{"id":454550,"date":"2025-08-22T13:46:52","date_gmt":"2025-08-22T13:46:52","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/08\/o-apartheid-da-aprendizagem-por-que-ainda-tratamos-treinamentos-de-forma-desigual-dentro-das-empresas\/"},"modified":"2025-08-22T13:46:52","modified_gmt":"2025-08-22T13:46:52","slug":"o-apartheid-da-aprendizagem-por-que-ainda-tratamos-treinamentos-de-forma-desigual-dentro-das-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/08\/o-apartheid-da-aprendizagem-por-que-ainda-tratamos-treinamentos-de-forma-desigual-dentro-das-empresas\/","title":{"rendered":"O apartheid da aprendizagem: por que ainda tratamos treinamentos de forma desigual dentro das empresas?*"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>As empresas modernas falam cada vez mais sobre diversidade, inclus&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o digital. Mas h&aacute; um tema pouco discutido, ainda que impacte diretamente a competitividade e a cultura organizacional: o apartheid da aprendizagem.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O termo pode parecer forte, mas traduz bem a realidade de muitas companhias. Enquanto executivos e l&iacute;deres recebem treinamentos sofisticados, experi&ecirc;ncias imersivas, programas internacionais de desenvolvimento e acesso &agrave;s metodologias mais atuais, os profissionais da base da pir&acirc;mide &mdash; que sustentam a opera&ccedil;&atilde;o no dia a dia &mdash; continuam sendo treinados com materiais pobres, gen&eacute;ricos ou defasados.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Essa disparidade cria uma barreira invis&iacute;vel, que separa os que est&atilde;o preparados para o futuro daqueles que permanecem presos ao passado. Na pr&aacute;tica, estabelece-se uma contradi&ccedil;&atilde;o: fala-se em inova&ccedil;&atilde;o como valor estrat&eacute;gico, mas a pr&oacute;pria empresa alimenta uma desigualdade que compromete sua capacidade de inovar.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Exemplos de desigualdade na aprendizagem corporativa<\/strong><\/p>\n<p>Algumas das maiores companhias globais t&ecirc;m investido em universidades corporativas ou hubs de treinamento que oferecem experi&ecirc;ncias personalizadas e conte&uacute;dos avan&ccedil;ados &mdash; mas em sua maioria destinados a gestores e &aacute;reas estrat&eacute;gicas. Em segmentos como bens de consumo, tecnologia e servi&ccedil;os digitais, esses centros de aprendizagem resultaram em ganhos expressivos de engajamento e produtividade. Ainda assim, a base operacional muitas vezes recebe apenas treinamentos padronizados, com menor impacto no desenvolvimento profissional.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Em outro exemplo, empresas gigantes dos setores farmac&ecirc;utico e esportivo investiram fortemente em programas de intelig&ecirc;ncia emocional para executivos. Os resultados mostraram avan&ccedil;os relevantes em clima organizacional, comunica&ccedil;&atilde;o e produtividade. Por&eacute;m, esse tipo de iniciativa raramente se estende com a mesma profundidade aos n&iacute;veis operacionais, perpetuando a desigualdade no acesso a habilidades cada vez mais essenciais.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Essa pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; isolada. Uma pesquisa realizada em 2023 pela CYPHER Learning, com 4.000 profissionais nos Estados Unidos e Reino Unido, mostrou que:<\/p>\n<ul>\n<li>88% dos executivos C-level t&ecirc;m liberdade para escolher quando, onde e como fazem seus treinamentos.<\/li>\n<li>Entre os funcion&aacute;rios iniciantes ou de n&iacute;vel intermedi&aacute;rio, apenas 37% possuem essa flexibilidade.<\/li>\n<li>42% dos executivos afirmaram ter feito mais treinamentos no &uacute;ltimo ano, contra apenas 17% da base.<\/li>\n<li>L&iacute;deres s&atilde;o quase tr&ecirc;s vezes mais propensos a considerar seus treinamentos divertidos e inspiradores, enquanto 42% dos colaboradores da base descrevem os treinamentos como entediantes, e 36% usam a express&atilde;o <em>&ldquo;death by PowerPoint&rdquo;.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>Essa pesquisa evidencia que os treinamentos destinados aos l&iacute;deres tendem a ser mais customizados, motivadores e frequentes, enquanto a base da organiza&ccedil;&atilde;o permanece com experi&ecirc;ncias de menor qualidade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>O impacto da desigualdade na aprendizagem<\/strong><\/p>\n<p>Ignorar essa diferen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; apenas uma quest&atilde;o &eacute;tica, mas tamb&eacute;m estrat&eacute;gica. Quando a base da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o recebe treinamentos de qualidade, o impacto &eacute; direto em &aacute;reas cruciais:<\/p>\n<ul>\n<li>Erros e retrabalho se multiplicam, porque os colaboradores n&atilde;o est&atilde;o atualizados sobre processos, normas ou ferramentas.<\/li>\n<li>Ado&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias se torna mais lenta, j&aacute; que os times n&atilde;o recebem suporte adequado para aprender a utiliz&aacute;-las.<\/li>\n<li>Rotatividade aumenta, pois profissionais percebem que n&atilde;o t&ecirc;m as mesmas oportunidades de desenvolvimento que outros n&iacute;veis da empresa.<\/li>\n<li>Engajamento diminui, e com ele a disposi&ccedil;&atilde;o de contribuir com ideias, inova&ccedil;&otilde;es e melhorias.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ou seja, ao investir de forma desigual na aprendizagem, a empresa cria gargalos que travam seu pr&oacute;prio crescimento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>A democratiza&ccedil;&atilde;o como estrat&eacute;gia<\/strong><\/p>\n<p>Superar o apartheid da aprendizagem exige uma mudan&ccedil;a de mentalidade: o conhecimento precisa ser encarado como um direito organizacional, e n&atilde;o como um privil&eacute;gio de cargos estrat&eacute;gicos.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>As ferramentas para essa mudan&ccedil;a j&aacute; est&atilde;o dispon&iacute;veis. Plataformas digitais, realidade virtual, realidade aumentada, simuladores e recursos interativos permitem criar treinamentos envolventes e acess&iacute;veis para qualquer n&iacute;vel hier&aacute;rquico. A personaliza&ccedil;&atilde;o por dados possibilita adaptar conte&uacute;dos de acordo com o perfil de cada colaborador, garantindo mais efetividade.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>N&atilde;o se trata apenas de oferecer conte&uacute;dos mais atrativos, mas de construir uma cultura em que todos aprendem juntos &mdash; l&iacute;deres, gestores, t&eacute;cnicos e operacionais. Afinal, n&atilde;o faz sentido preparar a lideran&ccedil;a para o futuro se aqueles que executam a estrat&eacute;gia permanecem no passado.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>O futuro da aprendizagem &eacute; inclusivo<\/strong><\/p>\n<p>Romper com essa l&oacute;gica &eacute; mais do que uma quest&atilde;o de justi&ccedil;a interna. &Eacute; uma estrat&eacute;gia de competitividade. Empresas que democratizam o acesso &agrave; aprendizagem constroem equipes mais preparadas, motivadas e alinhadas com os desafios da transforma&ccedil;&atilde;o digital.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o acontece em silos. Uma companhia s&oacute; se torna realmente inovadora quando todas as suas &aacute;reas est&atilde;o em sintonia, e isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando o conhecimento circula de forma equ&acirc;nime.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O apartheid da aprendizagem precisa ser superado para que possamos construir organiza&ccedil;&otilde;es mais &aacute;geis, humanas e sustent&aacute;veis.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong><em>*por Sergio Krivtzoff, co-fundador e diretor de Opera&ccedil;&otilde;es da NextGen Learning, empresa brasileira especializada em treinamento de alto impacto. Mais informa&ccedil;&otilde;es no site <\/em><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nextgenlearning.com.br\/\"><strong><em>www.nextgenlearning.com.br<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As empresas modernas falam cada vez mais sobre diversidade, inclus&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o digital. 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