{"id":513679,"date":"2026-05-22T13:20:00","date_gmt":"2026-05-22T13:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=513679"},"modified":"2026-05-22T17:19:44","modified_gmt":"2026-05-22T17:19:44","slug":"maes-atipicas-aprendem-a-enxergar-o-desenvolvimento-dos-filhos-nos-detalhes-do-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/05\/maes-atipicas-aprendem-a-enxergar-o-desenvolvimento-dos-filhos-nos-detalhes-do-cotidiano\/","title":{"rendered":"M\u00e3es at\u00edpicas aprendem a enxergar o desenvolvimento dos filhos nos detalhes do cotidiano"},"content":{"rendered":"<p>As hist&oacute;rias de Kelly, Ana, Claudia e Joyce, todas m&atilde;es de crian&ccedil;as diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), s&atilde;o diferentes entre si, mas se encontram em muitos pontos: na inseguran&ccedil;a diante dos primeiros sinais, na rotina reorganizada pelas terapias e na descoberta de que pequenas conquistas podem transformar completamente a forma de enxergar o desenvolvimento infantil.<br>\nEntre consultas, adapta&ccedil;&otilde;es e aprendizados di&aacute;rios, as viv&ecirc;ncias destas quatro m&atilde;es ajudam a construir um retrato da maternidade at&iacute;pica longe da romantiza&ccedil;&atilde;o, mas marcado por v&iacute;nculo, d&uacute;vidas, persist&ecirc;ncia e uma nova forma de compreender o cotidiano.<br>\nAntes mesmo do diagn&oacute;stico, muitas delas j&aacute; percebiam que havia algo diferente no desenvolvimento dos filhos. Foi assim com a dona de casa Ana Cl&aacute;udia de Oliveira Zanardo Gon&ccedil;alves, 47 anos, m&atilde;e do Mateus, 13. Ainda beb&ecirc;, ele era extremamente calmo, &ldquo;sempre no mundo dele&rdquo;, como ela descreve. Brincava alinhando objetos por cores e tamanhos, demonstrava interesse intenso por trens e pe&ccedil;as de montar e chegou a falar algumas palavras antes de parar completamente de se comunicar verbalmente. &ldquo;Achamos estranho e procuramos uma fonoaudi&oacute;loga. Foi a&iacute; que come&ccedil;amos a entender que havia atrasos na fala, na aten&ccedil;&atilde;o e quest&otilde;es sensoriais&rdquo;, lembra.<br>\nA secret&aacute;ria executiva Kelly Faveri Tarl&aacute;, 48 anos, come&ccedil;ou a perceber ainda nos primeiros anos de vida do filho Caio, 14, que algumas etapas do desenvolvimento aconteciam de forma diferente do esperado para a idade. O atraso na fala era o sinal que mais chamava aten&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m havia dificuldade para expressar sentimentos, relatar situa&ccedil;&otilde;es do cotidiano e interagir socialmente da mesma maneira que outras crian&ccedil;as da mesma idade. Sem conhecer muito sobre o TEA naquele momento, ela acreditava que se tratava apenas de um atraso no desenvolvimento infantil. O diagn&oacute;stico veio aos quatro anos. &ldquo;Senti al&iacute;vio por finalmente compreender o que estava acontecendo, mas tamb&eacute;m muito medo do futuro&rdquo;, conta. As incertezas sobre autonomia, socializa&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida passaram a fazer parte da rotina da fam&iacute;lia.<br>\nEm muitos casos, a maternidade at&iacute;pica come&ccedil;a justamente nesse territ&oacute;rio de incertezas. H&aacute; o impacto emocional do diagn&oacute;stico, mas tamb&eacute;m uma mudan&ccedil;a profunda na din&acirc;mica familiar. Rotinas precisam ser reorganizadas em torno de terapias, escola, est&iacute;mulos e estrat&eacute;gias para reduzir crises e tornar os ambientes mais previs&iacute;veis.<br>\nPara a aut&ocirc;noma Claudia Fernanda Martins Porphirio da Silva, 40 anos, a maternidade at&iacute;pica tamb&eacute;m trouxe mudan&ccedil;as profundas na vida profissional e familiar. Depois de mais de 12 anos no mesmo emprego, ela decidiu deixar o trabalho para conseguir acompanhar a filha Valentina, 5, na rotina intensa de consultas, exames e terapias. &ldquo;Os desafios come&ccedil;aram quando percebemos que nossa filha precisava de um cuidado diferente. Existe muito medo sobre o futuro, sobre autonomia e sobre como a sociedade vai acolh&ecirc;-la&rdquo;, relata.<br>\nA contadora Joyce Caroline Romero Jovenato Mendes, 40 anos, descreve a maternidade do filho Jo&atilde;o Eduardo, 8, como uma ruptura com tudo o que imaginava saber sobre criar uma crian&ccedil;a. O parto prematuro, os dias na UTI neonatal, a necessidade de rotinas r&iacute;gidas e as dificuldades de socializa&ccedil;&atilde;o transformaram completamente a din&acirc;mica da fam&iacute;lia. Rotinas precisaram ser reorganizadas para evitar crises, lidar com frustra&ccedil;&otilde;es e tornar os ambientes mais previs&iacute;veis para o filho. &ldquo;Toda rotina ficou mais densa. Vieram dificuldades de conviv&ecirc;ncia social, medo de aceita&ccedil;&atilde;o e julgamentos&rdquo;, conta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Pequenas conquistas que mudam tudo<br>\nCom o tempo, as fam&iacute;lias passam a compreender o desenvolvimento de outra maneira. Pequenas conquistas ganham grandes propor&ccedil;&otilde;es dentro de casa.<br>\nAna se emociona ao lembrar quando Mateus olhou nos olhos dela para pedir &aacute;gua pela primeira vez. &ldquo;Foi uma alegria enorme. Depois vieram outras coisas que parecem simples, mas que para eles s&atilde;o muito dif&iacute;ceis: apontar para o que queria, ir sozinho ao banheiro, conseguir falar novas palavras&rdquo;, relata.<br>\nPara Claudia, situa&ccedil;&otilde;es consideradas simples para muitas fam&iacute;lias ganharam um peso completamente diferente depois do diagn&oacute;stico. Uma ida ao supermercado sem crise, conseguir permanecer em um espa&ccedil;o kids ou interagir com outras crian&ccedil;as passaram a representar grandes vit&oacute;rias dentro de casa. &ldquo;Cada avan&ccedil;o dela &eacute; celebrado com muita emo&ccedil;&atilde;o, porque sabemos o quanto existe de esfor&ccedil;o e supera&ccedil;&atilde;o por tr&aacute;s de cada conquista&rdquo;, afirma.<br>\n&ldquo;Cada habilidade aprendida torna-se base para outras a serem alcan&ccedil;adas&rdquo;, explica a fonoaudi&oacute;loga Michela Matos, do Gaiadi &ndash; Grupo de Avalia&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o dos Atrasos do Desenvolvimento Infantil. Segundo ela, o papel dos profissionais tamb&eacute;m &eacute; ajudar as fam&iacute;lias a perceber e valorizar essas evolu&ccedil;&otilde;es. &ldquo;As m&atilde;es precisam sentir que podem, e devem, comemorar pequenas conquistas di&aacute;rias. Quando os esfor&ccedil;os da crian&ccedil;a e da fam&iacute;lia s&atilde;o validados, isso mant&eacute;m todos motivados a seguir tentando&rdquo;, completa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A rede de apoio que sustenta o processo<br>\nA maternidade at&iacute;pica tamb&eacute;m exige um n&iacute;vel constante de adapta&ccedil;&atilde;o emocional. As m&atilde;es relatam sobrecarga, necessidade de antecipar situa&ccedil;&otilde;es e preocupa&ccedil;&atilde;o permanente em evitar crises e sofrimento para os filhos.<br>\nJoyce conta que precisou aprender a lidar com momentos intensos de desregula&ccedil;&atilde;o emocional e tamb&eacute;m com o julgamento das pessoas ao redor. &ldquo;Eu decidi que a inclus&atilde;o come&ccedil;aria por mim e que nada faria meu filho deixar de viver tudo aquilo que sonhei para ele&rdquo;, afirma. &ldquo;O mundo l&aacute; fora n&atilde;o tem muita empatia, mas eu tenho toda calma e amor do mundo para esperar o tempo dele&rdquo;, completa.<br>\nClaudia afirma que um dos maiores desafios ainda &eacute; enfrentar o preconceito e a falta de compreens&atilde;o das pessoas. &ldquo;Nem sempre as dificuldades da crian&ccedil;a s&atilde;o vis&iacute;veis. Muitas vezes as fam&iacute;lias s&atilde;o julgadas injustamente&rdquo;, diz. Para ela, &eacute; importante falar sobre a realidade sem transformar o autismo em um discurso idealizado. &ldquo;N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil e n&atilde;o podemos romantizar o autismo. Existem dias dif&iacute;ceis, mas aprendemos a valorizar cada detalhe e cada avan&ccedil;o&rdquo;, comenta.<br>\nApesar do desgaste e das dificuldades, todas compartilham uma percep&ccedil;&atilde;o semelhante: a maternidade at&iacute;pica transformou profundamente a forma como enxergam os filhos, o desenvolvimento infantil e a pr&oacute;pria vida.<br>\nNo fim, talvez seja justamente isso que une essas hist&oacute;rias. O desenvolvimento deixa de ser medido apenas por grandes marcos e passa a ser percebido nos detalhes do cotidiano: um olhar, uma palavra, um pedido de ajuda, um passeio tranquilo ou um abra&ccedil;o espont&acirc;neo. Pequenos gestos que, para essas m&atilde;es, carregam o tamanho de uma enorme conquista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As hist&oacute;rias de Kelly, Ana, Claudia e Joyce, todas m&atilde;es de crian&ccedil;as diagnosticadas com TEA (Transtorno&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":513678,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[40684],"class_list":["post-513679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sde","tag-saude-educacao-psicologia-autismo-tea-autista-fonoaudiologia-maternidade-superacao","wpcat-7-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=513679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513679\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/513678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=513679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=513679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=513679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}