{"id":527946,"date":"2026-06-19T15:30:39","date_gmt":"2026-06-19T15:30:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=527946"},"modified":"2026-06-19T19:15:30","modified_gmt":"2026-06-19T19:15:30","slug":"o-proalcool-estava-certo-antes-do-mundo-perceber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/06\/o-proalcool-estava-certo-antes-do-mundo-perceber\/","title":{"rendered":"O Pro\u00e1lcool estava certo antes do mundo perceber"},"content":{"rendered":"<p>J. A. Puppio*<\/p>\n<p>Em 1975, em plena crise internacional do petr&oacute;leo, o Brasil tomou uma decis&atilde;o que soaria ousada para os padr&otilde;es da &eacute;poca. Criou o Pro&aacute;lcool, um programa nacional estruturado para produzir energia a partir da cana-de-a&ccedil;&uacute;car. Poucos imaginavam, naquele momento, que essa escolha se tornaria uma das iniciativas mais vision&aacute;rias da hist&oacute;ria da pol&iacute;tica energ&eacute;tica mundial.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A l&oacute;gica era clara, embora sua execu&ccedil;&atilde;o exigisse coragem pol&iacute;tica e vis&atilde;o de longo prazo. Era preciso reduzir a depend&ecirc;ncia do petr&oacute;leo importado e construir uma alternativa energ&eacute;tica nacional baseada em recursos renov&aacute;veis e em tecnologia pr&oacute;pria. O programa mobilizou pesquisa agr&iacute;cola e industrial, ind&uacute;stria automotiva, infraestrutura de distribui&ccedil;&atilde;o e capacidade produtiva em toda a cadeia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Durante muitos anos, o Pro&aacute;lcool foi alvo de ceticismo. Cr&iacute;ticos questionavam sua viabilidade econ&ocirc;mica e apostavam que o etanol seria apenas uma solu&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria, destinada a desaparecer quando os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo recuassem. O tempo mostrou o contr&aacute;rio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>D&eacute;cadas depois, o mundo passou a enfrentar exatamente os problemas que o Brasil tentava antecipar, como inseguran&ccedil;a energ&eacute;tica cr&ocirc;nica, volatilidade brutal nos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo e press&atilde;o crescente por descarboniza&ccedil;&atilde;o. Seguran&ccedil;a energ&eacute;tica e transi&ccedil;&atilde;o para fontes renov&aacute;veis tornaram-se temas priorit&aacute;rios das agendas globais e o Brasil j&aacute; chegou a essa discuss&atilde;o com experi&ecirc;ncia acumulada de meio s&eacute;culo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Enquanto pa&iacute;ses desenvolvidos buscam reduzir depend&ecirc;ncia externa, diversificar fontes de energia e construir modelos menos vulner&aacute;veis &agrave;s crises internacionais, o Brasil j&aacute; disp&otilde;e de uma cadeia produtiva consolidada, tecnologia madura e capacidade industrial em larga escala.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Poucos pa&iacute;ses conseguiram desenvolver um sistema de biocombust&iacute;veis com o mesmo n&iacute;vel de integra&ccedil;&atilde;o entre agricultura, ind&uacute;stria, log&iacute;stica e mercado consumidor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O mais interessante &eacute; perceber que a discuss&atilde;o atual n&atilde;o se resume mais apenas &agrave; quest&atilde;o ambiental. O debate tornou-se econ&ocirc;mico, estrat&eacute;gico e geopol&iacute;tico. Produzir energia dentro do pr&oacute;prio territ&oacute;rio passou a representar estabilidade, competitividade e soberania, exatamente o que o Pro&aacute;lcool come&ccedil;ou a construir em 1975.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O programa talvez tenha sido uma das poucas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas brasileiras capazes de atravessar d&eacute;cadas mantendo relev&acirc;ncia crescente. Mais do que substituir combust&iacute;veis f&oacute;sseis, o Pro&aacute;lcool revelou uma vis&atilde;o de futuro que o mundo demorou d&eacute;cadas para compreender.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Hoje, enquanto diversas na&ccedil;&otilde;es buscam caminhos para uma nova era energ&eacute;tica, o Brasil percebe que parte dessa resposta j&aacute; come&ccedil;ou a ser constru&iacute;da h&aacute; quase cinquenta anos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*J. A. Puppio&nbsp;&eacute; empres&aacute;rio e autor do livro &ldquo;Imposs&iacute;vel &eacute; o que n&atilde;o se tentou&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J. A. 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