{"id":526616,"date":"2026-06-17T11:51:59","date_gmt":"2026-06-17T11:51:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=526616"},"modified":"2026-06-17T13:32:12","modified_gmt":"2026-06-17T13:32:12","slug":"18-de-junho-dia-do-orgulho-autista-destaca-protagonismo-e-autonomia-na-vida-adulta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/06\/18-de-junho-dia-do-orgulho-autista-destaca-protagonismo-e-autonomia-na-vida-adulta\/","title":{"rendered":"18 de junho: Dia do Orgulho Autista destaca protagonismo e autonomia na vida adulta"},"content":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, o Brasil celebra oficialmente, em 18 de junho, o Dia do Orgulho Autista. Mais do que uma data de conscientiza&ccedil;&atilde;o, a proposta &eacute; colocar as pr&oacute;prias pessoas autistas no centro da conversa, valorizando suas trajet&oacute;rias, conquistas e diferentes formas de existir. A data tamb&eacute;m convida a sociedade a ampliar o olhar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente na vida adulta, per&iacute;odo ainda marcado por desafios relacionados &agrave; inclus&atilde;o, ao trabalho e &agrave; independ&ecirc;ncia.<br>\nNos &uacute;ltimos anos, a psic&oacute;loga e analista do comportamento Marina Bevilacqua Alves de Lima, do Grupo Gaiadi (Grupo de Avalia&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o dos Atrasos do Desenvolvimento Infantil), tem acompanhado de perto o crescimento da procura por avalia&ccedil;&otilde;es na adolesc&ecirc;ncia e na vida adulta. &ldquo;Esse movimento n&atilde;o &eacute; uma moda. Ele reflete d&eacute;cadas de subdiagn&oacute;stico e a evolu&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o&rdquo;, explica.<br>\nSegundo ela, por muito tempo o autismo esteve associado apenas aos quadros mais graves e a pessoas com comprometimento importante da fala. &ldquo;Indiv&iacute;duos com intelig&ecirc;ncia na m&eacute;dia ou acima dela e com linguagem funcional passavam fora do radar. Al&eacute;m disso, existe a camuflagem social, um esfor&ccedil;o cont&iacute;nuo para imitar comportamentos neurot&iacute;picos, que tem um custo emocional muito alto&rdquo;, afirma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Muito al&eacute;m do diagn&oacute;stico<br>\nPara Jo&atilde;o Pedro M&eacute;dico, de 23 anos, o autismo nunca foi motivo para abandonar seus sonhos. Diagnosticado ainda na adolesc&ecirc;ncia, ele construiu uma trajet&oacute;ria profissional que come&ccedil;ou com cursos de forma&ccedil;&atilde;o e hoje atua como assistente administrativo no  setor jur&iacute;dico de uma universidade. Recentemente, decidiu dar mais um passo: prestar vestibular para Direito. &ldquo;O que eu penso &eacute; que, se voc&ecirc; tem autismo ou qualquer outra defici&ecirc;ncia, precisa se descobrir. Voc&ecirc; n&atilde;o pode ficar impondo limites na sua vida. Mesmo que existam dificuldades, enfrente e foque no seu desejo&rdquo;, aconselha.<br>\nEle resume a pr&oacute;pria filosofia em uma frase que costuma repetir para si mesmo. &ldquo;Quando voc&ecirc; tem sonhos que ainda n&atilde;o s&atilde;o realidade, um dia voc&ecirc; vai olhar para eles e dizer: eu consegui. Acredite em voc&ecirc; e no seu potencial, porque voc&ecirc; &eacute; capaz&rdquo;.<br>\nA constru&ccedil;&atilde;o da autonomia tamb&eacute;m faz parte da rotina de Eduardo Scatena, 22 anos. Universit&aacute;rio e estagi&aacute;rio, ele associa a vida adulta &agrave; capacidade de assumir responsabilidades e conquistar independ&ecirc;ncia. Uma das maiores alegrias recentes foi conseguir um novo emprego. &ldquo;Eu n&atilde;o estava aguentando mais o per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o. Arrumar esse novo trabalho foi uma conquista da qual me orgulho&rdquo;, conta.<br>\nPara Marina, &eacute; justamente na entrada na faculdade, no mercado de trabalho e nas exig&ecirc;ncias da vida adulta que muitos diagn&oacute;sticos acabam acontecendo. &ldquo;As estrat&eacute;gias que funcionavam na inf&acirc;ncia deixam de ser suficientes diante da complexidade da vida adulta. &Eacute; comum receber adultos que passaram anos tratando ansiedade, depress&atilde;o ou burnout, sem que se compreendesse a origem daquele sofrimento&rdquo;, destaca.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Inclus&atilde;o &eacute; perman&ecirc;ncia<br>\nEmbora os avan&ccedil;os em rela&ccedil;&atilde;o ao diagn&oacute;stico tenham aumentado, a inclus&atilde;o na vida adulta ainda enfrenta obst&aacute;culos importantes. &ldquo;Entrevistas de emprego baseadas apenas em carisma ou din&acirc;micas de grupo acabam excluindo profissionais tecnicamente brilhantes. O excesso de est&iacute;mulos, a falta de previsibilidade e a comunica&ccedil;&atilde;o corporativa impl&iacute;cita tamb&eacute;m geram sofrimento e dificultam a perman&ecirc;ncia dessas pessoas nos ambientes profissionais&rdquo;, explica Marina.<br>\nNa universidade e no trabalho, Eduardo acredita que ainda falta compreens&atilde;o sobre as particularidades de cada indiv&iacute;duo. &ldquo;Cada caso &eacute; um caso. Falta mais entendimento e recursos para ajudar as pessoas autistas&rdquo;, diz.<br>\nEle tamb&eacute;m costuma orientar outros jovens que est&atilde;o come&ccedil;ando a vida profissional. &ldquo;N&atilde;o tenham medo de tirar d&uacute;vidas e expliquem aos seus superiores a sua condi&ccedil;&atilde;o. Muitas vezes existe possibilidade de flexibiliza&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o no ambiente de trabalho&rdquo;, afirma.<br>\nPara Marina, a inclus&atilde;o real vai al&eacute;m de permitir a entrada das pessoas autistas nos diferentes espa&ccedil;os. &ldquo;Inclus&atilde;o n&atilde;o &eacute; abrir a porta e deixar a pessoa entrar. &Eacute; modificar o ambiente para que ela possa permanecer e produzir com dignidade&rdquo;, diz.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Orgulho, identidade e fazer parte<br>\nQuando se fala em orgulho autista, a psic&oacute;loga Marina Lima acredita que a principal mudan&ccedil;a necess&aacute;ria &eacute; abandonar a ideia de que o autismo deve ser visto apenas sob a &oacute;tica da defici&ecirc;ncia ou da falta. &ldquo;O autismo &eacute; uma configura&ccedil;&atilde;o do neurodesenvolvimento que traz uma forma diferente de processar o mundo, com suas pr&oacute;prias barreiras e suas pr&oacute;prias pot&ecirc;ncias. Celebrar o orgulho autista &eacute; validar a identidade dessas pessoas. N&atilde;o estamos buscando a cura de uma identidade; buscamos a cura do preconceito, da exclus&atilde;o e da falta de acessibilidade&rdquo;, afirma.<br>\nAo longo dos &uacute;ltimos anos, a psic&oacute;loga percebeu que muitos adultos recebem o diagn&oacute;stico como uma forma de finalmente compreender a pr&oacute;pria trajet&oacute;ria. &ldquo;A frase que mais escuto no consult&oacute;rio &eacute;: &lsquo;Finalmente minha vida faz sentido. Eu n&atilde;o sou quebrado, eu sou autista&rsquo;&rdquo;, relata.<br>\nPara ela, o futuro da inclus&atilde;o passa justamente por ouvir as vozes das pr&oacute;prias pessoas autistas. &ldquo;Precisamos construir ambientes em que o respeito &agrave; singularidade seja a regra, e n&atilde;o a exce&ccedil;&atilde;o&rdquo;, finaliza.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, o Brasil celebra oficialmente, em 18 de junho, o Dia do Orgulho Autista&hellip;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":526615,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,17],"tags":[40869],"class_list":["post-526616","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-geral","tag-autismo-tea-neurodivergencia-autista","wpcat-21201-id","wpcat-17-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/526616","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=526616"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/526616\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/526615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=526616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=526616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=526616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}