{"id":454575,"date":"2025-10-09T14:37:57","date_gmt":"2025-10-09T14:37:57","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/10\/a-saude-como-alvo-estrategico-de-ataques-ciberneticos\/"},"modified":"2025-10-09T14:37:57","modified_gmt":"2025-10-09T14:37:57","slug":"a-saude-como-alvo-estrategico-de-ataques-ciberneticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/10\/a-saude-como-alvo-estrategico-de-ataques-ciberneticos\/","title":{"rendered":"A sa\u00fade como alvo estrat\u00e9gico de ataques cibern\u00e9ticos"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O setor de sa&uacute;de vive um momento cr&iacute;tico em termos de ciberseguran&ccedil;a. Com a digitaliza&ccedil;&atilde;o crescente de prontu&aacute;rios, exames, telemedicina e dispositivos conectados, as institui&ccedil;&otilde;es passam a lidar com dados extremamente sens&iacute;veis &mdash; cuja exposi&ccedil;&atilde;o pode trazer n&atilde;o apenas preju&iacute;zos financeiros, mas riscos reais &agrave; seguran&ccedil;a do paciente.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>De acordo com o IBM Security\/Ponemon Institute Cost of a Data Breach Report 2023, a ind&uacute;stria da sa&uacute;de teve o maior custo m&eacute;dio por viola&ccedil;&atilde;o de dados de todas as ind&uacute;strias: cerca de US$ 10,93 milh&otilde;es por incidente. Esse valor representa um aumento de mais de 53% desde 2020.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Al&eacute;m do custo financeiro direto, os prazos de detec&ccedil;&atilde;o e conten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o elevados. O estudo aponta que, em m&eacute;dia, leva 204 dias para identificar uma viola&ccedil;&atilde;o e mais 73 dias para cont&ecirc;-la, resultando num ciclo total de aproximadamente 277 dias de impacto.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>No Brasil, o panorama tamb&eacute;m &eacute; preocupante. Um relat&oacute;rio recente identificou que o custo m&eacute;dio de uma viola&ccedil;&atilde;o de dados no pa&iacute;s chega a R$ 7,19 milh&otilde;es. Esse valor reflete compromissos legais, recupera&ccedil;&atilde;o operacional, notifica&ccedil;&otilde;es, perda de confian&ccedil;a e impactos na reputa&ccedil;&atilde;o institucional.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Casos recentes ilustram como as vulnerabilidades se manifestam de forma pr&aacute;tica. Na esfera global, foram expostas imagens m&eacute;dicas, raios-X e exames de diferentes hospitais por falhas em dispositivos conectados ou por configura&ccedil;&otilde;es inseguras, como senhas fracas ou aus&ecirc;ncia de criptografia adequada.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Tamb&eacute;m no Brasil, ataques de ransomware e intrus&otilde;es em provedores de software de sa&uacute;de mostram que amea&ccedil;as avan&ccedil;adas como o KillSec conseguem comprometer prontu&aacute;rios, exames de imagem e dados cl&iacute;nicos &mdash; ampliando o alcance do dano desde cl&iacute;nicas at&eacute; grandes redes hospitalares.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>H&aacute; v&aacute;rios fatores que explicam por que a sa&uacute;de &eacute; t&atilde;o visada:<\/p>\n<p><strong>Valor elevado da informa&ccedil;&atilde;o:<\/strong>&nbsp;dados de sa&uacute;de pessoal (PHI) s&atilde;o um dos tipos mais procurados por criminosos, pois combinam informa&ccedil;&otilde;es pessoais e m&eacute;dicas com potencial de uso prolongado (identidade, hist&oacute;rico cl&iacute;nico, etc.).<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Sistemas legados e interoperabilidade:<\/strong>&nbsp;muitos hospitais ainda dependem de sistemas antigos, pouco atualizados, com falhas conhecidas, dificultando a aplica&ccedil;&atilde;o de patches ou moderniza&ccedil;&otilde;es seguras.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Alta necessidade de disponibilidade:<\/strong>&nbsp;interrup&ccedil;&otilde;es de sistemas afetam diretamente o atendimento ao paciente &mdash; cirurgias, emerg&ecirc;ncias, diagn&oacute;sticos &mdash; o que cria press&otilde;es para manter sistemas operando a qualquer custo, por vezes em detrimento da seguran&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Capilaridade de fornecedores:<\/strong>&nbsp;provedores de software, equipamento m&eacute;dico conectado, servi&ccedil;os terceirizados etc., formam uma cadeia extensa. Uma falha em qualquer elo pode se propagar a muitas institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Diante desse cen&aacute;rio, algumas medidas j&aacute; demonstram efic&aacute;cia real:<\/p>\n<ul>\n<li>ado&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de autentica&ccedil;&atilde;o forte (como autentica&ccedil;&atilde;o multifator) para acesso a sistemas cr&iacute;ticos;<\/li>\n<li>segmenta&ccedil;&atilde;o de rede para isolar ambientes cl&iacute;nicos dos administrativos ou externos;<\/li>\n<li>testes regulares de vulnerabilidades e auditorias de conformidade;<\/li>\n<li>planos de resposta a incidentes bem definidos, com simula&ccedil;&otilde;es e exerc&iacute;cios pr&aacute;ticos;<\/li>\n<li>governan&ccedil;a de terceiros (fornecedores), com cl&aacute;usulas contratuais claras de seguran&ccedil;a e responsabilidade;<\/li>\n<li>prote&ccedil;&atilde;o de dispositivos conectados, inclusive considerando sua seguran&ccedil;a f&iacute;sica, configura&ccedil;&atilde;o, atualiza&ccedil;&atilde;o de firmware.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em resumo, a sa&uacute;de precisa encarar a ciberseguran&ccedil;a como parte integrante de sua miss&atilde;o, e n&atilde;o algo adicional ou opcional. Porque, no fim, n&atilde;o se trata apenas de dados &mdash; trata-se de manter institui&ccedil;&otilde;es funcionando, pacientes seguros e a confian&ccedil;a p&uacute;blica intacta.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong><em>*Denis Furtado &eacute; engenheiro de sistemas e diretor da Smart Solutions, distribuidora brasileira de solu&ccedil;&atilde;o antifraude e de ciberseguran&ccedil;a. Mais informa&ccedil;&otilde;es em:&nbsp;<\/em><\/strong><a href=\"http:\/\/www.smart.etc.br\/\"><strong><em>www.smart.etc.br<\/em><\/strong><\/a>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor de sa&uacute;de vive um momento cr&iacute;tico em termos de ciberseguran&ccedil;a. 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