{"id":457706,"date":"2025-12-02T19:05:29","date_gmt":"2025-12-02T19:05:29","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/12\/a-produtividade-perdida-da-construcao-civil-e-por-que-isso-exige-uma-nova-cultura\/"},"modified":"2025-12-02T19:05:29","modified_gmt":"2025-12-02T19:05:29","slug":"a-produtividade-perdida-da-construcao-civil-e-por-que-isso-exige-uma-nova-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/12\/a-produtividade-perdida-da-construcao-civil-e-por-que-isso-exige-uma-nova-cultura\/","title":{"rendered":"A produtividade perdida da constru\u00e7\u00e3o civil \u2014 e por que isso exige uma nova cultura*"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O setor de constru&ccedil;&atilde;o civil no Brasil est&aacute; em um ponto cr&iacute;tico. Enquanto muitos outros segmentos abra&ccedil;aram a digitaliza&ccedil;&atilde;o, o planejamento estrat&eacute;gico e a tecnologia de forma acelerada, a constru&ccedil;&atilde;o segue presa a pr&aacute;ticas que hoje se mostram obsoletas. Para os l&iacute;deres empresariais que querem liderar &mdash; e n&atilde;o apenas reagir &mdash;, entender esse hiato de produtividade &eacute; fundamental para sair do ciclo de mediocridade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>A produtividade que n&atilde;o avan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>Um dos relat&oacute;rios mais robustos sobre o tema, da McKinsey Global Institute, mostra que globalmente o crescimento da produtividade no setor de constru&ccedil;&atilde;o foi, em m&eacute;dia, apenas 1 % ao ano nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas &mdash; enquanto a economia como um todo cresceu 2,8 % ao ano no mesmo per&iacute;odo.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), o setor em 2022 produziu valor bruto de R$415,6 bilh&otilde;es em obras e servi&ccedil;os, com emprego de cerca de 2,3 milh&otilde;es de pessoas &mdash; mas o crescimento ainda continua moderado e os desafios, numerosos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Somam&#8208;se os estudos da consultoria especializada que apontam que, com a ado&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es digitais adequadas &mdash; modelagem BIM, automa&ccedil;&atilde;o, planejamento integrado &mdash;, o setor teria potencial de ganho de produtividade de at&eacute; 50 a 60 %.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esses n&uacute;meros n&atilde;o s&atilde;o apenas estat&iacute;sticos &mdash; s&atilde;o sinais de alerta para quem dirige empresas e precisa tomar decis&otilde;es estrat&eacute;gicas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esse cen&aacute;rio se torna ainda mais desafiador diante da nova din&acirc;mica do mercado de trabalho. De acordo com dados recentes do IBGE e da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Ind&uacute;stria (CNI), a taxa de desemprego no Brasil est&aacute; em torno de 7,5% &mdash; o menor n&iacute;vel desde 2015.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em teoria, trata-se de uma boa not&iacute;cia. Mas, na pr&aacute;tica, menos desemprego significa menor oferta de profissionais dispon&iacute;veis, e o impacto &eacute; amplificado na constru&ccedil;&atilde;o civil &mdash; um setor historicamente caracterizado por alta rotatividade e forte depend&ecirc;ncia de m&atilde;o de obra t&eacute;cnica.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Fun&ccedil;&otilde;es como engenheiros, mestres de obra, t&eacute;cnicos de seguran&ccedil;a e operadores especializados est&atilde;o cada vez mais escassas, e a forma&ccedil;&atilde;o desses profissionais leva tempo. O resultado &eacute; que os custos sobem, os prazos se alongam e os investimentos se retraem, justamente quando o setor mais precisa acelerar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Nesse contexto, a capacita&ccedil;&atilde;o das lideran&ccedil;as e a transforma&ccedil;&atilde;o cultural deixam de ser temas secund&aacute;rios: tornam-se a &uacute;nica estrat&eacute;gia vi&aacute;vel para sustentar crescimento e produtividade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Porque essa defasagem persiste:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Cultura do imediatismo e &ldquo;resolver na obra&rdquo;<\/li>\n<\/ol>\n<p>O pensamento prevalente de que &ldquo;planejar custa tempo&rdquo; e que o &ldquo;jeitinho resolve&rdquo; afasta o foco no projeto, no cronograma estrutural e na efici&ecirc;ncia. Isso mina a competitividade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<ol start=\"2\">\n<li>Resist&ecirc;ncia &agrave; tecnologia e falta de capacita&ccedil;&atilde;o profissional<\/li>\n<\/ol>\n<p>Mesmo com tecnologias maduras &mdash; como pr&eacute;-fabrica&ccedil;&atilde;o, montagem otimizada, plataformas digitais de gest&atilde;o &mdash;, o setor esbarra na falta de m&atilde;o de obra preparada e na mentalidade de que &ldquo;sistema = burocracia&rdquo;. Essa combina&ccedil;&atilde;o impede a inova&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<ol start=\"3\">\n<li>Ambiente econ&ocirc;mico inst&aacute;vel e pouca disposi&ccedil;&atilde;o para investimentos estruturais<\/li>\n<\/ol>\n<p>A instabilidade macroecon&ocirc;mica, alta variabilidade no custo de insumos e a sensa&ccedil;&atilde;o de risco elevado fazem muitas empresas retra&iacute;rem capex, mantendo processos tradicionais que j&aacute; n&atilde;o funcionam bem no contexto atual.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Por que isso interessa ao l&iacute;der de empresa<\/p>\n<p>Para os gestores que buscam crescer, ganhar mercado ou simplesmente manter relev&acirc;ncia, essas defasagens significam:<\/p>\n<ul>\n<li>Custo mais alto: menores &iacute;ndices de produtividade elevam o custo por m&sup2; e incham or&ccedil;amentos.<\/li>\n<li>Prazo mais longo: a entrega se torna imprevis&iacute;vel, gerando insatisfa&ccedil;&atilde;o de clientes e risco reputacional.<\/li>\n<li>Qualidade inferior: falta de planejamento, m&atilde;o de obra despreparada e tecnologias subutilizadas comprometem o resultado final.<\/li>\n<li>Perda de oportunidades: empresas concorrentes que adotaram abordagem mais moderna ganham vantagem &mdash; e o mercado de constru&ccedil;&atilde;o civil est&aacute; cada vez mais competitivo.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Caminhos para virar o jogo<\/strong><\/p>\n<p>A quebra desse ciclo passa por tr&ecirc;s movimentos estrat&eacute;gicos:<\/p>\n<ul>\n<li>Projeto antes da obra: dedicar tempo e recursos ao planejamento &eacute; um investimento, n&atilde;o um custo. Estudos mostram que obras bem modeladas com ferramentas digitais t&ecirc;m redu&ccedil;&atilde;o relevante de retrabalho e desperd&iacute;cio.<\/li>\n<li>Capacita&ccedil;&atilde;o e cultura de tecnologia: contratar ou formar profissionais preparados para operar novas plataformas, substituir planilhas por sistemas &aacute;geis e promover um ambiente em que inova&ccedil;&otilde;es sejam aceitas e valorizadas.<\/li>\n<li>Estrutura de governan&ccedil;a e gest&atilde;o de dados: adotar KPIs de produtividade, digitalizar processos, monitorar performance, integrar equipes t&eacute;cnicas, comerciais e operacionais. Essas medidas geram transpar&ecirc;ncia e previsibilidade &mdash; fatores decisivos para atrair investidores ou contratos de maior escala.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O setor de constru&ccedil;&atilde;o civil est&aacute; em uma encruzilhada: pode continuar caminhando na mesma velocidade ou acelerar e abra&ccedil;ar uma nova l&oacute;gica de execu&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Para os l&iacute;deres que optarem por transformar seus modelos, o diferencial n&atilde;o estar&aacute; apenas em m&aacute;quinas ou softwares &mdash; estar&aacute; na cultura, no pensar antes de construir, no treinar antes de montar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A decis&atilde;o, para quem dirige empresas, &eacute; simples: manter a in&eacute;rcia ou liderar a mudan&ccedil;a. A escolha define quem estar&aacute; competitivo no mercado do futuro.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong><em>*por Daniela Lopes, Chief Sales Officer da We Are Group, empresa especializada na execu&ccedil;&atilde;o de ambientes corporativos e comerciais de alto padr&atilde;o. Mais informa&ccedil;&otilde;es no <\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.wearegroup.com.br\/\"><strong><em>site<\/em><\/strong><\/a><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor de constru&ccedil;&atilde;o civil no Brasil est&aacute; em um ponto cr&iacute;tico. 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