{"id":483173,"date":"2026-01-12T12:54:27","date_gmt":"2026-01-12T12:54:27","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/01\/gestao-na-era-da-ia-como-liderar-quando-a-tecnologia-sabe-mais-do-que-voce\/"},"modified":"2026-01-12T12:54:27","modified_gmt":"2026-01-12T12:54:27","slug":"gestao-na-era-da-ia-como-liderar-quando-a-tecnologia-sabe-mais-do-que-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2026\/01\/gestao-na-era-da-ia-como-liderar-quando-a-tecnologia-sabe-mais-do-que-voce\/","title":{"rendered":"Gest\u00e3o na era da IA: como liderar quando a tecnologia sabe mais do que voc\u00ea*"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A intelig&ecirc;ncia artificial deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar um papel central nas decis&otilde;es corporativas. Hoje, algoritmos analisam volumes massivos de dados, identificam padr&otilde;es invis&iacute;veis ao olhar humano e oferecem recomenda&ccedil;&otilde;es em uma velocidade inalcan&ccedil;&aacute;vel para qualquer gestor. Diante desse cen&aacute;rio, uma quest&atilde;o se imp&otilde;e &agrave;s lideran&ccedil;as: como exercer autoridade, vis&atilde;o e dire&ccedil;&atilde;o quando a tecnologia parece &ldquo;saber mais&rdquo; do que voc&ecirc;?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar &eacute; necess&aacute;rio dizer que estou ciente de que a IA hoje &eacute; um processador de alt&iacute;ssimo n&iacute;vel e, tecnicamente n&atilde;o &eacute; uma &ldquo;intelig&ecirc;ncia&rdquo;. &Eacute; justamento o uso da palavra intelig&ecirc;ncia que embaralha um olhar n&atilde;o qualificado. Mas o que importa nesta abordagem &eacute; o papel do l&iacute;der, que n&atilde;o est&aacute; em competir com a IA, nem em tentar domin&aacute;-la tecnicamente em todos os n&iacute;veis. O verdadeiro desafio da lideran&ccedil;a contempor&acirc;nea &eacute; outro: aprender a liderar com a IA, e n&atilde;o apesar dela e nem em detrimento de pessoas da sua equipe talvez mais qualificadas do que ele mesmo para oper&aacute;-la.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Estudos acad&ecirc;micos refor&ccedil;am essa mudan&ccedil;a de paradigma. Uma pesquisa publicada na <em>Scientific Reports<\/em> demonstra que a ado&ccedil;&atilde;o bem-sucedida de tecnologias avan&ccedil;adas, como a intelig&ecirc;ncia artificial, depende menos da sofistica&ccedil;&atilde;o da ferramenta e mais da capacidade da lideran&ccedil;a de integr&aacute;-la &agrave; cultura organizacional, aos processos e &agrave;s estrat&eacute;gias de longo prazo. Em outras palavras, a tecnologia sozinha n&atilde;o transforma empresas &mdash; s&atilde;o as decis&otilde;es humanas que determinam seu impacto real. E isto serve para qualquer tecnologia!<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, dados de mercado revelam um descompasso importante dentro das organiza&ccedil;&otilde;es. Pesquisas internacionais indicam que cerca de 87% dos executivos j&aacute; utilizam intelig&ecirc;ncia artificial em suas rotinas profissionais, enquanto apenas 27% dos colaboradores fazem o mesmo. Esse dado n&atilde;o aponta apenas para uma diferen&ccedil;a de acesso, mas para um desafio de lideran&ccedil;a: como engajar pessoas, redesenhar fluxos de trabalho e criar confian&ccedil;a em um ambiente cada vez mais mediado por algoritmos, pretensa e informalmente invadido pelo uso de IA de forma n&atilde;o sist&ecirc;mica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse cen&aacute;rio evidencia uma mudan&ccedil;a profunda no papel do gestor. Se antes liderar estava, senso comum, &nbsp;associado a deter conhecimento t&eacute;cnico e respostas prontas, hoje o valor do l&iacute;der est&aacute; cada vez mais ligado &agrave; sua capacidade de interpretar informa&ccedil;&otilde;es, fazer perguntas melhores, mobilizar recursos eficientemente (como a IA) e tomar decis&otilde;es contextualizadas. A IA pode indicar caminhos, mas n&atilde;o define prioridades, valores ou impactos humanos. Essa responsabilidade continua sendo, essencialmente, da lideran&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A literatura recente sobre gest&atilde;o e intelig&ecirc;ncia artificial aponta que l&iacute;deres eficazes nesse novo contexto s&atilde;o aqueles capazes de combinar vis&atilde;o estrat&eacute;gica, pensamento cr&iacute;tico e &eacute;tica. N&atilde;o se trata apenas de entender como acumular e analisar dados, mas de compreender suas limita&ccedil;&otilde;es, seus vieses e suas consequ&ecirc;ncias para a sociedade. Afinal, decis&otilde;es influenciadas por IA podem ser eficientes, mas nem sempre s&atilde;o justas, emp&aacute;ticas ou sustent&aacute;veis se n&atilde;o estiverem submetidas por c&oacute;digos de &eacute;tica definidas por seres humanos, por assim dizer.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Essa dificuldade de adapta&ccedil;&atilde;o j&aacute; aparece de forma clara em pesquisas com executivos. Um levantamento da Liz Mohn Foundation mostra que, embora muitos l&iacute;deres reconhe&ccedil;am o potencial da IA para apoiar tarefas como planejamento e an&aacute;lise, apenas uma parcela ainda limitada a utiliza em decis&otilde;es mais complexas, como gest&atilde;o de pessoas, resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos ou desenvolvimento de equipes. Possivelmente muitos l&iacute;deres n&atilde;o compreenderam como usa a IA, como extens&atilde;o de sua pr&oacute;pria capacidade intelectual.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Na pr&aacute;tica, liderar na era da IA exige uma mudan&ccedil;a de mentalidade. O gestor deixa de ser o principal detentor e integrador do conhecimento (o que j&aacute; &eacute; desafiador) e passa a atuar como construtor sist&ecirc;mico: algu&eacute;m que conecta dados, pessoas e prop&oacute;sito. Isso implica assumir um papel mais estrat&eacute;gico, mais relacional e, paradoxalmente, mais humano em um ambiente cada vez mais automatizado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Talvez um dia, a IA possa substituir a capacidade humana de decis&atilde;o e julgamento, mas hoje ela mais exp&otilde;es nossas fragilidades.. Ela escancara a necessidade de compet&ecirc;ncias que nenhuma tecnologia consegue replicar: sensibilidade, &eacute;tica, vis&atilde;o sist&ecirc;mica e capacidade de lidar com ambiguidades. Em um mundo onde uma &ldquo;ferramenta&rdquo; (a IA) parece saber mais, liderar bem significa saber decidir melhor. A ideia gen&eacute;rica mas comum, de que o dom&iacute;nio do gestor era conquistado com mais informa&ccedil;&otilde;es est&aacute; definitivamente enterrada.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As pessoas que compreenderem essa transi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas adotar&atilde;o IA de forma mais eficaz, como construir&atilde;o culturas mais maduras, resilientes e preparadas para o futuro, fortalecendo as organiza&ccedil;&otilde;es. Porque, no fim, a tecnologia pode processar dados, como um recurso poderoso, mas &eacute; o ser humano que tinge com &eacute;tica e prop&oacute;sito o seu uso: o ser humano &eacute; o &uacute;nico recurso que define se outros recursos ser&atilde;o eficientes e geradores de valor, ou ineficientes e destruidores de valor.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><i><strong>*por Jo&atilde;o Roncati, CEO da People+Strategy &ndash; consultoria brasileira reconhecida e respeitada por seu trabalho estrat&eacute;gico com a alta lideran&ccedil;a de grandes companhias. Mais informa&ccedil;&otilde;es no&nbsp;<\/strong><\/i><a href=\"https:\/\/www.peoplestrategy.com.br\/\">site<\/a><i><strong>.<\/strong><\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A intelig&ecirc;ncia artificial deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar um papel central&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[39490,21201,17,14418,39491],"tags":[],"class_list":["post-483173","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque-blog-home","category-destaques","category-geral","category-noticias","category-people-strategy","wpcat-39490-id","wpcat-21201-id","wpcat-17-id","wpcat-14418-id","wpcat-39491-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=483173"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483173\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=483173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=483173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=483173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}