{"id":505653,"date":"2026-02-27T19:03:23","date_gmt":"2026-02-27T19:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=505653"},"modified":"2026-03-02T17:29:53","modified_gmt":"2026-03-02T17:29:53","slug":"o-porque-de-os-produtos-da-china-serem-mais-baratos-que-os-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/02\/o-porque-de-os-produtos-da-china-serem-mais-baratos-que-os-do-brasil\/","title":{"rendered":"O porqu\u00ea de os produtos da China serem mais baratos que os do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>V&aacute;rias empresas brasileiras est&atilde;o em busca mercados externos, especialmente depois do &uacute;ltimo impasse tarif&aacute;rio. Contudo num cen&aacute;rio mais amplo e atual de sobreviv&ecirc;ncia &eacute; muito significativo considerar a invas&atilde;o de produtos chineses no Brasil e a concorr&ecirc;ncia desleal que se apresenta no com&eacute;rcio exterior.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando um produto chin&ecirc;s &eacute; importado ele n&atilde;o necessariamente traz embutidas as mesmas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho que as empresas brasileiras se ocupam no Brasil internamente. Seus funcion&aacute;rios em regime de CLT t&ecirc;m peculiaridades bastante diferentes dos assalariados do chamado &lsquo;Imp&eacute;rio do Meio&rsquo;. Numa compara&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do trabalhador chin&ecirc;s com o brasileiro pode-se come&ccedil;ar pela jornada de trabalho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aqui vai ser de 40 horas semanais e na China a legisla&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m estabelece a&nbsp;jornada padr&atilde;o de 40 horas semanais, mas a realidade &eacute; que muitas vezes o hor&aacute;rio dos chineses &eacute; marcado por&nbsp;longas jornadas de trabalho&nbsp;e uma cultura de horas extras, em que h&aacute; o sistema &lsquo;996&rsquo;. Nesse formato, chega-se ao hor&aacute;rio extremo das 9h &agrave;s 21h, 6 dias por semana, o que somados d&aacute; 72 horas\/semana.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, eles t&ecirc;m f&eacute;rias de uma semana por ano e n&atilde;o remuneradas, n&atilde;o recebem d&eacute;cimo terceiro e n&atilde;o t&ecirc;m Fundo de Garantia por Tempo de Servi&ccedil;o como o brasileiro. O trabalho &eacute; de servid&atilde;o, uma escravid&atilde;o moderna, &agrave;s vezes. Contudo, em poucas ocasi&otilde;es a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; comentada nitidamente. Enquanto isso no Brasil, h&aacute; uma s&eacute;rie de encargos trabalhistas regulados pela CLT, que oneram bastante, especialmente as m&eacute;dias e pequenas empresas, mas s&atilde;o as regras as quais estamos inseridos e o eventual al&iacute;vio na folha traria maior competitividade, mas este &eacute; assunto para outro artigo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estas agendas do governo pr&oacute;-China t&ecirc;m criado mais dificuldades para a ind&uacute;stria nacional. De fato, t&ecirc;m complicado muita gente, porque o produto chega no porto, muito barato, &ldquo;subsidiado&rdquo;, e produzido sob uma legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista distinta daquele pa&iacute;s. Sendo assim, h&aacute; uma concorr&ecirc;ncia de maneira desigual e desleal com as empresas brasileiras, principalmente com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista e aos encargos de impostos que inexistem nas regras de trabalho do modelo chin&ecirc;s. J&aacute; s&atilde;o not&oacute;rias as informa&ccedil;&otilde;es que circulavam na m&iacute;dia al&eacute;m de explora&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra, a falta de normatiza&ccedil;&atilde;o (ou que n&atilde;o s&atilde;o expl&iacute;citas) e muitas vezes h&aacute; o bra&ccedil;o do governo daquele pa&iacute;s por tr&aacute;s, favorecendo empresas na opera&ccedil;&atilde;o com a oferta de subs&iacute;dios.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato &eacute; que em boa parte das atividades, as marcas chinesas t&ecirc;m entrado nos mercados e desequilibram o jogo, porque usam pr&aacute;ticas desleais e muitas vezes prometem tecnologias que n&atilde;o entregam. H&aacute; situa&ccedil;&otilde;es que geram dificuldades mais amplas ainda, porque vendem e desaparecem.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje existe um pensamento dentro de&nbsp;nosso&nbsp;governo&nbsp;federal que tem&nbsp;grande alinhamento a esse&nbsp;regime&nbsp;chin&ecirc;s. Afora isso, houve o recente embate com os Estados Unidos, que empurrou infelizmente cada vez mais o Brasil para o colo da China. Mas in&uacute;meras empresas nacionais tamb&eacute;m apreciam esse cen&aacute;rio pr&oacute; China, porque elas se associaram a esse &lsquo;projeto&rsquo; e hoje s&atilde;o uma ponte de entrada do produto chin&ecirc;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, um grupo expressivo de empresas que n&atilde;o quer ser representante deles tenta preservar a ind&uacute;stria nacional. N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de puritanismo. A escolha &eacute; por uma filosofia de a empresa brasileira defender o produto nacional e tamb&eacute;m ter fornecedores nacionais. Mas a verdade &eacute; que h&aacute; in&uacute;meras marcas do mercado B2B em geral que est&atilde;o sendo beneficiadas, assim como ind&uacute;strias multinacionais por essa conjuntura singular.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas ao nosso ver, isso &eacute; muito ruim para a ind&uacute;stria nacional. N&atilde;o &eacute; uma onda que pretendemos surfar nela, porque h&aacute; um entendimento que isso &eacute; prejudicial no m&eacute;dio a longo prazo a ind&uacute;stria nacional. Percebemos uma situa&ccedil;&atilde;o parecida durante a pandemia. A <strong>China &eacute; um regime totalit&aacute;rio<\/strong>, se o governo der uma &uacute;nica ordem, pode fechar tudo, acabar com um produto e o comprador fica sem nada. Foi exatamente o que aconteceu na pandemia. Havia falta de <a href=\"https:\/\/www.magazinevoce.com.br\/magazineezu\/busca\/parafusos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">parafusos<\/a> a embalagens. Porque quase&nbsp;tudo em larga escala era&nbsp;trazido&nbsp;daquele pa&iacute;s.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diversos colegas empres&aacute;rios est&atilde;o olhando apenas o hoje, ou seja, h&aacute; uma preponder&acirc;ncia para uma vis&atilde;o m&iacute;ope simplista e imediatista. Infelizmente, n&atilde;o se observa e se analisa o m&eacute;dio e longo prazo. Acreditam que n&atilde;o h&aacute; o que escolher e s&oacute; existe uma alternativa para o momento. No entanto, sempre h&aacute; aqueles que acreditam em outras solu&ccedil;&otilde;es de maior tempo de matura&ccedil;&atilde;o e preferem se manter como uma ind&uacute;stria genuinamente nacional, se recusando a se beneficiar momentaneamente, porque no futuro o novo cen&aacute;rio pode prejudicar a todos indistintamente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando os engenheiros implementam um projeto no Brasil executam um esfor&ccedil;o enorme para suprir todos os detalhes para as demandas e caracter&iacute;sticas do nosso Pa&iacute;s. Precisamos pensar em outros aspectos paralelos que s&atilde;o importantes tamb&eacute;m para o Brasil, como a contribui&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento econ&ocirc;mico nacional, o aproveitamento e investimento na m&atilde;o de obra brasileira dispon&iacute;vel, a possibilidade de manuten&ccedil;&atilde;o preditiva e preventiva serem prestadas aqui plenamente e sob medida, e at&eacute; o aspecto cultural e do desenvolvimento do Pa&iacute;s, que deveria ser uma pol&iacute;tica de Estado, afinal, se continuarmos com esta pol&iacute;tica de privilegiar bens importados da China, empresas como Vale, Embraer e Ambev ser&atilde;o cada vez mais raras de aparecer ou simplesmente n&atilde;o ir&atilde;o mais aparecer. &nbsp;Boa parte da tecnologia nacional &eacute; fruto da pr&oacute;pria engenharia brasileira, do esfor&ccedil;o do profissional brasileiro, e que tem gerado empregos para brasileiros. Ou ser&aacute; que algu&eacute;m prefere privilegiar a gera&ccedil;&atilde;o de emprego na China?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do ponto de vista tecnol&oacute;gico temos diferenciais que precisamos enaltecer e que n&atilde;o foram ainda difundidos devidamente. &Eacute; extremamente importante, entre outros aspectos, interpretarmos a satisfa&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias de nossos clientes e parceiros. O que foi entregue e se o resultado fez realmente sentido em termos de diferenciais, de p&oacute;s-venda, por exemplo. Assim os fabricantes se distinguem ou se individualizam.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos fornecedores brasileiros da ind&uacute;stria brasileira, se comunicam bastante com seus clientes para entender aquilo que est&aacute; sendo produzido e principalmente se est&aacute; alinhado com o que o comprador precisa exatamente, inclusive pensando em detalhes que &agrave;s vezes nenhuma empresa estrangeira entregaria hoje.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Necessitamos sempre identificar certos detalhes para os projetos dos clientes. E &eacute; preciso enfatizar que nossa pr&oacute;pria satisfa&ccedil;&atilde;o com uma solu&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m percebida como diferencial. Mesmo com tanta tecnologia, os contatos pessoais s&atilde;o imprescind&iacute;veis e &eacute; o que diferencia de concorrentes internacionais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje em dia, marcas da China nem sempre realizam uma manuten&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica apropriadas. &Agrave;s vezes, &eacute; preciso gastar mais com materiais e componentes de reposi&ccedil;&atilde;o. O fato &eacute; que o alto n&iacute;vel tecnol&oacute;gico resulta da boa rela&ccedil;&atilde;o custo-benef&iacute;cio e baixos investimentos na manuten&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos, portanto, abrir o mercado completamente e sem limites para que qualquer um venha at&eacute; aqui com qualquer produto, tecnologia ou solu&ccedil;&atilde;o e abrace o que tem dispon&iacute;vel para suas vendas. A tecnologia nacional e seus produtos s&atilde;o muito mais alinhados com as necessidades e caracter&iacute;sticas do Pa&iacute;s. Esse &eacute; meu ponto de vista.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Marcelo Mendes &eacute; gerente geral da KRJ Conex&otilde;es. &Eacute; economista e executivo de marketing e vendas do setor eletroeletr&ocirc;nico h&aacute; mais de 15 anos, e com atua&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rios mercados internacionais.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V&aacute;rias empresas brasileiras est&atilde;o em busca mercados externos, especialmente depois do &uacute;ltimo impasse tarif&aacute;rio. 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