{"id":512338,"date":"2026-05-19T19:08:27","date_gmt":"2026-05-19T19:08:27","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=512338"},"modified":"2026-05-19T20:28:18","modified_gmt":"2026-05-19T20:28:18","slug":"deepfakes-e-fraudes-digitais-a-ameaca-invisivel-contra-o-consumidor-idoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/05\/deepfakes-e-fraudes-digitais-a-ameaca-invisivel-contra-o-consumidor-idoso\/","title":{"rendered":"Deepfakes e fraudes digitais: a amea\u00e7a invis\u00edvel contra o consumidor idoso"},"content":{"rendered":"<p>A evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica trouxe in&uacute;meras facilidades para o dia a dia, mas tamb&eacute;m abriu espa&ccedil;o para formas cada vez mais sofisticadas de fraude. Entre elas, uma das mais preocupantes &eacute; o uso de intelig&ecirc;ncia artificial para a cria&ccedil;&atilde;o de deepfakes &ndash; v&iacute;deos e &aacute;udios falsos extremamente realistas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Se antes os golpes dependiam principalmente de engenharia social, hoje contam com ferramentas capazes de simular vozes, rostos e at&eacute; comportamentos. Na pr&aacute;tica, isso significa que um consumidor pode receber uma liga&ccedil;&atilde;o ou mensagem aparentemente enviada por um familiar, gerente de banco ou autoridade, mas, na verdade, se trata de uma fraude.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No Brasil, os n&uacute;meros s&atilde;o alarmantes. Segundo o Relat&oacute;rio de Identidade e Fraude 2025 da Serasa Experian, 51% dos brasileiros relataram ter sido v&iacute;timas de algum tipo de fraude digital em 2024, e a propor&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda maior entre pessoas com mais de 50 anos, que correspondem a 57,8% das v&iacute;timas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Relat&oacute;rios de mercado, como o Identity Fraud Report 2025-2026 da Sumsub, mostram ainda que fraudes envolvendo deepfakes e identidades sint&eacute;ticas cresceram 126% no Brasil em 2025, e que o pa&iacute;s responde por quase 39% de todos os casos detectados na Am&eacute;rica Latina.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para a pessoa idosa, o risco &eacute; ainda maior. Muitos n&atilde;o tiveram contato constante com ferramentas digitais e podem ter dificuldade em identificar sinais de manipula&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. A combina&ccedil;&atilde;o entre vulnerabilidade, confian&ccedil;a e tecnologia avan&ccedil;ada cria um terreno f&eacute;rtil para criminosos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse problema n&atilde;o &eacute; apenas individual, &eacute; estrutural. Mesmo antes da populariza&ccedil;&atilde;o dessas ferramentas, fraudes baseadas em v&iacute;nculo emocional j&aacute; produziam impactos relevantes. O chamado &lsquo;golpe do amor&rsquo;, em que criminosos constroem rela&ccedil;&otilde;es afetivas para obter vantagens financeiras, ilustra bem como a manipula&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a &eacute; um elemento central nesse tipo de crime. Com o uso de recursos como deepfakes e simula&ccedil;&atilde;o de identidade, essa pr&aacute;tica tende a se tornar ainda mais convincente e dif&iacute;cil de identificar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Do ponto de vista jur&iacute;dico, a discuss&atilde;o ainda est&aacute; em constru&ccedil;&atilde;o, mas alguns princ&iacute;pios oferecem diretrizes importantes. O C&oacute;digo de Defesa do Consumidor (Lei n&ordm; 8.078\/1990) estabelece o dever de seguran&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es de consumo, incluindo a prote&ccedil;&atilde;o contra fraudes previs&iacute;veis e evit&aacute;veis. Diante de tecnologias como deepfake, a previsibilidade do risco n&atilde;o pode mais ser ignorada.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Empresas que operam no ambiente digital, como institui&ccedil;&otilde;es financeiras, aplicativos de mensagens, redes sociais, plataformas de videochamada e servi&ccedil;os de atendimento digital, precisam incorporar mecanismos mais robustos de autentica&ccedil;&atilde;o e verifica&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, &eacute; necess&aacute;rio repensar a<\/p>\n<p>l&oacute;gica de responsabiliza&ccedil;&atilde;o. Exigir que o consumidor identifique sozinho o golpe &eacute;, no m&iacute;nimo, desproporcional, principalmente quando a fraude se torna praticamente indistingu&iacute;vel da realidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outro ponto cr&iacute;tico &eacute; a aus&ecirc;ncia de regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre o uso dessas tecnologias em fraudes. Embora a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira j&aacute; ofere&ccedil;a ferramentas importantes, o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico exige atualiza&ccedil;&otilde;es constantes para evitar lacunas que possam ser exploradas. Mais do que nunca, o debate sobre prote&ccedil;&atilde;o de dados, seguran&ccedil;a digital e direitos do consumidor precisa incluir o recorte et&aacute;rio. Ignorar a vulnerabilidade da pessoa idosa &eacute; permitir que uma parcela significativa da popula&ccedil;&atilde;o fique ainda mais exposta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A tecnologia n&atilde;o &eacute;, por si s&oacute;, o problema. O desafio est&aacute; em como ela &eacute; utilizada e, principalmente, em como o sistema jur&iacute;dico e as empresas se adaptam para mitigar seus riscos. Sem essa adapta&ccedil;&atilde;o, o que se desenha &eacute; um cen&aacute;rio preocupante, com fraudes cada vez mais sofisticadas, consumidores mais expostos e um sistema que corre atr&aacute;s de preju&iacute;zos que poderiam ser evitados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>*Andrea Mottola &eacute; advogada especialista em Direito do Consumidor e Direito Digital. &Eacute; coautora do livro Golpes Contra a Pessoa Idosa, Portal Edi&ccedil;&otilde;es, 2024. https:\/\/mottolaemedeirosadv.adv.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica trouxe in&uacute;meras facilidades para o dia a dia, mas tamb&eacute;m abriu espa&ccedil;o para&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":512337,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[349],"class_list":["post-512338","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-direito","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=512338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512338\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/512337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=512338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=512338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=512338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}