{"id":506741,"date":"2026-03-27T14:23:20","date_gmt":"2026-03-27T14:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=506741"},"modified":"2026-03-27T17:59:04","modified_gmt":"2026-03-27T17:59:04","slug":"resgatar-o-pais-ou-viver-o-samba-da-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/03\/resgatar-o-pais-ou-viver-o-samba-da-pobreza\/","title":{"rendered":"Resgatar o pa\u00eds ou viver o samba da pobreza"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O Brasil &eacute; visto, internamente e aos olhos do mundo, como um pa&iacute;s soberano e democr&aacute;tico, com elei&ccedil;&otilde;es livres e regulares, como &eacute; o desejo de todos os brasileiros. &Eacute; salutar, entretanto, analisarmos nossa na&ccedil;&atilde;o com criticidade e a aten&ccedil;&atilde;o voltada &agrave; principal raz&atilde;o de um Estado: o bem-estar de seu povo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Enganoso imaginar que o brasileiro vive um carnaval ininterrupto, extasiado pela alegria e anestesiado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis enfrentadas no dia a dia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">&Eacute; sempre hora de despir a fantasia e refletir se, de fato, o Brasil oferece liberdade pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e de express&atilde;o. O fil&oacute;sofo, economista, cientista pol&iacute;tico e escritor canadense-americano John Kenneth Galbraith (1908-2006) escreveu que liberdade pol&iacute;tica sem liberdade econ&ocirc;mica &eacute; ilus&atilde;o. Milton Friedman&nbsp;(1912-2006), economista e estat&iacute;stico americano, vencedor do Pr&ecirc;mio Nobel de Ci&ecirc;ncia Econ&ocirc;micas em 1976, por sua vez, sempre defendeu que a liberdade econ&ocirc;mica &eacute; um requisito essencial para a liberdade pol&iacute;tica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Eis uma reflex&atilde;o inescap&aacute;vel diante do que se v&ecirc; no Brasil p&oacute;s 2002 em raz&atilde;o de atos e objetivos da quase totalidade dos governos dos &uacute;ltimos 23 anos os quais, disfar&ccedil;adamente ou n&atilde;o, empenharam-se em tirar recursos financeiros dos bolsos da parte mais empobrecida e menos informada da popula&ccedil;&atilde;o, j&aacute; sacrificada pela qualidade de ensino das escolas p&uacute;blicas que prejudica sua forma&ccedil;&atilde;o e, por consequ&ecirc;ncia, a escraviza intelectualmente. Ao longo desse per&iacute;odo, o povo foi sendo acostumado a receber migalhas apresentadas como benesses do governo, com pouqu&iacute;ssimos questionamentos de quem poderia (e deveria) levantar a voz contra essa estrat&eacute;gia de tirar do meu bolso o que quiser e me devolver a menor parte, como normalmente se esperaria de &oacute;rg&atilde;os de imprensa atuantes e verdadeiramente livres e imparciais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O manto populista ainda adorna a dissemina&ccedil;&atilde;o ensaiada de que todas as mazelas do povo empobrecido resultam da culpa dos ricos, sempre retratados como uma casta que n&atilde;o paga impostos e refrat&aacute;ria a qualquer medida que lhe retire privil&eacute;gios. Argumento simplista a alimentar o discurso do &ldquo;n&oacute;s&rdquo; contra &ldquo;eles&rdquo;, divisionismo nada saud&aacute;vel para uma na&ccedil;&atilde;o que precisa de todos para alcan&ccedil;ar o bem coletivo, amplo, sem restri&ccedil;&otilde;es. Tudo sempre refor&ccedil;ado por uma massiva propaganda, veiculada mediante disp&ecirc;ndio de polpudos recursos p&uacute;blicos na poderosa m&iacute;dia, sobretudo r&aacute;dio e televis&atilde;o, ambas de maior acesso popular.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">N&atilde;o por acaso, inexistiram questionamentos sobre a altera&ccedil;&atilde;o da f&oacute;rmula de c&aacute;lculo do reajuste do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo, lei sancionada no apagar das luzes de 2024 que alterou e limita o reajuste real do sal&aacute;rio m&iacute;nimo penalizando o trabalhador e retirando dinheiro do seu bolso em compara&ccedil;&atilde;o com o modelo antigo. Enquanto se propaga que nada al&eacute;m disso seria suport&aacute;vel aos cofres do governo, o Brasil tem sal&aacute;rio-m&iacute;nimo de apenas R$ 1.621,00 mensais (US$ 320,00\/m&ecirc;s), a oitava pior remunera&ccedil;&atilde;o entre todos os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul e bem atras de Uruguai e Chile que superam os US$ 550,00\/m&ecirc;s. Uma vergonha em se tratando da d&eacute;cima maior economia do mundo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">&Eacute; igualmente doloroso constatar que o pa&iacute;s tem 33 milh&otilde;es de pessoas, o correspondente a 35,2% dos trabalhadores, com remunera&ccedil;&atilde;o de at&eacute; um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo. &Eacute; verdade que, depois de tr&ecirc;s anos de governo sem nenhuma corre&ccedil;&atilde;o, somente agora em ano eleitoral foi estendida a isen&ccedil;&atilde;o do Imposto de Renda para quem ganha at&eacute; cinco sal&aacute;rios-m&iacute;nimos, por&eacute;m &eacute; igualmente verdadeiro que a nova f&oacute;rmula de reajuste tirou dinheiro do bolso de cerca de 70% dos aposentados e pensionistas do INSS (mais ou menos 27 milh&otilde;es de pessoas) e que isso atingiu tamb&eacute;m quase 5 milh&otilde;es de pessoas dependentes do Benef&iacute;cio de Presta&ccedil;&atilde;o Continuada (BPC) , na maioria idosos e com alguma defici&ecirc;ncia e sem nenhuma outra renda. Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute;, porque durante dois anos o benef&iacute;cio do Bolsa Fam&iacute;lia n&atilde;o foi corrigido sequer pelo &iacute;ndice da infla&ccedil;&atilde;o oficial, da ordem de 4,3% ao ano, prejudicando mais de 21 milh&otilde;es de fam&iacute;lias, correspondente a cerca de 60 milh&otilde;es de pessoas, inseridas no maior programa social do pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Resumo da &oacute;pera (ou do samba): o Brasil ainda tem quase 100 milh&otilde;es de pessoas &ndash; cerca de 46% da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; que dependem do governo de plant&atilde;o para sobreviver. E j&aacute; que estamos em ano eleitoral, n&atilde;o custa lembrar que esse contingente representa pr&oacute;ximo de 65% dos eleitores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Com esse cen&aacute;rio, dif&iacute;cil discordar do pensamento de Galbraith segundo o qual sem liberdade econ&ocirc;mica n&atilde;o se tem liberdade pol&iacute;tica e de escolha em elei&ccedil;&otilde;es livres. O mesmo pensador sentenciou: &ldquo;nada mais eficaz para limitar a liberdade de uma pessoa, incluindo a liberdade de express&atilde;o, como a total falta de dinheiro&rdquo;. &Eacute; preciso lembrar tamb&eacute;m a hist&oacute;rica frase de outro escritor e ativista pol&iacute;tico norte-americano, Harry Browne (1933-2006), que alertou h&aacute; tempos: &ldquo;o governo &eacute; bom em uma coisa: ele sabe como quebrar as suas pernas para depois lhe dar uma muleta e dizer: &lsquo;veja, se n&atilde;o fosse pelo governo, voc&ecirc; n&atilde;o seria capaz de andar&rsquo;&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">Com p&atilde;o e circo o povo n&atilde;o se rebela, avisava o poeta romano Juvenal que viveu no s&eacute;culo 1 BC para criticar a pol&iacute;tica de ilus&atilde;o do Imp&eacute;rio Romano. Pois o pa&iacute;s do carnaval tem governos com 30 minist&eacute;rios, uma m&aacute;quina administrativa cara e morosa, sem nenhum esfor&ccedil;o para reduzir o d&eacute;ficit bilion&aacute;rio e, por outro lado, um apetite enorme pela reelei&ccedil;&atilde;o, regado a emendas Pix que fazem a alegria dos membros do Congresso Nacional.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O Brasil merece mais e o caminho da democracia plena passa pela necess&aacute;ria reestatiza&ccedil;&atilde;o do Estado Brasileiro, libertando-o das garras e pondo fim ao reinado dos modernos donat&aacute;rios do poder. O Brasil ficou pra tr&aacute;s e para comprovar basta comparar a renda per capita de 2010, US$ 11.341,00\/ano, de agora, 15 anos depois, inferior a US$ 10.650,00\/ano, correspondente &agrave; 77&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no ranking mundial. Al&eacute;m disso, mais da metade dos 26 estados, sobretudo do Norte e Nordeste, tem mais benefici&aacute;rios do Bolsa Fam&iacute;lia que trabalhadores do setor privado com carteira assinada. Pior, nossa educa&ccedil;&atilde;o, alicerce do futuro, ocupa hoje a vergonhosa 60&ordf; posi&ccedil;&atilde;o no ranking da OCDE, apesar de o governo federal ano a ano empilhar recordes de arrecada&ccedil;&atilde;o, esses, sim, comemorados. O futuro n&atilde;o ser&aacute; diferente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\">O brasileiro quer de volta o seu pa&iacute;s, uma na&ccedil;&atilde;o verdadeiramente livre, justa e democr&aacute;tica, em que todos ser&atilde;o cidad&atilde;os de classe &uacute;nica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\"><em>*Samuel Hanan &eacute; engenheiro com especializa&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas de macroeconomia, administra&ccedil;&atilde;o de empresas e finan&ccedil;as, empres&aacute;rio, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros &ldquo;Brasil, um pa&iacute;s &agrave; deriva&rdquo;, &ldquo;Caminhos para um pa&iacute;s sem rumo&rdquo; e &ldquo;Amaz&ocirc;nia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial&rdquo;. Site: https:\/\/samuelhanan.com.br<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Brasil &eacute; visto, internamente e aos olhos do mundo, como um pa&iacute;s soberano e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":506740,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[3937],"class_list":["post-506741","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-economia","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=506741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506741\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/506740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=506741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=506741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=506741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}