{"id":506303,"date":"2026-03-17T15:14:55","date_gmt":"2026-03-17T15:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=506303"},"modified":"2026-03-17T20:06:28","modified_gmt":"2026-03-17T20:06:28","slug":"ia-na-medicina-ganha-regras-no-brasil-diagnostico-continua-sendo-decisao-do-medico-e-pacientes-podem-recusar-uso-da-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/03\/ia-na-medicina-ganha-regras-no-brasil-diagnostico-continua-sendo-decisao-do-medico-e-pacientes-podem-recusar-uso-da-tecnologia\/","title":{"rendered":"IA na medicina ganha regras no Brasil: diagn\u00f3stico continua sendo decis\u00e3o do m\u00e9dico e pacientes podem recusar uso da tecnologia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em fevereiro de 2026, a <\/span><a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/visualizar\/resolucoes\/BR\/2026\/2454\"><span style=\"font-weight: 400\">Resolu&ccedil;&atilde;o CFM n&ordm; 2.454\/2026<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o primeiro marco regulat&oacute;rio federal dedicado exclusivamente ao uso da Intelig&ecirc;ncia Artificial (IA) na pr&aacute;tica m&eacute;dica brasileira. A norma estabelece diretrizes sobre responsabilidade cl&iacute;nica, classifica&ccedil;&atilde;o de riscos, governan&ccedil;a de dados e os direitos de m&eacute;dicos e pacientes diante das ferramentas de IA. A regulamenta&ccedil;&atilde;o chega em um momento de expans&atilde;o acelerada da tecnologia na sa&uacute;de: segundo a pesquisa TIC Sa&uacute;de 2024, 17% dos m&eacute;dicos brasileiros j&aacute; utilizam IA generativa em sua rotina &mdash; e os n&uacute;meros s&oacute; crescem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Kenneth Corr&ecirc;a, palestrante de Intelig&ecirc;ncia Artificial, CTO da MedGuias &mdash; plataforma brasileira de tecnologia em sa&uacute;de voltada &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o e intelig&ecirc;ncia de dados m&eacute;dicos &mdash;, professor de MBA da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas (FGV) e autor do <\/span><a href=\"https:\/\/organizacoescognitivas.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">livro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> &lsquo;<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Organiza&ccedil;&otilde;es Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes&rsquo;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, avalia que a publica&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o era urgente e bem-vinda, especialmente diante do avan&ccedil;o de sistemas que j&aacute; demonstram desempenho cl&iacute;nico superior ao humano em determinadas condi&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Estamos em um ponto de virada. A intelig&ecirc;ncia artificial deixou de ser uma promessa para o futuro da sa&uacute;de e se tornou uma realidade do presente, e o CFM reconheceu isso. E ao criar um marco regulat&oacute;rio, o conselho n&atilde;o est&aacute; freando a inova&ccedil;&atilde;o, est&aacute; garantindo que ela chegue ao paciente de forma segura, &eacute;tica e respons&aacute;vel&rdquo;, afirma.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<h2><b>O diagn&oacute;stico que a IA est&aacute; mudando<\/b><b><br>\n<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para entender por que a regulamenta&ccedil;&atilde;o se tornou urgente, basta observar o que j&aacute; acontece no campo aplicado. A <\/span><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/books\/NBK588123\/\"><span style=\"font-weight: 400\">AHRQ (Agency for Healthcare Research and Quality)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, dos Estados Unidos, estima que 1 em cada 20 adultos americanos vivencia erros diagn&oacute;sticos anualmente, falhas que impactam diretamente a qualidade do atendimento e, em muitos casos, colocam vidas em risco. &Eacute; nesse contexto que a IA come&ccedil;a a mostrar um potencial transformador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um exemplo recente e emblem&aacute;tico &eacute; o MAI-DxO (Microsoft AI Diagnostic Orchestrator), sistema desenvolvido pela Microsoft, que atingiu 85,5% de acur&aacute;cia ao analisar 304 casos cl&iacute;nicos complexos publicados no New England Journal of Medicine. Para fins de compara&ccedil;&atilde;o, um grupo de 21 m&eacute;dicos experientes alcan&ccedil;ou &iacute;ndice de acerto de apenas 20% nos mesmos casos. Al&eacute;m de maior assertividade, o sistema demonstrou ganhos relevantes em efici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica: reduziu em at&eacute; 20% os custos com exames em rela&ccedil;&atilde;o aos m&eacute;dicos humanos, e at&eacute; 70% quando comparado a modelos anteriores de IA, como o GPT-3, j&aacute; duas gera&ccedil;&otilde;es defasado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tecnologias atuais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Corr&ecirc;a &eacute; enf&aacute;tico ao contextualizar esses n&uacute;meros. &ldquo;Quando um sistema de IA acerta a maior parte dos diagn&oacute;sticos complexos e um grupo de m&eacute;dicos experientes acerta apenas 20%, &eacute; um sinal claro de que a tecnologia tem muito a contribuir com a pr&aacute;tica do m&eacute;dico. Mas &eacute; tamb&eacute;m um alerta, se n&atilde;o houver regulamenta&ccedil;&atilde;o, governan&ccedil;a e forma&ccedil;&atilde;o adequada, corremos o risco de usar uma ferramenta poderosa sem saber exatamente o que estamos fazendo com ela. E na sa&uacute;de, os erros t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias reais&rdquo;, pontua.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>O que muda na pr&aacute;tica com a resolu&ccedil;&atilde;o do CFM?&nbsp;&nbsp;<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A <\/span><a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/visualizar\/resolucoes\/BR\/2026\/2454\"><span style=\"font-weight: 400\">Resolu&ccedil;&atilde;o CFM n&ordm; 2.454\/2026<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&nbsp; destaca como ponto central que a IA pode e deve ser usada como instrumento de apoio &agrave; pr&aacute;tica cl&iacute;nica, mas a decis&atilde;o final sobre diagn&oacute;stico, tratamento e progn&oacute;stico permanece, em qualquer circunst&acirc;ncia, sob responsabilidade do m&eacute;dico. O texto pro&iacute;be expressamente que sistemas de IA comuniquem diretamente diagn&oacute;sticos ou decis&otilde;es terap&ecirc;uticas a pacientes sem a devida media&ccedil;&atilde;o do profissional de sa&uacute;de.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A norma classifica os sistemas de IA em quatro n&iacute;veis de risco &mdash; baixo, m&eacute;dio, alto e inaceit&aacute;vel &mdash;, levando em conta fatores como impacto nos direitos fundamentais, grau de autonomia do sistema e sensibilidade dos dados processados. Hospitais e institui&ccedil;&otilde;es que adotarem ferramentas de IA pr&oacute;prias dever&atilde;o constituir uma Comiss&atilde;o de IA e Telemedicina, vinculada &agrave; diretoria t&eacute;cnica.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Kenneth, a categoriza&ccedil;&atilde;o por risco &eacute; um dos pontos mais inteligentes e necess&aacute;rios da resolu&ccedil;&atilde;o. &ldquo;N&atilde;o d&aacute; para tratar todas as aplica&ccedil;&otilde;es de IA na sa&uacute;de como se fossem iguais. Um sistema que sugere um hor&aacute;rio de consulta dispon&iacute;vel &eacute; radicalmente diferente de um que analisa imagens para identificar um tumor. A resolu&ccedil;&atilde;o do CFM captura essa complexidade ao estabelecer n&iacute;veis de risco, e isso aproxima o Brasil das melhores pr&aacute;ticas regulat&oacute;rias internacionais, como o AI Act da Uni&atilde;o Europeia. &Eacute; um marco t&eacute;cnico s&oacute;lido&rdquo;, explica.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Autonomia do m&eacute;dico e direitos do paciente&nbsp;<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro pilar central da norma &eacute; a prote&ccedil;&atilde;o da autonomia do profissional de sa&uacute;de. O texto determina que nenhuma institui&ccedil;&atilde;o poder&aacute; impor protocolos que obriguem o m&eacute;dico a seguir as recomenda&ccedil;&otilde;es de um sistema de IA. O profissional tem o direito de ignorar, questionar ou desativar a ferramenta sempre que julgar necess&aacute;rio, e n&atilde;o poder&aacute; ser penalizado por isso, desde que sua conduta esteja alinhada &agrave;s pr&aacute;ticas t&eacute;cnicas e &eacute;ticas da medicina.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Do lado do paciente, a norma garante o direito de ser informado sempre que a IA for utilizada em seu atendimento, o direito de recusar o uso dessas ferramentas e a prote&ccedil;&atilde;o integral de seus dados de sa&uacute;de, em observ&acirc;ncia &agrave; <\/span><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2018\/lei\/l13709.htm\"><span style=\"font-weight: 400\">Lei Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados (LGPD)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Corr&ecirc;a destaca que esses pontos refletem uma vis&atilde;o madura sobre como a tecnologia deve se integrar &agrave; medicina. &ldquo;A IA &eacute; um copiloto extraordin&aacute;rio, ela processa volumes de dados que nenhum ser humano conseguiria analisar com a mesma velocidade, identifica padr&otilde;es sutis, amplia a capacidade diagn&oacute;stica, mas o piloto continua sendo o m&eacute;dico. A resolu&ccedil;&atilde;o do CFM deixa isso absolutamente claro, e isso &eacute; fundamental. Porque quando falamos de sa&uacute;de, estamos falando de confian&ccedil;a, e a confian&ccedil;a do paciente precisa estar ancorada em um ser humano que responde por aquela decis&atilde;o&rdquo;, afirma.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Um mercado em acelera&ccedil;&atilde;o e o Brasil no mapa<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O contexto global refor&ccedil;a a urg&ecirc;ncia do debate regulat&oacute;rio. O mercado de IA na sa&uacute;de deve ultrapassar US$ 200 bilh&otilde;es at&eacute; 2030, segundo <\/span><a href=\"https:\/\/www.gminsights.com\/industry-analysis\/healthcare-artificial-intelligence-market\"><span style=\"font-weight: 400\">relat&oacute;rio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> da Global Market Insights. No Brasil, hospitais de refer&ecirc;ncia como <\/span><b>Albert Einstein<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><b>S&iacute;rio-Liban&ecirc;s<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> j&aacute; testam modelos preditivos para controle de infec&ccedil;&otilde;es hospitalares, otimiza&ccedil;&atilde;o de equipes e redu&ccedil;&atilde;o de custos operacionais. A ado&ccedil;&atilde;o, no entanto, ainda &eacute; desigual: cerca de 4% dos estabelecimentos de sa&uacute;de e 17% dos m&eacute;dicos no Brasil utilizam a intelig&ecirc;ncia artificial, segundo a <\/span><a href=\"https:\/\/cetic.br\/pt\/arquivos\/saude\/2024\/estabelecimentos\/#tabelas\"><span style=\"font-weight: 400\">TIC Sa&uacute;de 2024<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o especialista, a publica&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o posiciona o Brasil em linha com as tend&ecirc;ncias internacionais de regula&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel, e chega em boa hora. &ldquo;O Brasil acaba de dar um passo que coloca o pa&iacute;s no mesmo patamar de na&ccedil;&otilde;es que levam a s&eacute;rio tanto a inova&ccedil;&atilde;o quanto a seguran&ccedil;a. Regulamentar n&atilde;o &eacute; o oposto de inovar, &eacute; o que permite que a inova&ccedil;&atilde;o escale com credibilidade. O mercado de sa&uacute;de digital brasileiro vai crescer muito nos pr&oacute;ximos anos, e para isso necessita de um marco regulat&oacute;rio&rdquo;, finaliza Corr&ecirc;a.&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em fevereiro de 2026, a Resolu&ccedil;&atilde;o CFM n&ordm; 2.454\/2026,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":506302,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,7],"tags":[],"class_list":["post-506303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-sde","wpcat-21201-id","wpcat-7-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=506303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506303\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/506302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=506303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=506303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=506303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}