{"id":513309,"date":"2026-05-21T18:21:06","date_gmt":"2026-05-21T18:21:06","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=513309"},"modified":"2026-05-22T17:19:44","modified_gmt":"2026-05-22T17:19:44","slug":"o-brasil-visto-de-nova-york","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/05\/o-brasil-visto-de-nova-york\/","title":{"rendered":"O Brasil visto de Nova York"},"content":{"rendered":"<p>Por Andr&eacute; Lemos Batista *<\/p>\n<p>H&aacute; uma diferen&ccedil;a evidente entre a maneira como o Brasil &eacute; enxergado dentro e fora do pa&iacute;s. Em <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a>, o debate costuma ser dominado pelo pessimismo e pelo foco permanente nas crises. Em Nova York, durante a recente Brazilian Week, a percep&ccedil;&atilde;o muda. N&atilde;o porque os problemas desapare&ccedil;am, mas porque o Brasil passa a ser analisado sob outra lente: a de um ativo estrat&eacute;gico ainda subvalorizado.<br>\nPassei os &uacute;ltimos dias em Manhattan participando de encontros promovidos pela Apex Partners, BTG Pactual, G4, XP e FGA, al&eacute;m de agendas reservadas com lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas e empresariais. Em praticamente todos os ambientes, uma mesma ideia aparecia: o mundo voltou a olhar para o Brasil com interesse real.<br>\nO mais interessante &eacute; que esse otimismo n&atilde;o vinha de discursos protocolares, mas de an&aacute;lises objetivas. Martin Escobari, da General Atlantic, destacou como o Brasil continua sendo um dos poucos mercados capazes de oferecer empresas de qualidade negociadas a m&uacute;ltiplos ainda baixos. Andr&eacute; Esteves, do BTG Pactual, apontou que o pa&iacute;s come&ccedil;a a se beneficiar do novo reposicionamento global de capital, em um cen&aacute;rio internacional cada vez mais inst&aacute;vel.<br>\nN&atilde;o havia euforia. Havia pragmatismo. O entendimento predominante era de que juros elevados, c&acirc;mbio depreciado e um mercado consumidor gigantesco criam uma combina&ccedil;&atilde;o rara no mundo atual. Ao mesmo tempo, nomes como Mansueto Almeida lembraram que essa oportunidade depende diretamente da capacidade do pa&iacute;s de enfrentar seu desequil&iacute;brio fiscal.<br>\nA pol&iacute;tica apareceu como tema central em quase todas as conversas. Mike Pompeo, ex-secret&aacute;rio de Estado norte-americano, trouxe uma vis&atilde;o geopol&iacute;tica relevante ao conectar o Brasil ao reposicionamento dos Estados Unidos diante da China e &agrave; reorganiza&ccedil;&atilde;o das cadeias produtivas globais. &Eacute; uma perspectiva rara no debate interno brasileiro, ainda excessivamente concentrado nos pr&oacute;prios conflitos dom&eacute;sticos.<br>\nNos encontros com Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSD), ficou evidente outra percep&ccedil;&atilde;o compartilhada por empres&aacute;rios e investidores: 2026 ser&aacute; uma elei&ccedil;&atilde;o decisiva n&atilde;o apenas pelos nomes envolvidos, mas pela capacidade do pa&iacute;s de preservar uma agenda m&iacute;nima de responsabilidade fiscal, seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e reformas estruturais. A sensa&ccedil;&atilde;o dominante era de que o setor produtivo precisa voltar a se organizar em torno de pautas concretas, e n&atilde;o apenas da l&oacute;gica permanente da polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.<br>\nA intelig&ecirc;ncia artificial tamb&eacute;m dominou os debates. Mas a discuss&atilde;o j&aacute; n&atilde;o gira em torno da novidade tecnol&oacute;gica. Os empreendedores Talis Gomes, Alfredo Soares e Bruno Nardon apresentaram a IA como infraestrutura econ&ocirc;mica e ferramenta direta de produtividade. O ponto central deixou de ser &ldquo;se&rdquo; a tecnologia mudar&aacute; os neg&oacute;cios e passou a ser &ldquo;quando&rdquo; cada setor ser&aacute; obrigado a se reinventar.<br>\nEm v&aacute;rias conversas, executivos de empresas como o Wellhub discutiam como a IA j&aacute; opera silenciosamente na experi&ecirc;ncia do usu&aacute;rio. E a pergunta que surgiu repetidamente foi simples: o Brasil conseguir&aacute; participar dessa transforma&ccedil;&atilde;o como produtor de tecnologia ou permanecer&aacute; apenas como consumidor?<br>\nVoltei de Nova York com uma sensa&ccedil;&atilde;o amb&iacute;gua. H&aacute;, sem d&uacute;vida, um interesse leg&iacute;timo pelo Brasil que n&atilde;o era percebido com tanta intensidade h&aacute; alguns anos. Mas tamb&eacute;m existe a consci&ecirc;ncia de que oportunidades t&ecirc;m prazo de validade. Como empres&aacute;rio do setor jur&iacute;dico empresarial e tribut&aacute;rio, ouvi diversas preocupa&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; reforma tribut&aacute;ria brasileira. A reforma &eacute; vista como avan&ccedil;o, mas tamb&eacute;m como fonte potencial de inseguran&ccedil;a, dependendo da forma como sua transi&ccedil;&atilde;o ser&aacute; conduzida.<br>\nNo fim, a impress&atilde;o que ficou &eacute; clara: o Brasil ainda desperta interesse, mas n&atilde;o por in&eacute;rcia. O pa&iacute;s continua sendo uma promessa relevante no cen&aacute;rio global, desde que consiga transformar potencial em previsibilidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*  Andr&eacute; Lemos Batista &eacute; advogado, s&oacute;cio-diretor da LBA Solu&ccedil;&otilde;es em Neg&oacute;cios | @lbac.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr&eacute; Lemos Batista * H&aacute; uma diferen&ccedil;a evidente entre a maneira como o Brasil &eacute;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":513308,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[40665],"class_list":["post-513309","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-economia-politica-negocios-financas-mercado-artigo-opiniao","wpcat-11-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=513309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513309\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/513308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=513309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=513309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=513309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}