{"id":508964,"date":"2026-04-30T12:37:11","date_gmt":"2026-04-30T12:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=508964"},"modified":"2026-04-30T14:25:05","modified_gmt":"2026-04-30T14:25:05","slug":"stf-entre-a-confianca-pessoal-e-a-independencia-institucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/04\/stf-entre-a-confianca-pessoal-e-a-independencia-institucional\/","title":{"rendered":"STF: entre a confian\u00e7a pessoal e a independ\u00eancia institucional"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A indica&ccedil;&atilde;o de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva transcende a simples escolha de um magistrado. Ela coloca em xeque, mais uma vez, o delicado equil&iacute;brio entre a prerrogativa presidencial de nomear aliados e o imperativo republicano de uma Corte que seja, de fato, independente. Em um pa&iacute;s que ainda tenta cicatrizar as feridas de uma polariza&ccedil;&atilde;o extrema, a composi&ccedil;&atilde;o da nossa inst&acirc;ncia m&aacute;xima de Justi&ccedil;a deveria ser o rem&eacute;dio, n&atilde;o mais um componente do conflito.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">&Eacute; imposs&iacute;vel desassociar o nome de Messias do epis&oacute;dio que o catapultou ao imagin&aacute;rio popular em 2016. O &ldquo;Bessias&rdquo; daquela fat&iacute;dica intercepta&ccedil;&atilde;o telef&ocirc;nica da liga&ccedil;&atilde;o feita a Lula pela ent&atilde;o presidente Dilma, revelando a estrat&eacute;gia de indicar o antecessor como ministro diante dos iminentes desdobramentos da Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato, pode n&atilde;o carregar consigo condena&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas, mas carrega um estigma simb&oacute;lico. Na vida p&uacute;blica, e especialmente no Judici&aacute;rio, a forma &eacute; t&atilde;o importante quanto o conte&uacute;do. A pergunta que a sociedade se faz &eacute;: um indicado que ficou marcado por um ato de &ldquo;pronto atendimento&rdquo; aos interesses pol&iacute;ticos de seus padrinhos ter&aacute; a isen&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para julgar esses mesmos padrinhos amanh&atilde;?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A independ&ecirc;ncia da Magistratura n&atilde;o se presume; ela precisa ser demonstrada por uma trajet&oacute;ria de distanciamento das paix&otilde;es partid&aacute;rias. Quando a proximidade com o Executivo &eacute; o principal ativo de um candidato, a percep&ccedil;&atilde;o de politiza&ccedil;&atilde;o do STF &mdash; que j&aacute; &eacute; alta &mdash; atinge n&iacute;veis alarmantes de desconfian&ccedil;a social. Especialmente por que o STF n&atilde;o &eacute;, nunca foi e nem pode ser um ap&ecirc;ndice do governo. Historicamente, o Brasil adotou um modelo de indica&ccedil;&atilde;o que permite ao Presidente escolher nomes de sua confian&ccedil;a. Contudo, o que assistimos hoje &eacute; uma exacerba&ccedil;&atilde;o dessa pr&aacute;tica. O Supremo tem assumido um protagonismo in&eacute;dito em quest&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais, muitas vezes atuando como o &aacute;rbitro final de todas as crises nacionais. Por isso mesmo, n&atilde;o s&atilde;o raras as vezes em que a inst&acirc;ncia m&aacute;xima da Justi&ccedil;a, independente do m&eacute;rito, &eacute; criticada por muitos com o argumento de exacerbar suas fun&ccedil;&otilde;es imiscuindo-se em outros poderes da Rep&uacute;blica, sobretudo o Legislativo.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Ao povoar a Corte com figuras que atuaram na &ldquo;antessala&rdquo; do governo &mdash; como no caso da Advocacia-Geral da Uni&atilde;o (AGU) &mdash;, corre-se o risco de transformar a percep&ccedil;&atilde;o do Tribunal em um &lsquo;&oacute;rg&atilde;o de ratifica&ccedil;&atilde;o&rsquo;, e n&atilde;o de modera&ccedil;&atilde;o. A independ&ecirc;ncia institucional exige que o ministro, ao vestir a toga, corte o cord&atilde;o umbilical com quem o indicou. No entanto, o hist&oacute;rico recente nos mostra que a gratid&atilde;o pol&iacute;tica, por vezes, pesa mais que a Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O debate sobre Jorge Messias tamb&eacute;m joga luz sobre a in&eacute;rcia do Poder Legislativo. O Senado Federal tem o dever constitucional de funcionar como um filtro rigoroso. Infelizmente, as sabatinas tornaram-se ritos de passagem protocolares, onde o &ldquo;not&aacute;vel saber jur&iacute;dico&rdquo; &eacute; avaliado de forma superficial e a &ldquo;reputa&ccedil;&atilde;o ilibada&rdquo; &eacute; ignorada &ndash; ou pelo menos relativizada &ndash; em nome de acordos de bastidor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Precisamos discutir tamb&eacute;m e com urg&ecirc;ncia se o modelo atual ainda serve ao Brasil. Crit&eacute;rios como: &ldquo;Mandatos com tempo determinado&rdquo; para ministros; &ldquo;Quarentenas mais longas e mais r&iacute;gidas&rdquo; para quem ocupa cargos de confian&ccedil;a no Executivo e &ldquo;Processos de escolha mais t&eacute;cnicos&rdquo; e menos personalistas. O presidente da corte, ministro Jorge Fachin, vem insistindo na necessidade de um c&oacute;digo de &eacute;tica e conduta para ministros, disciplinando os atos destes dentro e fora do tribunal (entrevistas, palestras etc) e de seus familiares, dado a zona cinzenta atual que d&aacute; margem a interpreta&ccedil;&otilde;es de toda ordem.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">A nomea&ccedil;&atilde;o de Jorge Messias, independentemente de sua capacidade t&eacute;cnica, &eacute; um sinal de alerta para quem defende a higidez das nossas institui&ccedil;&otilde;es. E n&atilde;o &eacute; o primeiro. O Brasil sempre teve e deve sempre ter uma Corte Suprema cuja atua&ccedil;&atilde;o &eacute; reconhecida pelo seu not&oacute;rio saber, coer&ecirc;ncia e condi&ccedil;&atilde;o moral insuspeita, com a transpar&ecirc;ncia norteando todos seus atos. O pa&iacute;s precisa de seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para crescer, atrair investimentos e prosperar. E a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica come&ccedil;a com a certeza de que o juiz decide com base na lei, e n&atilde;o por lealdade a quem lhe deu a caneta.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O STF pertence ao sistema Republicano, e n&atilde;o a governos de turno. Se n&atilde;o preservarmos essa distin&ccedil;&atilde;o, o pre&ccedil;o ser&aacute; cobrado das gera&ccedil;&otilde;es futuras por meio de uma democracia fragilizada. O Brasil demanda Democracia plena e esta demanda liberdade econ&ocirc;mica, politica e de express&atilde;o, remeto ao not&aacute;vel Min Sep&uacute;lveda Pertence &ldquo;&Eacute; certo que onde faltar a democracia n&atilde;o h&aacute; Justi&ccedil;a que mere&ccedil;a o nome&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as. &Eacute; empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo; e &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A indica&ccedil;&atilde;o de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz In&aacute;cio&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":508963,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[3937],"class_list":["post-508964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-economia","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/508964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=508964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/508964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/508963"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=508964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=508964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=508964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}