{"id":493536,"date":"2026-01-30T13:33:30","date_gmt":"2026-01-30T13:33:30","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=493536"},"modified":"2026-01-30T21:52:06","modified_gmt":"2026-01-30T21:52:06","slug":"o-direito-do-consumidor-para-refugiados-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/01\/o-direito-do-consumidor-para-refugiados-no-brasil\/","title":{"rendered":"O direito do consumidor para refugiados no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><i>Andrea Mottola*<\/i><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ser humano migra por diversas raz&otilde;es: para garantir a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia, buscar seguran&ccedil;a, sustento para sua fam&iacute;lia ou a esperan&ccedil;a de um futuro mais digno. Estar na posi&ccedil;&atilde;o de refugiado ou migrante em um pa&iacute;s desconhecido, com costumes, idioma e estruturas jur&iacute;dicas diferentes, representa um desafio constante &ndash; inclusive no exerc&iacute;cio de direitos cotidianos, como o&nbsp;<em>direito do consumidor<\/em>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na perspectiva do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Refugiados (ACNUR), refugiado &eacute; toda pessoa que,&nbsp;<em>&ldquo;devido a fundados temores de persegui&ccedil;&atilde;o relacionados a quest&otilde;es de ra&ccedil;a, religi&atilde;o, nacionalidade, fazer parte a um determinado grupo social ou opini&atilde;o pol&iacute;tica, como tamb&eacute;m devido &agrave; grave e generalizada viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos e conflitos armados&rdquo;<\/em>, &eacute; for&ccedil;ada a deixar seu pa&iacute;s de origem. Esse reconhecimento internacional embasa a prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica &agrave;s pessoas que se veem for&ccedil;adas a buscar ref&uacute;gio al&eacute;m de suas fronteiras.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o fluxo migrat&oacute;rio global em ascens&atilde;o &ndash; e o Brasil figurando entre os pa&iacute;ses que mais acolhem refugiados no mundo &ndash;, torna-se indispens&aacute;vel que o debate sobre os direitos dessas pessoas seja ampliado em todos os campos da vida social, inclusive nas rela&ccedil;&otilde;es de consumo. Afinal, al&eacute;m de &lsquo;ser&rsquo;, todo ser humano tamb&eacute;m exerce, todos os dias, rela&ccedil;&otilde;es de consumo &ndash; seja na compra de um celular, na contrata&ccedil;&atilde;o de um plano de telefonia, na loca&ccedil;&atilde;o de um im&oacute;vel ou no uso de servi&ccedil;os banc&aacute;rios.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, o Estatuto dos Refugiados (Lei n&ordm; 9.474\/1997) assegura direitos fundamentais &agrave;s pessoas que buscam prote&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, reconhecendo sua condi&ccedil;&atilde;o e garantindo acesso a direitos sociais b&aacute;sicos e &agrave; dignidade humana. Paralelamente, o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor &ndash; CDC (Lei n&ordm; 8.078\/1990), em seu escopo mais amplo, disciplina e protege as rela&ccedil;&otilde;es de consumo em territ&oacute;rio nacional, aplicando-se a todas as pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de consumo no pa&iacute;s, independentemente de sua nacionalidade ou condi&ccedil;&atilde;o migrat&oacute;ria.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse sentido, refugiados e migrantes, com ou sem documenta&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria, possuem os mesmos direitos de consumidores que brasileiros, incluindo o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; prote&ccedil;&atilde;o contra pr&aacute;ticas abusivas, &agrave;s garantias de produtos e servi&ccedil;os e aos mecanismos de reclama&ccedil;&atilde;o e repara&ccedil;&atilde;o previstos em lei, que s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es essenciais para assegurar cidadania plena no contexto socioecon&ocirc;mico brasileiro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em junho de 2025, o Procon-SP lan&ccedil;ou uma cartilha e um conjunto de folders sobre direitos b&aacute;sicos do consumidor voltados especificamente para refugiados e migrantes no Brasil. O material, dispon&iacute;vel em portugu&ecirc;s e traduzido para &aacute;rabe, espanhol, franc&ecirc;s, ingl&ecirc;s e persa, aborda temas como direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, garantia de produtos e servi&ccedil;os, mecanismos para registrar reclama&ccedil;&otilde;es e direitos em &aacute;reas sens&iacute;veis como moradia, educa&ccedil;&atilde;o, servi&ccedil;os financeiros, telefonia e transporte. Essa iniciativa resulta de uma parceria com o ACNUR e diversas organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, sendo um passo concreto para democratizar o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e combater pr&aacute;ticas abusivas dirigidas a popula&ccedil;&otilde;es em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental ressaltar que acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um elemento estruturante de prote&ccedil;&atilde;o ao consumidor, especialmente para pessoas que enfrentam barreiras lingu&iacute;sticas, culturais e jur&iacute;dicas. Sem conhecimento sobre seus direitos b&aacute;sicos, refugiados ficam mais expostos a golpes, fraudes ou cl&aacute;usulas contratuais abusivas que desrespeitam o CDC. Por isso, a tradu&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do educativo &eacute;, por si s&oacute;, um instrumento de inclus&atilde;o social e fomento &agrave; cidadania.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O direito do consumidor, portanto, n&atilde;o &eacute; um privil&eacute;gio de poucos &ndash; &eacute; um mecanismo que assegura equidade nas rela&ccedil;&otilde;es de mercado, prote&ccedil;&atilde;o contra pr&aacute;ticas desleais e acesso efetivo a repara&ccedil;&atilde;o em caso de viola&ccedil;&atilde;o. Garantir que refugiados e migrantes compreendam e possam exercer esses direitos no Brasil &eacute;, al&eacute;m de uma exig&ecirc;ncia legal, um compromisso com os valores democr&aacute;ticos que devem nortear qualquer sociedade plural e acolhedora.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A efetividade desses direitos depende, ainda, da atua&ccedil;&atilde;o articulada de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, operadores do direito e da pr&oacute;pria m&iacute;dia. S&oacute; assim transformaremos garantias legais em pr&aacute;ticas sociais concretas, assegurando que o consumir no Brasil &ndash; seja morando no pa&iacute;s desde o nascimento ou buscando aqui uma chance de viver &ndash; signifique exercer direitos com seguran&ccedil;a, dignidade e igualdade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa perspectiva tamb&eacute;m se adequa aos ideais de promo&ccedil;&atilde;o para a paz e da dignidade humana, declarados na Constitui&ccedil;&atilde;o da UNESCO, de 1945, que diz: &ldquo;uma vez que as guerras se iniciam nas mentes dos homens, &eacute; nas mentes dos homens que devem ser constru&iacute;das as defesas da paz&rdquo;. Garantir informa&ccedil;&atilde;o, acesso a direitos e prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica a refugiados e migrantes &eacute;, portanto, mais do que uma obriga&ccedil;&atilde;o legal: &eacute; um passo concreto na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa, consciente e comprometida com a conviv&ecirc;ncia democr&aacute;tica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Andrea Mottola &eacute; advogada especialista em Direito do Consumidor e Direito Digital.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andrea Mottola* &nbsp; O ser humano migra por diversas raz&otilde;es: para garantir a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia, buscar&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":493535,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[],"class_list":["post-493536","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493536","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=493536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493536\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/493535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=493536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=493536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=493536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}