &uacute;ltimo reajuste do programa aconteceu em mar&ccedil;o de 2023. Desde ent&atilde;o, o valor do benef&iacute;cio vem sendo corro&iacute;do pela infla&ccedil;&atilde;o elevada e fora do centro da meta, que j&aacute; soma 16%. O valor m&eacute;dio, hoje de R$ 800,00, deveria ser de R$ 928,00 por m&ecirc;s. A diferen&ccedil;a de R$ 128,00\/m&ecirc;s significa menos comida na mesa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O mesmo governo que prometeu cerveja e picanha e n&atilde;o entregou, tamb&eacute;m prejudicou os trabalhadores ao alterar por meio da Lei n&ordm; 15.077\/2024, de 28 de dezembro de 2024, a f&oacute;rmula de c&aacute;lculo do reajuste do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo. Com a nova lei, o sal&aacute;rio-m&iacute;nimo passou para R$ 1.518,00 em 2025, mas pela f&oacute;rmula antiga teria sido de R$ 1.526,00. Ou seja, o trabalhador deixou de ganhar R$ 8,69 por m&ecirc;s, ou R$ 112,97 no ano, considerando o 13&ordm; sal&aacute;rio. Em 2026, esse valor ser&aacute; ainda maior: R$ 249,08 que deixar&atilde;o de entrar no bolso do assalariado. Prometeram cerveja e picanha, n&atilde;o cumpriram e ainda tiraram arroz e feij&atilde;o da mesa dos trabalhadores.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outra coisa da qual o povo brasileiro n&atilde;o faz ideia &eacute; que de o pa&iacute;s este ano ocupa a 108&ordf; nova posi&ccedil;&atilde;o no &Iacute;ndice de Percep&ccedil;&atilde;o da Corrup&ccedil;&atilde;o (IPC), elaborado pela Transpar&ecirc;ncia Internacional. Significa dizer que h&aacute; nada menos do que 107 pa&iacute;ses com servi&ccedil;o p&uacute;blico mais honesto que o nosso. Estamos muito atr&aacute;s de Uruguai (27&ordm; lugar), Estados Unidos (36&ordm;) e Chile (37&ordm;). &nbsp;Esse &iacute;ndice d&aacute; a dimens&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, moral e da crise de honestidade em nossa na&ccedil;&atilde;o, pois em 2002, a posi&ccedil;&atilde;o do Brasil nesse ranking era o 45&ordm; lugar. &nbsp;E quando o atual governo assumiu, em 2023, est&aacute;vamos na 94&deg; posi&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc; sabia que a posi&ccedil;&atilde;o do brasil &eacute; igual &agrave; da Argelia e N&iacute;ger?<\/p>\n<p>O cidad&atilde;o n&atilde;o se d&aacute; conta, portanto, &eacute; necess&aacute;rio lembrar que entre 1999 e 2025 o Brasil realizou nove elei&ccedil;&otilde;es presenciais e nesse per&iacute;odo foram eleitos ou reeleitos apenas cinco presidentes da Rep&uacute;blica e nove tomaram posse, dois em raz&atilde;o dos afastamentos de Fernando Collor e de Dilma Rousseff.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Refrescando a mem&oacute;ria, desses cinco presidentes eleitos no per&iacute;odo, tr&ecirc;s foram investigados, condenados e presos por atos de improbidade, corru&ccedil;&atilde;o e atentado &agrave; democracia. Al&eacute;m disso, um sofreu impeachment e foi afastado do cargo. Somente Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco n&atilde;o sofreram processos de impeachment, n&atilde;o foram alvo de mandados de pris&atilde;o criminal e n&atilde;o tiveram condena&ccedil;&otilde;es por corrup&ccedil;&atilde;o em inst&acirc;ncias superiores.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A corrup&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; impregnada no Legislativo. Em um recorte hist&oacute;rico recente, cinco ex-presidentes da C&acirc;mara dos Deputados foram presos: Jo&atilde;o Paulo Cunha, Jos&eacute; Geno&iacute;no, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Severino Cavalcanti.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esc&acirc;ndalos n&atilde;o faltam: tivemos o rombo dos Correios, o Mensal&atilde;o, o Petrol&atilde;o, o roubo da aposentadoria dos aposentados &ndash; que chega de R$ 8 a 10 bilh&otilde;es &ndash; e, agora, o do Banco Master, estimado de R$ 60 a R$ 80 bilh&otilde;es, com milhares de brasileiros lesados e muitos pol&iacute;ticos de alto escal&atilde;o suspeitos de envolvimento. Sobram esc&acirc;ndalos e impunidade, falta apura&ccedil;&atilde;o e puni&ccedil;&atilde;o. A CPMI do INSS foi bloqueada e conclu&iacute;da por decis&atilde;o judicial, sem que a apura&ccedil;&atilde;o pudesse ser aprofundada. J&aacute; a CPMI do Banco Master ainda n&atilde;o passa de mera especula&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O brasileiro sabe que a corrup&ccedil;&atilde;o grassa. &Eacute; uma das preocupa&ccedil;&otilde;es frequentes em qualquer pesquisa de opini&atilde;o p&uacute;blica. O que n&atilde;o imagina o cidad&atilde;o comum &eacute; o quanto esse mal representa em termos econ&ocirc;micos. Organismos internacionais e a FGV avaliam que a corrup&ccedil;&atilde;o nacional consome at&eacute; 4% do PIB, o correspondente a mais de R$ 500 bilh&otilde;es\/ano, recursos suficientes para dobrar o tamanho do SUS e ainda construir e doar 700 mil unidades habitacionais anualmente. Ou que poderiam ser direcionados &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, saneamento b&aacute;sico, seguran&ccedil;a e combate &agrave;s drogas e &agrave;s fac&ccedil;&otilde;es criminosas e mil&iacute;cias. Uma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o ser&aacute; alterada apenas com promessas, mas exigem a&ccedil;&otilde;es firmes, tais como mudan&ccedil;as legislativas para o pa&iacute;s ser menos tolerante com os corruptos, sem o que continuar&aacute; alimentando a sensa&ccedil;&atilde;o de que o crime compensa, e a impunidade estar&aacute; garantida.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A grande massa n&atilde;o percebe, contudo, que vem perdendo a liberdade &agrave; medida em que os governos v&atilde;o lhe tirando a renda e a sua autonomia financeira, de forma a torn&aacute;-la absolutamente dependente das bondades, &ldquo;muletas&rdquo; e esmolas de quem est&aacute; no poder, em especial em anos de elei&ccedil;&atilde;o. Cumpre-se, assim, o que fil&oacute;sofos e economistas do passado avisavam, no sentido de que o povo n&atilde;o precisa de verdades, mas de ilus&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O cen&aacute;rio &eacute; claro: o pa&iacute;s tem cerca de 100 milh&otilde;es de pessoas vivendo na pobreza. Logo, o barril de p&oacute;lvora est&aacute; menos longe do que parece. Basta ver a viol&ecirc;ncia urbana di&aacute;ria e o dom&iacute;nio das fac&ccedil;&otilde;es criminosas, influenciando cerca de 25% a 30% da popula&ccedil;&atilde;o, explorando a vulnerabilidade da pobreza.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Est&aacute; cada dia mais dif&iacute;cil pagar as contas. E isso tamb&eacute;m acontece com o governo, insistente em gastar mais do que arrecada. &Eacute; preciso dar ci&ecirc;ncia &agrave; popula&ccedil;&atilde;o que a d&iacute;vida p&uacute;blica, que em 2002 era de cerca de US$ 280 bilh&otilde;es &ndash; o equivalente a 55% do PIB -, hoje j&aacute; supera US$ 1,80 trilh&atilde;o, ou cerca de R$ 10,3 trilh&otilde;es. Corresponde, agora, a 80% do PIB nacional. Essa situa&ccedil;&atilde;o leva o governo a tomar empr&eacute;stimos banc&aacute;rios, com o pagamento de juros de aproximadamente R$ 1 trilh&atilde;o por ano, cinco vezes o valor gasto anualmente com o SUS. Esse montante seria suficiente, por exemplo, para a constru&ccedil;&atilde;o de 2,75 milh&otilde;es de unidades habitacionais todos os anos. Com juros de 14,5% ao ano, o custo dessa d&iacute;vida &eacute; alt&iacute;ssimo e a conta &eacute; paga pela popula&ccedil;&atilde;o porque caem os investimentos em obras e servi&ccedil;os, da ordem de rid&iacute;culos 1,1% do PIB, impedindo qualquer melhoria da qualidade de vida do cidad&atilde;o brasileiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O brasileiro se sente mais pobre, por&eacute;m n&atilde;o sabe a verdadeira raz&atilde;o. A resposta est&aacute; na queda da produ&ccedil;&atilde;o total de nossas riquezas. Era de US$ 13.327 por habitante\/ano em 2011 e ao final de 2025 havia ca&iacute;do para cerca de US$ 10.500 por habitante\/ano. Isso porque, sem cortar despesas e gastando muito, o governo imp&otilde;e ao povo uma carga tribut&aacute;ria elevad&iacute;ssima. Tudo indica, por exemplo, que em breve teremos uma al&iacute;quota do imposto sobre o consumo da ordem de 28% a 28,5% do valor do produto ou g&ecirc;nero &ndash; a maior ou a segunda maior al&iacute;quota do mundo. Mais um aperto no pa&iacute;s em que o cidad&atilde;o j&aacute; paga em impostos o dobro do que um mexicano ou um chin&ecirc;s, recebendo em troca p&eacute;ssimos servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para efeito de compara&ccedil;&atilde;o, a arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos no Brasil corresponde a 34,5% do PIB, muito mais que na Argentina (29%), Estados Unidos (24,5%), Chile (20,8%), China (17,2%) e M&eacute;xico (17,1%). Isso, por&eacute;m, ningu&eacute;m conta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O brasileiro precisa ter consci&ecirc;ncia de que os juros reais praticados no pa&iacute;s s&atilde;o imorais e comprometem a sa&uacute;de financeira da ind&uacute;stria, do setor de servi&ccedil;os, dos profissionais liberais, e de todas as pessoas, tudo fruto da irresponsabilidade fiscal do governo. O Brasil pratica taxa de juros reais de 9,56% ao ano, a 2&ordf; maior taxa do mundo, ante 4,82% da R&uacute;ssia, 3,80% do M&eacute;xico, 3,50% da &Iacute;ndia, 0,43% a 0,50% dos Estados Unidos e 0,46% a 0,50 da Inglaterra.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O Brasil &eacute; tamb&eacute;m quem mais onera os encargos sociais sobre os sal&aacute;rios, prejudicando o n&iacute;vel de emprego e mantendo os sal&aacute;rios baixos, tudo pra engordar o caixa do governo. Essa taxa &eacute; de 42,8%, muito acima da m&eacute;dia (34,8%) dos pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) e mais do que o dobro dos Estados Unidos (15,8%). Muito maior tamb&eacute;m que a do Chile (24,1).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Diante do quadro de juros exorbitantes e impostos altos, em 2024 e 2025, o Brasil bateu recorde hist&oacute;rico de empresas em recupera&ccedil;&atilde;o judicial. No ano passado, foram 2.466 empresas nessa situa&ccedil;&atilde;o, alta de 13% em rela&ccedil;&atilde;o a 2024, n&uacute;mero muito superior ao dos anos da pandemia e &agrave; recess&atilde;o de 2016. Todos os setores foram atingidos:&nbsp; agro (30,1%), servi&ccedil;os (30,0%), com&eacute;rcio (21,7%) e ind&uacute;stria (18,2%). O agroneg&oacute;cio, respons&aacute;vel por 25% do PIB nacional, deu o sinal mais alarmante. Em 2012, o setor representava apenas 1,3% dos pedidos de recupera&ccedil;&atilde;o judicial e hoje j&aacute; supera 30%.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>H&aacute; uma verdade oculta nessa situa&ccedil;&atilde;o. Nesses anos sem elei&ccedil;&otilde;es, o governo retirou dinheiro do bolso dos eleitores, mais precisamente de 40% deles, que perderam poder de compra e, com isso, tamb&eacute;m perderam sem perceber a liberdade de escolha.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Agora, em ano eleitoral, os eleitores mais carentes ficam &agrave; merc&ecirc; de novas promessas, novas propagandas e velhos discursos. Quem est&aacute; no poder culpa os antecessores e abre a caixa de bondades. Primeiro o governo estimulou o consumo, incentivando o cr&eacute;dito, e hoje, diante de quase 80% das fam&iacute;lias endividadas &ndash; inclusive pelo v&iacute;cio em apostas bet, que foi regulamento, em vez de proibido &ndash; o mesmo governo alardeia um novo programa de quita&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas, lan&ccedil;ando m&atilde;o at&eacute; do sagrado FGTS, a &uacute;nica poupan&ccedil;a compuls&oacute;ria do assalariado, para corrigir o pr&oacute;prio erro, evidente, por&eacute;m jamais reconhecido.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; uma medida necess&aacute;ria?&nbsp; Sim, mas tal situa&ccedil;&atilde;o poderia ter sido evitada. Hoje, de 27,9% a 30% da renda dos cidad&atilde;os est&aacute; comprometida somente com o pagamento da parcela mensal das d&iacute;vidas. Dez anos atr&aacute;s, esse percentual era de 16,60%. No per&iacute;odo 2012-2014 chegou a 21% &ndash; 22%, e atingiu 27% em 2023. N&atilde;o parou de crescer.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O novo mote para agradar o eleitorado &eacute; a defesa da jornada 5&times;2, mais uma dessas iniciativas que somente aparecem em ano de elei&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma realidade que confirma o que h&aacute; tempos dizem fil&oacute;sofos e outros pensadores de renome: pol&iacute;ticos bem-sucedidos, vencedores de elei&ccedil;&otilde;es, mentem descaradamente, prometendo o poss&iacute;vel e o imposs&iacute;vel. Esses pol&iacute;ticos n&atilde;o gostam da verdade porque as massas n&atilde;o t&ecirc;m interesse na verdade; preferem as ilus&otilde;es, confiando em promessas que s&oacute; os mentirosos ou m&aacute;gicos seriam capazes de atender.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; o que escreveu o economista e fil&oacute;sofo norte-americano Thomas Sowel: &ldquo;O fato de que muitos pol&iacute;ticos de sucesso s&atilde;o mentirosos n&atilde;o &eacute; exclusivamente reflex&atilde;o da classe pol&iacute;tica, &eacute; tamb&eacute;m uma reflex&atilde;o do eleitorado. Quando as pessoas querem o imposs&iacute;vel, somente os mentirosos podem satisfaz&ecirc;-las&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&Eacute; necess&aacute;ria uma reflex&atilde;o sobre a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil de hoje, mas sobre o Brasil verdadeiro e n&atilde;o aquele da propaganda oficial. As pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o um convite para que todos saiam da c&ocirc;moda posi&ccedil;&atilde;o de omiss&atilde;o e do sil&ecirc;ncio conveniente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;, &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo; e &ldquo;Amaz&ocirc;nia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel Hanan* No dia a dia da luta pela sobreviv&ecirc;ncia, o cidad&atilde;o brasileiro mal tem tempo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":527969,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[],"class_list":["post-527970","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/527970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=527970"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/527970\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/527969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=527970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=527970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=527970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}