{"id":467813,"date":"2025-12-17T20:29:59","date_gmt":"2025-12-17T20:29:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/?p=467813"},"modified":"2025-12-17T20:53:42","modified_gmt":"2025-12-17T20:53:42","slug":"como-a-ausencia-de-saneamento-basico-agrava-os-impactos-das-mudancas-climaticas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/12\/como-a-ausencia-de-saneamento-basico-agrava-os-impactos-das-mudancas-climaticas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Como a aus\u00eancia de saneamento b\u00e1sico agrava os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><i>A Cop 30 terminou e vai gerar muitos debates ainda sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e o saneamento b&aacute;sico no Brasil<\/i><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>*Eng&ordm; Francisco Carlos Oliver<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A falta ou insufici&ecirc;ncia de saneamento b&aacute;sico (que engloba o fornecimento de &aacute;gua, tratamento de esgoto, limpeza urbana e gest&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos, al&eacute;m da drenagem e gest&atilde;o de &aacute;guas pluviais), e como o saneamento b&aacute;sico &eacute; um dos pilares mais eficientes de mitiga&ccedil;&atilde;o de riscos clim&aacute;ticos, sua falta torna consideravelmente o Brasil mais suscet&iacute;vel aos efeitos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, intensificando suas consequ&ecirc;ncias adversas. Cidades com redes deficientes sofrem muito frente a eventos extremos (chuvas intensas, ondas de calor e estiagens prolongadas).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A implementa&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es, por sua vez, exige um s&oacute;lido planejamento a longo prazo, investimentos e a converg&ecirc;ncia das pol&iacute;ticas de saneamento com as pol&iacute;ticas de planejamento urbano e gerenciamento de riscos e cat&aacute;strofes. Como temos 26 Estados e um distrito, e um total oficialmente de 5.570 munic&iacute;pios, o consenso e alinhamento ficam mais complicados. H&aacute; muitos interesses e necessidades diferentes, que devem ser considerados e analisados profundamente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o que fica evidente &eacute; que a car&ecirc;ncia de saneamento b&aacute;sico no Brasil aumenta os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas porque deixa as cidades mais vulner&aacute;veis a enchentes e deslizamentos, e aumenta a incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as que se agravam com o calor e chuvas intensas. Em per&iacute;odos de seca diminui a disponibilidade de &aacute;gua pot&aacute;vel e multiplica danos materiais, elevando os custos econ&ocirc;micos. No entanto, o que mais entristece &eacute; que lamentavelmente penaliza desproporcionalmente as popula&ccedil;&otilde;es mais pobres.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que tem ficado evidente e n&atilde;o se pode ignorar &eacute; que o saneamento b&aacute;sico insuficiente aumenta os danos causados por eventos clim&aacute;ticos extremos. Naqueles per&iacute;odos de chuvas intensas e inunda&ccedil;&otilde;es a inexist&ecirc;ncia de coleta e tratamento de esgoto contribui expressivamente para a propaga&ccedil;&atilde;o das inunda&ccedil;&otilde;es, que misturam &aacute;guas pluviais, esgoto bruto e lixo. O resultado &eacute; a contamina&ccedil;&atilde;o de rios e mananciais utilizados como fontes de &aacute;gua pot&aacute;vel.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O contato com &aacute;gua contaminada eleva consideravelmente o risco de surtos de doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua, como leptospirose, c&oacute;lera, hepatite A e diarreias graves. Essas mazelas sobrecarregam o sistema de sa&uacute;de p&uacute;blico.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre outras fun&ccedil;&otilde;es o saneamento b&aacute;sico &eacute; a principal barreira contra muitas doen&ccedil;as. Se ele n&atilde;o for utilizado adequadamente, potencializa bastante o risco de sa&uacute;de associado &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Com o aumento das temperaturas globais, a popula&ccedil;&atilde;o fica mais vulner&aacute;vel a muitas mol&eacute;stias, principalmente por causa do crescimento de vetores como o mosquito&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>, que transmite a dengue, zika e Chikungunya.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por sua vez, os sistemas de&nbsp;drenagem&nbsp;ineficientes n&atilde;o conseguem dar vaz&atilde;o ao volume de &aacute;gua das chuvas mais fortes (mais frequentes e intensas), o que resulta em alagamentos que comprometem a&nbsp;infraestrutura&nbsp;de abastecimento e tratamento de &aacute;gua e esgoto. O problema pode at&eacute; levar &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os em certas ocorr&ecirc;ncias.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos per&iacute;odos de secas prolongadas e ondas de calor causadas pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas existem outros desequil&iacute;brios ambientais. A competi&ccedil;&atilde;o e escassez por &aacute;gua pode se tornar preocupante, porque a estiagem diminui consideravelmente o volume nos mananciais. E a falta de tratamento de esgoto, agrava a escassez porque reduz a quantidade de &aacute;gua que poderia ser tratada e reutilizada, para usos n&atilde;o pot&aacute;veis ou para reintrodu&ccedil;&atilde;o em corpos h&iacute;dricos como rios, lagos, aqu&iacute;feros ou lagoas, que podem ser naturais ou artificiais, por&eacute;m s&atilde;o essenciais para a vida e para o uso humano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A qualidade da &aacute;gua &eacute; sem qualquer hesita&ccedil;&atilde;o uma das mais prejudicadas. A redu&ccedil;&atilde;o do volume de &aacute;gua nos rios eleva a concentra&ccedil;&atilde;o de poluentes gerados nos esgotos n&atilde;o tratados. Por causa das altas temperaturas, a prolifera&ccedil;&atilde;o de algas t&oacute;xicas e outros microrganismos se torna um ambiente favor&aacute;vel para seu aumento, tornado a &aacute;gua remanescente mais dif&iacute;cil e cara de ser tratada, e muitas vezes invi&aacute;vel para o consumo humano.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das principais medidas de&nbsp;adapta&ccedil;&atilde;o&nbsp;&agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de infraestrutura de saneamento b&aacute;sica avan&ccedil;ada e compat&iacute;vel com as reais necessidades de uma comunidade ou de uma popula&ccedil;&atilde;o maior. Sua falta impede que elas se preparem adequadamente para o futuro provocado pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lamentavelmente a aus&ecirc;ncia de saneamento b&aacute;sico torna a popula&ccedil;&atilde;o bem mais vulner&aacute;vel &agrave;s adversidades clim&aacute;ticas, transformando situa&ccedil;&otilde;es que poderiam ser controladas em crises de sa&uacute;de e meio ambiente, e em alguns casos at&eacute; de grandes propor&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vulnerabilidade social causada pela desigualdade est&aacute; muito ligada ao saneamento prec&aacute;rio. Aquelas popula&ccedil;&otilde;es sem acesso ao saneamento b&aacute;sico, geralmente residem em &aacute;reas de ocupa&ccedil;&atilde;o informal e de risco (como encostas e margens de rios). Por essa raz&atilde;o, as pessoas ficam mais vulner&aacute;veis aos desastres clim&aacute;ticos e suas consequ&ecirc;ncias interferem na sa&uacute;de de todos os moradores da localidade. A fragilidade da infraestrutura tamb&eacute;m afeta de maneira desproporcional as pessoas. &Eacute; crucial, portanto, investimentos em&nbsp;solu&ccedil;&otilde;es de saneamento resiliente e adaptativo&nbsp;para reduzir a vulnerabilidade social no Brasil.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O transtorno se estende para outros aspectos, porque muitas infraestruturas urbanas j&aacute; instaladas tamb&eacute;m apresentam problemas, porque diversos sistemas de saneamento existentes tamb&eacute;m podem estar fragilizados. Em certos locais em que o saneamento j&aacute; est&aacute; presente, a infraestrutura do lugar pode n&atilde;o estar preparada para enfrentar adequadamente os novos eventos clim&aacute;ticos extremos, como tornados, grandes tempestades ou at&eacute; ondas de calor. Se tornou urgente por isso, segundo alguns estudiosos, que se realize um planejamento de saneamento e clim&aacute;tico bem mais profundo para antever nos pr&oacute;ximos anos cen&aacute;rios clim&aacute;ticos extremos, a fim de se evitar colapsos no abastecimento de &aacute;gua e tratamento de esgoto.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O website&nbsp;<strong><em>Think Global Health<\/em><\/strong><em>,<\/em>&nbsp;do Conselho de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores e Instituto de M&eacute;tricas e Avalia&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de (IHME), afirmou em sua mat&eacute;ria&nbsp;<em>&lsquo;COP30 e as consequ&ecirc;ncias clim&aacute;ticas de ignorar o saneamento b&aacute;sico&rsquo;<\/em>&nbsp;que o clima e o saneamento se cruzam e as mudan&ccedil;a clim&aacute;ticas e as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o bidirecional. O ve&iacute;culo considerou que a Cop 30 se tornou um momento cr&iacute;tico no qual todos&nbsp;os pa&iacute;ses deviam participar das solu&ccedil;&otilde;es para as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e o saneamento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o daquela publica&ccedil;&atilde;o, as pol&iacute;ticas de saneamento devem priorizar sobretudo os grupos mais vulner&aacute;veis &mdash; mulheres, meninas, pessoas com defici&ecirc;ncia e popula&ccedil;&otilde;es deslocadas &mdash; com financiamento espec&iacute;fico e indicadores para monitorar o progresso. Al&eacute;m disso, s&atilde;o necess&aacute;rios urgentemente sistemas de dados confi&aacute;veis e sens&iacute;veis ao clima para orientar os investimentos, evitar duplica&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os e garantir o m&aacute;ximo impacto. O site defende ainda que o governo deve apoiar as comunidades na cria&ccedil;&atilde;o conjunta de solu&ccedil;&otilde;es. H&aacute; exemplos de pa&iacute;ses da &Aacute;sia meridional, em que a lideran&ccedil;a local multiplica o impacto desse trabalho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo&nbsp;<strong><em>Think Global Health<\/em><\/strong>, o Plano de A&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de na COP 30 oferece um roteiro para conciliar clima e saneamento, mas s&oacute; ter&aacute; sucesso se o saneamento for claramente definido em suas metas, al&eacute;m do financiamento e sistemas de monitoramento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje em dia, pela nossa perspectiva, &eacute; essencial para o poder p&uacute;blico brasileiro ampliar o acesso ao saneamento b&aacute;sico com infraestrutura adaptada &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, ou seja, seria o foco no investimento no chamado &lsquo;saneamento resiliente&rsquo;, aquele em que o ecossistema tem plena capacidade de retornar &agrave; condi&ccedil;&atilde;o original de equil&iacute;brio ap&oacute;s suportar altera&ccedil;&otilde;es ou perturba&ccedil;&otilde;es ambientais. Deste modo, as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias essenciais precisariam estar integradas &agrave;s estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, com especial aten&ccedil;&atilde;o na sa&uacute;de p&uacute;blica e na justi&ccedil;a social.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>*Eng&ordm; Francisco Carlos Oliver &eacute; diretor t&eacute;cnico industrial da Fluid Feeder Ind&uacute;stria&nbsp;e Com&eacute;rcio Ltda., especializada em tratamento de &aacute;gua e de efluentes por meio de solu&ccedil;&otilde;es personalizadas.&nbsp;<\/em><\/strong><a href=\"http:\/\/www.fluidfeeder.com.br\/\"><strong><em>www.fluidfeeder.com.br<\/em><\/strong><\/a><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cop 30 terminou e vai gerar muitos debates ainda sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":467812,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[11,21201],"tags":[1270],"class_list":["post-467813","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-destaques","tag-sustentabilidade","wpcat-11-id","wpcat-21201-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/467813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=467813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/467813\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/467812"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=467813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=467813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=467813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}