{"id":517252,"date":"2026-05-29T14:19:36","date_gmt":"2026-05-29T14:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=517252"},"modified":"2026-05-29T20:41:18","modified_gmt":"2026-05-29T20:41:18","slug":"mais-renda-e-menos-desigualdade-para-os-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/05\/mais-renda-e-menos-desigualdade-para-os-brasileiros\/","title":{"rendered":"Mais renda e menos desigualdade para os brasileiros \u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Samuel Hanan*<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo dia 8 de maio, o IBGE revelou ao pa&iacute;s duas not&iacute;cias contradit&oacute;rias. A primeira: a renda m&eacute;dia do brasileiro teve um significativo aumento, gerando entusiasmo e comemora&ccedil;&otilde;es no alto escal&atilde;o do governo e ganhando destaque na grande imprensa, sobretudo nas principais redes de TV. A segunda: a desigualdade voltou a crescer, evidenciando que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas n&atilde;o tiveram &ecirc;xito na distribui&ccedil;&atilde;o de renda. &nbsp;<\/p>\n<p>De fato, a renda m&eacute;dia domiciliar per capita em 2025 foi de R$ 2.264,06 (cerca de 1,5 sal&aacute;rio-m&iacute;nimo da &eacute;poca), representando um aumento real de 6,9% em rela&ccedil;&atilde;o ao ano anterior. Se considerada apenas a renda do trabalho, o crescimento foi de 5,5%, atingindo o valor de R$ 3.560,00\/m&ecirc;s (cerca de 2,3 sal&aacute;rios-m&iacute;nimos). &nbsp;<\/p>\n<p>Isso seria motivo de comemora&ccedil;&atilde;o real se tivesse vindo acompanhada de uma outra not&iacute;cia anunciando melhor distribui&ccedil;&atilde;o de renda. Foi, no entanto, justamente o contr&aacute;rio: o pa&iacute;s registrou um decepcionante aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de renda. Ou seja, as desigualdades sociais avan&ccedil;aram em ritmo mais acelerado do que o crescimento da renda m&eacute;dia na na&ccedil;&atilde;o. O contraste avan&ccedil;ou e foi decorrente dos aumentos dos privil&eacute;gios para os poderosos.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>O abismo da desigualdade, uma das maiores mazelas nacionais, est&aacute; escancarada nos dados oficiais de 2025. Esses dados apontam que os 10% de brasileiros mais ricos tiveram crescimento de 8,7% em suas rendas, atingindo R$ 9.117,00\/m&ecirc;s, o equivalente a 6 sal&aacute;rios-m&iacute;nimos, aproximadamente. Por outro lado, os 10% mais pobres tiveram um aumento diminuto, de 3,1%, com renda chegando a apenas R$ 268,00\/m&ecirc;s. Triste realidade. &nbsp;<\/p>\n<p>Outro dado importante: os 40% mais pobres ficaram com a renda m&eacute;dia per capita 13,8 vezes menor que a dos 10% mais ricos. Em valores nominais, a diferen&ccedil;a &eacute; de R$ 661,00\/m&ecirc;s para R$ 9.117,00\/m&ecirc;s entre esses dois grupos. &nbsp;<\/p>\n<p>O reflexo imediato desses dados est&aacute; no Coeficiente de Gini, indicador que reflete a desigualdade socioecon&ocirc;mica dos pa&iacute;ses, mensurando a distribui&ccedil;&atilde;o de renda entre as popula&ccedil;&otilde;es. No Brasil, esse &iacute;ndice saltou de 0,504, em 2024, para 0,511 em 2025, evidenciando consider&aacute;vel aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de renda. Mais uma evid&ecirc;ncia de que o governo fracassou. &nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; importante tamb&eacute;m analisar o panorama internacional e hist&oacute;rico. Em maio de 2026, o Brasil &mdash; 10&ordf; maior economia do mundo &mdash; ocupa a vergonhosa 5&ordf; pior posi&ccedil;&atilde;o no ranking dos pa&iacute;ses mais desiguais do mundo, segundo o World Inequality Report 2026. &nbsp;<\/p>\n<p>O indicador de riqueza aponta que, no Brasil, pelos 10% mais ricos da popula&ccedil;&atilde;o det&ecirc;m 59,1% da renda nacional. Os 50% mais pobres det&ecirc;m apenas 9,3%. Quando se trata da riqueza total (patrim&ocirc;nio\/im&oacute;veis), a discrep&acirc;ncia &eacute; ainda maior, pois os 10% mais ricos det&ecirc;m 70% da fortuna da popula&ccedil;&atilde;o nacional.&nbsp;<\/p>\n<p>Em termos de concentra&ccedil;&atilde;o de renda, o Brasil fica atr&aacute;s apenas de na&ccedil;&otilde;es com disparidades extremas, como &Aacute;frica do Sul, Nam&iacute;bia, Botsuana e Col&ocirc;mbia. Os indicadores revelam que os governos das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas reeditaram as &ldquo;Capitanias Heredit&aacute;rias&rdquo;, criando uma divis&atilde;o entre &ldquo;donat&aacute;rios&rdquo; (donos do poder e das riquezas) e &ldquo;vassalos&rdquo; (os 50% mais pobres, sem direitos, sobrevivendo com muito pouco).&nbsp; Eis a prova de que as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas fracassaram e os governantes &ndash; sem exce&ccedil;&atilde;o &ndash; foram reprovados, merecendo cart&atilde;o vermelho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O grande f&iacute;sico alem&atilde;o Albert Einstein disse que &ldquo;insanidade &eacute; fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes&rdquo;. Ele estava certo e sua teoria explica muito da situa&ccedil;&atilde;o vivida pelo Brasil. &nbsp;<\/p>\n<p>O desastre das &uacute;ltimas d&eacute;cadas &eacute; a consequ&ecirc;ncia do gigantismo do Estado e da irresponsabilidade fiscal dos governantes, aprovada pelo Congresso e tolerada pelo Judici&aacute;rio e pelo Tribunal de Contas da Uni&atilde;o, apesar da exclus&atilde;o do arcabou&ccedil;o fiscal nos &uacute;ltimos 4,5 anos atingir R$ 170 bilh&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Os n&uacute;meros n&atilde;o mentem. Os gastos prim&aacute;rios da Uni&atilde;o representam 34% do Produto Interno Bruto (PIB). O d&eacute;ficit prim&aacute;rio, permanente nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, chegou a r$ 61,7 bilh&otilde;es no &uacute;ltimo ano e o d&eacute;ficit nominal j&aacute; corresponde a quase 9% do PIB, superior a R$ 1,10 trilh&atilde;o\/ano. Al&eacute;m disso, o d&eacute;ficit previdenci&aacute;rio tamb&eacute;m &eacute; gigante e n&atilde;o para de subir. &nbsp;<\/p>\n<p>A consequ&ecirc;ncia &eacute; o crescimento anual da d&iacute;vida p&uacute;blica, j&aacute; pr&oacute;xima de 80% do PIB, consumindo somente em juros (&agrave; taxa Selic de 14,5%) o equivalente ao montante superior a R$1,15 trilh&atilde;o\/ano. Este &eacute; o pre&ccedil;o da irresponsabilidade fiscal. &nbsp;<\/p>\n<p>Com a m&aacute;quina p&uacute;blica inchada &ndash; sem que isso corresponda &agrave; efici&ecirc;ncia- os gastos com o funcionalismo equivalem a 13,5% do PIB (dado de 2025), muito acima da m&eacute;dia da Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), cujos pa&iacute;ses integrantes gastam menos de 10% do PIB com esse setor.&nbsp; Some-se a isso a gest&atilde;o desastrosa das estatais, nas quais h&aacute; muito tempo vigora o crit&eacute;rio partid&aacute;rio vale muito mais que a compet&ecirc;ncia e experi&ecirc;ncia para a ocupa&ccedil;&atilde;o dos cargos diretivos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>H&aacute; que se considerar ainda a m&aacute; gest&atilde;o. Os cargos comissionados custam R$ 41,60 bilh&otilde;es por ano e o Brasil tem 53.500 servidores recebendo acima do teto constitucional, ao custo anual de R$ 11,20 bilh&otilde;es no total. O desperd&iacute;cio &eacute; estimado em 3,5% do PIB, o correspondente a R$ 445 bilh&otilde;es\/ano. Esse valor equivale a 2,5 vezes o or&ccedil;amento anual do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O cen&aacute;rio tamb&eacute;m &eacute; agravado pela corrup&ccedil;&atilde;o e pela certeza da impunidade. O Brasil ocupa a 108&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no Ranking de Percep&ccedil;&atilde;o da Corrup&ccedil;&atilde;o, elaborado pela Transpar&ecirc;ncia Internacional. Significa dizer que, hoje, 107 pa&iacute;ses t&ecirc;m setor p&uacute;blico mais honesto do que o do Brasil, que perde com essa pr&aacute;tica criminosa e recorrente o correspondente a 2,5 A 3% do PIB. algo em torno de R$ 325 bilh&otilde;es a R$ 400 bilh&otilde;es por ano. (suficiente para constru&ccedil;&atilde;o de mais de 1,0 milh&atilde;o de unidades habitacionais anualmente).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para melhorar a distribui&ccedil;&atilde;o de renda e alcan&ccedil;ar justi&ccedil;a social o Brasil precisa adotar medidas dr&aacute;sticas que n&atilde;o podem mais ser adiadas, tamanho o estrago que v&ecirc;m produzindo. Uma delas &eacute; implantar mecanismos eficazes de combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, incluindo altera&ccedil;&otilde;es legislativas para classificar como hediondos os crimes de corrup&ccedil;&atilde;o, sem direito &agrave; progress&atilde;o de pena e com pris&atilde;o imediata ap&oacute;s condena&ccedil;&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia. &nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; igualmente fundamental cumprir a Emenda Constitucional n&deg;109\/2021, de 15\/03\/2023, a qual determina a redu&ccedil;&atilde;o das ren&uacute;ncias fiscais, limitando-as a 2% do PIB (hoje ultrapassa 5% do PIB), ou seja, a diferen&ccedil;a de 3% do PIB &eacute; da ordem de R$ 390 bilh&otilde;es\/ano. Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute;. Essa medida precisa ser acompanhada do enxugamento do Estado brasileiro, para que ele volte a &ldquo;caber no PIB&rdquo;. A economia poss&iacute;vel somando-se o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e a redu&ccedil;&atilde;o de desperd&iacute;cios e do gigantismo da m&aacute;quina somaria R$ 1,20 trilh&atilde;o anualmente, o equivalente a quase 30% da arrecada&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria nacional (mostrando que a carga tribut&aacute;ria se eliminados esses privil&eacute;gios, poderia ser reduzida a 24% ao inv&eacute;s de 34% do PIB (2025),<\/p>\n<p>Imp&otilde;e-se, ainda, a revis&atilde;o do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo com a altera&ccedil;&atilde;o da f&oacute;rmula de reajuste para evitar perdas reais. Estima-se que 63 milh&otilde;es de pessoas (aposentados, cidad&atilde;os que dependem do Benef&iacute;cio de Presta&ccedil;&atilde;o Continuada e trabalhadores) perderam renda devido &agrave;s pol&iacute;ticas atuais. Tamb&eacute;m &eacute; preciso corrigir o valor do Bolsa Fam&iacute;lia pelo &iacute;ndice da infla&ccedil;&atilde;o, pois a perda do per&iacute;odo sem reajuste j&aacute; soma 12,38%. &nbsp;<\/p>\n<p>Se permanecer buscando as mesmas solu&ccedil;&otilde;es para os velhos problemas, o Brasil continuar&aacute; servindo o &ldquo;banquete estat&iacute;stico&rdquo;, met&aacute;fora criada pelo economista, professor e ex-ministro da Fazenda M&aacute;rio Henrique Simonsen (1935-1997). Dizia ele que se em um local h&aacute; duas mesas gigantes, uma com 100 pessoas comendo caviar, escargot e fil&eacute; mignon e bebendo vinho franc&ecirc;s (t&iacute;quete de R$ 10.000,00) e outra com outras 100 pessoas comendo arroz com farinha (t&iacute;quete de R$ 10,00), a &ldquo;m&eacute;dia&rdquo; indicar&aacute; um belo banquete de R$ 5.005,00 para todos. Mas nessa situa&ccedil;&atilde;o hipot&eacute;tica, metade dos comensais sai da mesa com fome.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;&nbsp;&Eacute; uma bela li&ccedil;&atilde;o para um pa&iacute;s que, al&eacute;m de tudo, ainda tem 10 milh&otilde;es de pessoas que n&atilde;o sabem ler nem escrever e 29% de analfabetos funcionais. S&atilde;o cidad&atilde;os que ningu&eacute;m enxerga porque h&aacute; outras preocupa&ccedil;&otilde;es maiores: a garantia de penduricalhos para engordar os holerites, driblando o teto constitucional, a farra das emendas parlamentares e a velha pr&aacute;tica do tomal&aacute;-d&aacute;-c&aacute; para assegurar a reelei&ccedil;&atilde;o. As narrativas cada vez mais se sobrep&otilde;em &agrave;s verdades e a honestidade no poder passa ser raridade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; se agrava porque o governo vem sistematicamente tirando renda da popula&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de negar-lhe educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a. O futuro &eacute; sombrio e a esperan&ccedil;a vai-se esvaindo. Somente um estadista, com um novo olhar e um plano de metas equilibrado e vi&aacute;vel, pode mudar o rumo desse pa&iacute;s que, apesar do gigantesco potencial, continua patinando em velhas pr&aacute;ticas, com resultados p&iacute;fios para os cidad&atilde;os. &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br&nbsp; &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel Hanan* No &uacute;ltimo dia 8 de maio, o IBGE revelou ao pa&iacute;s duas not&iacute;cias contradit&oacute;rias&hellip;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":517251,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[],"class_list":["post-517252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/517252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=517252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/517252\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/517251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=517252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=517252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=517252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}