{"id":454552,"date":"2025-08-25T15:04:33","date_gmt":"2025-08-25T15:04:33","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/08\/por-que-o-assedio-ainda-cresce-nas-empresas-e-como-podemos-extingui-lo-de-vez\/"},"modified":"2025-08-25T15:04:33","modified_gmt":"2025-08-25T15:04:33","slug":"por-que-o-assedio-ainda-cresce-nas-empresas-e-como-podemos-extingui-lo-de-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/08\/por-que-o-assedio-ainda-cresce-nas-empresas-e-como-podemos-extingui-lo-de-vez\/","title":{"rendered":"Por que o ass\u00e9dio ainda cresce nas empresas \u2013 e como podemos extingui-lo, de vez?"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Construir a cultura de uma empresa d&aacute; trabalho. Leva tempo. N&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. E se torna ainda mais complexa quando entendemos que essa cultura n&atilde;o &eacute; constru&iacute;da apenas pela alta lideran&ccedil;a. Ela &eacute; moldada todos os dias, por todas as pessoas que fazem parte da organiza&ccedil;&atilde;o, em todos os n&iacute;veis e lugares &ndash; com suas particularidades locais, regionais e culturais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Trabalho com compliance h&aacute; mais de 25 anos, seja atuando dentro das empresas como executiva, seja hoje, como consultora. E posso afirmar: o ass&eacute;dio, em todas as suas formas, continua presente no ambiente corporativo &ndash; e ainda exige a&ccedil;&otilde;es constantes. O n&uacute;mero de casos reportados aumenta. E a judicializa&ccedil;&atilde;o do tema cresce na mesma propor&ccedil;&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Entre 2020 e 2024, a Justi&ccedil;a do Trabalho recebeu 33.050 novos casos envolvendo pedidos de indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral decorrente de ass&eacute;dio sexual no trabalho. Somente entre 2023 e 2024, o volume de novas a&ccedil;&otilde;es cresceu 35%, passando de 6.367 para 8.612.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Por um lado, esse cen&aacute;rio me entristece. Por outro, enxergo a&iacute; uma nova chance. Uma chance de transformar esse tema &ndash; muitas vezes t&eacute;cnico e distante &ndash; em algo pr&oacute;ximo, humano, compreens&iacute;vel. Um convite &agrave; consci&ecirc;ncia sobre o estrago que comportamentos disfuncionais causam no ambiente de trabalho, nas rela&ccedil;&otilde;es e na sa&uacute;de mental e emocional de todos os envolvidos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Ass&eacute;dio &eacute; sintoma. Cultura &eacute; causa.<\/strong><\/p>\n<p>Ass&eacute;dio n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o. Em muitas empresas, ele est&aacute; enraizado na cultura &ndash; camuflado como &ldquo;press&atilde;o por resultados&rdquo;, &ldquo;perfil agressivo&rdquo; ou &ldquo;jeito dif&iacute;cil, mas competente&rdquo;.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&atilde;o &eacute; exagero dizer que quase todo profissional j&aacute; sofreu algum tipo de ass&eacute;dio ao longo da vida. Seja um coment&aacute;rio inadequado, um constrangimento p&uacute;blico, uma insinua&ccedil;&atilde;o fora de hora, uma exclus&atilde;o proposital, o querer prejudicar o outro de maneira estrat&eacute;gica e velada. E isso deixa marcas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ass&eacute;dio moral &eacute; a exposi&ccedil;&atilde;o de uma pessoa a situa&ccedil;&otilde;es humilhantes e constrangedoras de forma repetitiva e prolongada, no exerc&iacute;cio do trabalho. N&atilde;o se confunde com o dano moral, que pode ocorrer por um &uacute;nico epis&oacute;dio, ainda que grave.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ass&eacute;dio sexual, por sua vez, &eacute; crime, previsto no artigo 216-A do C&oacute;digo Penal Brasileiro. E importante: o g&ecirc;nero da v&iacute;tima n&atilde;o &eacute; determinante para a configura&ccedil;&atilde;o do crime. Ainda assim, sabemos que ele ocorre preponderantemente contra mulheres, como mostram os dados estat&iacute;sticos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Por que o problema continua &ndash; mesmo com mais informa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, falamos mais sobre ass&eacute;dio. Mas falar n&atilde;o &eacute; o suficiente. Muitos programas internos continuam sendo meramente formais. Treinamentos obrigat&oacute;rios, canais de den&uacute;ncia burocr&aacute;ticos, pol&iacute;ticas guardadas na intranet.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Enquanto isso, a realidade muda. O modelo h&iacute;brido expandiu as formas de ass&eacute;dio &ndash; agora por mensagens, chamadas de v&iacute;deo, aplicativos corporativos. E a falta de supervis&atilde;o direta aumentou o sil&ecirc;ncio das v&iacute;timas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Segundo pesquisa nacional do Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o e Instituto Locomotiva, 76% das mulheres entrevistadas disseram j&aacute; ter sofrido ass&eacute;dio ou viol&ecirc;ncia no ambiente de trabalho. Ainda mais alarmante: em 36% dos casos, nada foi feito contra o agressor, e em 39% as v&iacute;timas nem sequer foram informadas sobre qualquer medida adotada.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outro levantamento, realizado pela Think Eva em parceria com o LinkedIn, apontou que 78% das mulheres t&ecirc;m medo de denunciar por acreditarem que a empresa n&atilde;o tomar&aacute; provid&ecirc;ncia. O dado mais cr&iacute;tico: apenas 5% recorreram ao RH, e muitas preferiram pedir demiss&atilde;o.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Fato &eacute; que em muitas empresas, que inclusive tem uma &aacute;rea dedicada ao Compliance, que centraliza os temas relacionados &eacute; desacreditada pelos colaboradores, tanto por n&atilde;o passar credibilidade e\/ou confian&ccedil;a n&atilde;o tomar a&ccedil;&otilde;es\/decis&otilde;es adequadas.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Departamento Jur&iacute;dico e RH n&atilde;o podem ser neutros. Precisam ser agentes de transforma&ccedil;&atilde;o<\/strong>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Ass&eacute;dio &eacute; viol&ecirc;ncia organizacional. E neutralidade, nesse contexto, perpetua o problema.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O papel do RH e do Departamento Jur&iacute;dico &eacute; ser guardi&atilde;o da cultura organizacional. Isso exige mais do que normativas. Exige posicionamento claro, escuta ativa, coragem institucional e demandar compromisso da alta lideran&ccedil;a.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Quatro caminhos para come&ccedil;ar a virar esse jogo<\/strong><\/p>\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Tornar a pol&iacute;tica contra o ass&eacute;dio parte do cotidiano, n&atilde;o apenas do onboarding: Comunicar com clareza, refor&ccedil;ar com frequ&ecirc;ncia, revisar sempre que necess&aacute;rio. As pessoas precisam saber o que &eacute; ass&eacute;dio &ndash; e o que n&atilde;o ser&aacute; tolerado.<\/li>\n<li>Formar l&iacute;deres &eacute;ticos e emp&aacute;ticos: Lideran&ccedil;a &eacute; influ&ecirc;ncia, &eacute; formar opini&atilde;o &ndash; e pode ser usada para proteger ou para violentar. A maior parte dos casos de ass&eacute;dio envolve lideran&ccedil;as despreparadas, que confundem autoridade com autoritarismo.<\/li>\n<li>Criar canais de escuta confi&aacute;veis, seguros e humanos: Uma den&uacute;ncia mal acolhida pode destruir n&atilde;o apenas uma carreira, mas a confian&ccedil;a em toda a organiza&ccedil;&atilde;o.<\/li>\n<li>Medir e monitorar o clima de forma ativa: Absente&iacute;smo, rotatividade alta, reclama&ccedil;&otilde;es indiretas &ndash; tudo isso s&atilde;o sintomas que devem ser analisados com aten&ccedil;&atilde;o e sensibilidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O que est&aacute; em jogo &eacute; mais do que reputa&ccedil;&atilde;o: &eacute; a dignidade das pessoas<\/strong><\/p>\n<p>Pensemos juntos: por que transformar o ambiente de trabalho em um lugar hostil, inseguro, excludente? Se passamos boa parte da vida trabalhando, por que n&atilde;o fazer disso um espa&ccedil;o de crescimento, acolhimento e fazer parte?<\/p>\n<p>Ambientes saud&aacute;veis geram bons resultados. Isso n&atilde;o &eacute; discurso: &eacute; realidade. As gera&ccedil;&otilde;es mais jovens j&aacute; demonstram que n&atilde;o buscam apenas bons sal&aacute;rios, mas sim ambientes respeitosos, justos e humanos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&atilde;o cabe mais fingir que o problema est&aacute; restrito a algumas pessoas ou a &ldquo;casos isolados&rdquo;. O ass&eacute;dio &eacute; um reflexo direto da cultura organizacional. Cabe a n&oacute;s &ndash; l&iacute;deres, RHs, executivos e consultores &ndash; assumir a responsabilidade por mudar esse cen&aacute;rio. Respeito n&atilde;o pode ser negoci&aacute;vel. E n&atilde;o basta reagir. &Eacute; hora de agir com consci&ecirc;ncia, &eacute;tica e consist&ecirc;ncia.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><i><strong>*Viviane Gago, advogada e consteladora pelo Instituto de Psiquiatria da USP (IPQ\/USP) com parceria do Instituto Evoluir e ProSer e facilitadora pela Viviane Gago Desenvolvimento Humano. Mais informa&ccedil;&otilde;es no&nbsp;<\/strong><\/i><a href=\"https:\/\/www.vivianegago.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.vivianegago.com&amp;source=gmail&amp;ust=1758723818534000&amp;usg=AOvVaw1fSvfaRsHwp9tIrk87tcGV\">site<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Construir a cultura de uma empresa d&aacute; trabalho. Leva tempo. N&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. 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