{"id":454533,"date":"2025-05-20T14:44:52","date_gmt":"2025-05-20T14:44:52","guid":{"rendered":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/05\/altas-perdas-em-grandes-empresas-sao-geradas-pela-ma-gestao-do-conhecimento\/"},"modified":"2025-05-20T14:44:52","modified_gmt":"2025-05-20T14:44:52","slug":"altas-perdas-em-grandes-empresas-sao-geradas-pela-ma-gestao-do-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/2025\/05\/altas-perdas-em-grandes-empresas-sao-geradas-pela-ma-gestao-do-conhecimento\/","title":{"rendered":"Altas perdas em grandes empresas s\u00e3o geradas pela m\u00e1 gest\u00e3o do conhecimento*"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Voc&ecirc; j&aacute; se perguntou quanto sua empresa perde, todos os anos, por n&atilde;o saber o que j&aacute; sabe? De acordo com a ATD (Association for Talent Development), empresas com 1.000 funcion&aacute;rios perdem, em m&eacute;dia, US$13,5 milh&otilde;es por ano devido &agrave; m&aacute; gest&atilde;o do conhecimento. Esse dado, embora alarmante, ainda passa despercebido por muitos l&iacute;deres. Parece invis&iacute;vel, mas est&aacute; ali &ndash; nos processos repetidos sem necessidade, nas decis&otilde;es baseadas em tentativas e erros, nos retrabalhos silenciosos e, principalmente, na rotatividade do conhecimento quando um colaborador sai pela porta levando, junto com ele, parte da intelig&ecirc;ncia da empresa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Casos como o da NASA &ndash; Challenger (1986) e Columbia (2003) &ndash; s&atilde;o emblem&aacute;ticos. Em ambas as trag&eacute;dias, as investiga&ccedil;&otilde;es apontaram que informa&ccedil;&otilde;es sobre riscos t&eacute;cnicos j&aacute; eram conhecidas. Em ambos os casos, o conhecimento estava dispon&iacute;vel; por&eacute;m disperso, desarticulado, n&atilde;o compartilhado e, portanto, inoperante.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>A aus&ecirc;ncia de uma estrutura eficaz de GC transformou dados valiosos em informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o acion&aacute;veis. O resultado foi a perda de 14 vidas, duas miss&otilde;es destru&iacute;das, e impactos profundos na reputa&ccedil;&atilde;o e financiamento da NASA. Em termos t&eacute;cnicos, tratou-se de uma falha sist&ecirc;mica de captura, an&aacute;lise e dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O caso da BP com a Deepwater Horizon (2010) segue a mesma l&oacute;gica. A explos&atilde;o da plataforma no Golfo do M&eacute;xico, que causou 11 mortes e o maior vazamento de petr&oacute;leo da hist&oacute;ria dos EUA, tamb&eacute;m teve ra&iacute;zes na m&aacute; gest&atilde;o do conhecimento. A investiga&ccedil;&atilde;o oficial revelou que informa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas n&atilde;o foram compartilhadas entre as equipes da BP e suas contratadas. Havia silos informacionais, falhas de comunica&ccedil;&atilde;o e aus&ecirc;ncia de mecanismos estruturados para an&aacute;lise de risco colaborativa.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Situa&ccedil;&atilde;o semelhante foi vivida pela Uber, que enfrentou dificuldades operacionais em diversos pa&iacute;ses devido &agrave; falta de treinamento de sua equipe em aspectos-chave como conformidade regulat&oacute;ria e pr&aacute;ticas de seguran&ccedil;a para motoristas. O resultado foram multas milion&aacute;rias, a&ccedil;&otilde;es judiciais e um grave abalo na confian&ccedil;a dos usu&aacute;rios. Em 2020, a empresa registrou perdas financeiras estimadas em US$ 6,8 bilh&otilde;es &mdash; boa parte delas ligadas &agrave; aus&ecirc;ncia de mecanismos eficazes para transfer&ecirc;ncia e atualiza&ccedil;&atilde;o de conhecimento operacional.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Outro exemplo marcante ocorreu no agroneg&oacute;cio brasileiro. Em 2022, o colapso de um silo de gr&atilde;os no Paran&aacute; resultou na morte de cinco oper&aacute;rios durante um processo de limpeza. Auditorias constataram a falta de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o e, principalmente, de treinamento sobre os riscos em espa&ccedil;os confinados. O conhecimento t&eacute;cnico existia, mas n&atilde;o havia sido adequadamente disseminado entre os trabalhadores da linha de frente. O custo humano e financeiro do incidente exp&ocirc;s a neglig&ecirc;ncia com a gest&atilde;o do conhecimento em ambientes de alto risco.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Esses casos n&atilde;o s&atilde;o exce&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o sinais de um padr&atilde;o recorrente em muitas organiza&ccedil;&otilde;es: o conhecimento existe, mas n&atilde;o circula. E quando n&atilde;o circula, ele n&atilde;o serve &agrave; tomada de decis&atilde;o, &agrave; mitiga&ccedil;&atilde;o de risco ou &agrave; melhoria cont&iacute;nua.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong>Mas por que isso acontece?<\/strong><\/p>\n<p>A resposta est&aacute; na forma como tratamos o conhecimento nas organiza&ccedil;&otilde;es. Ele &eacute; visto como um subproduto. Algo que &ldquo;acontece&rdquo; durante o trabalho, mas n&atilde;o como um ativo estrat&eacute;gico que precisa ser cultivado, estruturado, compartilhado e atualizado constantemente. E aqui entra um fator essencial para mudar esse panorama: um programa de capacita&ccedil;&atilde;o corporativo cont&iacute;nuo, contextualizado e assistido.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>O erro de muitas empresas est&aacute; em tratar o treinamento como um evento pontual, um &ldquo;checklist&rdquo; de compliance ou onboarding. Esse modelo, fragmentado e desatualizado, n&atilde;o se sustenta frente &agrave; velocidade com que o conhecimento se transforma nos ambientes corporativos atuais. O verdadeiro valor est&aacute; em uma abordagem cont&iacute;nua de desenvolvimento, com avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho, refor&ccedil;o pr&aacute;tico e ajustes com base no uso real do conte&uacute;do no trabalho.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Capacitar n&atilde;o &eacute; apenas ensinar, &eacute; garantir que o conhecimento seja aplicado. E isso exige proximidade, metodologia e tecnologia. &Eacute; nesse ponto que a gest&atilde;o do conhecimento se conecta com a cultura. Empresas que encaram o aprendizado como processo cont&iacute;nuo, e n&atilde;o como um projeto isolado, s&atilde;o mais resilientes. S&atilde;o menos dependentes de indiv&iacute;duos e mais sustentadas por processos inteligentes, colaborativos e replic&aacute;veis.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p>Portanto, deixo aqui uma provoca&ccedil;&atilde;o: sua empresa est&aacute; apenas acumulando dados e manuais, ou est&aacute; realmente cultivando conhecimento? Os treinamentos realizados de fato impactam o desempenho, ou s&oacute; servem para &ldquo;mostrar que foi feito&rdquo;?<\/p>\n<p>O futuro da competitividade organizacional passa, inevitavelmente, por valorizar o conhecimento que j&aacute; existe, estruturar o aprendizado do presente e preparar a transfer&ecirc;ncia desse saber para o amanh&atilde;. Ignorar isso &eacute; pagar caro. E, como vimos, n&atilde;o &eacute; pouco.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<p><strong><em>*por Sergio Krivtzoff, co-fundador e diretor de Opera&ccedil;&otilde;es da NextGen Learning, empresa brasileira especializada em treinamento de alto impacto. Mais informa&ccedil;&otilde;es no <a href=\"http:\/\/www.nextgenlearning.com.br\/\">site<\/a><\/em><\/strong>.<\/p>&nbsp;&nbsp;\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc&ecirc; j&aacute; se perguntou quanto sua empresa perde, todos os anos, por n&atilde;o saber o que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[21201,17,14418],"tags":[],"class_list":["post-454533","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-geral","category-noticias","wpcat-21201-id","wpcat-17-id","wpcat-14418-id"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/454533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=454533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/454533\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=454533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=454533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepress.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=454533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}