{"id":506938,"date":"2026-03-31T17:29:45","date_gmt":"2026-03-31T17:29:45","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=506938"},"modified":"2026-03-31T17:37:21","modified_gmt":"2026-03-31T17:37:21","slug":"pesquisa-da-unifesp-identifica-a-cela-do-doi-codi-onde-vladimir-herzog-foi-encontrado-morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/03\/pesquisa-da-unifesp-identifica-a-cela-do-doi-codi-onde-vladimir-herzog-foi-encontrado-morto\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Unifesp identifica a cela do DOI-Codi onde Vladimir Herzog foi encontrado morto"},"content":{"rendered":"<p>Achado cient&iacute;fico contribui para esclarecer um dos crimes de Estado mais emblem&aacute;ticos da ditadura militar brasileira<\/p>\n<p>Uma pesquisa conduzida na Universidade Federal de <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> (Unifesp) identificou, com base em evid&ecirc;ncias documentais, periciais e arquitet&ocirc;nicas, a cela do DOI-Codi em <a class=\"glossaryLink\"  aria-describedby=\"tt\"  data-cmtooltip=\"cmtt_f40c12796f09aa4446e394ffc30a74f5\"  href=\"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/glossary\/sao-paulo\/\"  data-gt-translate-attributes='[{\"attribute\":\"data-cmtooltip\", \"format\":\"html\"}]'  tabindex='0' role='link'>S&atilde;o Paulo<\/a> onde foi encenado o falso suic&iacute;dio do jornalista Vladimir Herzog, assassinado sob tortura em outubro de 1975. O espa&ccedil;o, localizado no edif&iacute;cio nos fundos da 36&ordf; Delegacia &agrave; Rua Tut&oacute;ia, 921, ainda preserva caracter&iacute;sticas estruturais que permitiram sua identifica&ccedil;&atilde;o e foi confirmado como o cen&aacute;rio da fotografia divulgada &agrave; &eacute;poca pelos &oacute;rg&atilde;os de repress&atilde;o para sustentar a vers&atilde;o oficial de suic&iacute;dio.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As descobertas que levaram &agrave; hip&oacute;tese do encontro da sala ocorreram a partir da conjuga&ccedil;&atilde;o dos trabalhos de arqueologia forense, coordenados por Cl&aacute;udia Plens, arque&oacute;loga, professora de Arqueologia Hist&oacute;rica da Unifesp; da pesquisa hist&oacute;rica realizada por Deborah Neves, Doutora em Hist&oacute;ria e p&oacute;s-doutoranda na Unifesp; e de arquitetura, conduzidos e executados pelo arquiteto Alessandro Sbampato, pesquisador da Rede Brasileira de Pesquisadores de S&iacute;tios de Mem&oacute;ria e Consci&ecirc;ncia (Rebrapesc).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A identifica&ccedil;&atilde;o da cela foi poss&iacute;vel por meio da an&aacute;lise cruzada de documentos periciais da &eacute;poca, fotografias hist&oacute;ricas, plantas arquitet&ocirc;nicas do edif&iacute;cio e evid&ecirc;ncias f&iacute;sicas preservadas na estrutura do pr&eacute;dio, incluindo elementos construtivos compat&iacute;veis com o ponto de fixa&ccedil;&atilde;o do ferrolho vis&iacute;vel em imagens de 1975, ainda identific&aacute;veis na alvenaria da cela prospectada. A compara&ccedil;&atilde;o entre pagina&ccedil;&atilde;o e padr&atilde;o gr&aacute;fico dos tacos da cela &ndash; registrada nas fotos hist&oacute;ricas &ndash; e pagina&ccedil;&atilde;o e padr&atilde;o gr&aacute;fico ainda existente, encontrada na primeira fase de prospec&ccedil;&otilde;es arqueol&oacute;gicas, contribuiu para a identifica&ccedil;&atilde;o da cela. A correspond&ecirc;ncia entre esses elementos permitiu reconstituir espacialmente o ambiente e confirmar o local onde a cena foi montada por agentes do regime.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Entre as a&ccedil;&otilde;es, foi realizada a an&aacute;lise da bibliografia, das plantas originais de 1960, das grades de presos produzidas pelo DOI-Codi entre os anos de 1970 e 1975, dos laudos periciais de encontro do cad&aacute;ver de Jos&eacute; Ferreira de Almeida, assassinado em 08\/08\/1975, e de Vladimir Herzog, assassinado em 25\/10\/1975; e dos depoimentos de Silvaldo Leung Vieira &agrave; Folha de S.Paulo, <em>in loco, <\/em>e &agrave; Comiss&atilde;o Municipal da Verdade Vladimir Herzog no ano de 2013.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para Deborah Neves, a identifica&ccedil;&atilde;o do local tem relev&acirc;ncia hist&oacute;rica e jur&iacute;dica. &ldquo;Localizar materialmente o espa&ccedil;o onde a ditadura encenou o falso suic&iacute;dio de Vladimir Herzog permite demonstrar, com base em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas, a materialidade de fraudes cometidas por agentes do Estado. Trata-se de reconhecer o lugar onde se constru&iacute;ram mentiras oficiais que marcaram a hist&oacute;ria brasileira e que s&oacute; agora, 50 anos depois, foi poss&iacute;vel revelar, gra&ccedil;as &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o garantida pelo tombamento e &agrave;s pesquisas hist&oacute;ricas, arqueol&oacute;gicas e arquitet&ocirc;nicas no espa&ccedil;o, feitas por universidades p&uacute;blicas&rdquo;, afirma.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para Rog&eacute;rio Sotilli, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, &ldquo;essa descoberta &eacute; um ganho para a sociedade porque nos traz uma verdade hist&oacute;rica, documentada e preservada. Cada nova evid&ecirc;ncia contribui para consolidar a mem&oacute;ria coletiva, que &eacute; um direito nosso, sobre os crimes da ditadura. E reafirma a import&acirc;ncia da justi&ccedil;a, da mem&oacute;ria e da n&atilde;o repeti&ccedil;&atilde;o. Mais do que um dado hist&oacute;rico, essa descoberta tem um valor simb&oacute;lico e pedag&oacute;gico sobre o passado com consequ&ecirc;ncias diretas para o futuro. Ela ajuda a enfrentar o negacionismo e demonstra que, mesmo passadas d&eacute;cadas, o compromisso com a verdade segue revelando a certeza da impunidade de agentes do Estado violadores de direitos humanos. &Eacute; tamb&eacute;m uma forma de honrar a mem&oacute;ria de Vladimir Herzog e de todas as v&iacute;timas da ditadura, reafirmando que a verdade n&atilde;o pode ser falseada nem mesmo enterrada&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A pesquisa integra as a&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas de pesquisa e extens&atilde;o da Unifesp voltadas &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento sobre as viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos ocorridas durante a ditadura. O projeto Memorial Virtual DOI-Codi busca documentar, mapear e tornar acess&iacute;veis evid&ecirc;ncias hist&oacute;ricas relacionadas ao funcionamento do principal centro de repress&atilde;o pol&iacute;tica do pa&iacute;s, al&eacute;m de fomentar o movimento para a implementa&ccedil;&atilde;o do museu no espa&ccedil;o f&iacute;sico onde funcionou o antigo DOI-Codi entre 1969 e 1983.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&ldquo;A identifica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica desse espa&ccedil;o reafirma o compromisso da Unifesp com a verdade hist&oacute;rica, a mem&oacute;ria e os direitos humanos. Trata-se de uma contribui&ccedil;&atilde;o relevante da pesquisa acad&ecirc;mica brasileira para o esclarecimento de um crime de Estado que marcou a hist&oacute;ria do pa&iacute;s&rdquo;, destaca a reitora da Unifesp, Raiane Assump&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Achado cient&iacute;fico contribui para esclarecer um dos crimes de Estado mais emblem&aacute;ticos da ditadura militar brasileira&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":506937,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[25847,21201],"tags":[40286,40287],"class_list":["post-506938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaques","tag-arqueologia-forense","tag-vladimir-herzog","wpcat-25847-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=506938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506938\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/506937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=506938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=506938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=506938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}